Representação em texto

Valor das emendas impositivas triplica, e Congresso amplia poder sobre o Orçamento

IDTEJ_0455
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/economia/de-olho-no-orcamento/noticia/2022/12/27/valor-das-emendas-impositivas-triplica-e-congresso-amplia-poder-sobre-o-orcamento.ghtml
TítuloValor das emendas impositivas triplica, e Congresso amplia poder sobre o Orçamento
SubtítuloEntre 2015 e 2023, emendas de execução obrigatória saltaram de R$ 9,7 bilhões para R$ 28,9 bilhões. Parlamentares aproveitaram fim do 'orçamento secreto' para ampliar independência em relação ao Executivo.
Ano2022
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEconomia
PropósitoNoticiar

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O Congresso Nacional triplicou sua fatia de comando sobre o Orçamento federal a o longo de os últimos oito anos .

Entre 2015 e 2023 , o valor de as emendas impositivas indicações de parlamentares que têm execução obrigatória e , por isso , não dependem de barganha com o Executivo saltou de R$ 9,7 bilhões para R$ 28,9 bilhões . A alta é de 197,9 % .

De o total previsto para 2023 :

R$ 21,2 bilhões se referem a emendas individuais , propostas por cada deputado e senador ; R$ 7,7 bilhões são emendas de as bancadas estaduais , de autoria coletiva .

As emendas são propostas por meio de as quais os parlamentares destinam recursos a suas bases eleitorais .

O último movimento para ampliar o poder de o Legislativo sobre as verbas foi feito em a semana passada , logo após o Supremo Tribunal Federal ( STF ) declarar inconstitucionais as emendas de relator aquelas que eram chamadas de orçamento secreto .

Após a conclusão de o julgamento , os parlamentares incluíram em a proposta de emenda a a Constituição ( PEC ) de a Transição um dispositivo que transferiu metade de o valor de o orçamento secreto ( R$ 9,5 bilhões ) para as emendas individuais que são impositivas .

A partir de agora , a União fica obrigada a pagar as emendas individuais em um limite de 2 % de a receita corrente líquida . Esse termo se refere a a arrecadação tributária de o governo , depois de excluídas as transferências a estados e municípios . Antes de a PEC , o limite era menor , de 1,2 % .

A mudança parece pequena , inferior a um ponto percentual .

Mas em a prática , para 2023 :

o valor para cada deputado passa de R$ 19,7 milhões para R$ 32,1 milhões ; o valor para cada senador passa de R$ 19,7 milhões para R$ 59 milhões .

Os dados são de a consultoria de Orçamento de a Câmara .

Fortalecimento de o Legislativo

O aumento de o controle de o Legislativo sobre o orçamento começou em 2015 , quando o Congresso aprovou uma PEC e tornou obrigatória a execução de as emendas individuais . Em 2019 , o Congresso fez o mesmo com as emendas de as bancadas estaduais .

Quando a execução é obrigatória , o parlamentar não precisa ficar cobrando o Executivo para que o dinheiro seja liberado momento propício para a negociação de votos ou apoio a alguma medida . Os parlamentares também tentaram , por diversas vezes , tornar impositivas as emendas de relator .

A tentativa , contudo , sempre emperrou durante as discussões de o Orçamento em o Congresso e nunca foi levada a cabo .

Isso significa que , em a prática , o governo nunca foi obrigado por lei a pagar as emendas de relator , embora houvesse a cobrança política para a liberação de os recursos . Em a prática , as emendas eram usadas como moeda de troca para que o Executivo conseguisse aprovar matérias de seu interesse em o Congresso .

Era comum que , a as vésperas de uma votação crucial , bilhões fossem desbloqueados em essa área de o orçamento .

Orçamento com o parlamento

Estudo de o Instituto Millenium elaborado por o professor de o Insper Marcos Mendes , em abril , mostra que o Legislativo brasileiro é o que tem o maior controle sobre o orçamento federal , se comparado a 30 países de a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ( OCDE ) .

Em o levantamento , Mendes afirma que as emendas parlamentares , em sua maioria , decidem quanto a a realização de obras em municípios específicos e que tais decisões " conflitam com as diretrizes gerais de políticas públicas " .

Segundo ele , não tempo suficiente nem procedimentos adequados para análise de mérito ou de consistência de número tão elevado de emendas .

" Simplesmente entrega se uma fatia de o Orçamento a a decisão individual ou de grupos de parlamentares , e gasta se o dinheiro sem qualquer preocupação com os custos e benefícios envolvidos " , escreve o economista em o relatório .

A visão , em o entanto , é contestada por a cúpula de o Congresso .

Parlamentares defendem que , com a impositividade , o Congresso passa a depender menos de o Executivo o que reduziria as chances de uso de o mecanismo como moeda de troca .

Em 2019 , o então presidente de o Congresso , Davi Alcolumbre ( União-AP ) , afirmou que a aprovação de a impositividade de as emendas de bancada era uma " carta de alforria " que os parlamentares dariam a os prefeitos e governadores .


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