O
Ministério
de
as
Relações
Exteriores
já
se
prepara
para
um
forte
esforço
diplomático
a
o
longo
de
2025
.
Diplomatas
brasileiros
avaliam
que
o
próximo
ano
será
marcado
por
a
organização
de
duas
cúpulas
globais
em
território
nacional
—
a
Conferência
de
as
Nações
Unidas
sobre
as
Mudanças
Climáticas
e
o
encontro
de
chefes
de
Estado
de
o
Brics
—
e
por
o
empenho
em
construir
consensos
em
o
âmbito
de
esses
eventos
.
Para
o
Itamaraty
,
segundo
fontes
ouvidas
por
a
TV
Globo
e
por
a
GloboNews
,
o
balanço
de
as
ações
de
a
política
externa
de
o
Brasil
em
2024
é
considerado
positivo
.
Um
de
os
destaques
foi
justamente
a
realização
de
uma
cúpula
em
terras
brasileiras
,
a
que
reuniu
líderes
de
as
maiores
economias
de
o
mundo
em
o
Rio
de
Janeiro
.
Em
2025
,
os
eventos
globais
que
serão
sediados
em
o
país
deverão
,
em
a
avaliação
de
diplomatas
,
demandar
ainda
mais
esforços
de
a
diplomacia
brasileira
,
especialmente
com
foco
em
a
postura
que
grandes
países
emergentes
devem
ter
em
matéria
de
compromisso
ambiental
.
A
política
externa
brasileira
também
deverá
ter
olhar
atento
a
os
passos
de
atores
e
lideranças
globais
,
que
retornam
,
caso
de
Donald
Trump
,
em
os
Estados
Unidos
,
ou
permanecem
em
o
poder
,
caso
de
Nicolás
Maduro
,
em
a
Venezuela
.
O
acordo
de
livre
comércio
entre
Mercosul
e
União
Europeia
deverá
ser
outro
ponto
de
atenção
para
o
Itamaraty
.
Negociadores
de
o
governo
brasileiro
esperam
que
o
acordo
seja
assinado
até
o
final
de
este
ano
.
Entre
os
componentes
que
devem
ser
alvo
de
discussão
,
estão
as
credenciais
ambientais
exigidas
por
o
bloco
europeu
.
Se
em
2023
,
o
presidente
Luiz
Inácio
Lula
de
a
Silva
(
PT
)
viajou
o
mundo
,
a
diplomacia
considera
que
,
em
este
ano
,
foi
a
"
vez
de
o
mundo
vir
a
o
Brasil
"
,
em
referência
a
a
cúpula
de
líderes
de
o
G20
.
Em
o
próximo
ano
,
a
expectativa
é
que
Lula
adote
uma
agenda
equilibrada
,
que
alterne
recepções
de
líderes
mundiais
com
visitas
a
países
.
A
maior
parte
de
as
viagens
de
o
petista
deverá
ter
ligação
com
as
cúpulas
que
serão
sediadas
por
o
Brasil
.
Serão
,
portanto
,
agendas
com
convites
e
costuras
diplomáticas
.
Confira
a
seguir
,
em
esta
reportagem
,
os
pontos
de
atenção
de
a
diplomacia
brasileira
para
2025
(
clique
para
seguir
a
o
conteúdo
)
:
COP
30
Brics
China
Viagens
de
Lula
e
visitas
de
Estado
Relações
com
Estados
Unidos
e
Venezuela
COP
30
Belém
se
prepara
para
a
COP30
com
obras
de
mobilidade
urbana
Belém
,
capital
de
o
Pará
,
será
a
sede
de
a
30ª
Conferência
de
as
Nações
Unidas
sobre
Mudança
de
o
Clima
.
A
COP
30
reunirá
líderes
globais
entre
os
dias
10
e
21
de
novembro
.
Apesar
de
celebrar
a
realização
de
o
evento
em
o
país
,
o
governo
brasileiro
tem
visto
com
preocupação
a
carga
de
demandas
que
a
cúpula
terá
de
resolver
.
Diplomatas
ouvidos
por
a
TV
Globo
e
por
a
GloboNews
destacam
que
tarefas
escanteadas
e
não
cumpridas
por
a
COP
29
,
que
aconteceu
em
o
Azerbaijão
,
em
2024
,
deverão
pressionar
a
cúpula
brasileira
.
"
A
carga
sobre
nós
,
sem
dúvidas
,
ficou
maior
"
,
avaliou
um
diplomata
envolvido
em
a
preparação
de
o
evento
em
Belém
.
O
grande
foco
de
a
conferência
de
Baku
era
estabelecer
uma
meta
e
criar
fundos
para
mitigar
os
danos
causados
por
mudanças
climáticas
,
principalmente
em
os
países
mais
vulneráveis
.
O
acordo
,
em
o
entanto
,
ficou
aquém
de
o
que
se
esperava
.
Com
isso
,
segundo
especialistas
,
o
peso
de
retomar
o
debate
e
avançar
em
acordos
para
a
preservação
ambiental
e
climática
será
todo
de
o
Brasil
.
Para
o
Itamaraty
,
a
COP
30
poderá
deixar
como
"
grande
legado
"
a
renovação
de
compromissos
com
a
redução
de
as
emissões
de
gases
poluentes
e
o
término
de
debates
que
o
Azerbaijão
não
concluiu
.
A
construção
de
esse
"
grande
legado
"
deverá
passar
por
a
atuação
direta
de
o
presidente
Lula
,
de
acordo
com
diplomatas
.
Ele
deverá
fazer
viagens
de
campanha
em
os
grandes
países
emissores
,
a
exemplo
de
a
França
,
onde
o
petista
pretende
desembarcar
em
junho
.
Brics
Representantes
de
35
países
participam
de
a
reunião
final
de
a
Cúpula
de
os
BRICS
Antes
de
a
COP
30
,
em
julho
,
acontecerá
a
cúpula
de
líderes
de
o
Brics
.
O
grupo
é
formado
por
os
cinco
integrantes
originais
—
Brasil
,
Rússia
,
Índia
,
China
e
África
de
o
Sul
—
e
mais
quatro
países
que
aceitaram
convites
para
integrar
o
bloco
—
Egito
,
Etiópia
,
Irã
e
Emirados
Árabes
Unidos
.
O
local
de
o
encontro
ainda
não
foi
oficializado
,
mas
o
prefeito
de
o
Rio
de
Janeiro
,
Eduardo
Paes
(
PSD
)
,
anunciou
que
o
evento
acontecerá
em
a
cidade
.
Para
analistas
internacionais
ligados
a
o
governo
,
os
principais
desafios
de
o
Brasil
presidindo
o
BRICS
serão
:
trabalhar
a
imagem
de
o
bloco
,
muito
associado
a
a
postura
antiocidental
;
pautar
o
debate
sobre
a
inteligência
artificial
;
pautar
o
debate
climático
;
e
debater
a
questão
humanitária
de
os
palestinos
.
Outro
tópico
muito
discutido
por
os
países
que
compõem
o
Brics
é
a
adoção
de
uma
moeda
comum
para
realizar
comércio
sem
o
dólar
(
relembre
fala
de
Lula
em
o
vídeo
abaixo
)
.
Cúpula
de
o
Brics
:
Lula
defende
nova
moeda
para
negociações
e
critica
"
neocolonialismo
verde
"
Mas
,
segundo
diplomatas
,
não
está
em
o
horizonte
de
a
cúpula
de
2025
ter
como
resultado
a
criação
de
a
moeda
de
o
bloco
.
"
O
Brics
é
um
produto
de
o
século
XXI
.
É
muito
pouco
provável
imaginar
uma
moeda
comum
de
o
bloco
que
vá
servir
de
alternativa
a
o
dólar
,
em
a
prática
.
É
claro
que
isso
não
significa
que
não
vá
haver
avanço
em
o
debate
sobre
o
comércio
entre
países
de
o
bloco
,
a
exemplo
de
o
que
já
ocorre
com
o
Mercosul
"
,
declarou
um
integrante
de
a
política
externa
brasileira
.
Paralelamente
a
o
Brics
,
o
Brasil
vai
tentar
realizar
uma
cúpula
de
o
IBAS
—
o
Fórum
de
Diálogo
Índia
,
Brasil
e
África
de
o
Sul
.
O
IBAS
foi
criado
em
2003
,
mas
perdeu
força
depois
de
a
África
de
o
Sul
entrar
para
o
Brics
em
2010
.
Agora
,
com
a
entrada
de
outros
países
em
o
Brics
,
a
percepção
de
o
Brasil
é
de
que
um
retorno
de
o
IBAS
faria
mais
sentido
,
até
mesmo
para
que
Brasil
,
Índia
e
África
de
o
Sul
mostrem
autonomia
em
relação
a
a
China
.
Para
diplomatas
,
uma
retomada
de
o
IBAS
poderia
significar
uma
espécie
de
contrapeso
a
a
China
,
já
que
o
Brics
ampliado
reduziu
a
influência
de
o
Brasil
e
aumentou
a
avaliação
de
que
o
bloco
é
antiocidental
,
diante
de
a
agenda
chinesa
.
China
Lula
e
Xi
Jinping
assinam
mais
de
30
acordos
de
cooperação
A
avaliação
de
a
de
integrantes
de
o
Itamaraty
é
de
que
a
relação
de
Brasil
e
China
se
intensificou
ainda
mais
com
a
visita
de
Estado
de
o
presidente
chinês
,
Xi
Jinping
,
a
Brasília
(
relembre
em
o
vídeo
acima
)
.
O
país
asiático
já
é
o
maior
parceiro
comercial
de
o
Brasil
desde
2009
.
E
,
segundo
diplomatas
,
os
contatos
mais
recentes
abriram
caminhos
para
que
os
dois
países
ampliem
a
parceria
também
em
as
áreas
de
investimentos
e
de
ciência
e
tecnologia
.
Viagens
de
Lula
e
visitas
de
Estado
As
agendas
internacionais
de
Lula
ainda
não
foram
definidas
,
mas
já
há
a
expectativa
para
alguns
compromissos
.
Em
fevereiro
,
Lula
receberá
a
visita
de
o
primeiro-ministro
e
de
o
presidente
de
Portugal
,
que
virão
a
o
Brasil
para
a
Cimeira
Luso-Brasileira
.
O
mesmo
compromisso
aconteceu
em
fevereiro
de
2023
,
com
a
visita
de
Lula
a
Lisboa
.
Em
o
fim
de
março
,
o
presidente
Lula
pretende
viajar
até
o
Japão
,
com
a
possibilidade
de
uma
parada
em
o
Vietnã
.
O
Vietnã
está
entre
os
países
que
foram
convidados
a
integrar
o
Brics
como
Estados
parceiro
s
de
o
bloco
.
A
ida
de
Lula
a
os
dois
países
deverá
ser
focada
em
a
agenda
climática
,
em
os
convites
para
as
duas
cúpulas
sediadas
em
o
Brasil
e
outros
assuntos
,
como
o
comércio
exterior
.
Em
maio
,
o
Brasil
deve
receber
a
visita
de
um
presidente
de
país
africano
,
durante
as
celebrações
de
o
Dia
de
a
África
.
Em
o
mês
seguinte
,
o
Canadá
sediará
a
cúpula
de
líderes
de
o
G7
—
grupo
que
reúne
as
sete
maiores
economias
de
o
mundo
.
Lula
poderá
ser
convidado
.
Ainda
em
junho
,
o
presidente
de
o
Brasil
poderá
ir
a
a
França
para
participar
de
a
Conferência
Oceânica
de
as
Nações
Unidas
(
UNOC
2025
)
e
se
reunir
com
o
presidente
Emmanuel
Macron
.
Relações
com
Venezuela
e
Estados
Unidos
Em
10
de
janeiro
,
Nicolás
Maduro
será
reempossado
como
presidente
de
a
Venezuela
,
depois
de
um
processo
eleitoral
questionado
.
O
governo
brasileiro
não
reconheceu
oficialmente
o
resultado
,
e
a
relação
entre
os
países
sofreu
abalos
.
O
Brasil
tem
cobrado
a
apresentação
de
atas
eleitorais
—
uma
espécie
de
boletim
de
as
urnas
—
para
comprovar
a
vitória
de
Maduro
.
Os
órgãos
venezuelanos
,
em
o
entanto
,
jamais
apresentaram
documentos
que
atestem
a
derrota
de
o
adversário
de
Maduro
,
Edmundo
González
,
hoje
exilado
em
a
Espanha
.
Tensão
em
alta
:
Brasil
envia
comunicado
a
a
Venezuela
A
o
longo
de
2024
,
com
o
estremecimento
em
a
relação
,
foram
registradas
ofensas
de
o
governo
Maduro
a
Lula
e
seus
assessores
,
além
de
ameaças
a
a
diplomacia
brasileira
(
relembre
em
o
vídeo
acima
)
.
Segundo
fontes
ouvidas
por
a
TV
Globo
e
por
a
GloboNews
,
como
resposta
,
se
convidado
,
o
Brasil
só
será
representado
em
a
posse
por
a
embaixadora
de
o
país
em
Caracas
,
Glivânia
Maria
de
Oliveira
.
Em
a
avaliação
de
diplomatas
brasileiros
,
o
Brasil
tem
como
desafio
encontrar
espaço
para
,
mesmo
que
com
uma
relação
fria
como
aposta
,
manter
o
máximo
de
portas
abertas
para
um
diálogo
diplomático
com
a
Venezuela
.
"
O
resultado
eleitoral
não
foi
o
que
o
Brasil
esperava
,
apesar
de
as
nossas
tentativas
para
normalizar
a
situação
.
Mas
o
mais
importante
em
este
processo
foi
ter
mostrado
a
Maduro
que
há
um
custo
político
grande
em
não
respeitar
observadores
externos
com
o
Brasil
"
,
afirmou
um
membro
de
o
Itamaraty
.
Apesar
de
a
diplomacia
de
Lula
apostar
em
o
multilateralismo
,
que
passa
por
a
integração
regional
de
a
América
,
em
os
Estados
Unidos
,
a
agenda
de
o
futuro
presidente
norte-americano
irá
em
a
direção
oposta
.
Donald
Trump
retornará
a
a
Casa
Branca
a
partir
de
20
de
janeiro
.
Não
é
costume
,
em
o
governo
de
os
Estados
Unidos
,
ter
em
a
posse
a
presença
de
chefes
de
Estado
de
outros
países
,
apesar
de
Trump
ter
feito
convites
a
alguns
presidentes
alinhados
com
seu
pensamento
.
O
presidente
Luiz
Inácio
Lula
de
a
Silva
não
deve
ir
a
a
cerimônia
,
que
acontecerá
em
a
capital
americana
,
Washington
.
O
Brasil
espera
uma
relação
agressiva
de
Trump
para
com
a
América
Latina
,
especialmente
após
a
nomeação
de
o
senador
de
a
Flórida
Marco
Rubio
como
secretário
de
o
Departamento
de
Estado
.
Rubio
é
filho
de
imigrantes
cubanos
e
tem
histórico
de
falas
e
posições
agressivas
em
relação
a
a
América
Latina
.
A
cautela
brasileira
recai
sobre
a
possibilidade
de
Trump
adotar
postura
agressiva
demais
em
a
região
,
tentando
influenciar
em
a
derrubada
de
governos
.
Para
a
diplomacia
brasileira
,
o
ponto
primordial
para
aproximar
a
relação
entre
os
dois
presidentes
será
o
trabalho
de
a
embaixada
brasileira
em
Washington
.
O
Brasil
também
sabe
que
enfrentará
divergências
com
o
governo
americano
em
debates
climáticos
,
que
devem
nortear
a
agenda
internacional
brasileira
em
2025
.