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Redação ENEM — 2024
| ID | TEK_5119 |
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| Título documental | Redação ENEM — 2024 |
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| Autor(a) | Ana Clara Pereira |
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| Ano do ENEM | 2024 |
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| Tema oficial | Desafios para a valorização da herança africana no Brasil |
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| Nota | 1000 |
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| Língua | pt-BR |
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| Domínio | Escolar |
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| Propósito comunicativo | Argumentar |
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| Corpus | TEK |
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| Publicador da fonte consultada | Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira |
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| URL da fonte | https://www.gov.br/inep/pt-br/centrais-de-conteudo/noticias/enem/enem-2025-cartilha-da-redacao-esta-disponivel |
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Corpus TEK — Redações Nota Mil, DOESTE.
O livro “Quarto de despejo”, de Carolina Maria de Jesus, retrata o cotidiano da própria autora — mulher negra e pobre —, que viveu na favela do Canindé, na década de 1960, em São Paulo. Conforme exibido na história de vida de Carolina e expandindo esse cenário para a realidade atual, infelizmente, ainda são perceptíveis desafios para a valorização da herança africana no Brasil. Assim, destacam-se o racismo estrutural e a negligência por parte da sociedade como aspectos dessa preocupante problemática em solo nacional.
O racismo estrutural, ou seja, o preconceito étnico enraizado na população, está muito presente nas relações sociais e na estrutura do Brasil. Isso porque o longo período escravocrata vivenciado no país e a não adoção de políticas de inserção dos libertos na sociedade deixaram cicatrizes irreversíveis na história brasileira, tais como a marginalização desse grupo, a menor taxa de acesso à escolarização e o menor salário desses indivíduos. Nesse sentido, segundo o filósofo Elijah Anderson, os brancos reduzem o espaço dos negros aos guetos — ambientes periféricos e desvalorizados pelos cidadãos em geral —, privando esses sujeitos de participarem de práticas eruditas, como o ensino superior e a atuação na política, o que impulsiona a desatenção quanto aos diversos legados das culturas africanas em território nacional. Dessa forma, o racismo estrutural constitui um obstáculo para a valorização dessa herança no país.
Além disso, a negligência da sociedade quanto à existência concreta desse preconceito é um grave desafio para a adoção de medidas que combatam tal desvalorização. Nesse contexto, apesar de inúmeros dados estatísticos comprovarem o desfavorecimento social desses indivíduos — como a informação do Atlas da Violência de 2019 de que quase 80% das vítimas de homicídio do ano foram negros —, muitas pessoas ainda persistem em acreditar que o preconceito racial não existe de fato. De acordo com o teórico Florestan Fernandes, a ideia de democracia racial brasileira é um mito, já que a convivência entre grupos étnicos no país foi, historicamente, marcada por violência, como a psicológica, a sexual e a física, ocorridas, principalmente, durante a escravidão — e impedindo o reconhecimento dos aspectos culturais dessas pessoas. Desse modo, a negligência por parte da população é um grande empecilho para a devida consideração do legado dessas comunidades no país.
Portanto, destacam-se o racismo estrutural e a negligência por parte da sociedade como desafios para a valorização da herança africana no Brasil. Logo, o Ministério da Educação — órgão federal responsável por coordenar as diretrizes do ensino na nação — deve criar um componente curricular voltado para a recuperação da cultura e da história africanas, por meio da criação de uma lei que implemente tal disciplina em todas as escolas do Brasil, a fim de reverter o atual quadro de desvalorização dessa etnia entre as próximas gerações. Ademais, o Ministério da Igualdade Racial deve promover campanhas que sinalizem a cotidiana presença dos preconceitos de cunho étnico, com o objetivo de conscientizar a população brasileira acerca da real existência dessa inquietante discriminação em solo nacional. Em última instância, busca-se, com tais medidas, alterar a situação de invisibilidade histórica-cultural ainda experienciada por brasileiros, a exemplo de Carolina Maria de Jesus.
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