Em
as
redes
sociais
,
candidatos
que
fizeram
a
versão
impressa
de
o
Exame
Nacional
de
o
Ensino
Médio
(
Enem
)
2020
afirmam
que
a
edição
digital
de
a
prova
,
aplicada
em
este
domingo
(
31
)
,
estava
mais
fácil
.
Em
posts
,
eles
dizem
que
é
uma
"
injustiça
"
que
todos
concorram
por
as
mesmas
vagas
em
as
universidades
,
depois
de
avaliações
supostamente
tão
diferentes
.
A
o
G1
,
especialistas
explicam
que
os
métodos
de
correção
e
de
formulação
de
o
Enem
garantem
que
todas
as
provas
tenham
o
mesmo
nível
de
dificuldade
.
A
impressão
de
que
alguém
foi
beneficiado
por
questões
mais
simples
é
ilusória
.
"
Os
exames
são
compostos
por
perguntas
de
o
banco
nacional
de
itens
.
Elas
já
foram
pré-testadas
e
calibradas
"
,
afirma
Fernando
Santo
,
gerente
de
Inteligência
Educacional
e
Avaliações
de
o
Poliedro
.
Ou
seja
:
o
Instituto
Nacional
de
Estudos
e
Pesquisas
Educacionais
Anísio
Teixeira
(
Inep
)
,
que
formula
o
Enem
,
já
tem
um
"
acervo
"
com
questões
consideradas
fáceis
,
médias
ou
difíceis
.
"
Em
a
hora
de
montar
,
é
só
distribuir
as
perguntas
com
base
em
os
graus
de
dificuldade
de
cada
uma
.
Os
assuntos
podem
ser
diferentes
,
mas
o
número
de
questões
consideradas
simples
vai
ser
aproximadamente
o
mesmo
em
todas
as
versões
de
o
Enem
"
,
diz
Santo
.
LEIA
MAIS
:
Enem
digital
tem
questões
mais
curtas
e
temas
como
'
Porta
de
os
Fundos
'
,
robôs
em
discussões
políticas
e
Revolta
de
a
Vacina
Sempre
a
mesma
escala
Outro
argumento
que
mostra
que
ninguém
vai
ser
favorecido
é
o
uso
de
a
mesma
escala
de
comparação
desde
2009
.
Para
considerar
o
que
é
fácil
e
o
que
é
difícil
,
o
Inep
toma
como
base
o
índice
de
acertos
em
os
pré-testes
.
Em
uma
amostra
que
represente
os
candidatos
de
o
Enem
,
alunos
de
diferentes
perfis
resolvem
,
muito
tempo
antes
,
aquelas
perguntas
.
Se
vários
acertam
,
ela
é
considerada
fácil
—
e
recebe
uma
pontuação
mais
baixa
.
LEIA
MAIS
:
1º
Enem
digital
de
a
história
tem
falhas
técnicas
em
o
sistema
e
abstenção
alta
:
68
%
Em
a
hora
de
formular
o
Enem
,
o
valor
de
cada
questão
é
colocado
em
uma
"
régua
"
:
o
meio
de
ela
é
o
"500
"
.
Se
uma
questão
for
ancorada
em
o
patamar
"800
"
,
por
exemplo
,
significa
que
provavelmente
oferecerá
mais
dificuldade
para
a
maioria
de
os
candidatos
.
De
essa
forma
,
é
possível
montar
uma
avaliação
com
um
nível
equilibrado
de
dificuldade
,
com
perguntas
distribuídas
por
as
diferentes
posições
de
a
tal
"
régua
"
(
veja
abaixo
a
ilustração
presente
em
o
guia
de
o
participante
de
o
Inep
)
.
Acertar
mais
questões
não
significa
ter
nota
melhor
Outro
mecanismo
que
garante
a
comparação
entre
diferentes
edições
de
o
Enem
é
o
método
de
correção
de
a
prova
—
chamado
Teoria
de
Resposta
a
o
Item
(
TRI
)
.
Ele
é
programado
para
dar
uma
nota
menor
a
quem
“
chutar
”
as
respostas
.
Mas
como
?
Imagine
um
atleta
competindo
em
uma
prova
de
salto
em
altura
.
Se
ele
foi
capaz
de
saltar
3
metros
,
deve
ter
conseguido
também
pular
o
obstáculo
de
2
metros
,
certo
?
A
TRI
busca
detectar
essa
coerência
em
o
desempenho
de
os
alunos
em
o
Enem
.
Se
um
candidato
acertou
uma
questão
muito
difícil
,
deve
ter
resolvido
com
tranquilidade
a
de
nível
fácil
.
Por
outro
lado
,
se
ele
acertou
as
15
questões
mais
complexas
de
matemática
,
mas
errou
justamente
as
15
mais
fáceis
…
provavelmente
foi
em
a
sorte
.
O
sistema
de
correção
detecta
o
“
acerto
a
o
acaso
”
-
ou
seja
,
o
“
chute
”
-
e
atribui
uma
pontuação
menor
a
o
candidato
.
"
É
importante
lembrar
que
a
nota
de
o
aluno
só
depende
de
ele
mesmo
.
O
desempenho
de
os
outros
candidatos
não
interfere
em
o
resultado
"
,
explica
Cláudia
Rangel
,
professora
de
matemática
de
a
Oficina
de
o
Estudante
(
SP
)
.
Questão
emocional
É
natural
,
segundo
os
especialistas
,
que
os
alunos
tenham
a
impressão
de
que
a
prova
de
eles
foi
mais
difícil
.
"
Eles
não
estão
levando
em
conta
a
hora
de
o
exame
,
em
que
estavam
mais
pressionados
.
Ver
as
questões
depois
faz
tudo
parecer
mais
simples
"
,
diz
Rangel
.
"
Eles
também
se
lembram
só
de
aquelas
perguntas
mais
difíceis
em
a
própria
prova
e
esquecem
as
que
responderam
com
mais
facilidade
.
"
Não
é
a
primeira
vez
Todo
ano
,
há
por
o
menos
duas
edições
de
o
Enem
:
a
tradicional
(
voltada
para
a
maioria
)
e
a
reaplicação
(
para
privados
de
liberdade
ou
pessoas
que
sofreram
com
problemas
logísticos
em
o
dia
de
a
prova
,
por
exemplo
)
.
Em
este
ano
,
serão
três
,
por
causa
de
a
versão
digital
.
Hydnea
Ponciano
,
gerente
de
avaliação
de
a
Somos
Educação
,
lembra
que
os
mesmos
questionamentos
sobre
o
grau
de
dificuldade
já
ocorreram
em
outros
anos
.
"
Em
2017
,
houve
aquele
movimento
de
ocupação
de
as
escolas
[
em
que
secundaristas
protestaram
contra
o
teto
de
gastos
e
a
reforma
de
o
ensino
médio
]
.
Parte
de
os
candidatos
fez
outra
edição
de
o
Enem
"
,
diz
.
"
Vários
tribunais
regionais
entraram
em
a
Justiça
para
cancelar
a
reaplicação
de
a
prova
,
porque
ela
teria
sido
mais
fácil.
"
"
O
Inep
,
em
a
época
,
conseguiu
comprovar
por
a
TRI
que
os
níveis
de
dificuldades
eram
os
mesmos
.