7
presos
por
aplicarem
golpe
de
o
falso
médico
A
demissão
de
um
técnico
de
enfermagem
em
Santos
(
SP
)
,
após
ter
sido
vítima
de
o
chamado
golpe
de
o
falso
médico
,
se
soma
a
uma
série
de
episódios
semelhantes
já
registrados
e
investigados
em
diferentes
estados
de
o
país
.
A
fraude
envolve
criminosos
que
se
passam
por
médicos
ou
gestores
de
a
saúde
para
obter
dados
sensíveis
ou
exigir
pagamentos
urgentes
,
sobretudo
quando
familiares
enfrentam
a
internação
de
alguém
em
estado
grave
.
Diante
de
a
recorrência
de
os
casos
,
entidades
médicas
e
hospitais
têm
reforçado
alertas
sobre
esse
tipo
de
abordagem
.
Em
o
episódio
ocorrido
em
o
litoral
paulista
,
o
golpista
entrou
em
contato
por
um
ramal
interno
de
o
hospital
,
se
apresentou
com
o
nome
real
de
um
médico
de
a
unidade
e
solicitou
informações
administrativas
e
imagens
de
prontuários
.
Com
esses
dados
,
tentou
aplicar
o
golpe
em
familiares
de
pacientes
internados
em
a
Unidade
de
Terapia
Intensiva
(
UTI
)
.
O
funcionário
acabou
desligado
de
a
instituição
por
descumprimento
de
normas
internas
e
de
a
Lei
Geral
de
Proteção
de
Dados
.
Casos
parecidos
vêm
sendo
apurados
em
estados
como
Rio
Grande
de
o
Sul
,
Mato
Grosso
,
Goiás
e
Rio
de
Janeiro
.
Em
dezembro
,
uma
operação
policial
prendeu
suspeitos
envolvidos
em
um
esquema
que
fazia
contatos
com
famílias
de
pacientes
internados
em
UTIs
,
cobrando
valores
elevados
para
exames
e
medicamentos
que
supostamente
não
seriam
cobertos
por
planos
de
saúde
.
Como
funciona
o
golpe
de
o
falso
médico
Embora
haja
variações
,
o
golpe
costuma
seguir
um
padrão
:
o
criminoso
liga
ou
envia
mensagens
se
identificando
como
médico
,
diretor
clínico
ou
integrante
de
a
equipe
hospitalar
;
usa
nomes
verdadeiros
de
profissionais
,
fotos
retiradas
de
a
internet
e
,
em
alguns
casos
,
informações
reais
sobre
o
paciente
,
como
setor
de
internação
;
afirma
que
houve
um
agravamento
súbito
de
o
quadro
clínico
,
citando
doenças
graves
ou
termos
técnicos
para
dar
verossimilhança
;
diz
que
é
necessário
um
pagamento
urgente
,
geralmente
via
Pix
,
para
exames
,
medicamentos
ou
procedimentos
“
fora
de
a
cobertura
”
;
promete
reembolso
posterior
e
cria
um
clima
de
urgência
extrema
,
com
pressão
emocional
.
Em
investigações
recentes
,
familiares
relataram
pedidos
que
chegavam
a
R$
10
mil
,
feitos
sob
a
justificativa
de
que
a
demora
poderia
comprometer
o
tratamento
.
Por
que
o
golpe
encontra
terreno
fértil
em
hospitais
O
ambiente
hospitalar
reúne
fatores
que
facilitam
esse
tipo
de
crime
:
vulnerabilidade
emocional
de
familiares
,
especialmente
em
UTIs
;
autoridade
simbólica
de
a
figura
médica
,
que
reduz
questionamentos
;
circulação
de
dados
sensíveis
,
que
pode
ser
explorada
quando
há
falhas
de
segurança
;
rotinas
intensas
e
sobrecarga
de
as
equipes
,
que
diminuem
o
tempo
para
checagem
.
Mesmo
sem
acesso
a
prontuários
completos
,
pequenas
informações
já
são
suficientes
para
tornar
a
abordagem
convincente
.
Entidades
médicas
emitem
alertas
O
Conselho
Federal
de
Medicina
e
a
Associação
Médica
Brasileira
têm
reforçado
alertas
sobre
diferentes
golpes
que
usam
indevidamente
a
imagem
e
a
autoridade
de
a
profissão
médica
—seja
para
extorquir
famílias
de
pacientes
,
seja
para
enganar
os
próprios
profissionais
de
saúde
.
Em
comunicado
recente
,
o
CFM
informou
ter
recebido
denúncias
de
falsários
que
entram
em
contato
com
médicos
por
aplicativos
de
mensagens
,
usando
logomarca
oficial
e
linguagem
persuasiva
para
oferecer
suposta
facilidade
em
o
pagamento
de
a
anuidade
profissional
.
Após
a
interação
,
os
golpistas
enviam
boletos
falsos
.
O
conselho
reforça
que
nem
o
CFM
nem
os
Conselhos
Regionais
de
Medicina
enviam
cobranças
por
WhatsApp
ou
outros
aplicativos
e
orienta
que
qualquer
pendência
financeira
seja
verificada
apenas
por
os
canais
oficiais
.
Já
a
Associação
Médica
Brasileira
,
em
nota
enviada
a
o
g1
,
afirma
que
a
atuação
criminosa
de
pessoas
que
se
passam
por
médicos
—ou
que
usam
indevidamente
a
identidade
de
a
profissão
—
representa
grave
risco
a
a
saúde
de
a
população
.
Segundo
a
entidade
,
indivíduos
sem
formação
adequada
,
registro
profissional
ou
habilitação
legal
não
têm
competência
técnica
nem
respaldo
ético
para
diagnosticar
,
prescrever
ou
orientar
tratamentos
,
o
que
pode
resultar
em
erros
graves
,
agravamento
de
doenças
,
sequelas
irreversíveis
e
até
mortes
evitáveis
.
Além
de
o
dano
direto
a
os
pacientes
,
a
AMB
avalia
que
essas
práticas
fragilizam
o
sistema
de
saúde
,
corroem
a
confiança
de
a
população
em
os
profissionais
devidamente
habilitados
e
sobrecarregam
serviços
públicos
e
privados
com
complicações
decorrentes
de
atendimentos
irregulares
.
A
entidade
orienta
a
população
a
sempre
verificar
se
o
médico
tem
CRM
ativo
e
a
denunciar
imediatamente
abordagens
suspeitas
a
os
conselhos
de
medicina
,
a
o
Ministério
Público
e
a
as
autoridades
policiais
.
Impactos
vão
além
de
o
prejuízo
financeiro
Além
de
a
perda
de
dinheiro
,
diz
a
entidade
,
o
golpe
pode
provocar
:
abalo
psicológico
em
familiares
já
fragilizados
;
quebra
de
confiança
em
a
comunicação
entre
hospital
e
família
;
exposição
indevida
de
dados
de
saúde
,
protegidos
por
lei
;
risco
a
a
segurança
de
o
paciente
,
quando
informações
clínicas
circulam
fora
de
os
canais
formais
.
Entre
profissionais
de
saúde
,
há
ainda
consequências
éticas
e
trabalhistas
,
mesmo
quando
a
abordagem
ocorre
em
contexto
de
boa-fé
,
o
que
tem
levado
entidades
a
defender
protocolos
mais
claros
e
treinamentos
específicos
contra
golpes
baseados
em
engenharia
social
.
Como
se
proteger
de
o
golpe
de
o
falso
médico
Desconfie
de
pedidos
urgentes
de
pagamento
,
especialmente
via
Pix
.
Hospitais
não
cobram
exames
ou
medicamentos
por
telefone
ou
WhatsApp
.
Conselhos
profissionais
não
enviam
boletos
por
aplicativos
de
mensagens
.
Não
compartilhe
fotos
de
prontuários
,
telas
de
computador
ou
dados
internos
.
Em
caso
de
dúvida
,
ligue
diretamente
para
o
hospital
ou
para
o
conselho
por
os
canais
oficiais
.
A
o
identificar
uma
tentativa
de
golpe
,
a
orientação
é
encerrar
o
contato
,
comunicar
a
instituição
envolvida
e
registrar
ocorrência
.