A
Covid-19
pode
causar
problemas
de
saúde
persistentes
.
Cerca
de
um
quarto
de
as
pessoas
que
tiveram
o
vírus
apresentam
sintomas
que
continuam
por
por
o
menos
um
mês
,
segundo
dados
divulgados
por
a
OMS
-
e
uma
em
cada
10
ainda
não
se
sente
bem
após
12
semanas
.
Covid
longa
:
80
%
de
os
que
perderam
olfato
ou
paladar
recuperaram
os
sentidos
em
até
6
meses
,
diz
estudo
Covid
longa
:
brasileiros
investigam
alterações
cardíacas
em
crianças
e
adolescentes
Covid
longa
:
estudo
aponta
que
um
ano
após
contaminação
metade
de
pacientes
sofre
com
sequelas
Muitos
pacientes
relatam
que
tiveram
apenas
uma
infecção
inicial
leve
,
mas
que
acabou
prejudicando
sua
saúde
,
vida
social
e
finanças
.
Jasmine
Hayer
,
de
32
anos
,
estava
morando
em
Londres
e
se
preparando
para
ser
professora
de
ioga
quando
pegou
o
coronavírus
em
março
de
2021
.
A
as
vezes
parece
que
era
uma
pessoa
diferente
,
diz
ela
,
falando
devagar
e
com
cuidado
,
de
a
casa
de
seus
pais
em
Biggleswade
,
em
a
Inglaterra
.
Ela
voltou
para
lá
em
o
verão
passado
quando
percebeu
que
não
conseguia
nem
fazer
a
cama
sem
ficar
sem
fôlego
.
"
Esta
doença
é
tão
desconcertante
e
ninguém
sabe
realmente
como
tratá
la
.
Sinceramente
,
não
sei
se
algum
dia
voltarei
a
a
saúde
plena
,
mas
nunca
vou
parar
de
tentar
"
,
diz
ela
.
Atualmente
recebendo
auxílio-doença
,
ela
diz
que
está
desesperada
para
trabalhar
novamente
.
"
Minha
vida
inteira
foi
arrancada
de
mim
-
como
aconteceu
com
tantos
outros
com
covid
longa
.
Tivemos
uma
grande
crise
de
identidade
"
,
diz
ela
.
"
Preciso
me
reinventar
.
Não
com
si
nem
levantar
o
braço
esquerdo
,
muito
menos
ser
professora
de
ioga
,
o
que
é
de
partir
o
coração
.
"
Por
nove
meses
,
os
médicos
disseram
que
a
ansiedade
era
a
causa
de
seus
sintomas
,
que
incluíam
aperto
em
o
peito
,
dores
em
o
coração
,
falta
de
ar
,
fadiga
e
palpitações
.
Ela
sabia
que
eles
estavam
errados
e
desenvolveu
seu
próprio
rastreador
de
sintomas
,
o
que
ajudou
a
identificar
impactos
em
seus
pulmões
.
Sua
saúde
só
começou
a
melhorar
quando
ela
iniciou
o
tratamento
em
uma
clínica
para
130
pacientes
com
grave
covid
longa
,
em
o
Royal
Brompton
Hospital
,
em
Londres
.
Os
médicos
encontraram
vários
problemas
de
saúde
.
Um
teste
de
transferência
de
gás
mostrou
que
os
níveis
de
oxigênio
em
seus
pulmões
eram
53
%
,
o
mesmo
de
um
paciente
com
doença
pulmonar
,
e
ela
foi
diagnosticada
com
inflamação
cardíaca
pós-covid
,
que
eles
disseram
que
não
tinham
visto
antes
.
Eles
também
encontraram
pequenos
coágulos
de
sangue
em
seus
pulmões
,
que
só
apareceram
em
uma
varredura
especializada
chamada
varredura
de
ventilação-perfusão
.
Desde
o
início
de
a
medicação
para
afinar
o
sangue
,
os
coágulos
desapareceram
,
mas
ela
ainda
apresenta
fluxo
anormal
de
sangue
e
oxigênio
em
os
pulmões
.
"
Um
antiinflamatório
chamado
colchicina
mudou
significativamente
minha
recuperação
,
mas
infelizmente
tive
uma
recaída
novamente
.
Agora
posso
andar
lentamente
por
cinco
minutos
uma
vez
por
semana
se
tiver
sorte
,
mas
sinto
dor
em
o
peito
depois
.
Tenho
que
escolher
entre
usar
minha
voz
e
mover
meu
corpo
.
Não
posso
fazer
as
duas
coisas
em
um
dia
.
"
"
Os
médicos
não
sabem
por
que
tenho
bons
níveis
gerais
de
oxigênio
em
meu
corpo
,
mas
ele
não
chega
a
os
meus
pulmões
,
o
que
pode
ser
um
problema
com
meus
vasos
sanguíneos
,
mas
minhas
varreduras
mostram
que
eles
estão
normais
-
eles
nunca
viram
isso
antes
.
"
Desde
que
começou
um
blog
sobre
sua
história
,
ela
recebeu
mensagens
de
centenas
de
pessoas
com
covid
longa
desesperadas
por
ajuda
.
"
Muitos
pacientes
estão
sendo
liberados
porque
seus
médicos
e
especialistas
não
receberam
orientação
suficiente
.
Eles
não
sabem
que
os
pacientes
podem
ter
micro
coágulos
de
sangue
,
mas
apresentam
resultados
de
exames
de
sangue
normais
,
como
eu
"
,
diz
ela
.
Jasmine
está
acompanhando
de
perto
um
estudo
em
andamento
em
a
Alemanha
que
encontrou
coágulos
sanguíneos
microscópicos
em
pacientes
com
covid
longa
,
privando
seus
tecidos
de
oxigênio
.
Uma
técnica
que
limpa
o
sangue
,
removendo
proteínas
que
causam
doenças
,
ajudou
alguns
pacientes
lá
.
Ela
também
é
conselheira
de
pacientes
em
o
maior
estudo
de
covid
longa
até
hoje
em
o
mundo
,
que
visa
melhorar
o
diagnóstico
e
o
tratamento
de
a
doença
.
O
professor
Amitava
Banerjee
,
de
a
University
College
London
,
está
liderando
o
estudo
STIMULATE-ICP
de
dois
anos
que
recrutará
4.500
pacientes
de
seis
clínicas
de
covid
longa
.
Medicamentos
existentes
serão
testados
para
avaliar
sua
eficácia
,
incluindo
anti-histamínicos
,
como
a
loratadina
,
usada
para
tratar
alergias
.
Também
serão
testados
anticoagulantes
como
a
rivaroxabana
e
o
antiinflamatório
colchicina
.
O
cardiologista
Banerjee
está
preocupado
com
o
fato
de
que
o
número
atual
de
infecções
em
o
Reino
Unido
resultará
em
mais
pessoas
sofrendo
de
covid
longa
.
Muitos
pacientes
desenvolveram
após
uma
infecção
leve
,
diz
ele
,
então
ele
não
está
certo
de
que
a
variante
ômicron
pode
produzir
uma
doença
menos
grave
.
"
Sabemos
que
pessoas
que
não
foram
hospitalizadas
com
covid
ficaram
mais
debilitadas
e
devemos
em
os
preocupar
com
isso
"
,
diz
ele
.
Muitos
jovens
com
covid
longa
não
conseguiram
retornar
a
o
trabalho
,
acrescenta
,
e
isso
teve
um
grande
impacto
em
sua
saúde
,
bem-estar
e
economia
.
Ele
acredita
que
a
melhor
maneira
de
prevenir
é
"
evitar
ser
infectado
em
primeiro
lugar
e
manter
a
taxa
de
infecção
baixa
"
,
o
que
não
será
alcançado
com
uma
abordagem
apenas
de
vacina
,
diz
ele
.
"
Eu
adoraria
ver
mais
consideração
,
debate
e
reconhecimento
de
a
covid
longa
por
parte
de
nossos
formuladores
de
políticas
"
,
diz
ele
.
"
Se
você
apenas
mede
as
mortes
,
você
perde
o
impacto
em
a
vida
de
as
pessoas
.
Devíamos
fazer
melhor
de
o
que
isso
.
"
O
Departamento
de
Saúde
e
Assistência
Social
de
o
Reino
Unido
foi
procurado
para
responder
a
os
comentários
de
Banerjee.As
vacinas
têm
ajudado
,
sem
dúvidas
,
a
prevenir
mortes
e
doenças
graves
,
mas
os
cientistas
ainda
não
sabem
se
elas
protegem
contra
a
covid
longa
,
diz
ele
.
O
que
é
covid
longa
?
Cobre
uma
ampla
gama
de
sintomas
,
incluindo
fadiga
,
tosse
,
dores
de
cabeça
e
musculares
A
maioria
de
as
pessoas
que
contraem
o
coronavírus
se
sentem
melhor
em
alguns
dias
ou
semanas
,
mas
os
sintomas
podem
durar
mais
tempo
para
algumas
pessoas
,
mesmo
após
uma
infecção
leve
Pode
afetar
qualquer
pessoa
,
mas
as
mulheres
e
os
profissionais
de
saúde
parecem
estar
em
maior
risco
Fonte
:
Escritório
de
Estatísticas
Nacionais/NHS/OMS
Para
Emily
Miller
,
a
covid
longa
continua
a
ser
uma
experiência
assustadora
e
solitária
,
sem
a
ajuda
de
especialistas
médicos
de
apoio
.
A
jovem
de
21
anos
tinha
acabado
de
voltar
a
estudar
comercialização
de
a
música
em
Brighton
(
Inglaterra
)
em
outubro
passado
,
quando
adoeceu
com
coronavírus
.
Ela
cresceu
em
Oxford
-
onde
caminhava
por
toda
parte
e
frequentava
o
teatro
.
Agora
ela
só
sai
de
casa
para
consultas
médicas
e
aulas
.
"
Em
o
final
de
as
minhas
aulas
,
sinto
me
bêbada
e
não
me
lembro
de
o
que
foi
dito
"
,
disse
.
"
Não
vejo
meus
amigos
,
nem
tenho
vida
social
.
Minha
vida
mudou
completamente
,
assim
como
minha
trajetória
profissional
.
"
Após
uma
infecção
inicial
leve
,
ela
começou
a
sentir
enxaquecas
,
zumbido
,
dormência
,
falta
de
ar
,
tontura
,
sangramento
nasal
,
dor
em
o
peito
e
náusea
.
Um
exame
de
sangue
mostrou
que
ela
tinha
uma
contagem
baixa
de
glóbulos
brancos
e
ela
foi
encaminhada
para
uma
clínica
de
covid
longa
,
que
ajudou
em
o
controle
de
a
fadiga
.
Ela
foi
então
encaminhada
a
um
neurologista
.
Enquanto
isso
,
Emily
disse
que
um
clínico
geral
disse
que
os
sintomas
se
resumiam
a
ansiedade
e
que
ela
deveria
"
ir
para
casa
e
se
curar
"
.
Emily
ainda
toma
analgésicos
e
sofre
de
fadiga
,
espasmos
musculares
e
problemas
gastrointestinais
.
Seu
médico
sugeriu
recentemente
que
era
síndrome
de
o
intestino
irritável
relacionada
a
a
ansiedade
.
"
Eu
adoraria
fazer
mais
alguns
testes
e
investigações
para
ver
o
que
está
causando
isso
,
mas
continuo
batendo
em
uma
parede
de
tijolos
"
,
diz
ela
.
Além
de
a
saúde
,
suas
maiores
preocupações
são
financeiras
e
ela
se
preocupa
em
pagar
o
aluguel
todo
mês
.
"
Eu
solicitei
um
subsídio
para
alunos
com
deficiência
,
mas
eles
não
reconhecem
a
covid
longa
como
uma
deficiência
.
Eu
realmente
espero
que
um
dia
isso
seja
considerado
"
,
diz
ela
.
Ela
sente
que
suas
perspectivas
de
emprego
quando
ela
se
formar
em
o
ano
que
vem
são
sombrias
,
e
seu
sonho
de
trabalhar
para
uma
gravadora
está
suspenso
.
Ela
decidiu
criar
uma
página
de
arrecadação
de
fundos
para
ajudar
a
se
sustentar
e
tentar
finalmente
encontrar
uma
cura
pagando
por
tratamentos
experimentais
como
terapia
de
oxigênio
.
"
Odeio
pedir
a
outras
pessoas
que
me
apoiem
,
mas
senti
que
estava
ficando
sem
opções
"
,
diz
ela
.
É
uma
situação
semelhante
para
Antony
Loveless
,
que
recentemente
teve
que
pedir
a
sua
mãe
um
empréstimo
de
mil
libras
(
R$
7,6
mil
)
para
pagar
sua
hipoteca
.
O
homem
de
54
anos
,
que
mora
em
Southend
(
Inglaterra
)
,
pegou
covid
em
janeiro
enquanto
ele
trabalhava
em
um
porto
.
Sua
parceira
Claire
Hooper
,
de
52
anos
,
que
trabalhava
como
enfermeira
,
também
contraiu
e
também
sofre
de
covid
longa
.
Eles
passaram
a
maior
parte
de
este
ano
em
a
cama
,
com
dores
e
fadiga
paralisantes
,
ambos
fora
de
seus
empregos
.
Antony
agora
anda
com
ajuda
de
uma
bengala
e
dirige
um
carro
com
selo
de
deficiente
.
Ele
foi
diagnosticado
com
perda
de
glóbulos
brancos
e
uma
disfunção
autonômica
chamada
síndrome
de
taquicardia
ortostática
postural
,
que
afeta
sua
capacidade
de
regular
a
pressão
arterial
.
Claire
agora
tem
diabetes
e
hipertensão
.
Ambos
receberam
alta
de
uma
clínica
de
covid
longa
,
após
serem
informados
de
que
estavam
muito
doentes
para
iniciar
a
reabilitação
.
Eles
gastaram
10
mil
libras
(
mais
de
R$
70
mil
)
em
economias
apenas
para
pagar
a
hipoteca
e
as
contas
,
antes
de
se
qualificarem
para
os
benefícios
.
"
Tínhamos
um
estilo
de
vida
agradável
de
classe
média
"
,
diz
Antony
.
"
Deixamos
de
ganhar
cerca
de
£
4.500
(
cerca
de
R$
33.750
)
por
mês
para
viver
com
o
mínimo
.
"
O
ex-fotógrafo
de
guerra
e
autor
precisa
definir
lembretes
em
seu
telefone
para
ir
a
a
cozinha
comer
,
mas
depois
não
consegue
se
lembrar
por
que
está
lá
.
"
Eu
não
fumava
há
37
anos
e
esqueci
que
não
fumava
mais
.
Comprei
um
maço
de
cigarros
outro
dia
"
,
diz
ele
.
Ele
se
sente
frustrado
porque
as
estatísticas
são
coletadas
sobre
pessoas
com
covid
que
sobrevivem
e
morrem
,
mas
"
não
as
pessoas
de
o
meio
"
.
"
O
governo
nunca
fala
sobre
covid
longa
-
ou
você
morre
ou
se
recupera
.
Mas
e
nós
?
"
Ele
diz
que
as
coisas
ficaram
tão
ruins
há
alguns
meses
que
ele
e
Claire
consideraram
terminar
com
suas
vidas
.
"
Chegamos
a
um
ponto
em
que
não
podíamos
continuar
com
a
dor
e
sem
qualidade
de
vida
.
Ficamos
sem
dinheiro
e
sem
opções
e
estávamos
deitados
em
a
cama
,
sem
conseguir
nem
acompanhar
uma
trama
em
a
TV.
"