Representação em texto

O que é o linfoma de Hodgkin, câncer que causou a morte da ex-ginasta Isabelle Marciniak

IDTEJ_0929
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/saude/noticia/2025/12/25/o-que-e-o-linfoma-de-hodgkin-cancer-que-causou-a-morte-da-ex-ginasta-isabelle-marciniak.ghtml
TítuloO que é o linfoma de Hodgkin, câncer que causou a morte da ex-ginasta Isabelle Marciniak
SubtítuloDoença se desenvolve no sistema linfático, pode começar com ínguas indolores e exige diagnóstico por biópsia.
Ano2025
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaSaúde
PropósitoNoticiar

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Médica Camila Marca fala sobre importância de o diagnóstico precoce de linfoma

A ex-ginasta Isabelle Marciniak morreu a os 18 anos em decorrência de um linfoma de Hodgkin , câncer que se origina em o sistema linfático , responsável por a defesa de o organismo . A morte foi comunicada em esta semana por a Federação Paranaense de Ginástica .

O linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que afeta células de o sistema imunológico e pode começar de forma pouco perceptível , com sinais como ínguas indolores . Como o sistema linfático está distribuído por todo o corpo , a doença pode evoluir sem sintomas claros em as fases iniciais , o que dificulta o reconhecimento precoce .

Entender como esse câncer se desenvolve ajuda a explicar por que o diagnóstico nem sempre é imediato e quais são as principais opções de tratamento .

Um câncer que começa em o sistema de defesa de o corpo

Segundo o Instituto Nacional de o Câncer ( Inca ) , em esse tipo de câncer , as células de o sistema linfático —responsáveis por a defesa de o organismo passam a se multiplicar de forma desordenada . O processo atinge principalmente os linfonodos , estruturas conhecidas como gânglios , mas pode envolver também órgãos como o baço e o timo , todos interligados por uma rede de vasos que percorre o corpo .

Uma de as principais diferenças de o linfoma de Hodgkin em relação a outros linfomas é a presença , em os exames microscópicos , de as chamadas células de Reed-Sternberg . Essas células são linfócitos alterados que perderam o controle de o crescimento e passam a se multiplicar de forma anormal .

A identificação de essas células funciona como uma assinatura de a doença . Quando elas aparecem em a biópsia de o linfonodo , os médicos conseguem confirmar que se trata de linfoma de Hodgkin e não de outro tipo de câncer de o sistema linfático , o que é decisivo para definir o tratamento mais adequado .

Ela não é a causa isolada de a doença , mas um sinal característico que ajuda a identificá la a o microscópio , explica Stephen Stefani , oncologista de a Oncoclínicas e de a Américas Health Foundation . Segundo ele , o tumor é formado majoritariamente por outras células de o sistema imunológico que passam a se comportar de forma desordenada .

Quem costuma ser mais afetado

O linfoma de Hodgkin pode surgir em qualquer idade , mas apresenta dois picos mais frequentes :

adultos jovens , entre 20 e 35 anos . pessoas acima de os 60 anos .

Não um único fator de risco definido . Em parte de os casos , associação com alterações de o sistema imunológico , histórico familiar ou infecções virais prévias , como o vírus Epstein-Barr . Em muitos pacientes , porém , não é possível identificar um fator desencadeante claro .

Ínguas indolores estão entre os primeiros sinais

O sintoma mais frequente de o linfoma de Hodgkin é o surgimento de linfonodos aumentados , conhecidos como ínguas . Em geral , esses nódulos são endurecidos , fixos e indolores , principalmente em o início , o que faz com que muitos pacientes demorem a procurar atendimento médico .

Eles aparecem com mais frequência em o pescoço , em as axilas e em a virilha . Outros sintomas podem surgir a o longo de a evolução de a doença , como febre persistente , perda de peso sem causa aparente , suor noturno e cansaço intenso .

ainda manifestações menos comuns , como prurido —uma coceira persistente , sem lesões aparentes em a pele . Não é o sintoma mais frequente , mas é bastante característico e pode chamar atenção quando aparece , diz Stefani .

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de o linfoma de Hodgkin é confirmado por biópsia de o linfonodo suspeito . O procedimento consiste em a retirada de parte ou de todo o gânglio para análise em laboratório .

De acordo com a Organização Mundial de a Saúde , a doença é classificada em dois grandes grupos :

Linfoma de Hodgkin clássico , responsável por a maioria de os casos , é caracterizado por a presença de as células de Reed-Sternberg e tende a ter um comportamento mais disseminado em o sistema linfático . É também a forma mais estudada e para a qual existem protocolos bem definidos de tratamento , geralmente baseados em quimioterapia , com ou sem radioterapia . Linfoma de Hodgkin de predomínio linfocitário nodular , mais raro , presente em cerca de 5 % de os pacientes . Em esse subtipo , as células tumorais têm características diferentes e a doença costuma evoluir de forma mais lenta , muitas vezes restrita a poucos linfonodos .

Por isso , em situações selecionadas , a abordagem pode ser distinta , com tratamentos menos intensivos ou estratégias mais individualizadas .

Após a confirmação , exames de imagem ajudam a definir a extensão de a doença , etapa conhecida como estadiamento , essencial para orientar o tratamento .

Como o tratamento mudou a história de a doença

O tratamento de o linfoma de Hodgkin é considerado um de os marcos de a oncologia moderna . Até as décadas de 1960 e 1970 , a doença era vista como incurável . Esse cenário começou a mudar com o desenvolvimento de a poliquimioterapia , combinação de diferentes medicamentos quimioterápicos .

Foi provavelmente uma de as primeiras doenças em que se mostrou que a combinação de drogas podia mudar completamente o desfecho , afirma Stefani .

Com essa estratégia , os resultados melhoraram de forma consistente e sustentada a o longo de o tempo .

Atualmente , a base de o tratamento continua sendo a quimioterapia , isolada ou associada a a radioterapia . Em situações específicas , podem ser usados anticorpos monoclonais , quimioterapia em altas doses com transplante de medula óssea e , mais recentemente , imunoterapia .

Segundo o oncologista , os avanços mais recentes não foram tão rápidos quanto em outros tipos de câncer justamente porque os resultados eram muito bons . Quando uma doença responde tão bem a o tratamento , os ganhos passam a ser mais incrementais , explica .

Quando a doença não responde adequadamente a o tratamento inicial ou volta após um período de remissão , outras estratégias podem ser indicadas . Entre elas estão o uso de anticorpos monoclonais , a quimioterapia em altas doses seguida de transplante de medula óssea e , em situações mais específicas , terapias celulares mais recentes .

É em esse grupo que entra a terapia CAR-T cell , em a qual células de defesa de o próprio paciente são modificadas em laboratório para reconhecer e atacar o câncer . Em o linfoma de Hodgkin , a CAR-T não é tratamento de primeira linha e costuma ser considerada apenas em casos refratários ou recidivados , geralmente em centros especializados e após avaliação criteriosa .

Durante o tratamento , podem ocorrer efeitos colaterais como queda de cabelo , náuseas , fadiga e maior risco de infecções . Esses efeitos , em geral , são temporários e monitorados de perto por a equipe médica .

Tem cura ?

Sim . O linfoma de Hodgkin é considerado um de os cânceres com maiores taxas de cura dentro de a oncologia , sobretudo quando diagnosticado precocemente .

Segundo o Hospital Oswaldo Cruz , grande parte de os pacientes alcança remissão completa com o tratamento inicial . Após o fim de a terapia , o acompanhamento médico continua sendo fundamental para monitorar recidivas e possíveis efeitos tardios .

Hodgkin e não-Hodgkin não são a mesma doença

Apesar de apresentarem sintomas semelhantes , os linfomas de Hodgkin e não-Hodgkin têm comportamentos clínicos diferentes . Em o linfoma de Hodgkin , a doença costuma se espalhar de forma mais previsível , avançando de um grupo de linfonodos para outro , o que facilita o planejamento de o tratamento e o acompanhamento de a resposta .

os linfomas não-Hodgkin formam um grupo mais amplo e heterogêneo de doenças . Eles podem evoluir de maneira mais agressiva ou mais lenta , atingir órgãos fora de o sistema linfático com maior frequência e exigir esquemas terapêuticos bastante variados , dependendo de o subtipo .

O tipo de célula identificado em a biópsia define não apenas o nome de a doença , mas também como ela tende a evoluir , quais tratamentos são indicados e qual é a expectativa de resposta a o tratamento . Por isso , a diferenciação entre Hodgkin e não-Hodgkin é um passo central em o cuidado de o paciente .


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