Representação em texto

Os efeitos da solidão no cérebro de idosos

IDTEJ_1036
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/saude/noticia/2023/12/23/os-efeitos-da-solidao-no-cerebro-de-idosos.ghtml
TítuloOs efeitos da solidão no cérebro de idosos
SubtítuloA solidão afeta cerca de uma a cada 12 pessoas em todo o mundo, sem distinção de fronteiras, nem diferenças culturais. Mas, quando a situação se prolonga por muito tempo, a solidão pode se tornar crônica, passando a ser uma importante ameaça à saúde.
Ano2023
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaSaúde
PropósitoNoticiar

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A solidão afeta cerca de uma a cada 12 pessoas em todo o mund o , sem distinção de fronteiras , nem diferenças culturais .

Segundo a pesquisa mais recente realizada em a Europa , até 13 % de os entrevistados afirmaram que se sentiram sozinhos a maior parte de o tempo durante as quatro semanas anteriores a a realização de a pesquisa .

Se em os concentrarmos em o contexto específico de a Espanha , por exemplo , dados de o Instituto Nacional de Estatística de o país ( INE ) revelam que mais de 2 milhões de pessoas com mais de 65 anos vivem atualmente sem companhia .

E os números também destacam uma disparidade de gênero significativa : 44,1 % de as mulheres com mais de 85 anos vivem sozinhas , contra 24,2 % de os homens .

Essa circunstância não prejudica o bem-estar emocional de as pessoas , mas também adquire características de um problema de saúde pública , aumentando o risco de doenças mentais e cardiovasculares .

É preciso abordar dois fenômenos distintos . De um lado , está a solidão temporária , que é uma experiência comum com impactos limitados a a saúde e a o bem-estar de as pessoas , considerando sua natureza efêmera .

Mas , quando a situação se prolonga por muito tempo , a solidão pode se tornar crônica , passando a ser uma importante ameaça a a saúde .

O segundo ponto é que a solidão pode prejudicar as funções mentais de as pessoas idosas . A complexidade inerente a este problema reside em a profunda conexão entre a sensação contínua de isolamento e as transformações causadas a as funções mentais .

Cadeia de efeitos negativos

Para entender melhor essa relação , é preciso se aprofundar em as últimas descobertas de a neurociência e de a psicologia .

Estudos recentes revelaram aumento de a ativação de o sistema nervoso simpático e redução de a regulação de o sistema nervoso parassimpático ( responsável por o repouso e por a recuperação ) entre as pessoas idosas que vivem sozinhas .

E essas mudanças podem criar obstáculos para a capacidade de adaptação cerebral e a geração de novas células de o cérebro .

Outras pesquisas também encontraram alterações tangíveis de a estrutura física de o cérebro que predispõem as pessoas a sofrerem de doenças neurodegenerativas , como o Alzheimer , Parkinson e outros tipos de demência .

Por outro lado , estudos anteriores indicam maior risco de deterioração cognitiva leve e desenvolvimento de demência em as etapas avançadas de a vida .

E , como se não fosse suficiente , a falta de interações sociais pode prejudicar diversas capacidades cognitivas , como a memória episódica , a memória de trabalho , a atenção prolongada e a flexibilidade cognitiva , além de aumentar o risco de depressão , ansiedade e estresse crônico .

Este conjunto de desafios agrava os efeitos cognitivos e funcionais habitualmente associados a o processo de envelhecimento .

Traços de epidemia em os países desenvolvidos

Embora muitas causas possam levar a a solidão , foram identificados diversos fatores de risco , como a depressão e/ou doenças crônicas e a idade avançada . Quanto maior a idade , maior a possibilidade de isolamento social .

Por isso , tudo indica que o impacto de a solidão irá aumentar cada vez mais , especialmente em os países desenvolvidos , com o envelhecimento de a população . E este motivo faz com que seja cada vez mais frequente classificar a solidão como uma epidemia , que precisa ser combatida com políticas de saúde pública .

A preocupação cada vez maior com este panorama incentivou o desenvolvimento de programas comunitários , destinados a incentivar a interação social e fornecer apoio emocional .

Intervenções concretas demonstraram sua eficácia , sustentando não apenas a necessidade de reduzir os efeitos de a solidão , mas também de fortalecer o tecido social de as comunidades . É assim que se promove o envelhecimento ativo e saudável .

Qualidade de vida

Em resumo , a solidão entre as pessoas idosas representa um desafio que engloba numerosos aspectos e exige respostas em nível individual , comunitário e político .

Compreender os mecanismos neurobiológicos subjacentes e os efeitos inter-relacionados de a solidão sobre a saúde cerebral e emocional é fundamental para orientar o desenvolvimento de estratégias para reduzir seus impactos negativos .

A o priorizar a solidão como tema importante de saúde pública , podemos melhorar a qualidade de vida de as pessoas idosas em todo o mundo . Este compromisso global é fundamental para fomentar a conexão e o enriquecimento pessoal a o longo de a melhor idade de a vida .

* María Antonia Parra Rizo é doutora em psicologia de a saúde de a Universidade Miguel Hernández , em a Espanha .

Este artigo foi publicado originalmente em o site de notícias acadêmicas The Conversation e republicado sob licença Creative Commons . Leia aqui a versão original em espanhol .

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