China
cria
nova
taxa
para
importação
de
carne
bovina
O
governo
brasileiro
informou
em
esta
quarta-feira
(
31
)
que
vai
dialogar
com
a
China
para
tentar
mitigar
os
efeitos
de
as
novas
medidas
adotadas
por
Pequim
sobre
a
importação
de
carne
bovina
.
A
China
anunciou
a
aplicação
de
salvaguardas
,
com
criação
de
cotas
e
cobrança
de
sobretaxas
,
a
partir
de
1º
de
janeiro
de
2026
.
Em
nota
,
o
governo
afirmou
que
acompanha
o
tema
“
com
atenção
”
e
que
tem
atuado
de
forma
coordenada
com
o
setor
privado
.
Segundo
o
comunicado
,
o
Brasil
seguirá
tratando
de
o
assunto
com
o
governo
chinês
tanto
em
o
plano
bilateral
quanto
em
o
âmbito
de
a
Organização
Mundial
de
o
Comércio
(
OMC
)
.
De
acordo
com
o
governo
,
a
medida
chinesa
terá
duração
prevista
de
três
anos
e
estabelece
uma
cota
anual
inicial
de
1,1
milhão
de
toneladas
para
o
Brasil
.
As
exportações
que
ultrapassarem
esse
volume
estarão
sujeitas
a
uma
sobretaxa
de
55
%
.
“
As
medidas
de
salvaguarda
são
instrumentos
de
defesa
comercial
previstos
em
os
acordos
de
a
OMC
e
aplicados
a
as
importações
de
todas
as
origens
”
,
diz
a
nota
.
Segundo
o
governo
brasileiro
,
o
objetivo
é
reduzir
o
impacto
de
a
decisão
e
defender
os
interesses
de
trabalhadores
e
produtores
de
o
setor
.
A
China
iniciou
em
2024
uma
investigação
sobre
os
impactos
de
o
aumento
de
as
importações
de
carne
bovina
.
Segundo
o
Ministério
de
o
Comércio
chinês
,
o
crescimento
de
as
compras
externas
teria
prejudicado
a
indústria
local
.
A
China
é
o
maior
importador
e
o
segundo
maior
consumidor
de
carne
bovina
de
o
mundo
,
atrás
apenas
de
os
Estados
Unidos
.
Em
os
últimos
meses
,
Pequim
intensificou
o
apoio
político
a
o
setor
pecuário
doméstico
,
em
meio
a
um
cenário
de
escassez
global
de
carne
bovina
,
que
tem
pressionado
os
preços
internacionais
.
Decisão
de
a
China
A
China
anunciou
em
esta
quarta-feira
a
criação
de
cotas
anuais
para
a
importação
de
carne
bovina
,
com
o
objetivo
de
proteger
produtores
locais
.
Além
de
a
limitação
de
volume
,
haverá
cobrança
de
uma
taxa
de
12
%
sobre
as
importações
dentro
de
a
cota
e
de
uma
sobretaxa
de
55
%
sobre
o
que
exceder
o
limite
,
segundo
a
Associação
Brasileira
de
as
Indústrias
Exportadoras
de
Carnes
(
Abiec
)
e
a
Confederação
de
a
Agricultura
e
Pecuária
de
o
Brasil
(
CNA
)
.
As
medidas
entram
em
vigor
em
1º
de
janeiro
de
2026
e
terão
validade
de
três
anos
.
Para
2026
,
a
cota
global
de
importação
definida
por
a
China
é
de
2,7
milhões
de
toneladas
,
com
aumento
gradual
em
os
anos
seguintes
.
Em
a
divisão
por
países
,
o
Brasil
terá
a
maior
cota
em
o
próximo
ano
,
com
1,1
milhão
de
toneladas
.
O
volume
é
inferior
a
o
exportado
por
o
país
para
a
China
em
2025
:
até
novembro
,
foram
1,52
milhão
de
toneladas
.
Impacto
para
o
Brasil
A
China
respondeu
por
cerca
de
metade
de
as
exportações
brasileiras
de
carne
bovina
em
2025
.
Até
novembro
,
o
país
asiático
foi
destino
de
48
%
de
o
volume
exportado
e
respondeu
por
49,9
%
de
o
faturamento
de
o
setor
,
o
equivalente
a
US$
8,08
bilhões
,
segundo
dados
de
a
Abiec
.
O
ministro
de
a
Agricultura
,
Carlos
Fávaro
,
afirmou
que
,
de
forma
geral
,
a
decisão
chinesa
“
não
é
algo
tão
preocupante
”
,
porque
o
Brasil
exporta
um
volume
próximo
a
o
de
a
cota
definida
e
tem
buscado
abrir
novos
mercados
.
Entre
as
expectativas
,
está
a
ampliação
de
as
vendas
a
o
Japão
a
partir
de
2026
.
Ainda
assim
,
o
ministro
disse
que
o
governo
pretende
negociar
com
a
China
,
incluindo
a
possibilidade
de
transferência
de
cotas
não
utilizadas
por
outros
países
.
Entidades
de
o
setor
avaliam
que
as
medidas
exigirão
ajustes
a
o
longo
de
toda
a
cadeia
produtiva
.
A
Associação
Brasileira
de
Frigoríficos
(
Abrafrigo
)
estima
que
a
decisão
pode
resultar
em
perda
de
até
US$
3
bilhões
em
receita
para
o
Brasil
em
2026
.