Representação em texto

Calor, multidão e esforço prolongado: os desafios invisíveis da São Silvestre para a saúde

IDTEJ_0950
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/saude/noticia/2025/12/31/calor-multidao-e-esforco-prolongado-os-desafios-invisiveis-da-sao-silvestre-para-a-saude.ghtml
TítuloCalor, multidão e esforço prolongado: os desafios invisíveis da São Silvestre para a saúde
SubtítuloProva disputada em pleno verão combina altas temperaturas, percurso exigente e grande aglomeração, elevando riscos cardiovasculares, térmicos e musculares.
Ano2025
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaSaúde
PropósitoNoticiar

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Centésima São Silvestre tem recorde de inscritos

A Corrida Internacional de São Silvestre chega a a sua 100ª edição cercada de simbolismo , festa e tradição . São 15 quilômetros por as ruas de o centro de São Paulo , em a manhã de 31 de dezembro , reunindo dezenas de milhares de corredores em a despedida de o ano .

Por trás de o clima festivo , porém , a prova impõe exigências físicas que vão além de o cansaço esperado em uma corrida de rua . Disputada em horário mais tardio e em pleno verão , a São Silvestre expõe os atletas a calor intenso , esforço prolongado e um percurso marcado por descida e subida , combinação que amplia o desgaste de o organismo .

Para muita gente , a corrida dura mais de uma hora , podendo chegar a uma hora e meia de esforço contínuo sob temperaturas elevadas , explica Diego Leite de Barros , educador físico e especialista em Fisiologia de o Exercício por a Universidade Federal de São Paulo ( Unifesp ) .

Risco térmico e desidratação

Esse cenário aumenta o risco de desidratação , superaquecimento e mal-estar , sobretudo entre corredores amadores . A largada após as 8h , destaca Barros , potencializa a perda de líquidos e eletrólitos por o suor —um processo que costuma se instalar de forma silenciosa .

Quando a pessoa sente sede , geralmente está desidratada . A partir de , surgem outros sintomas , como queda de pressão , tontura e perda de coordenação motora , até se chegar a a exaustão térmica , que é a hipertermia , afirma Barros .

Médico ortopedista de o Hospital Sírio Libanês , Diego Munhoz reforça que o risco térmico raramente atua sozinho .

O que mais preocupa é a combinação de desidratação com exaustão térmica . Ela pode evoluir para insolação , que é uma emergência médica , diz .

Além de o estresse térmico e de o desgaste muscular , a São Silvestre também pode funcionar como um teste silencioso para o coração —sobretudo em pessoas que não têm acompanhamento médico regular .

Para o cardiologista titular de o corpo clínico de o Hospital Israelita Albert Einstein , Elzo Mattar , estar com o check-up em dia é uma medida básica de segurança antes de encarar a prova .

É fundamental saber se a pessoa tem alguma cardiopatia , seja congênita ou genética , ou doenças adquiridas , como a aterosclerose , que podem representar risco durante a prática de atividade física intensa , explica o médico .

Segundo ele , condições comuns como pressão alta e algumas arritmias muitas vezes não dão sintomas e são detectadas em consulta . Se não tratadas , podem aumentar o risco de infarto , acidente vascular cerebral e até morte súbita , alerta .

Essa avaliação prévia ganha ainda mais importância em uma prova disputada sob calor intenso e esforço prolongado .

O ambiente de a São Silvestre impõe uma carga extra a o sistema cardiovascular , o que pode desmascarar problemas que estavam silenciosos , afirma Mattar , reforçando que a combinação de desidratação , aumento de a frequência cardíaca e queda de pressão pode ser especialmente perigosa em quem tem algum fator de risco .

A observação dialoga com o que especialistas em fisiologia e ortopedia apontam a o longo de a prova : quando o corpo começa a dar sinais de alerta , insistir não é sinal de resistência , é risco .

Multidão , ritmo e sobrecarga

Outro desafio pouco visível está em a própria dinâmica de a prova . Com cerca de 55 mil inscritos , a aglomeração dificulta a dispersão de os atletas a o longo de o percurso , atrapalha o acesso a os pontos de hidratação e aumenta a sensação térmica . o calor de o verão , o calor humano e o calor de o asfalto . Tudo isso amplia a sobrecarga sobre o corpo , explica Munhoz .

Em esse contexto , erros de estratégia se tornam mais frequentes . A descida logo em o início de a prova leva muitos corredores a forçar além de o que estão acostumados . As pessoas se empolgam com o clima de o evento , largam mais rápido de o que treinaram e acabam pagando esse esforço mais adiante , afirma o ortopedista .

O resultado pode ser queda brusca de rendimento , mal-estar e , em alguns casos , desmaios .

Para Barros , esses episódios não deveriam ser comuns , mas acabam acontecendo justamente por a combinação de distância , calor e preparo inadequado .

O desmaio é um sinal de colapso de o organismo , como se o corpo desligasse o disjuntor para evitar um dano maior , explica .

Sinais de alerta não são cansaço normal

Especialistas alertam que alguns sintomas exigem interrupção imediata de a prova e busca por atendimento médico , mesmo que falte pouco para a chegada . Dor ou aperto em o peito , falta de ar desproporcional a o esforço , tontura , confusão mental , desorientação , fraqueza intensa , visão turva e náuseas persistentes são sinais de alerta .

Se alteração de consciência ou perda de coordenação , isso não é fadiga comum . É emergência , ressalta Munhoz .

De o ponto de vista musculoesquelético , forçar em essas condições aumenta o risco de distensões , tendinites e piora de lesões prévias —especialmente em as subidas e descidas de o percurso .

Hidratação e energia

Em uma prova longa e quente como a São Silvestre , apenas água pode não ser suficiente para todos os perfis de corredores . Quem sua mais perde também mais sódio e potássio , o que favorece câimbras e mal-estar . A reposição precisa ser fracionada e , muitas vezes , incluir eletrólitos , especialmente a partir de a metade de a prova , orienta Barros .

Beber água em excesso , sem reposição de sais , também traz riscos . Em situações específicas , pode ocorrer hiponatremia , uma diluição perigosa de o sódio em o sangue , explica Munhoz . A recomendação é hidratar se de forma planejada , testada em os treinos , sem exageros motivados apenas por o medo de o calor .

Após cerca de 45 a 60 minutos de corrida , a reposição de carboidrato passa a ser importante para evitar queda de glicemia , que pode causar fraqueza , confusão e sensação de pane .

Géis e bebidas esportivas ajudam , desde que tenham sido usados durante os treinos .

O dia de a prova , alertam os especialistas , não é momento de experimentar nada novo

Chegar bem é o verdadeiro objetivo Para quem percebe que exagerou em o ritmo , alternar corrida e caminhada —especialmente em as subidas pode ser uma estratégia segura para reduzir a sobrecarga térmica e muscular .

Mais de o que performance , a principal orientação é respeitar os limites de o próprio corpo . A São Silvestre é uma prova única , histórica e festiva .

Com planejamento , atenção a os sinais de o corpo e estratégias adequadas , é possível cruzar a linha de chegada bem , com saúde , e aproveitar tudo o que essa experiência representa , conclui Barros .

Cuidados essenciais para correr com mais segurança Faça check-up antes de a prova . Hipertensão e arritmias podem ser silenciosas . Avaliação médica ajuda a reduzir o risco de infarto , AVC e morte súbita durante o esforço . Hidrate se antes de sentir sede . A sede é sinal de desidratação . O ideal é ingerir líquidos de forma fracionada a o longo de a prova , especialmente em o calor . Não dependa de água . Em corridas longas e quentes , a perda de eletrólitos como sódio e potássio pode causar câimbras e mal-estar . Bebidas isotônicas ajudam a repor esses sais . Atenção a os sinais de alerta . Tontura , confusão mental , dor em o peito , falta de ar fora de o esperado , visão turva e perda de coordenação não são cansaço normal . Em esses casos , a orientação é parar e procurar atendimento . Evite experimentar suplementos em o dia de a prova . Géis de carboidrato , isotônicos e cafeína devem ser testados em os treinos . Usar algo novo em a largada aumenta o risco de náusea e desconforto gastrointestinal . Ajuste o ritmo ; caminhar também é estratégia . Largar forte demais é um erro comum . Alternar corrida e caminhada , sobretudo em as subidas , ajuda a controlar o esforço e reduzir riscos . Respeite seus limites . Forçar até o fim pode causar lesões musculares e , em pessoas suscetíveis , eventos cardíacos .

Chegar bem é mais importante de o que bater tempo .


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