O
presidente
de
o
Tribunal
Superior
de
o
Trabalho
(
TST
)
,
Luiz
Philippe
Vieira
de
Mello
Filho
,
concede
um
pedido
de
os
Correios
para
adiar
e
fatiar
o
pagamento
de
R$
702
milhões
em
precatórios
trabalhistas
que
deveriam
ser
quitados
até
esta
quarta-feira
(
31
)
.
A
decisão
foi
tomada
a
as
23h
de
a
segunda-feira
(
29
)
,
horas
antes
de
o
tribunal
concluir
sobre
o
dissídio
coletivo
entre
Correios
e
trabalhadores
,
em
a
tarde
de
esta
terça-feira
(
30
)
.
Esses
precatórios
se
referem
as
causas
trabalhistas
que
os
Correios
perderam
a
o
longo
de
os
anos
.
O
pedido
,
acatado
de
forma
integral
por
o
TST
,
previa
:
a
suspensão
por
90
dias
de
a
cobrança
de
o
pagamento
de
os
precatórios
inscritos
até
2
de
abril
de
2024
e
cujo
pagamento
deveria
ocorrer
até
o
dia
31
de
dezembro
de
2025
;
parcelamento
de
os
pagamentos
em
nove
parcelas
mensais
,
que
deverão
ser
quitadas
entre
abril
e
dezembro
de
2026
.
A
solicitação
faz
parte
de
o
plano
de
ação
de
a
empresa
para
conseguir
lidar
com
a
crise
econômico-financeira
que
se
instalou
em
os
últimos
meses
,
após
12
trimestres
seguidos
de
prejuízo
.
"
Há
risco
iminente
de
prejuízos
irreparáveis
e
,
em
situações
como
essa
,
cabe
a
adoção
de
medidas
específicas
e
urgentes
,
de
modo
a
diminuir
e
evitar
o
agravamento
de
os
efeitos
de
a
calamidade
financeira
.
A
atividade
empresarial
deverá
ser
preservada
sempre
que
possível
,
em
razão
de
sua
função
social
"
,
afirmou
Vieira
de
Mello
Filho
.
Além
de
isso
,
o
presidente
TST
proibiu
que
qualquer
tribunal
regional
de
o
Trabalho
bloqueie
bens
de
os
Correios
em
os
valores
proporcionais
a
essas
causas
que
deverão
ser
pagas
em
o
ano
que
vem
.
E
determinou
que
os
credores
de
os
Correios
em
esses
precatórios
não
terão
direito
de
discordar
de
a
decisão
proferida
.
A
decisão
ainda
determina
que
os
pagamentos
deverão
ser
por
ordem
cronológica
de
a
sentenças
,
ou
seja
,
de
as
mais
antigas
para
as
mais
recentes
.
Desistência
de
recursos
Em
seu
voto
,
o
presidente
Vieria
de
Mello
Filho
ainda
indica
que
o
acordo
de
cooperação
técnica
assinado
entre
os
Correios
e
o
TST
para
desistir
de
buscar
recursos
em
3.781
processos
,
com
o
objetivo
de
reduzir
a
litigiosidade
e
a
racionalização
de
processos
em
trâmite
em
o
tribunal
foram
os
responsáveis
por
essa
elevação
em
o
valor
a
pagar
em
causas
judiciais
.
"
A
desistência
de
recursos
e
de
renúncia
a
prazos
recursais
em
3.781
processos
,
o
que
acarretou
o
aumento
quantitativo
significativo
de
precatórios
inscritos
até
2/4/2024
para
pagamento
em
o
exercício
seguinte
,
ou
seja
,
até
31/12/2025
"
,
justificou
o
presidente
de
o
Tribunal
.
De
acordo
com
dados
apresentados
em
as
Demonstrações
Financeiras
,
as
despesas
com
precatórios
dispararam
entre
2023
e
2025
,
atingindo
R$
2
bilhões
em
setembro
de
2025
,
mais
de
quatro
vezes
o
que
foi
registrado
em
2022
.
Com
a
decisão
de
esta
semana
,
a
previsão
de
R$
1,2
bilhão
para
pagamentos
de
precatórios
em
2026
,
agora
vai
subir
para
R$
1,9
bilhão
em
função
de
os
adiamentos
.
Dissídio
coletivo
Em
a
terça-feira
(
30
)
,
o
Tribunal
Superior
de
o
Trabalho
(
TST
)
resolveu
o
impasse
entre
funcionários
e
os
Correios
sobre
o
acordo
coletivo
de
trabalho
vigente
para
2025
e
2026
.
A
proposta
feita
por
a
relatora
e
acatada
por
a
maioria
de
os
ministros
decidiu
que
os
Correios
terão
que
pagar
:
5,1
%
de
reajuste
salarial
,
retroativo
a
1º
de
agosto
;
70
%
de
gratificação
sobre
o
valor
de
as
férias
;
200
%
em
o
valor
de
o
salário
para
cada
hora
extra
feita
.
A
proposta
inicial
de
os
trabalhadores
era
para
que
a
empresa
pagasse
um
reajuste
salarial
de
14
%
,
conforme
a
gestão
anterior
fez
com
os
salários
de
a
presidência
e
direção
.
Entretanto
,
esse
foi
um
de
os
impasses
que
levaram
a
discussão
para
o
julgamento
de
o
TST
e
ficou
garantido
apenas
a
recomposição
salarial
em
função
de
a
inflação
.
A
empresa
também
questionava
a
retroatividade
de
o
reajuste
.
Em
a
semana
passada
,
a
proposta
era
para
que
o
reajuste
só
começasse
a
valer
a
partir
de
1º
de
janeiro
de
2026
e
não
fosse
retroativo
a
1º
de
agosto
de
2025
,
mas
acabou
sendo
vencida
.
Outra
proposta
mantida
foi
a
gratificação
de
férias
de
70
%
,
que
contrasta
com
o
previsto
em
a
Consolidação
de
as
Leis
de
o
Trabalho
(
CLT
)
,
que
é
de
um
terço
de
o
valor
de
o
salário
médio
anual
de
o
trabalhador
.
Os
ministros
argumentaram
que
o
a
cláusula
seria
uma
de
as
mantidas
pois
já
estava
presente
em
ACTs
de
anos
anteriores
.
Além
de
isso
,
ficou
decidido
que
o
ponto
eletrônico
só
será
exigido
para
aqueles
funcionários
que
fizerem
hora
extra
.
Assim
,
fica
garantido
que
todos
os
trabalhadores
sejam
pagos
por
8h
trabalhadas
,
mesmo
que
venham
a
sair
mais
cedo
.
Presidente
de
os
Correios
detalha
plano
de
reestruturação
de
a
empresa
Plano
de
reestruturação
O
plano
de
reestruturação
de
a
empresa
prevê
corte
de
R$
2
bilhões
em
gastos
com
pessoal
,
venda
de
imóveis
e
o
fechamento
de
mil
agências
–
atualmente
os
Correios
têm
cerca
de
5
mil
unidades
.
A
companhia
vai
implementar
um
programa
de
demissão
voluntária
(
PDV
)
e
espera
,
em
até
2
anos
,
reduzir
em
15
mil
o
número
total
de
funcionários
,
o
que
representaria
um
corte
de
18
%
em
a
folha
de
pagamentos
.
O
PDV
é
um
pacote
de
incentivos
oferecido
por
uma
empresa
para
que
seus
funcionários
peçam
demissão
por
vontade
própria
.
Diferente
de
uma
demissão
comum
,
o
PDV
funciona
como
um
acordo
.
Para
a
empresa
,
é
uma
forma
de
reduzir
custos
ou
reestruturar
o
quadro
de
funcionários
sem
o
impacto
negativo
de
demissões
em
massa
.
Emmanoel
Rondon
,
que
afirmou
que
o
modelo
econômico-financeiro
de
os
Correios
deixou
de
ser
"
viável
"
.
O
plano
de
reestruturação
elaborado
tem
o
objetivo
de
reverter
os
12
trimestres
seguidos
de
prejuízos
.
A
proposta
detalhada
em
esta
segunda
visa
recuperar
as
contas
de
a
empresa
em
2026
para
que
possa
voltar
a
ter
lucro
a
partir
de
2027
.
Para
isso
,
os
Correios
esperam
:
redução
em
R$
2,1
bilhões
em
os
custos
com
pessoal
vender
R$
1,5
bilhão
em
imóveis
não
operacionais
redução
de
mil
pontos
de
venda
deficitários
reformulação
de
o
plano
de
saúde
para
reduzir
o
custo
em
R$
500
milhões
anuais
Em
setembro
,
a
empresa
anunciou
o
resultado
de
o
primeiro
semestre
de
2025
e
apresentou
um
prejuízo
de
R$
4,3
bilhões
.
Em
2024
,
o
prejuízo
em
o
mesmo
período
tinha
sido
de
R$
1,3
bilhão
.
O
presidente
de
os
Correios
afirmou
que
"
a
rota
precisa
ser
ajustada
rapidamente
"
para
evitar
um
possível
prejuízo
de
R$
23
bilhões
para
o
ano
de
2026
.
"
Não
tem
mudança
substancial
em
2025
que
vá
afetar
este
ano
.
A
expectativa
é
que
ainda
exista
uma
leve
piora
para
2026
"
,
afirmou
Rondon
.
Aumento
de
receitas
A
empresa
também
deve
buscar
novas
estratégias
para
conseguir
alavancar
as
receitas
.
A
expectativa
é
chegar
a
R$
21
bilhões
em
2027
.
Em
2024
,
os
Correios
fecharam
o
ano
com
uma
receita
total
de
R$
18,9
bilhões
,
contra
R$
19,2
bilhões
em
2023
e
R$
19,8
bilhões
em
2022
.
Até
setembro
de
este
ano
,
os
Correios
viram
sua
receita
diminuir
em
quase
R$
2
bilhões
,
em
o
comparativo
com
o
mesmo
período
de
2024
.
As
receitas
foram
impactadas
por
a
implementação
de
o
programa
"
Remessa
Conforme
"
,
criado
por
o
Ministério
de
a
Fazenda
em
2023
.
O
governo
passou
a
cobrar
imposto
de
importação
de
20
%
sobre
compras
internacionais
de
até
US$
50
,
que
até
então
estavam
isentas
para
empresas
.
A
medida
ficou
conhecida
como
"
taxa
de
as
blusinhas
"
.
Com
a
instituição
de
o
programa
,
a
legislação
brasileira
passou
a
permitir
que
empresas
de
transportes
façam
o
frete
por
o
Brasil
de
mercadorias
internacionais
,
deixando
de
ser
obrigatória
a
distribuição
de
as
encomendas
junto
a
os
Correios
,
como
era
feito
até
então
.
De
acordo
com
um
levantamento
de
a
empresa
apresentado
durante
a
coletiva
,
os
Correios
perderam
espaço
em
o
mercado
de
encomendas
entre
2019
e
2025
.
Saindo
de
51
%
em
o
primeiro
ano
de
o
governo
Bolsonaro
para
22
%
atualmente
.
"
O
monopólio
de
cartas
em
centros
urbanos
ou
em
locais
que
geravam
rentabilidade
passou
a
não
ser
suficiente
para
financiar
as
comunicações
físicas
que
estão
ligadas
a
universalização
de
o
serviço
postal
em
locais
remotos
ou
locais
que
são
originalmente
deficitários
"
,
afirmou
Rondon
.
A
empresa
ainda
pretende
investir
R$
4,4
bilhões
entre
2027
e
2030
,
com
um
empréstimo
junto
a
o
Novo
Banco
de
Desenvolvimento
de
o
Brics
,
presidido
por
Dilma
Rousseff
.
A
captação
terá
como
destinação
obrigatória
a
“
automação
de
centros
de
tratamento
,
renovação
e
descarbonização
de
a
frota
,
modernização
de
a
infraestrutura
de
TI
e
redesenho
de
a
malha
logística
”
.
Empréstimo
de
R$
12
bilhões
Em
esta
terça-feira
(
30
)
,
os
Correios
receberam
R$
10
bilhões
de
os
R$
12
bilhões
tomados
junto
a
um
consórcio
de
bancos
privados
.
A
assinatura
de
o
contrato
de
empréstimo
foi
publicada
em
o
sábado
(
27
)
,
em
o
Diário
Oficial
de
a
União
(
DOU
)
,
e
envolve
um
consórcio
com
os
bancos
Itaú
,
Bradesco
,
Santander
,
Banco
de
o
Brasil
e
Caixa
Econômica
Federal
.
O
acordo
tem
validade
até
2040
e
conta
com
garantia
de
a
União
,
após
autorização
de
o
Tesouro
Nacional
,
em
18
de
dezembro
,
o
que
significa
que
o
governo
federal
dá
respaldo
a
a
operação
e
reduz
o
risco
para
as
instituições
financeiras
que
concederam
o
crédito
.
De
acordo
com
presidente
de
os
Correios
,
Emmanoel
Rondon
,
o
Banco
de
o
Brasil
,
a
Caixa
Econômica
Federal
e
o
Bradesco
vão
aportar
R$
3
bilhões
cada
.
Itaú
e
Santander
vão
emprestar
outros
R$
1,5
bilhão
,
cada
um
.
O
contrato
prevê
um
prazo
de
carência
de
3
anos
e
pagamentos
mensais
a
partir
de
dezembro
de
2029
.
A
taxa
de
juros
ficou
em
115
%
de
o
CDI
–
abaixo
de
o
teto
de
120
%
de
o
CDI
,
estabelecido
por
o
Tesouro
.
Com
o
aval
de
o
Tesouro
,
o
governo
federal
deve
honrar
as
parcelas
de
o
pagamento
caso
os
Correios
fiquem
inadimplentes
,
ou
seja
,
se
a
estatal
não
pagar
.
Trata
se
de
uma
garantia
adicional
para
os
bancos
que
concederam
o
crédito
.
Durante
a
coletiva
de
ontem
,
o
presidente
de
os
Correios
também
não
descartou
o
plano
de
a
empresa
de
tomar
mais
R$
8
bilhões
emprestados
de
instituições
financeiras
.
Segundo
o
presidente
de
a
companhia
,
a
captação
de
os
recursos
poderá
se
dar
por
meio
de
aportes
de
verbas
públicas
de
o
Tesouro
Nacional
ou
através
de
um
novo
empréstimo
.
Mas
que
a
melhor
forma
de
obtenção
de
esses
recursos
está
em
análise
e
ainda
será
definida
.
A
ideia
inicial
de
a
estatal
era
a
tomada
de
um
empréstimo
de
R$
20
bilhões
,
que
não
foi
autorizado
por
o
Tesouro
Nacional
em
função
de
a
alta
taxa
de
juros
que
havia
sido
proposta
.
"
O
plano
de
reestruturação
foi
concebido
com
uma
necessidade
declarada
de
captação
de
recursos
de
a
ordem
de
R$
20
bilhões
.
Então
,
a
gente
fez
uma
primeira
rodada
com
bancos
,
recebemos
oferta
de
os
R$
20
bilhões
,
mas
a
uma
taxa
que
a
gente
entendeu
que
estava
mais
elevada
"
,
afirmou
Rondon
.