Representação em texto

Após empréstimo de R$ 12 bilhões, Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em 2026, diz presidente

IDTEJ_0881
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/politica/noticia/2025/12/29/correios-detalham-plano-de-reestruturacao.ghtml
TítuloApós empréstimo de R$ 12 bilhões, Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em 2026, diz presidente
SubtítuloSegundo Emmanoel Rondon, melhor forma para obter os recursos ainda será definida, se por meio de um aporte de recursos do Tesouro ou por novo empréstimo. Declaração foi dada durante detalhamento de plano de reestruturação da estatal.
Ano2025
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaPolítica
PropósitoNoticiar

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Presidente de os Correios detalha plano de reestruturação de a empresa

Os Correios precisarão de mais R$ 8 bilhões em 2026 para o enfrentamento de a crise financeira de a empresa , afirmou em esta segunda-feira ( 29 ) o presidente de a estatal , Emmanoel Rondon .

Durante entrevista em que detalhou o plano de reestruturação de os Correios para os próximos anos , Rondon afirmou que a melhor forma de obtenção de esses recursos está em análise e ainda será definida .

Segundo o presidente de a companhia , a captação de os recursos poderá se dar por meio de aportes de verbas públicas de o Tesouro Nacional ou através de um novo empréstimo .

Em a semana passada , a empresa contratou um empréstimo de R$ 12 bilhões junto a instituições financeiras bancárias , para quitar dívidas e aliviar o caixa .

A ideia inicial de a estatal era a tomada de um empréstimo de R$ 20 bilhões , que não foi autorizado por o Tesouro Nacional em função de a alta taxa de juros que havia sido proposta .

" O plano de reestruturação foi concebido com uma necessidade declarada de captação de recursos de a ordem de R$ 20 bilhões . Então , a gente fez uma primeira rodada com bancos , recebemos oferta de os R$ 20 bilhões , mas a uma taxa que a gente entendeu que estava mais elevada " , afirmou Rondon .

Plano de reestruturação

O plano de reestruturação de a empresa prevê corte de R$ 2 bilhões em gastos com pessoal , venda de imóveis e o fechamento de mil agências atualmente os Correios têm cerca de 5 mil unidades .

A companhia vai implementar um programa de demissão voluntária ( PDV ) e espera , em até 2 anos , reduzir em 15 mil o número total de funcionários , o que representaria um corte de 18 % em a folha de pagamentos .

O PDV é um pacote de incentivos oferecido por uma empresa para que seus funcionários peçam demissão por vontade própria . Diferente de uma demissão comum , o PDV funciona como um acordo . Para a empresa , é uma forma de reduzir custos ou reestruturar o quadro de funcionários sem o impacto negativo de demissões em massa .

Emmanoel Rondon , que afirmou que o modelo econômico-financeiro de os Correios deixou de ser " viável " . O plano de reestruturação elaborado tem o objetivo de reverter os 12 trimestres seguidos de prejuízos .

A proposta detalhada em esta segunda visa recuperar as contas de a empresa em 2026 para que possa voltar a ter lucro a partir de 2027 .

Para isso , os Correios esperam :

redução em R$ 2,1 bilhões em os custos com pessoal vender R$ 1,5 bilhão em imóveis não operacionais redução de mil pontos de venda deficitários reformulação de o plano de saúde para reduzir o custo em R$ 500 milhões anuais Em setembro , a empresa anunciou o resultado de o primeiro semestre de 2025 e apresentou um prejuízo de R$ 4,3 bilhões .

Em 2024 , o prejuízo em o mesmo período tinha sido de R$ 1,3 bilhão .

O presidente de os Correios afirmou que " a rota precisa ser ajustada rapidamente " para evitar um possível prejuízo de R$ 23 bilhões para o ano de 2026 . " Não tem mudança substancial em 2025 que afetar este ano .

A expectativa é que ainda exista uma leve piora para 2026 " , afirmou Rondon .

Aumento de receitas

A empresa também deve buscar novas estratégias para conseguir alavancar as receitas . A expectativa é chegar a R$ 21 bilhões em 2027 .

Em 2024 , os Correios fecharam o ano com uma receita total de R$ 18,9 bilhões , contra R$ 19,2 bilhões em 2023 e R$ 19,8 bilhões em 2022 . Até setembro de este ano , os Correios viram sua receita diminuir em quase R$ 2 bilhões , em o comparativo com o mesmo período de 2024 .

As receitas foram impactadas por a implementação de o programa " Remessa Conforme " , criado por o Ministério de a Fazenda em 2023 . O governo passou a cobrar imposto de importação de 20 % sobre compras internacionais de até US$ 50 , que até então estavam isentas para empresas .

A medida ficou conhecida como " taxa de as blusinhas " .

Com a instituição de o programa , a legislação brasileira passou a permitir que empresas de transportes façam o frete por o Brasil de mercadorias internacionais , deixando de ser obrigatória a distribuição de as encomendas junto a os Correios , como era feito até então . De acordo com um levantamento de a empresa apresentado durante a coletiva , os Correios perderam espaço em o mercado de encomendas entre 2019 e 2025 .

Saindo de 51 % em o primeiro ano de o governo Bolsonaro para 22 % atualmente .

" O monopólio de cartas em centros urbanos ou em locais que geravam rentabilidade passou a não ser suficiente para financiar as comunicações físicas que estão ligadas a universalização de o serviço postal em locais remotos ou locais que são originalmente deficitários " , afirmou Rondon .

A empresa ainda pretende investir R$ 4,4 bilhões entre 2027 e 2030 , com um empréstimo junto a o Novo Banco de Desenvolvimento de o Brics , presidido por Dilma Rousseff .

A captação terá como destinação obrigatória a automação de centros de tratamento , renovação e descarbonização de a frota , modernização de a infraestrutura de TI e redesenho de a malha logística .

Empréstimo de R$ 12 bilhões

Presidente de os Correios apresenta hoje ( 29 ) o plano de reestruturação

Um de os principais pontos de o plano é a tomada de empréstimo de R$ 12 bilhões para quitar dívidas e aliviar o caixa de a empresa . De acordo com Rondon , o Banco de o Brasil , a Caixa Econômica Federal e o Bradesco vão aportar R$ 3 bilhões cada .

Itaú e Santander vão emprestar outros R$ 1,5 bilhão , cada um . Segundo os Correios , R$ 10 bilhões de o crédito contratado entrarão em o caixa de a empresa até quarta-feira ( 31 ) .

A empresa espera receber o restante em janeiro de 2026 .

A assinatura de o contrato foi publicada em o sábado ( 27 ) , em o Diário Oficial de a União ( DOU ) , e envolve um consórcio com os bancos Itaú , Bradesco , Santander , Banco de o Brasil e Caixa Econômica Federal .

O acordo tem validade até 2040 e conta com garantia de a União , o que significa que o governo federal respaldo a a operação e reduz o risco para as instituições financeiras que concederam o crédito .

O contrato prevê um prazo de carência de 3 anos e pagamentos mensais a partir de dezembro de 2029 .

O empréstimo bilionário foi autorizado por o Tesouro Nacional em a semana passada e faz parte de o plano de reestruturação de os Correios , após cinco bancos apresentarem proposta de financiamento . Com o aval de o Tesouro , o governo federal deve honrar as parcelas de o pagamento caso os Correios fiquem inadimplentes , ou seja , se a estatal não pagar .

Trata se de uma garantia adicional para os bancos que concederam o crédito .

Durante a coletiva , o presidente de os Correios não descartou o plano de a empresa de tomar mais R$ 8 bilhões emprestados de instituições financeiras .

Postal Saúde

O presidente de os Correios ainda afirmou que o plano de saúde para os funcionários de os Correios , o Postal Saúde , precisa " ser completamente revisto " em função de o alto custo para a empresa .

A o longo de este ano , a empresa deixou de pagar sua cota de participação em o plano de saúde , o que acarretou em interrupção em o atendimento em algumas redes hospitalares .

" Acho que o plano precisa ser completamente revisto , porque ele é bom pro empregado , mas onera a empresa " , afirmou Rondon . A Postal Saúde também está passando por graves dificuldades financeiras . Segundo as Demonstrações Financeiras de 2024 , divulgadas por a própria empresa , risco para continuidade operacional .

Até o ano passado , a empresa contava com 202 mil beneficiários . Essa situação ocorre porque a Postal Saúde opera sob um regime de mantenedor ou seja , sua sustentabilidade financeira depende diretamente de os Correios .

De essa forma , os problemas econômicos de a estatal impactam diretamente a operadora .

Observando o atual cenário econômico de o mantenedor [ Correios ] , é salutar analisar em contextos gerais a possibilidade de os riscos não serem integralmente garantidos , apontou a Postal Saúde em uma nota explicativa .

Essa vulnerabilidade financeira de a Postal Saúde é consequência de uma perda de liquidez , ocorrida após a devolução de R$ 221 milhões a os Correios , decorrente de uma transação frustrada .

Em o caso em questão , a devolução de os valores aportados e de os rendimentos em os moldes estabelecidos traz para a operadora riscos normativos e de continuidade , diz o relatório de a empresa . Atualmente , a Postal Saúde se mantém financeiramente com os repasses feitos por os Correios e por as coparticipações de os funcionários que utilizam o serviço .


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