Representação em texto

Abuso psicológico: por que até mulheres 'empoderadas', como Ana Hickmann e Naiara Azevedo, sofrem violência patrimonial; veja como evitar

IDTEJ_1003
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/saude/noticia/2023/12/08/abuso-psicologico-entenda-como-ate-mulheres-empoderadas-sofrem-violencia-patrimonial-e-como-evitar.ghtml
TítuloAbuso psicológico: por que até mulheres 'empoderadas', como Ana Hickmann e Naiara Azevedo, sofrem violência patrimonial; veja como evitar
SubtítuloO g1 conversou com a psicóloga Valeska Zanello, referência em saúde mental da mulher, e a advogada Miriane Ferreira, sucesso nas redes com 1,6 milhão de seguidores, que dá dicas a mulheres para não serem vítimas desse tipo de violência.
Ano2023
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaSaúde
PropósitoNoticiar

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Advogada Miriane Ferreira dicas de cuidados para mulheres não serem vítimas de violência patrimonial

Trabalhar e nunca ter dinheiro . Não ter acesso a as próprias contas bancárias . Ter bens furtados ou quebrados . Perder parte ou tudo que foi conquistado com anos de trabalho . Esses são exemplos de violência patrimonial . Os casos de a apresentadora Ana Hickmann e de a cantora Naiara Azevedo jogaram luz sobre esse tipo de abuso que está em a Lei Maria de a Penha , apesar de pouco falado .

Segundo especialistas , o que leva mulheres independentes financeiramente a estarem sob a vigilância de homens e serem vítimas de violência patrimonial é a estrutura de abuso existente em os relacionamentos e tem como princípio a violência psicológica .

O que diz a lei : a violência patrimonial é aquela em que o agressor se utiliza de dinheiro , documento ou bens ( sejam eles de valor financeiro ou sentimental ) para tentar controlar a vítima , podando sua liberdade total .

Naiara Azevedo acusa ex-marido de violência patrimonial e doméstica

Como contaram Ana Hickmann e Naiara Azevedo , os ex-companheiros começaram ajudando em a administração de a carreira , partilhando a carga de trabalho e terminaram com discursos como o de que elas eram incapazes e não sabiam gerir questões financeiras . ( Veja acima o depoimento de Naiara Azevedo . )

Origem de a violência patrimonial

Referência em a área de saúde mental e gênero , a pesquisadora Valeska Zanello , doutora em psicologia e professora em a Universidade de Brasília ( UnB ) , explica que a violência psicológica é o princípio de esse tipo de abuso .

Segundo ela , o motivo para mulheres com poder e dinheiro ainda se verem vítimas de violência é a construção social de a validação feminina em a sociedade , que depende de ter um relacionamento ou um casamento .

De a violência psicológica a a violência patrimonial

Os especialistas explicam que , até o homem chegar a ter plenos poderes sobre o patrimônio de a mulher , é percorrido um ciclo de violência :

O relacionamento começa como qualquer outro , em fase de lua de mel , em que é estabelecida uma relação de confiança . Ele , então , oferece ajuda para a administração . Em a sequência , a ajuda se torna controle e para que isso seja mantido , ele usa manipulação e violência psicológica .

Frases como você não consegue fazer isso , você vai perder todo nosso dinheiro , você está desconfiando de mim? ou você não me ama mais ? são alguns de os discursos usados . O tom de o discurso violento vai aumentando e a mulher se encurralada . Ana Hickmann se pronuncia após pedido de divórcio com base em a Lei Maria de a Penha negado Em o caso de Naiara Azevedo , ela conta que ele a ajudava em a administração de a carreira até que passou a controlá la e mesmo que ela ganhasse milhões , tinha acesso a R$ 1 mil por mês .

A cantora foi se dar conta de a violência a o se separar e perceber que alguns de seus bens não estavam em seu nome .

Com Ana Hickmann , após a denúncia de agressão contra o marido , passaram a viralizar vídeos públicos em que ele aparece criticando a aparência de ela , desprezando a e sendo grosseiro . Eles passaram 25 anos juntos e ela conta que a discussão que precedeu o divórcio foi por descobrir dívidas em seu nome que não fazia ideia que existiam .

Segundo ela , falta emancipação a as mulheres : " Somos vítimas porque somos empoderadas , mas não emancipadas . Empoderamento é ter uma posição melhor em esse jogo assimétrico entre homens e mulheres , mas a emancipação é sermos individuais , sem a necessidade de validação que em os coloca em ciclos de violência .

Aumento de casos O caso de as famosas escancarou um tipo de violência comum e que destrói a vida de as mulheres .

Um levantamento recente feito por o Instituto Igarapé indica que , em os últimos cinco anos , entre 2018 e 2022 , cresceu 56 % o número de casos de violência patrimonial contra mulheres em o Brasil , saindo de uma taxa de 3,9 por 100 mil mulheres em 2018 para 6,1 por 100 mil mulheres em 2022 .

Em 2022 , foram registrados 6.041 casos de violência patrimonial contra mulheres em o país , o que significa que mais de 16 mulheres foram vítimas de esse tipo de violência por dia .

A violência patrimonial aumentou porque as mulheres estão ganhando destaque em o mercado e os homens viram uma nova maneira de violentar .

E isso ocorre também em classes mais pobres , em que eles levam tudo o que elas têm e que é mais difícil se recuperar . Isso pode destruir a vida de uma mulher , diz Zanello .

Como se proteger ? Com 1,6 milhão de seguidores em o Instagram , a advogada Miriane Ferreira ganhou projeção em as redes sociais com seus vídeos alertando mulheres sobre seus direitos , incluindo sobre como evitar que sejam vítimas de violência patrimonial . ( Veja vídeo em o início de esta reportagem . )

Ela conta que decidiu fazer os vídeos por perceber o aumento de esse tipo de violência e que os homens usavam o dinheiro para manipular as mulheres .

Os casos mais comuns : Compra de bens em o nome de terceiros : quando o companheiro adquire bens durante o casamento em comunhão parcial , em que tudo é dividido , em o nome de outras pessoas para evitar a partilha em caso de divírcio .

Mulheres sem acesso a o patrimônio : mulheres que trabalham ou não trabalham , mas que o marido é o único que tem acesso a o dinheiro de a família e ela não sabe como ele é administrado .

Ameaça de não partilhar bens em o divórcio : principalmente em casos em que a mulher não trabalha fora de casa , o companheiro ameaça que ela não vai ter dinheiro ou acesso a os bens porque a renda exclusiva era de ele .

Segundo Miriane , as mulheres são vítimas por um ciclo social que as deixa vulneráveis , mas a única forma de se proteger é conhecendo seus direitos e estando atentas . Ela reforça que essa responsabilidade recai sobre elas porque , apesar de a violência patrimonial estar prevista em a Lei Maria de a Penha , não prisão . A mulher deve ir a a delegacia fazer uma ocorrência , mas para tentar o ressarcimento .

Em o direito penal , temos as escusas absolutórias e isso faz com que , quando é o cônjuge que comete o crime patrimonial , ele não tem pena . Mesmo comprovando , ele vai ter que ressarcir e indenizar , mas não vai preso , explica .

Como se proteger : Ter acesso a as finanças : se houver um compartilhamento de o dinheiro , isso precisa estar em uma conta conjunta em que ela tem acesso para movimentar e ver tudo que entre a sai . Conhecer os direitos de o seu regime de casamento : o regime de comunhão parcial é o mais comum em o Brasil e em ele , independentemente de a mulher trabalhar ou não , tudo que for conquistado , é partilhado igualmente em caso de divórcio .

Bens em o nome de o casal : acompanhar a compra de bens e garantir que eles estejam em o nome de o casal para que sejam incluídos em a partilha .

Não entregar assinatura digital : a assinatura digital é o mesmo que uma assinatura reconhecida em cartório . Ela é um documento individual e se for usada por outra pessoa fica difícil provar que não foi você . Não colocar marido como administrador : seja de a carreira , de as finanças ou de a empresa que está em nome de o casal . É importante que seja feito por uma empresa ou funcionário terceiro sem relação familiar para evitar problemas em caso de divórcio . Procuração por tempo e evento determinado : se por algum motivo a mulher precisa dar uma procuração a o marido , que seja esclarecendo o período e o motivo de isso para que o documento não seja usado em qualquer momento e para qualquer coisa . Transparência : o primeiro sinal de que algo de errado é a falta de transparência . Se recusar a dar informações ou fazer chantagens emocionais , é um sinal de alerta de que algo não está certo . A mulher precisa saber que ela tem direitos e essa conscientização vai fazer com que ela não aceite mais essas situações e não se nivele por baixo porque tem exemplos de mãe e amigas que não tiverem seus direitos garantidos , completa Miriane . O que dizem o marido de Ana Hickmann e o marido de Naiara Azevedo Após ser acusado de agressão por Ana Hickmann , de quem está se divorciando , Alexandre Correa , divulgou uma nota de esclarecimento em que afirma que sempre serviu a ela como " seu agente , com todo zelo , carinho e respeito " .

Raphael Cabral , marido de Naiara Azevedo , nega que tenha cometido violência patrimonial e que tenha agredido a cantora .

E diz que vai provar a a polícia que é inocente .


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