Representação em texto
Redação ENEM — 2024
| ID | TEK_7714 |
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| Título documental | Redação ENEM — 2024 |
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| Autor(a) | Julia Evaldt da Silva |
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| Ano do ENEM | 2024 |
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| Tema oficial | Desafios para a valorização da herança africana no Brasil |
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| Nota | 1000 |
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| Língua | pt-BR |
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| Domínio | Escolar |
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| Propósito comunicativo | Argumentar |
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| Corpus | TEK |
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| Publicador da fonte consultada | Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira |
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| URL da fonte | https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/enem/enem-2025-cartilha-da-redacao-esta-disponivel |
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O conto infantil “Menina bonita do laço de fita”, publicado pela editora “Intrínseca”, tematiza a inconformidade de uma criança negra ao tentar aceitar o próprio cabelo crespo. Dessa forma, ao analisar os desafios que a personagem enfrenta para valorizar a herança africana em sua aparência, percebe-se que esse cenário apresenta similaridade com a realidade brasileira, na qual a sociedade contemporânea se limita a invisibilizar tradições afro-brasileiras em razão do legado histórico e do silêncio midiático.
Diante desse contexto, salienta-se as raízes históricas, que inviabilizam a correta valorização da cultura negra no Brasil, como principal causa desse viés caótico. A saber, a colonização portuguesa no Brasil culminou no apagamento histórico de tradições e legados que os africanos trouxeram consigo durante a importação de servos colonos, uma vez que, os jesuítas — padres responsáveis por abolir quaisquer traços negros em terras brasileiras — impunham novos costumes sobre os escravos, desvalorizando símbolos vigentes. Assim, o apagamento cultural dos afro-brasileiros está enraizado na sociedade contemporânea e perpetua-se secularmente nos descendentes que desconhecem sua história.
Ademais, o silêncio da mídia acerca das práticas africanas potencializa a estrutura cultural frágil destas. Segundo Marilene Chui, filósofa e socióloga brasileira, o “Coronelismo Digital” é um conjunto de inoperações que a imprensa tece para manipular o pensamento crítico dos cidadãos. Nesse sentido, a falta da discussão midiática faz a manutenção do quadro de ignorância cultural que a população negra vive, isto é, a mídia falha em circular ideias que registrariam a memória imaterial africana e, por isso, essas memórias são invisibilizadas na modernidade. Logo, é notório que a falta de ações midiáticas mina a persistência das imaterialidades oriundas dos negros escravizados e esquematiza um raciocínio de desvalorização cultural.
Portanto, para mitigar essa problemática, são necessárias medidas estruturais. Desse modo, cabe ao Estado — responsável pela preservação da memória nacional — articular um plano de ação voltado à valorização cultural do legado africano, por meio de palestras e rodas de conversa. Isso, com a finalidade de mudar as raízes históricas advindas da colonização. Urge, também, que a mídia realize esporádicas propagações de memórias negras, mediante a exposição de origens e propósitos de antigos rituais africanos. Somente assim, será possível fortificar as tradições afro-brasileiras e tornar a protagonista do conto infantil “Menina bonita do laço de fita” um personagem estritamente libertário.
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