O
transtorno
de
déficit
de
atenção
(
TDAH
)
é
uma
condição
tão
complexa
que
vídeos
curtos
sobre
ele
em
redes
sociais
como
o
Tik
Tok
têm
grandes
riscos
de
levarem
a
conclusões
equivocadas
.
Não
basta
saber
que
os
três
principais
sintomas
de
o
TDAH
são
:
desatenção
,
hiperatividade
e
impulsividade
.
O
transtorno
pode
ir
muito
além
de
isso
e
envolver
prejuízos
e
disfunções
cognitivas
amplas
,
com
alterações
motoras
e
de
linguagem
muitas
vezes
.
Além
de
isso
,
uma
pessoa
diagnosticada
com
TDAH
não
precisa
ter
os
três
sintomas
centrais
a
o
mesmo
tempo
,
necessariamente
.
TikTok
disse
que
você
tem
TDAH
?
Médicos
alertam
sobre
falsos
'
diagnósticos
'
de
TDAH
Levantamentos
populacionais
sugerem
que
o
TDAH
ocorre
em
cerca
de
5
%
de
as
crianças
e
2,5
%
de
os
adultos
,
mas
apenas
20
%
de
essas
crianças
têm
de
fato
o
diagnóstico
.
Os
tratamentos
para
o
TDAH
não
levam
a
a
cura
,
mas
a
a
melhora
de
os
sintomas
e
em
a
qualidade
de
vida
.
Eles
incluem
terapia
cognitivo-comportamental
e
medicação
farmacológica
.
Em
uma
busca
rápida
por
o
termo
TDAH
em
o
Tik
Tok
,
são
encontrados
vídeos
de
menos
de
um
minuto
com
cerca
de
3,5
milhões
de
visualizações
,
que
mostram
supostos
sintomas
de
o
transtorno
,
como
as
pernas
inquietas
e
a
agitação
durante
o
sono
.
Mas
o
diagnóstico
envolve
a
observação
clínica
de
um
médico
que
analisa
uma
série
de
sintomas
.
Psicólogos
podem
suspeitar
de
o
transtorno
e
encaminhar
os
casos
para
o
médico
,
que
costuma
ser
um
psiquiatra
ou
neuropediatra
.
Testes
neuropsicológicos
fornecem
dados
,
mas
não
confirmam
o
diagnóstico
isoladamente
.
O
psiquiatra
de
o
Hospital
Albert
de
o
Einstein
Elton
Yoji
Kanomata
explica
que
muitos
pacientes
costumam
chegar
a
o
consultório
acreditando
ter
TDAH
,
quando
em
a
verdade
têm
depressão
ou
ansiedade
,
que
também
têm
a
desatenção
como
um
de
os
possíveis
sintomas
.
“
A
gente
tem
um
fenômeno
de
influenciadores
de
saúde
mental
que
simplificam
o
assunto
.
Eles
dizem
que
aquilo
é
TDAH
ou
pânico
e
adolescentes
que
estão
formando
a
identidade
e
passando
por
sentimentos
e
emoções
desconhecidas
acabam
acreditando
”
,
acrescenta
o
psiquiatra
de
crianças
e
adolescentes
e
professor
de
psiquiatria
de
a
USP
Guilherme
Polanczyk
.
Polanczyk
destaca
que
a
maior
parte
de
as
pessoas
com
TDAH
não
tem
diagnóstico
.
"
A
gente
não
quer
um
super
diagnóstico
,
mas
a
maior
parte
de
as
pessoas
que
morre
por
causa
de
esse
transtorno
morre
porque
não
recebe
tratamento
”
,
afirma
o
psiquiatra
.
Esta
reportagem
aborda
o
TDAH
a
partir
de
os
seguintes
pontos
:
Manifestação
de
os
primeiros
sintomas
Quando
desconfiar
de
a
desatenção
e
de
a
hiperatividade
?
O
diagnóstico
Tratamentos
Legislação
Manifestação
de
os
primeiros
sintomas
Os
sintomas
geralmente
surgem
antes
de
os
12
anos
e
tendem
a
melhorar
em
a
fase
adulta
.
As
crianças
que
foram
diagnosticadas
,
quando
chegam
em
a
idade
adulta
preenchem
,
por
exemplo
,
4
ou
3
de
os
5
sintomas
necessários
.
Ou
seja
,
os
sintomas
não
desaparecem
por
completo
,
mas
diminuem
.
Isso
ocorre
também
porque
adultos
têm
um
autoconhecimento
maior
e
aprendem
a
adotar
estratégias
para
evitar
esquecimentos
,
como
lembretes
,
e
retirar
de
o
campo
de
visão
itens
que
possam
"
sequestrar
"
sua
atenção
.
Quando
desconfiar
de
a
desatenção
e
de
a
hiperatividade
?
A
seguir
,
veja
uma
análise
de
a
American
Psychiatric
Association
sobre
o
que
configura
um
padrão
persistente
de
desatenção
e/ou
hiperatividade-impulsividade
que
interfere
em
o
funcionamento
e
em
o
desenvolvimento
.
Segundo
o
órgão
,
vários
sintomas
estão
presentes
em
dois
ou
mais
ambientes
(
ex.
:
em
casa
,
em
a
escola
,
em
o
trabalho
,
com
amigos
ou
parentes
e
em
outras
atividades
)
.
DESATENÇÃO
A
desatenção
é
um
de
os
grandes
sintomas
e
,
dentro
de
ele
,
deve
se
ficar
atento
a
:
Frequentemente
não
presta
atenção
em
detalhes
ou
comete
erros
por
descuido
em
tarefas
escolares
,
em
o
trabalho
ou
durante
outras
atividades
(
ex
:
negligência
ou
deixa
passar
detalhes
,
o
trabalho
é
impreciso
)
.
Frequentemente
tem
dificuldade
de
manter
a
atenção
em
tarefas
ou
atividades
lúdicas
(
ex
:
dificuldade
de
manter
o
foco
durante
aulas
,
conversas
ou
leituras
prolongadas
)
.
Frequentemente
parece
não
escutar
quando
alguém
lhe
dirige
a
palavra
diretamente
(
ex
:
parece
estar
com
a
cabeça
longe
,
mesmo
em
a
ausência
de
qualquer
distração
óbvia
)
.
Frequentemente
não
segue
instruções
até
o
fim
e
não
consegue
terminar
trabalhos
escolares
,
tarefas
ou
deveres
em
o
local
de
trabalho
(
ex
:
começa
as
tarefas
,
mas
rapidamente
perde
o
foco
e
facilmente
perde
o
rumo
)
.
Frequentemente
tem
dificuldade
para
organizar
tarefas
e
atividades
(
ex
:
dificuldade
em
gerenciar
tarefas
sequenciais
;
dificuldade
em
manter
materiais
e
objetos
pessoais
em
ordem
;
trabalho
desorganizado
e
desleixado
;
mau
gerenciamento
de
o
tempo
;
dificuldade
em
cumprir
prazos
)
.
Frequentemente
evita
,
não
gosta
ou
reluta
em
se
envolver
em
tarefas
que
exijam
esforço
mental
prolongado
(
ex
:
trabalhos
escolares
ou
lições
de
casa
;
para
adolescentes
mais
velhos
e
adultos
,
preparo
de
relatórios
,
preenchimento
de
formulários
,
revisão
de
trabalhos
longos
)
.
Frequentemente
perde
coisas
necessárias
para
tarefas
ou
atividades
(
ex
:
materiais
escolares
,
lápis
,
livros
,
instrumentos
,
carteiras
,
chaves
,
documentos
,
óculos
,
celular
)
.
Com
frequência
é
facilmente
distraído
por
estímulos
externos
(
para
adolescentes
mais
velhos
e
adultos
,
pode
incluir
pensamentos
não
relacionados
)
.
Com
frequência
é
esquecido
em
relação
a
atividades
cotidianas
(
ex
:
realizar
tarefas
e
obrigações
;
para
adolescentes
mais
velhos
e
adultos
,
retornar
ligações
,
pagar
contas
,
manter
horários
agendados
)
.
ATENÇÃO
:
Quando
seis
(
ou
mais
)
de
os
nove
sintomas
listados
anteriormente
persistem
por
por
o
menos
seis
meses
em
um
grau
que
é
inconsistente
com
o
nível
de
o
desenvolvimento
e
têm
impacto
negativo
diretamente
em
as
atividades
em
a
infância
,
pode
ser
indicativo
de
que
o
paciente
tenha
o
transtorno
e
vale
uma
investigação
detalhada
com
o
médico
.
Para
adolescentes
mais
velhos
e
adultos
(
17
anos
ou
mais
)
,
por
o
menos
cinco
sintomas
são
necessários
para
fechar
o
diagnóstico
médico
.
HIPERATIVIDADE
E
IMPULSIVIDADE
A
hiperatividade
e
a
impulsividade
estão
entre
os
sintomas
centrais
e
,
dentro
de
este
conjunto
,
deve
se
ficar
atento
a
:
Frequentemente
remexe
ou
batuca
as
mãos
ou
os
pés
ou
se
contorce
em
a
cadeira
.
Frequentemente
levanta
de
a
cadeira
em
situações
em
que
se
espera
que
permaneça
sentado
(
ex.
:
sai
de
o
seu
lugar
em
sala
de
aula
,
em
o
escritório
ou
em
outro
local
de
trabalho
ou
em
outras
situações
que
exijam
que
se
permaneça
em
um
mesmo
lugar
)
.
Frequentemente
corre
ou
sobe
em
as
coisas
em
situações
em
que
isso
é
inapropriado
.
*
em
adolescentes
ou
adultos
,
pode
se
limitar
a
sensações
de
inquietude
)
.
Com
frequência
é
incapaz
de
brincar
ou
se
envolver
em
atividades
de
lazer
calmamente
.
Com
frequência
“
não
para
”
,
agindo
como
se
estivesse
“
com
o
motor
ligado
”
(
ex
:
não
consegue
ou
se
sente
desconfortável
em
ficar
parado
por
muito
tempo
,
como
em
restaurantes
,
reuniões
;
outros
podem
ver
o
indivíduo
como
inquieto
ou
difícil
de
acompanhar
)
.
Frequentemente
fala
demais
.
Frequentemente
deixa
escapar
uma
resposta
antes
que
a
pergunta
tenha
sido
concluída
(
ex
:
termina
frases
de
os
outros
,
não
consegue
aguardar
a
vez
de
falar
)
.
Frequentemente
tem
dificuldade
para
esperar
a
sua
vez
(
ex
:
aguardar
uma
fila
)
.
Frequentemente
interrompe
ou
se
intromete
(
ex
:
mete
se
em
as
conversas
,
jogos
ou
atividades
;
pode
começar
a
usar
as
coisas
de
outras
pessoas
sem
pedir
ou
receber
permissão
;
para
adolescentes
e
adultos
,
pode
intrometer
se
em
ou
assumir
o
controle
sobre
o
que
outros
estão
fazendo
)
.
ATENÇÃO
:
Quando
seis
(
ou
mais
)
de
os
nove
sintomas
persistem
por
por
o
menos
seis
meses
em
um
grau
que
é
inconsistente
com
o
nível
de
desenvolvimento
e
têm
impacto
negativo
diretamente
em
as
atividades
em
a
infância
,
pode
ser
indicativo
de
que
o
paciente
tenha
o
transtorno
e
vale
uma
investigação
detalhada
com
o
médico
.
Para
adolescentes
mais
velhos
e
adultos
(
17
anos
ou
mais
)
,
por
o
menos
cinco
sintomas
são
necessários
para
fechar
o
diagnóstico
médico
.
CARACTERÍSTICAS
ASSOCIADAS
QUE
APOIAM
O
DIAGNÓSTICO
DE
TDAH
De
acordo
com
a
American
Psychiatric
Association
/
DSM-5
,
as
características
a
seguir
podem
apoiar
o
diagnóstico
:
Baixa
tolerância
a
frustração
,
irritabilidade
ou
alteração
de
o
humor
.
Desempenho
acadêmico
ou
profissional
prejudicado
.
O
comportamento
desatento
está
associado
a
vários
processos
cognitivos
subjacentes
e
indivíduos
com
TDAH
podem
exibir
problemas
cognitivos
em
testes
de
atenção
,
função
executiva
ou
memória
,
embora
esses
testes
não
sejam
suficientemente
sensíveis
ou
específicos
para
servir
como
índices
diagnósticos
.
Risco
aumentado
de
tentativa
de
suicídio
em
o
início
de
a
vida
adulta
,
principalmente
quando
em
comorbidade
com
transtorno
de
o
humor
,
de
a
conduta
ou
por
uso
de
substância
.
Atrasos
leves
em
o
desenvolvimento
linguístico
,
motor
ou
social
não
são
específicos
de
o
TDAH
,
embora
costumem
ser
comórbidos
.
OUTROS
ASPECTOS
IMPORTANTES
,
CITADOS
EM
ESTUDOS
E
A
PARTIR
DE
A
OBSERVAÇÃO
CLÍNICA
Acidentes
não
intencionais
por
conta
de
a
desatenção
são
observados
já
em
a
infância
.
A
o
longo
de
o
tempo
,
o
TDAH
pode
trazer
impactos
e
prejuízos
significativos
.
Um
maior
risco
de
acidentes
de
trânsito
e
gestações
não
planejadas
é
observado
em
a
adolescência
e
em
o
início
de
a
idade
adulta
.
Até
50
%
de
as
pessoas
com
o
transtorno
apresentam
irritabilidade
,
baixa
tolerância
a
frustrações
,
sintomas
depressivos
e
ansiosos
,
de
acordo
com
alguns
estudos
.
Desregulação
emocional
,
falta
de
motivação
,
menor
qualidade
de
vida
e
baixa
autoestima
.
Alterações
de
o
chamado
sistema
de
recompensas
:
por
isso
,
muitas
vezes
as
pessoas
com
TDAH
têm
problemas
com
jogos
-
seja
eletrônicos
,
de
azar
,
apostas
-
e
até
problemas
com
substâncias
.
Tendência
maior
a
o
uso
abusivo
de
telas
e
aversão
a
recompensas
futuras
.
Ex.
:
um
doce
agora
tem
um
valor
muito
maior
de
o
que
de
aqui
a
algumas
horas
.
Sensação
de
tédio
,
de
aborrecimento
e
grande
desconforto
a
o
entrar
em
atividades
em
que
não
há
uma
recompensa
ou
prazer
.
Comportamentos
de
desafio
,
opositores
e
de
agressividade
verbal
e
física
muitas
vezes
também
persistem
até
a
idade
adulta
.
Risco
aumentado
de
doenças
inflamatórias
autoimunes
,
obesidade
e
alterações
de
sono
.
A
procrastinação
é
uma
queixa
frequente
de
as
pessoas
com
TDAH
e
é
um
motivo
de
sofrimento
muito
grande
.
Relações
familiares
frequentemente
se
caracterizam
por
stress
com
conflitos
importantes
-
com
a
criança
e
entre
o
casal
,
em
função
de
todas
as
dificuldades
que
enfrentam
em
o
desenvolvimento
de
os
filhos
.
Um
estudo
de
2015
sugeriu
que
o
TDAH
pode
surgir
por
a
primeira
vez
em
a
idade
adulta
.
E
um
estudo
sueco
que
incluiu
5
milhões
de
pessoas
de
18
a
64
anos
apontou
comorbidades
relacionadas
a
o
TDAH
,
como
:
propensão
a
o
suicídio
,
depressão
,
bipolaridade
,
ansiedade
,
diabetes
tipo
2
e
hipertensão
.
Tanto
em
mulheres
quanto
em
homens
essas
comorbidades
foram
significantemente
maiores
em
pessoas
com
TDAH
de
o
que
em
pessoas
sem
o
transtorno
.
Antigamente
,
havia
a
noção
de
que
quem
tinha
sucesso
educacional
ou
profissional
não
poderia
ter
TDAH
,
mas
a
clínica
e
os
estudos
mostram
que
muitas
pessoas
com
o
transtorno
conseguem
ter
alto
desempenho
,
sucesso
e
alcançar
suas
metas
.
“
É
importante
dizer
que
nem
todas
as
pessoas
com
TDAH
se
tornam
adultos
com
essa
gama
ampla
de
prejuízos
.
Mas
aí
existem
prejuízos
que
envolvem
sofrimento
,
um
esforço
e
toda
uma
questão
de
superação
pessoal
”
,
destaca
Polanczyk
.
O
médico
explica
também
que
o
transtorno
é
caracterizado
por
uma
desregulação
de
o
controle
de
a
atenção
.
O
indivíduo
tem
dificuldade
de
decidir
voluntariamente
em
colocar
ou
retirar
a
atenção
em
algum
estímulo
,
independente
de
o
que
ocorre
a
o
redor
.
Isso
explica
o
chamado
hiperfoco
em
pacientes
que
,
quando
começam
a
ler
algo
que
interessa
a
eles
,
ficam
horas
sem
perceber
o
que
ocorreu
a
o
redor
.
O
fato
de
o
transtorno
ser
amplamente
heterogêneo
explica
pacientes
que
processam
lentamente
a
informação
e
têm
sonolência
e
outros
que
são
mais
agitados
,
buscam
emoções
e
fazem
esportes
radicais
.
A
primeira
descrição
científica
de
o
TDAH
ocorreu
em
1902
,
como
uma
condição
que
afetava
crianças
e
adolescentes
com
características
de
agitação
,
inquietude
e
muito
relacionadas
a
prejuízos
escolares
.
Os
primeiros
estudos
que
mostraram
que
a
condição
também
acomete
adultos
sugiram
em
a
década
de
1950
.
Inicialmente
pensava
se
que
o
TDAH
terminava
a
o
final
de
a
adolescência
.
De
fato
,
observa
se
uma
melhora
clínica
em
os
sintomas
em
a
vida
adulta
,
mas
eles
não
desaparecem
por
completo
.
Os
sintomas
de
desatenção
tendem
a
persistir
de
uma
forma
mais
relativa
a
o
longo
de
o
tempo
,
enquanto
sintomas
de
hiperatividade
e
de
impulsividade
melhoram
de
uma
forma
bem
mais
significativa
.
“
Cerca
de
70
%
de
os
pacientes
persistem
em
a
fase
adulta
com
sintomas
subclínicos
e
associados
a
prejuízo
funcional
.
Há
uma
melhora
de
os
sintomas
,
de
a
capacidade
atencional
e
motora
.
Mas
essa
melhora
não
necessariamente
se
traduz
por
melhora
funcional
”
,
explica
Polanczyk
.
Estudos
apontam
que
pessoas
com
TDAH
têm
alterações
em
a
área
de
o
cérebro
chamada
de
córtex
pré-frontal
,
que
desempenha
funções
amplas
de
regulação
de
a
atenção
,
de
as
emoções
e
de
o
comportamento
.
Em
a
infância
,
as
crianças
com
TDAH
costumam
levantar
bastante
e
ter
dificuldade
de
controle
de
o
corpo
–
tanto
em
sala
de
aula
como
durante
as
refeições
,
inclusive
.
Em
a
adolescência
,
quando
se
espera
uma
autonomia
maior
,
as
questões
executivas
começam
muitas
vezes
a
ser
a
principal
fonte
de
problema
.
Em
os
adultos
,
as
questões
executivas
muitas
vezes
são
a
razão
por
a
qual
os
pacientes
buscam
atendimento
.
O
paciente
costuma
não
retornar
as
ligações
,
esquece
de
pagar
as
contas
e
de
manter
os
compromissos
.
Existe
uma
dificuldade
de
gerenciar
o
tempo
,
fazer
planejamentos
,
manter
a
organização
,
manter
os
pertences
,
os
materiais
e
as
roupas
em
ordem
.
Em
essa
fase
,
a
distração
com
estímulos
externos
costuma
ser
chamada
de
devaneio
.
Para
essas
pessoas
agitadas
e
com
necessidade
de
realizar
tarefas
,
ficar
parado
ou
relaxar
ou
não
realizar
nenhuma
atividade
é
muito
difícil
.
A
impaciência
e
a
dificuldade
de
a
espera
também
são
características
de
quem
tem
TDAH
.
O
diagnóstico
A
investigação
de
o
diagnóstico
é
clínica
e
precisa
ser
feita
por
um
médico
(
geralmente
psiquiatra
ou
neuropediatra
)
.
Psicólogos
costumam
ter
conhecimento
sobre
psicopatologia
e
muitas
vezes
podem
suspeitar
e
encaminhar
o
caso
para
o
médico
.
Com
os
testes
neuropsicológicos
disponíveis
atualmente
,
muita
gente
entende
que
,
se
aparecer
desatenção
em
o
teste
,
é
TDAH
.
Mas
muitas
vezes
não
é
.
Assim
como
uma
pessoa
pode
ter
TDAH
e
não
aparecer
em
o
teste
psicológico
.
O
teste
neuropsicológico
ajuda
em
o
diagnóstico
,
mas
não
confirma
.
Ele
fornece
dados
para
serem
interpretados
em
uma
avaliação
clínica
.
O
Dr
.
Kanomata
alerta
que
a
quantidade
crescente
de
médicos
mal
formados
e
naturalmente
mal
preparados
para
fazer
este
diagnóstico
acaba
levando
a
falsos
diagnósticos
positivos
ou
negativos
.
“
Medicamentos
de
primeira
linha
como
o
Venvanse
podem
piorar
outros
transtornos
mentais
como
transtornos
de
ansiedade
.
E
é
relativamente
comum
que
o
TDAH
venha
acompanhado
de
algum
outro
transtorno
neuropsiquiátrico
,
o
que
traz
maiores
desafios
em
o
momento
de
a
investigação
”
,
acrescenta
Kanomata
.
O
médico
afirma
que
,
em
o
caso
de
crianças
,
é
muito
comum
a
necessidade
de
investigação
complementar
com
a
realização
de
avaliação
neuropsicológica
para
somar
a
a
entrevista
médica
.
Já
em
o
adulto
,
muitas
vezes
não
há
a
necessidade
de
a
avaliação
neuropsicológica
.
Apesar
de
serem
observadas
alterações
em
o
córtex
pré-frontal
em
pessoas
com
TDAH
,
os
exames
de
imagens
–
mais
usados
em
pesquisas
-
não
comprovam
o
diagnóstico
.
Isso
porque
identificar
alterações
em
as
imagens
não
leva
a
assertividade
de
qual
ou
quais
de
os
diversos
transtornos
psiquiátricos
está
ou
estão
em
questão
.
Uma
alteração
em
a
amigdala
,
por
exemplo
,
pode
ser
depressão
,
síndrome
de
o
pânico
e
estresse
pós-traumático
.
Já
uma
alteração
em
o
córtex
pré-frontal
pode
ser
esquizofrenia
,
dependência
química
,
ansiedade
,
depressão
,
TDAH
,
ou
outros
transtornos
completamente
diferentes
.
Os
médicos
destacam
que
o
diagnóstico
é
importante
em
qualquer
fase
de
a
vida
,
para
iniciar
o
tratamento
.
“
A
partir
de
o
momento
que
o
paciente
percebe
que
aquilo
não
é
algo
que
está
sob
controle
de
ele
,
isso
pode
gerar
uma
sensação
de
conforto
.
Por
outro
lado
,
pode
levar
a
uma
frustração
,
a
o
saber
que
,
por
meios
próprios
,
sem
tratamento
,
ele
talvez
não
consiga
dar
conta
de
o
recado
.
E
tem
a
questão
de
portar
um
diagnóstico
psiquiátrico
,
que
pode
levar
a
estigmas
.
Muitas
vezes
os
pacientes
tendem
a
não
compartilhar
o
diagnóstico
para
outras
pessoas
.
Mas
hoje
já
se
fala
muito
mais
em
TDAH
de
o
que
em
o
passado
”
,
diz
Kanomata
.
Tratamentos
Os
tratamentos
para
o
TDAH
não
levam
a
a
cura
,
mas
sim
a
a
melhora
de
os
sintomas
e
em
a
qualidade
de
vida
-
assim
como
a
diminuição
de
o
número
de
acidentes
,
em
o
uso
de
substâncias
ilícitas
e
em
o
risco
de
depressão
e
suicídio
relacionados
a
o
transtorno
.
Os
adultos
em
tratamento
percebem
uma
nítida
discrepância
quando
os
sintomas
estão
bem
controlados
-
principalmente
de
o
ponto
de
vista
familiar
e
profissional
,
segundo
Kanomata
.
Os
tratamentos
incluem
:
Terapia
cognitivo-comportamental
:
um
tipo
de
terapia
em
que
se
tenta
identificar
características
e
funcionamentos
mal-adaptativos
que
possam
estar
relacionados
a
um
determinado
transtorno
mental
ou
que
facilite
a
abertura
ou
persistência
de
tal
.
Medicamento
psicoestimulante
,
com
metilfenidato
(
Ritalina
)
ou
lisdexanfetamina
(
Venvanse
)
,
que
são
de
primeira
linha
e
com
taxas
de
sucesso
maiores
em
o
controle
de
os
sintomas
.
Quando
estes
não
são
eficazes
ou
não
são
bem
tolerados
,
pode
ser
prescrita
a
atomoxetina
(
Atenta
)
,
que
é
um
inibidor
seletivo
de
a
recaptação
de
noradrenalina
(
medicamento
de
segunda
linha
)
.
Também
pode
ser
usada
a
bupropiona
(
Zetron
e
Wellbutrin
)
,
que
é
considerado
um
medicamento
de
terceira
linha
e
faz
parte
de
a
classe
de
os
antidepressivos
.
A
prescrição
de
os
medicamentos
costuma
ter
pausas
em
os
finais
de
semana
e
em
as
férias
e
não
existe
um
consenso
sobre
a
dose
máxima
de
os
medicamentos
.
Mas
observa
se
que
a
melhora
começa
a
ser
menor
a
partir
de
doses
maiores
.
A
o
prescrever
a
dose
,
o
médico
precisa
avaliar
o
risco
cardiovascular
,
como
infarto
,
por
exemplo
.
O
psiquiatra
Kanomata
destaca
que
vários
fatores
precisam
ser
considerados
para
avaliar
se
vale
a
pena
ou
não
iniciar
um
tratamento
farmacológico
.
Ele
lembra
que
o
risco
de
eventos
cardiovasculares
aumenta
com
o
avançar
de
a
idade
,
por
exemplo
.
É
preciso
também
se
atentar
a
o
horário
de
a
administração
de
o
psicoestimulante
,
para
não
atrapalhar
o
sono
.
“
A
gente
está
falando
de
um
tipo
de
doença
que
tem
um
comprometimento
de
a
capacidade
atencional
e
cognitiva
.
E
a
gente
sabe
que
um
padrão
de
sono
adequado
tende
a
restaurar
isso
.
Então
,
uma
pessoa
com
insônia
vai
ter
os
sintomas
de
o
TDAH
piorados
”
,
acrescenta
Kanomata
.
Em
casos
leves
,
em
geral
,
o
tratamento
é
menos
intensivo
.
Mas
a
definição
de
o
que
é
leve
é
relativa
.
Por
exemplo
:
uma
pessoa
pode
manter
a
atenção
necessária
em
uma
sala
de
aula
,
apesar
de
eventuais
distrações
,
mas
acabar
se
envolvendo
em
acidentes
de
trânsito
.
Por
isso
,
o
tratamento
é
importante
.
“
O
movimento
social
de
a
neurodiversidade
é
propor
que
o
TDAH
e
o
autismo
são
variações
de
o
desenvolvimento
.
Um
aspecto
muito
importante
é
empoderar
as
pessoas
de
as
suas
dificuldades
,
estimular
que
busquem
de
uma
forma
ativa
a
soluções
para
as
dificuldades
e
não
reforçar
o
modelo
de
doença
e
de
incapacidade
”
,
diz
Polanczyk
.
O
uso
excessivo
de
telas
pode
levar
a
um
aumento
de
desatenção
,
mas
isso
somente
não
é
TDAH
e
esse
uso
é
avaliado
também
em
a
investigação
de
o
diagnóstico
.
Legislação
De
acordo
com
a
Classificação
Internacional
de
as
Doenças
(
CID
)
,
o
TDAH
é
considerado
por
a
Organização
Mundial
de
Saúde
uma
doença
,
mas
em
o
Brasil
não
existe
uma
legislação
que
dê
prioridade
para
as
pessoas
com
esta
doença
.
Em
o
ensino
fundamental
e
médio
,
os
alunos
com
TDAH
têm
direito
a
um
tempo
maior
para
realizar
provas
.
Mas
em
o
ensino
superior
,
ainda
não
há
legislação
para
isso
.
TikTok
disse
que
você
tem
TDAH
?
Médicos
alertam
sobre
falsos
'
diagnósticos
'
de
déficit
de
atenção
em
as
redes
;
veja
sintomas
reais
Áudiolivros
podem
beneficiar
quem
tem
TDAH