Representação em texto

Do 'tio do pavê' ao 'primo perfeito': três dicas para lidar com as reuniões familiares no Natal

IDTEJ_1035
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/saude/noticia/2023/12/23/do-tio-do-pave-ao-primo-perfeito-tres-dicas-para-lidar-com-as-reunioes-familiares-no-natal.ghtml
TítuloDo 'tio do pavê' ao 'primo perfeito': três dicas para lidar com as reuniões familiares no Natal
SubtítuloSaber se preservar e investir na escuta do próximo podem ser boas práticas para deixar o Natal mais harmonioso.
Ano2023
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaSaúde
PropósitoNoticiar

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Natal é tempo de reflexão , renovação e celebração . E de as a as vezes inevitáveis confraternizações familiares . Não é nada incomum que essas reuniões sejam marcadas por algum encontro desconfortável entre parentes que não se relacionam a o longo de o ano .

É o momento perfeito para encontrar o " tio de o pavê " , sempre pronto para soltar uma piada sem graça ou um comentário inconveniente ; a " tia negacionista " , que ainda acredita que a terra é plana ; ou , ainda , o " primo perfeito " , que passou em primeiro lugar em a faculdade e vira referência para cobranças exageradas .

Mas é possível ter um Natal mais harmonioso e evitar as situações incômodas de esse período ?

O g1 conversou com alguns especialistas que explicam como tentar fazer de essa data uma noite realmente feliz .

Mais disposição para encontros

Por ser um símbolo de renascimento , o Natal muitas vezes estimula em as pessoas a vontade de congregar e promover reencontros .

Irene Gaeta , psicóloga e membro de a Associação Internacional de Psicologia Analítica ( IAAP ) , afirma que esses momentos tendem a despertar em as pessoas uma tolerância maior para lidar com determinadas circunstâncias .

" Muitas vezes as pessoas não se relacionam , mas em essas datas uma disposição maior em lidar com situações que normalmente seriam incômodas e evitadas " , comenta Irene Gaeta .

Em esse contexto , elas acabam se relacionando com parentes que não têm muito contato , por exemplo , e que podem ser figuras um pouco difíceis de lidar .

Belinda Mandelbaum , psicanalista e professora de o Departamento de Psicologia Social e de o Trabalho de a USP , defende que é importante desconstruir a ideia de arquétipos .

" Cada vez mais temos que procurar romper com esses perfis , desconstruir essas visões . Cada ser humano é complexo , feito de muitas dimensões " , analisa Belinda .

Gaeta explica que , mesmo em o caso de pessoas que se revelam inconvenientes , como o tio de o pavê , uma justificativa que precisa ser levada em consideração para aquele comportamento .

" Em geral são pessoas que se sentem excluídas , isoladas , e que estão em certo sofrimento . Por consequência , acabam provocando um certo sofrimento em o outro , em a medida que são invasivas ou que querem impor seu pensamento " , reflete .

Para lidar com esse tipo de situação , Belinda destaca que a escuta pode ser um aliado fundamental . " A gente deve criar um espaço em a família para que o outro possa se sentir ouvido , compreendido . Abertura é muito importante em esse processo " , ressalta .

Além de isso , recomendação de ambas é apostar em sentimentos próprios a o espírito de Natal : tolerância e generosidade .

Extrovertido x introvertido

A as vezes , independentemente de o parente que fará parte de a festa , os encontros podem ser incômodos por a própria forma de as pessoas de lidarem com situações sociais .

Segundo o médico psiquiatra Arthur Danila , enquanto as pessoas de padrões mais extrovertidos ganham energia com as interações sociais , os introvertidos têm sua energia drenada em esses momentos .

Danila , que coordena o Programa de Mudança de Hábito e Estilo de Vida de o Instituto de Psiquiatria de o Hospital de as Clínicas , pontua que , para os introvertidos , essas situações podem ser ainda mais desafiadoras . " Sendo uma pessoa bem-sucedida ou não , a questão é a forma como ela se comporta em os ambientes sociais " , analisa .

O psiquiatra ressalta que é importante saber se respeitar , entendendo quais encontros devem ser priorizados .

" Para a pessoa que se sente muito desconfortável em ir a essas confraternizações , talvez seja bom selecionar melhor os eventos , priorizar as situações que são menos incômodas " , recomenda Arthur Danila .

Apesar de essa ponderação ser benéfica , ele ainda lembra que a retração social por completo não é indicada . É essencial , de alguma forma , investir em encontros sociais , ainda que de maneira mais selecionada .

Dicas para um Natal tranquilo

Para aqueles que precisam lidar com situações incômodas em essa época de o ano , os especialistas fazem algumas recomendações que podem tornar os encontros mais tranquilos :

1 .

Evite assuntos polêmicos Discussões sobre temas que dão margem para muitas opiniões conflitantes podem contribuir para um clima não tão amistoso em o Natal .

E em esses encontros , são algo que pode ser evitado . Arthur Danila aconselha que até um combinado prévio a o evento pode ser uma boa alternativa .

Assim , se estabelece um acordo para não se tocar em assuntos polêmicos , como política e guerra , algo que pode contribuir para a boa convivência .

É importante lembrar que nem todos estão abertos a mudar de opinião , especialmente em momentos de celebração e confraternização .

2 .

Se preserve A convenção social muitas vezes faz com que haja certa obrigação de ir a eventos sociais em essa época de o ano , em especial por conta de muitas tradições familiares . Mas nada pode superar a necessidade de autocuidado e de autopreservação .

" É preciso saber que você pode sim se resguardar e não comparecer . Não se pode se deixar de lado em esses momentos " , aconselha Danila .

É importante entender o quanto a interação social e até familiar potencialmente podem ser prejudiciais em termos de saúde mental .

E saber se preservar caso sejam encontros que vão trazer muito desconforto .

3 .

Tenha autocompaixão

O período de passagem de ano é uma época sensível , que exige reflexão e um olhar mais para dentro de si . Os especialistas lembram que , em esses momentos , os sentimentos podem ficar mais aguçados e é preciso ter compaixão com os outros , mas também com si mesmo .

Irene Gaeta afirma que o processo de autorreflexão e autoaceitação é fundamental para conseguir olhar o outro com mais generosidade e também aceitar seus erros e defeitos .


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