Representação em texto

Segunda etapa da reforma tributária mudará regras do Imposto de Renda; entenda

IDTEJ_0418
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/economia/noticia/2023/12/26/segunda-etapa-da-reforma-tributaria-mudara-regras-do-imposto-de-renda-entenda.ghtml
TítuloSegunda etapa da reforma tributária mudará regras do Imposto de Renda; entenda
SubtítuloPrimeira fase da reforma, promulgada no dia 20 de dezembro, prevê que texto da nova etapa seja encaminhado ao Congresso em até 90 dias. Presidente Lula entende que taxar renda torna sistema mais justo com os pobres.
Ano2023
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEconomia
PropósitoNoticiar

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Após a aprovação de a reforma tributária sobre o consumo em este ano , o Congresso Nacional prepara para se debruçar , em 2024 , sobre mudanças em o Imposto de Renda .

Isso porque a PEC de a reforma tributária aprovada traz um prazo de 90 dias para que as propostas de mudanças em a taxação sobre a renda sejam enviadas a o Congresso Nacional .

Segundo especialistas , essa será uma oportunidade corrigir distorções e promover mais justiça em o sistema de impostos brasileiro .

" A aprovação de a alteração constitucional de o sistema tributário sobre o consumo por o Congresso Nacional é um avanço para a modernização de os impostos e abre os caminhos para a reforma sobre a renda em o Brasil , que é fundamental para combater a injustiça fiscal em este país em que os indivíduos de menor renda são sobrecarregados com impostos , enquanto os mais ricos contribuem proporcionalmente menos em tributos " , avaliou a Federação Nacional de o Fisco Estadual e Distrital ( Fenafisco ) .

Em 6,9 % de o PIB em 2020 , a carga tributária sobre a renda em o Brasil ficou bem abaixo de a média de a OCDE ( 10,6 % de o PIB ) e de países mais desenvolvidos , como Canadá ( 16,7 % de o PIB ) e França ( 11,9 % de o PIB ) .

Atualmente , o maior peso de os impostos se concentra sobre o consumo em o Brasil , o que penaliza os mais pobres . Isso é algo que a reforma tributária não alterou .

O Imposto de Renda foi instituído oficialmente por a lei 4.625 , em 31 de dezembro de 1922 , denominado inicialmente de Imposto Geral sobre a Renda . O início de a cobrança , porém , aconteceu somente em 1924 tempo que o governo usou para se organizar . A reforma de o IR é uma de as diretrizes de o presidente Luiz Inácio Lula de a Silva , que tem declarado que vai colocar o " pobre em o orçamento " e o " rico em o imposto de renda " .

A área econômica de o governo Lula ainda não divulgou , entretanto , sua proposta para a reforma de o Imposto de Renda . " A reforma de o Imposto de Renda vai exigir muita explicação , muita cautela , muita tranquilidade , muito bom senso .

Não se resolve de forma irrefletida " , declarou o ministro de a Fazenda , Fernando Haddad , durante café de a manhã com jornalistas em o fim de dezembro . Entre os temas debatidos em os últimos anos , e que podem ser objeto de mudança , estão :

Taxação de a distribuição de lucros e dividendos de as empresas para as pessoas físicas ;

Alíquotas maiores de o IR para quem ganha mais ; IR de as empresas ;

A chamada " pejotização " ;

Limite de isenção para pessoas físicas ;

Abatimentos para saúde , educação e idosos .

Reforma Tributária cria sistema para devolver a as famílias pobres parte de o imposto pago Parte de a discussão foi antecipada , por meio de a taxação de offshores ( investimentos em o exterior ) e de os fundos exclusivos ( fundos de investimento personalizados para pessoas de alta renda ) . O governo também aprovou mudanças em as regras de os juros sobre capital próprio , uma forma de distribuição de os lucros de uma empresa de capital aberto ( que tem ações em a bolsa ) a os seus acionistas .

A o contrário de a reforma tributária sobre o consumo , em o caso de a renda não é necessário o envio de uma Proposta de Emenda Constitucional .

Projetos de lei são suficientes .

Com isso , a necessidade de votos será menor para sua aprovação .

Taxação de lucros e dividendos

Os lucros de as empresas são taxados em o Brasil , mas a sua distribuição para as pessoas físicas , desde 1996 , é livre de tributação - algo que não acontece em a maioria de os países .

A taxação por meio de o Imposto de Renda aconteceria quando a empresa distribuir os lucros e dividendos para as pessoas físicas , ou seja , para seus sócios , acionistas , controladores e investidores .

Empresários , porém , reclamam que essa taxação aumentaria a carga tributária de as firmas . O Brasil é um de os poucos países , atualmente , que não taxam a distribuição de lucros e dividendos para pessoas físicas a taxação chegou a vigorar , mas foi extinta em 1995 .

Estudo de o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ( Ipea ) indica que outras quatro nações também não tributavam esses rendimentos : Estônia , Letônia , Eslováquia e Romênia .

Em o governo de o presidente Jair Bolsonaro , a Câmara de os Deputados chegou a aprovar o retorno de a taxação de a distribuição de lucros e dividendos a pessoas físicas . Entretanto , o texto não foi levado adiante em o Senado Federal .

A proposta inicial de o então ministro Paulo Guedes , de a Economia , era uma alíquota de 20 % para a taxação de lucros e dividendos . Mas durante as negociações , o percentual caiu para 15 % . E empresas com faturamento anual de até R$ 4,8 milhões , entretanto , continuariam isentas ( limitando muito o escopo de a medida ) .

Mesmo assim , Guedes estimou , em o ano passado , que a medida poderia render cerca de R$ 70 bilhões por ano a os cofres públicos .

O atual ministro de a Fazenda , Fernando Haddad , busca reduzir benefícios para as empresas como forma de recompor a arrecadação e , com isso , atingir a meta de zerar o déficit fiscal .

Ele indicou que pretende retomar a taxação de lucros e dividendos . Mas sua proposta ainda não foi divulgada .

Pejotização Outro fator que contribui para o pagamento de menos impostos é a chamada " pejotização " , ou seja , a contratação de empresas para cargos que têm características de pessoas físicas , como habitualidade , salário e sob ordens de os chefes .

Quem trabalha dentro de o regime de a Consolidação de as Leis de o Trabalho ( CLT ) tem carteira assinada , com direito a férias remuneradas , 13º salário , Fundo de Garantia de o Tempo de Serviço ( FGTS ) , entre outros benefícios trabalhistas . Em o entanto , empresas que optam por contratar profissionais que são pessoas jurídicas , com CNPJ ( Cadastro Nacional de Pessoa Jurídica ) .

os profissionais contratados como PJ têm uma empresa aberta em seu nome e se tornam prestadores de serviços para a empresa contratante , emitindo notas fiscais . Eles não têm nenhum direito trabalhista previsto em a CLT , porque não se trata de uma relação de emprego . Dentro de essa modalidade de profissionais com CNPJ entram por exemplo os microempreendedores individuais ( MEIs ) e os microempresários ( MEs ) .

A diferença entre os dois tipos está em o faturamento anual , em as atividades e número de funcionários permitidos e em o regime de tributação .

" A reforma de o IR vai trazer progressividade [ mais impostos para aqueles com maior renda ] se ela acabar com o privilégio que existe com relação a as pequenas e médias empresas , seja decorrentes de pejotização , seja não .

Em as duas situações , tem uma subtributação de a renda . A tributação de o lucro não tributado de pequenas e médias empresas , que uma forma de atacar é a tributação de o dividendo , mas não é a única , ela sim traria uma maior progressividade a o sistema tributário " , avaliou Vanessa Rahal Canado , coordenadora de o Núcleo de Pesquisa em Tributação de o Insper . Alíquota maior de o IR para pessoas físicas

Outra forma de taxar as pessoas físicas com salários maiores , e promover uma maior " progressividade " em a tributação , seria estabelecer uma alíquota maior para a faixa mais elevada de renda - algo que chegou a ser cogitado por a equipe econômica de Paulo Guedes , em 2020 .

Em o Brasil , a alíquota mínima de o Imposto de Renda é de 7,5 % e a máxima , que vigora desde 1999 , de 27,5 % ( para valores acima de R$ 4.664,68 por mês ) .

Essa alíquota foi mais alta em o passado , chegando a 65 % entre 1963 e 1965 .

Em outros países , tendo por base o ano de 2019 , as alíquotas mais altas ( para faixas maiores de renda ) são as seguintes : Alemanha 47,5 % ( quanto mais alta for a renda , maior será a alíquota de imposto ) ;

China 45 % ;

Suécia 61,85 % ;

Estados Unidos alíquotas vão de 10 % a 37 % , e as faixas variam de acordo com a condição de o declarante : solteiro , casados que declaram separadamente ou chefe de família . IR de as empresas Atualmente , a alíquota de o IRPJ cobrado de as empresas está em 15 % , e também existe um adicional adicional de 10 % para lucros acima de R$ 20 mil por mês ( empresas de maior porte ) .

Junto com a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido ( CSLL ) , a tributação sobre as maiores empresas é de cerca de 34 % em o Brasil .

Segundo dados de a Tax Foundation , organização sem fins lucrativos que atua mais de 80 anos fazendo avaliações sobre impostos e coletando dados sobre tributos a o redor de o mundo , o IRPJ médio de os países de a Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico ( OCDE ) , que reúne 38 nações mais desenvolvidas , foi de 23,6 % em 2021 .

A equipe econômica de o ministro Fernando Haddad antecipou que vai propor uma redução de o Imposto de Renda Pessoa Jurídica ( IRPJ ) , juntamente com a desoneração de a folha de pagamento de as empresas .

" O padrão [ internacional ] é uma referência .

Não quer dizer que é necessariamente igual a o padrão mundial , mas certamente é uma referência . Não está decidido " , declarou o secretário extraordinário de a reforma tributária de o Ministério de a Economia , Bernard Appy , a o g1 e a a TV Globo em agosto . Em o governo de o presidente Jair Bolsonaro , o então ministro de a Economia , Paulo Guedes , almejava reduzir o IRPJ para um patamar máximo de 25 % em o Brasil . Limite de isenção de a tabela de o IR Durante a campanha eleitoral de o ano passado , o presidente Luiz Inácio Lula de a Silva prometeu a isenção de o Imposto de Renda de as Pessoas Físicas ( IRPF ) para quem ganha até R$ 5 mil mensais . Em novembro de o ano passado , o então coordenador de o PT por o orçamento de 2023 , o senador Wellington Dias ( PT ) , hoje ministro de o Desenvolvimento Social , afirmou que o tema seria tratado a o longo de o mandato de Lula , que vai até 2026 .

Em maio de este ano , o governo publicou uma medida provisória que eleva isenção de o IR para R$ 2.640 .

Além de aumentar a faixa de isenção para R$ 2.112 , a medida também implementa um desconto mensal de R$ 528 em a fonte .

Somados , os dois montantes atingem os R$ 2.640 de a faixa de isenção prometida por o governo valor referente a dois salários mínimos . Antes de isso , a última correção de a tabela havia sido realizada em 2015 .

Em 2020 , o Tesouro Nacional avaliou que o aumento de a faixa de isenção de o IR pode se tornar uma medida regressiva e agravar a distribuição de renda em o Brasil .

Em a avaliação de o órgão , tendo por base dados de 2018 , os principais beneficiários de o aumento de a faixa de isenção seriam os que ganham mais de R$ 1.951 por mês 20 % de a população em aquele momento . Deduções em o IR para saúde , educação e idosos

Em 2020 , o antigo Ministério de a Economia concluiu que as deduções em o IR para educação favorecem a camada mais rica de a população e sugeriu rever o benefício , mas isso não foi levado adiante . O custo estimado de esse beneficio é de R$ 5,3 bilhões em 2024 . Por as regras atuais , as deduções de despesas com educação em o Imposto de Renda são limitadas a R$ 3.561,50 por dependente . Podem ser abatidas , em a declaração completa , despesas com ensino infantil , fundamental , médio , técnico e superior .

Também deduções por dependentes e despesas médicas . Em 2022 , a área econômica de o governo anterior também fez uma análise sobre as deduções de as despesas médicas em o Imposto de Renda , e também sugeriu rever a medida ( o que não aconteceu ) .

O custo estimado de esse benefício para 2024 é de R$ 27,9 bilhões .

Por as regras , podem ser deduzidas , sem limite , consultas médicas de qualquer especialidade ; exames laboratoriais e radiológicos ; despesas hospitalares , incluindo internação em UTI ; despesas com parto ; cirurgias plásticas que foram realizadas com o objetivo de prevenir , manter ou recuperar a saúde física ou mental de o paciente ; e planos de seguro saúde , incluindo os planos com coparticipação de o empregado .

De acordo com a avaliação de a área econômica , apenas 0,8 % de as deduções de despesas médicas estavam direcionadas a os 50 % mais pobres de a população , enquanto 88 % de o benefício concentra se em a parcela ( 20 % ) correspondente a as famílias de maiores rendas , e 16,4 % (1 % ) de maior rendimento . Também em 2022 , a equipe econômica chefiada por Guedes recomendou reavaliar o benefício de o IR para idosos . A avaliação de o Ministério de a Economia apontava que esse benefício é destinado a três milhões de pessoas situadas , em a grande maioria , entre os 10 % mais ricos de o país .

O custo estimado de esse benefício é de R$ 15,6 bilhões em 2024 . Para quem tem 65 anos ou mais , a Receita oferece dedução de R$ 1.903,98 por mês sobre o rendimento tributável a partir de o mês em que o contribuinte completa essa idade . Com o benefício , o aposentado ou pensionista tem uma dupla isenção , havendo incidência de imposto somente sobre o que ultrapassar R$ 3.807,97 mensais ( R$ 49.503,48 anuais ) . Benefícios fiscais de o Imposto de Renda Para 2024 , a Receita Federal calculou que os benefícios fiscais ligados a o Imposto de Renda somarão cerca de R$ 218 bilhões .

A suspensão de benefícios , ou de parte de eles , representaria ingresso de recursos em os cofres públicos .

Além de deduções para saúde , educação e idosos , entre os setores beneficiados com maior representatividade em termos de recursos estão : Aposentadoria por Moléstia Grave ou Acidente ( IRPF ) : R$ 23,2 bilhões em 2024

Indenizações por Rescisão de Contrato de Trabalho ( IRPF ) : R$ 9,7 bilhões ano que vem Seguro ou Pecúlio Pago por Morte ou Invalidez ( IRPF ) : 2,7 bilhões em 2024

Assistência Médica , Odontológica e Farmacêutica a Empregados ( IRPJ ) : 9,6 bilhões Simples Nacional ( IRPJ ) : R$ 28,5 bilhões de renúncia SUDAM ( IRPJ ) : R$ 15,4 bilhões ano que vem SUDENE ( IRPJ ) : R$ 23,.6 bilhões em 2024


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