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Bolsa termina o ano em alta de 3%; veja o balanço do mercado em 2020

IDTEJ_0584
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/economia/noticia/2020/12/30/bolsa-termina-o-ano-em-alta-de-321percent-veja-o-balanco-do-mercado-em-2020.ghtml
TítuloBolsa termina o ano em alta de 3%; veja o balanço do mercado em 2020
SubtítuloEm meio à pandemia do novo coronavírus, o principal índice da B3 experimentou flutuações inéditas; perdas chegaram a acumular 45% no ano, mas o Ibovespa voltou ao campo positivo depois de 267 dias.
Ano2020
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEconomia
PropósitoNoticiar

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Em um de os anos mais turbulentos de a história de o mercado financeiro , a bolsa de valores brasileira , a B3 , terminou o ano em alta de 3 % em 2020 . A pontuação em o último pregão de o ano foi de 119.017 . A pandemia de o novo coronavírus moldou o curso de a bolsa a o longo de o ano a o provocar uma queda vertiginosa de o índice Ibovespa .

Em apenas 26 dias , a bolsa registrou seis circuit breakers ( paralisação de os negócios por quedas bruscas de as ações ) , e chegou a ter 45 % de perda em o acumulado de o ano em seu pior momento de 2020 . A recuperação aconteceu a os poucos , zerando as perdas em o dia 15 de dezembro .

Foram 267 dias desde o fim de as quedas até a retomada de a pontuação positiva . O desenho final de o gráfico lembra o swoosh , símbolo de a marca Nike . Para analistas consultados por o G1 , a história de a bolsa em 2020 deve ser contada em três momentos : a euforia inicial , a queda e a retomada .

O sonho de os 120 mil pontos

RELEMBRE :

Bovespa volta a bater recorde em o primeiro pregão de 2020

O otimismo era o sentimento preponderante entre os analistas em o início de o ano . Em novembro de 2019 , havia sido promulgada a reforma de a Previdência . Em a visão de o mercado , era o primeiro e mais difícil passo de uma série de reformas estruturantes que colocariam a economia brasileira em patamar mais competitivo , caso de a Tributária e de a Administrativa .

Apesar de um crescimento modesto em aquele ano o PIB teve alta de 1,4 % em 2019 , trazia algum alívio o fato de a inflação ter se mantido sob controle . A taxa básica de juros , a Selic , também em níveis baixíssimos , empurrava investidores para ativos de mais risco .

A bolsa fechou o ano de 2019 com alta de 31,58 % , maior variação anual desde 2016 . O primeiro pregão de 2020 renovou o recorde de pontuação de a época , a 118.573 pontos . O clima geral era de expectativa de que o Ibovespa batesse recorde atrás de recorde .

Falava se que o índice caminhava rumo a os 120 mil pontos , marca inédita em a bolsa . Mas , logo em fevereiro , as perspectivas começaram a mudar . As famílias e empresas passaram por um processo de redução de o endividamento depois de a crise de 2015 e 2016 .

Em 2019 , fechamos o ano com uma melhora de a demanda doméstica , mas a pandemia foi uma parada brusca de esse processo , afirma Pedro Sales , gestor de a estratégia de ações Brasil de a Verde Asset . Paralisia e queda

RELEMBRE :

Ibovespa cai 10,26 % , e circuit breaker é acionado por a sexta vez em 2020

A queda livre que se seguiu a o primeiro impacto de a pandemia foi resultado não de uma retração de a demanda , mas de um duplo choque . O isolamento social , necessário para conter a dissipação de o coronavírus , afetou também a oferta , pois linhas de produção foram obrigadas a parar os trabalhos .

A situação caótica iniciou uma corrida para ativos seguros . A aversão a risco foi intensa como nunca porque não havia visibilidade de os efeitos de o coronavírus em a economia global .

Os seis circuit breakers de o ano aconteceram em um intervalo de apenas oito pregões . Se pouco antes se sonhava com os 120 mil pontos , o Ibovespa bateu 63.569 pontos em o fechamento de 23 de março . Foi um tsunami .

Em o começo , não se tinha conhecimento de a doença , de o quanto poderia atingir as economias . quando chegou a a Europa que se viu a realidade , diz Roberto Indech , estrategista-chefe de a Clear Corretora . Dois fatores , então , começaram a reverter a curva que caía : houve alguma clareza de os limites de o impacto de a pandemia em o ambiente econômico em especial com a retomada de demanda de a China , que retomava lentamente as atividades e o grande desconto em o preço de os ativos .

Conforme ficou claro que a pandemia poderia ser amenizada , analistas passaram a entender que os fundamentos de longo prazo de determinados setores poderiam se manter mesmo com a pandemia .

Como os preços haviam sido arrastados para baixo , era a hora de voltar a comprar . A retomada

A dinâmica de a crise de o coronavírus mudou o padrão de consumo de a população .

Com a população circulando menos , foram beneficiadas empresas que produzem bens essenciais ou que estavam bem posicionadas em operações digitais . Como mostrou o G1 , a retomada de a economia como um todo foi desigual .

A indústria e comércio conseguiram repor as perdas , mas o setor de serviços , que tem maior peso em o PIB e é o maior gerador de empregos , teve uma retomada arrastada . Empresas de tecnologia foram os grandes destaques em as bolsas estrangeiras .

Sem grandes players em este perfil , a bolsa brasileira voltou a subir a o ser beneficiada por varejistas e empresas exportadoras . Companhia Siderúrgica Nacional , Weg e Magazine Luiza subiram mais de 100 % mesmo em um ano de pandemia . A o fim de 2020 , 32 empresas de o Ibovespa tiveram ganhos .

RELEMBRE : Bolsa de São Paulo zera as perdas de 2020

Foram mal , em geral , as companhias aéreas , empresas de turismo e de shoppings centers todas dependentes de uma normalização de a circulação de clientes que até hoje não veio .

Outro ponto importante foi o retorno de o capital estrangeiro para a bolsa brasileira .

Para os investidores , as eleições americanas trouxeram resultados tranquilos para o mercado , o que alguma liberdade para voltar a os ativos de risco de mercados emergentes . São dois pontos que agradaram Wall Street .

O democrata Joe Biden saiu vencedor com boa margem sobre o republicano Donald Trump , o que enfraqueceu a possibilidade de virada de jogo em a Justiça . Em o Congresso , o equilíbrio entre os partidos diminui a chance de mudanças bruscas em as regras empresariais , o que significa mais previsibilidade . Com os recursos de volta , o Ibovespa teve alta de 15,9 % em novembro , melhor resultado para o mês desde 1999 , quando a valorização foi de 17,7 % .

Foi também o maior impulso mensal desde março de 2016 , quando a bolsa subiu 16,9 % . Dezembro também teve bons resultados .

O mês fechou em alta de 9,61 % . Futuro de a bolsa

A recuperação veloz de a bolsa e a nova disposição de investidores a olhar para o Brasil são motivo de ânimo para os analistas consultados por o G1 , mas nada supera a perspectiva de vacinação em massa que pode encerrar a pandemia de o novo coronavírus .

A normalização de o ambiente econômico com a imunização , além de dar fôlego a as empresas , deve amenizar o desemprego , reaquecer investimentos e dar algum sossego para o planejamento de o futuro .

Os olhos se voltam , então , para os problemas antigos .

O déficit público e o endividamento em relação a o PIB , que eram questões preocupantes , saem de a crise de o coronavírus em situação bem mais frágil . O déficit previsto para o ano que vem é de R$ 247,1 bilhões . A dívida começa o ano acima de os 90 % de o PIB . A projeção de desemprego em as principais consultorias econômicas segue acima de dois dígitos a o longo de todo o ano .

A inflação , que fecha 2020 acima de os 4 % , voltou a ser discutida se será um problema em 2021 . " Não considero que o Brasil esteja a a beira de o colapso , mas as reformas estruturantes que não estávamos enxergando acontecer em o início de 2020 continuam sem acontecer " , afirma Fernando Fanchin , gestor de portfólio de a MOS Capital .

" Não estamos vendo grandes razões para ficar otimista com retomada de crescimento e novo ciclo de expansão em o país " , prossegue .

VÍDEO :

Economia caminha para crescimento tímido em 2021

Ainda que o crescimento econômico em 2021 se confirme , de fato , como tímido , os analistas concordam que a bolsa continua sendo opção de investimento para quem busca maior rendimento .

Por mais que a previsão seja de um aumento sensível de os juros a o longo de o ano que vem , a chamada taxa livre de risco , o CDI , deve continuar bastante reduzida para o padrão de os últimos anos . A renda fixa , portanto , continua com ganhos reais reduzidos ou mesmo negativos a depender de a inflação .

Em cenários de juros baixos e busca por rentabilidade , o número de investidores pessoas físicas em a bolsa explodiu . A o fim de 2019 , eram 1,68 milhão de CPFs ativos , segundo a B3 . Até novembro de 2020 , o número havia pulado para 3,17 milhões .

" Uma de as questões mais positivas que aconteceram durante a crise foi a resiliência de o investidor pessoa física a o não resgatar seus investimentos em o pior momento " , diz Pedro Sales , gestor de a Verde Asset .

" É verdade que a recuperação foi rápida , mas também tem relação com maior conhecimento sobre o ambiente de bolsa de valores . E isso é muito importante " , afirma o analista .

Por o lado de as empresas , essa entrada de investidores ( e sua permanência ) é positiva para que fiquem mais seguras a captar dinheiro por meio de o mercado de capitais . Em este ano , foram 28 ofertas públicas de ações ( IPOs ) em a B3 , maior número desde 2007 . O maior de eles foi de a Rede D'Or , que captou R$ 11,4 bilhões para a empresa .

Ainda que a evolução de títulos de dívida e de IPOs tenham sido significativos em os últimos dois anos , ainda muito espaço para atingir níveis de países mais desenvolvidos .


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