Representação em texto

COP 30, Brics e nova gestão Trump: os desafios e as oportunidades da diplomacia brasileira em 2025

IDTEJ_0829
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/politica/noticia/2024/12/30/cop-30-brics-e-nova-gestao-trump-os-desafios-e-as-oportunidades-da-diplomacia-brasileira-em-2025.ghtml
TítuloCOP 30, Brics e nova gestão Trump: os desafios e as oportunidades da diplomacia brasileira em 2025
SubtítuloAno deve demandar forte esforço diplomático, em especial na organização e nas tratativas de duas cúpulas globais em solo brasileiro. Venezuela e visitas de chefes de Estado ao Brasil também devem ser pontos de atenção do Itamaraty.
Ano2024
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaPolítica
PropósitoNoticiar

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O Ministério de as Relações Exteriores se prepara para um forte esforço diplomático a o longo de 2025 .

Diplomatas brasileiros avaliam que o próximo ano será marcado por a organização de duas cúpulas globais em território nacional a Conferência de as Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas e o encontro de chefes de Estado de o Brics e por o empenho em construir consensos em o âmbito de esses eventos .

Para o Itamaraty , segundo fontes ouvidas por a TV Globo e por a GloboNews , o balanço de as ações de a política externa de o Brasil em 2024 é considerado positivo .

Um de os destaques foi justamente a realização de uma cúpula em terras brasileiras , a que reuniu líderes de as maiores economias de o mundo em o Rio de Janeiro .

Em 2025 , os eventos globais que serão sediados em o país deverão , em a avaliação de diplomatas , demandar ainda mais esforços de a diplomacia brasileira , especialmente com foco em a postura que grandes países emergentes devem ter em matéria de compromisso ambiental .

A política externa brasileira também deverá ter olhar atento a os passos de atores e lideranças globais , que retornam , caso de Donald Trump , em os Estados Unidos , ou permanecem em o poder , caso de Nicolás Maduro , em a Venezuela .

O acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia deverá ser outro ponto de atenção para o Itamaraty .

Negociadores de o governo brasileiro esperam que o acordo seja assinado até o final de este ano . Entre os componentes que devem ser alvo de discussão , estão as credenciais ambientais exigidas por o bloco europeu .

Se em 2023 , o presidente Luiz Inácio Lula de a Silva ( PT ) viajou o mundo , a diplomacia considera que , em este ano , foi a " vez de o mundo vir a o Brasil " , em referência a a cúpula de líderes de o G20 .

Em o próximo ano , a expectativa é que Lula adote uma agenda equilibrada , que alterne recepções de líderes mundiais com visitas a países .

A maior parte de as viagens de o petista deverá ter ligação com as cúpulas que serão sediadas por o Brasil . Serão , portanto , agendas com convites e costuras diplomáticas .

Confira a seguir , em esta reportagem , os pontos de atenção de a diplomacia brasileira para 2025 ( clique para seguir a o conteúdo ) :

COP 30 Brics China Viagens de Lula e visitas de Estado Relações com Estados Unidos e Venezuela

COP 30

Belém se prepara para a COP30 com obras de mobilidade urbana

Belém , capital de o Pará , será a sede de a 30ª Conferência de as Nações Unidas sobre Mudança de o Clima . A COP 30 reunirá líderes globais entre os dias 10 e 21 de novembro .

Apesar de celebrar a realização de o evento em o país , o governo brasileiro tem visto com preocupação a carga de demandas que a cúpula terá de resolver .

Diplomatas ouvidos por a TV Globo e por a GloboNews destacam que tarefas escanteadas e não cumpridas por a COP 29 , que aconteceu em o Azerbaijão , em 2024 , deverão pressionar a cúpula brasileira .

" A carga sobre nós , sem dúvidas , ficou maior " , avaliou um diplomata envolvido em a preparação de o evento em Belém .

O grande foco de a conferência de Baku era estabelecer uma meta e criar fundos para mitigar os danos causados por mudanças climáticas , principalmente em os países mais vulneráveis .

O acordo , em o entanto , ficou aquém de o que se esperava . Com isso , segundo especialistas , o peso de retomar o debate e avançar em acordos para a preservação ambiental e climática será todo de o Brasil .

Para o Itamaraty , a COP 30 poderá deixar como " grande legado " a renovação de compromissos com a redução de as emissões de gases poluentes e o término de debates que o Azerbaijão não concluiu .

A construção de esse " grande legado " deverá passar por a atuação direta de o presidente Lula , de acordo com diplomatas .

Ele deverá fazer viagens de campanha em os grandes países emissores , a exemplo de a França , onde o petista pretende desembarcar em junho .

Brics

Representantes de 35 países participam de a reunião final de a Cúpula de os BRICS

Antes de a COP 30 , em julho , acontecerá a cúpula de líderes de o Brics . O grupo é formado por os cinco integrantes originais Brasil , Rússia , Índia , China e África de o Sul e mais quatro países que aceitaram convites para integrar o bloco Egito , Etiópia , Irã e Emirados Árabes Unidos .

O local de o encontro ainda não foi oficializado , mas o prefeito de o Rio de Janeiro , Eduardo Paes ( PSD ) , anunciou que o evento acontecerá em a cidade .

Para analistas internacionais ligados a o governo , os principais desafios de o Brasil presidindo o BRICS serão :

trabalhar a imagem de o bloco , muito associado a a postura antiocidental ; pautar o debate sobre a inteligência artificial ; pautar o debate climático ; e debater a questão humanitária de os palestinos .

Outro tópico muito discutido por os países que compõem o Brics é a adoção de uma moeda comum para realizar comércio sem o dólar ( relembre fala de Lula em o vídeo abaixo ) .

Cúpula de o Brics :

Lula defende nova moeda para negociações e critica " neocolonialismo verde "

Mas , segundo diplomatas , não está em o horizonte de a cúpula de 2025 ter como resultado a criação de a moeda de o bloco . " O Brics é um produto de o século XXI . É muito pouco provável imaginar uma moeda comum de o bloco que servir de alternativa a o dólar , em a prática .

É claro que isso não significa que não haver avanço em o debate sobre o comércio entre países de o bloco , a exemplo de o que ocorre com o Mercosul " , declarou um integrante de a política externa brasileira .

Paralelamente a o Brics , o Brasil vai tentar realizar uma cúpula de o IBAS o Fórum de Diálogo Índia , Brasil e África de o Sul .

O IBAS foi criado em 2003 , mas perdeu força depois de a África de o Sul entrar para o Brics em 2010 .

Agora , com a entrada de outros países em o Brics , a percepção de o Brasil é de que um retorno de o IBAS faria mais sentido , até mesmo para que Brasil , Índia e África de o Sul mostrem autonomia em relação a a China .

Para diplomatas , uma retomada de o IBAS poderia significar uma espécie de contrapeso a a China , que o Brics ampliado reduziu a influência de o Brasil e aumentou a avaliação de que o bloco é antiocidental , diante de a agenda chinesa .

China

Lula e Xi Jinping assinam mais de 30 acordos de cooperação

A avaliação de a de integrantes de o Itamaraty é de que a relação de Brasil e China se intensificou ainda mais com a visita de Estado de o presidente chinês , Xi Jinping , a Brasília ( relembre em o vídeo acima ) . O país asiático é o maior parceiro comercial de o Brasil desde 2009 .

E , segundo diplomatas , os contatos mais recentes abriram caminhos para que os dois países ampliem a parceria também em as áreas de investimentos e de ciência e tecnologia .

Viagens de Lula e visitas de Estado

As agendas internacionais de Lula ainda não foram definidas , mas a expectativa para alguns compromissos . Em fevereiro , Lula receberá a visita de o primeiro-ministro e de o presidente de Portugal , que virão a o Brasil para a Cimeira Luso-Brasileira .

O mesmo compromisso aconteceu em fevereiro de 2023 , com a visita de Lula a Lisboa .

Em o fim de março , o presidente Lula pretende viajar até o Japão , com a possibilidade de uma parada em o Vietnã .

O Vietnã está entre os países que foram convidados a integrar o Brics como Estados parceiro s de o bloco .

A ida de Lula a os dois países deverá ser focada em a agenda climática , em os convites para as duas cúpulas sediadas em o Brasil e outros assuntos , como o comércio exterior .

Em maio , o Brasil deve receber a visita de um presidente de país africano , durante as celebrações de o Dia de a África . Em o mês seguinte , o Canadá sediará a cúpula de líderes de o G7 grupo que reúne as sete maiores economias de o mundo .

Lula poderá ser convidado .

Ainda em junho , o presidente de o Brasil poderá ir a a França para participar de a Conferência Oceânica de as Nações Unidas ( UNOC 2025 ) e se reunir com o presidente Emmanuel Macron .

Relações com Venezuela e Estados Unidos

Em 10 de janeiro , Nicolás Maduro será reempossado como presidente de a Venezuela , depois de um processo eleitoral questionado . O governo brasileiro não reconheceu oficialmente o resultado , e a relação entre os países sofreu abalos .

O Brasil tem cobrado a apresentação de atas eleitorais uma espécie de boletim de as urnas para comprovar a vitória de Maduro .

Os órgãos venezuelanos , em o entanto , jamais apresentaram documentos que atestem a derrota de o adversário de Maduro , Edmundo González , hoje exilado em a Espanha .

Tensão em alta :

Brasil envia comunicado a a Venezuela

A o longo de 2024 , com o estremecimento em a relação , foram registradas ofensas de o governo Maduro a Lula e seus assessores , além de ameaças a a diplomacia brasileira ( relembre em o vídeo acima ) .

Segundo fontes ouvidas por a TV Globo e por a GloboNews , como resposta , se convidado , o Brasil será representado em a posse por a embaixadora de o país em Caracas , Glivânia Maria de Oliveira . Em a avaliação de diplomatas brasileiros , o Brasil tem como desafio encontrar espaço para , mesmo que com uma relação fria como aposta , manter o máximo de portas abertas para um diálogo diplomático com a Venezuela .

" O resultado eleitoral não foi o que o Brasil esperava , apesar de as nossas tentativas para normalizar a situação .

Mas o mais importante em este processo foi ter mostrado a Maduro que um custo político grande em não respeitar observadores externos com o Brasil " , afirmou um membro de o Itamaraty . Apesar de a diplomacia de Lula apostar em o multilateralismo , que passa por a integração regional de a América , em os Estados Unidos , a agenda de o futuro presidente norte-americano irá em a direção oposta .

Donald Trump retornará a a Casa Branca a partir de 20 de janeiro .

Não é costume , em o governo de os Estados Unidos , ter em a posse a presença de chefes de Estado de outros países , apesar de Trump ter feito convites a alguns presidentes alinhados com seu pensamento .

O presidente Luiz Inácio Lula de a Silva não deve ir a a cerimônia , que acontecerá em a capital americana , Washington .

O Brasil espera uma relação agressiva de Trump para com a América Latina , especialmente após a nomeação de o senador de a Flórida Marco Rubio como secretário de o Departamento de Estado .

Rubio é filho de imigrantes cubanos e tem histórico de falas e posições agressivas em relação a a América Latina .

A cautela brasileira recai sobre a possibilidade de Trump adotar postura agressiva demais em a região , tentando influenciar em a derrubada de governos .

Para a diplomacia brasileira , o ponto primordial para aproximar a relação entre os dois presidentes será o trabalho de a embaixada brasileira em Washington .

O Brasil também sabe que enfrentará divergências com o governo americano em debates climáticos , que devem nortear a agenda internacional brasileira em 2025 .


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