Por
que
o
espumante
se
tornou
a
bebida
de
a
festa
de
ano
novo
Roupas
brancas
,
uma
bela
ceia
,
contagem
regressiva
e
o
estouro
de
a
rolha
de
uma
garrafa
de
espumante
.
Nem
precisaria
descrever
mais
para
saber
que
se
trata
de
o
ritual
de
réveillon
.
O
hábito
de
brindar
por
o
ano
que
está
chegando
com
os
vinhos
espumantes
é
tão
popular
que
a
época
entre
setembro
e
dezembro
se
consolidou
como
a
mais
importante
para
as
empresas
que
vendem
esse
tipo
de
bebida
.
Produtores
ouvidos
por
o
g1
relatam
que
o
faturamento
com
as
bebidas
para
os
festejos
de
Natal
e
réveillon
variam
de
40
%
a
70
%
de
o
total
faturado
em
o
ano
todo
com
o
produto
.
Mas
por
que
a
tradição
de
o
espumante
persiste
em
a
celebração
de
ano
novo
,
mesmo
em
um
país
dominado
por
o
consumo
de
cerveja
,
ou
que
tem
a
cachaça
como
símbolo
?
Especialistas
apontam
dois
principais
motivos
:
o
fator
histórico
de
o
espumante
como
bebida
de
as
celebrações
de
a
nobreza
europeia
;
a
própria
composição
de
a
bebida
,
que
é
mais
adaptável
a
qualquer
paladar
.
Entenda
mais
detalhes
a
seguir
.
Por
que
o
mercado
aposta
em
espumantes
e
brancos
para
reverter
consumo
em
queda
VÍDEO
:
Bartenders
lucram
com
consultorias
e
cartas
assinadas
para
restaurantes
,
que
focam
em
harmonização
Coquetelaria
em
alta
traz
a
‘
Copa
de
o
Mundo
’
de
bartenders
a
o
Brasil
A
história
por
trás
de
os
espumantes
O
sommelier
e
pesquisador
em
vinhos
Marcelo
Vargas
conta
que
há
várias
histórias
por
trás
de
a
criação
e
de
a
associação
de
o
espumante
a
os
momentos
de
festividades
,
mas
que
nenhuma
de
elas
é
"100
%
comprovada
"
.
A
mais
clássica
diz
que
Napoleão
Bonaparte
,
importante
líder
militar
francês
de
o
século
XVIII
,
era
um
apaixonado
por
champagne
,
espumantes
de
a
região
francesa
de
mesmo
nome
e
que
são
as
maiores
referências
em
o
estilo
.
A
ele
é
atribuída
a
ideia
de
que
,
em
momentos
de
vitória
,
a
bebida
é
"
merecida
"
,
e
em
as
derrotas
,
"
necessária
"
.
Antes
,
contudo
,
o
espumante
não
era
visto
com
bons
olhos
por
os
franceses
.
Os
vinhos
com
borbulhas
—
que
têm
sua
origem
atribuída
a
a
região
de
Champagne
,
perto
de
Paris
—
eram
entendidos
como
uma
falha
de
o
processo
.
A
história
conta
que
,
em
períodos
de
inverno
,
a
fermentação
de
os
vinhos
era
interrompida
por
conta
de
as
baixas
temperaturas
e
as
bebidas
,
então
,
eram
engarrafadas
.
Porém
,
com
a
chegada
de
a
primavera
,
a
fermentação
de
o
vinho
se
reiniciava
e
ocorria
a
liberação
de
gás
carbônico
dentro
de
as
garrafas
,
formando
as
bolhas
.
Antes
,
as
garrafas
sequer
eram
preparadas
para
essa
segunda
fermentação
e
estouravam
,
gerando
prejuízos
.
Uma
de
as
lendas
sobre
o
desenvolvimento
de
os
espumantes
diz
que
um
monge
francês
,
Dom
Pierre
Perignon
,
foi
quem
conseguiu
transformar
o
problema
de
os
vinhos
que
estouravam
garrafas
em
aquilo
que
virou
o
champagne
,
procurando
por
embalagens
mais
resistentes
e
buscando
formas
de
avançar
em
os
processos
de
produção
e
armazenamento
.
Ninguém
sabe
,
a
o
certo
,
se
realmente
foi
ele
quem
deu
origem
a
os
vinhos
espumantes
.
Algumas
versões
atribuem
o
feito
a
os
ingleses
,
por
exemplo
.
Em
o
entanto
,
Dom
Perignon
foi
importante
para
o
início
de
a
popularização
de
a
bebida
e
,
não
a
a
toa
,
um
de
os
mais
conhecidos
champagnes
de
o
mundo
leva
seu
nome
.
A
partir
de
o
século
XVIII
,
com
a
estabilização
de
o
champagne
dentro
de
as
garrafas
,
o
espumante
passou
a
ser
apreciado
como
uma
bebida
de
a
nobreza
e
estava
muito
presente
em
as
comemorações
.
Segundo
Vargas
,
o
fato
de
os
franceses
serem
associados
a
"
festas
muito
importantes
e
confraternizações
de
realeza
e
imperadores
"
,
o
consumo
de
os
espumantes
passou
a
ser
desejado
em
comemorações
por
o
mundo
por
trazer
essa
simbologia
.
O
produto
passou
a
ser
exportado
para
outros
países
em
aquela
época
e
caiu
em
o
gosto
,
particularmente
,
de
os
czares
russos
.
Eles
tiveram
,
inclusive
,
um
champagne
para
chamar
de
seu
em
o
fim
de
o
século
XIX
e
começo
de
o
XX
:
o
Cristal
.
Esse
tipo
de
espumante
,
que
é
armazenado
em
uma
garrafa
transparente
,
foi
uma
encomenda
especial
de
o
czar
Alexandre
II
por
medo
de
ser
envenenado
.
Foi
uma
exclusividade
de
o
país
até
1924
,
quando
a
marca
fabricante
,
Louis
Roederer
,
passou
a
comercializá
lo
em
outras
partes
de
o
mundo
—
uma
garrafa
pode
ser
encontrada
por
aqui
por
mais
de
R$
2,5
mil
.
Os
vinhos
espumantes
que
podem
levar
o
nome
de
champagne
são
apenas
aqueles
produzidos
em
Champagne
.
Mas
a
produção
,
assim
como
o
gosto
por
os
espumantes
,
não
se
limitou
àquela
região
e
,
hoje
,
vários
países
desenvolvem
suas
bebidas
,
inclusive
o
Brasil
.
De
onde
vem
o
espumante
O
mercado
de
espumantes
Os
espumantes
estão
se
tornando
a
"
joia
de
a
coroa
"
de
as
produtoras
de
vinhos
em
o
Brasil
.
Um
levantamento
de
a
Euromonitor
International
para
reportagem
de
o
g1
sobre
o
mercado
de
vinhos
mostrou
que
,
embora
o
vinho
tinto
ainda
seja
o
mais
consumido
em
o
Brasil
,
com
60
%
de
o
mercado
,
o
volume
de
vendas
de
os
espumantes
cresceu
mais
em
os
últimos
anos
.
Em
2019
,
antes
de
a
pandemia
,
foram
vendidos
25,9
milhões
de
litros
de
a
bebida
.
Em
2022
,
foram
30,6
milhões
de
litros
.
Uma
junção
de
fatores
explica
o
sucesso
de
espumantes
em
o
Brasil
,
a
começar
por
a
produção
.
O
país
tem
o
"
terroir
"
ideal
para
a
produção
de
espumantes
,
isto
é
:
o
clima
,
regime
de
chuvas
,
tipo
de
solo
e
outros
fatores
naturais
favorecem
a
produção
de
uvas
que
dão
bons
espumantes
.
Além
de
isso
,
o
próprio
clima
de
o
Brasil
favorece
o
consumo
de
os
espumantes
.
"
O
Brasil
é
um
país
quente
e
o
espumante
,
além
de
ser
fresco
,
é
recomendado
ser
consumido
em
temperaturas
mais
baixas
,
o
que
facilita
o
consumo
tanto
em
locais
fechados
quanto
em
locais
abertos
,
mais
quentes
"
,
diz
o
sommelier
Marcelo
Vargas
.
Outro
ponto
:
há
uma
enorme
oferta
de
tipos
de
espumantes
,
de
os
doces
a
os
mais
secos
,
leves
e
encorpados
.
Assim
,
é
mais
fácil
encontrar
algum
que
agrade
o
paladar
de
o
consumidor
,
em
várias
faixas
de
preço
.
"
Espumante
é
mais
fácil
de
ser
consumido
de
o
que
vinho
tradicional
.
Ele
tem
menos
álcool
,
é
mais
fresco
,
tem
um
pouco
mais
de
acidez
,
tem
as
borbulhas
.
Tudo
isso
o
torna
mais
fácil
de
ser
consumido
,
mais
palatável
a
todos
os
gostos
"
,
comenta
Vargas
.
O
sucesso
em
o
réveillon
Ainda
que
tenha
boa
qualidade
,
bastante
oferta
e
bom
preço
,
permanece
a
pergunta
de
o
motivo
por
o
qual
a
venda
de
espumante
fica
tão
concentrada
em
o
final
de
ano
.
A
Pesquisa
Hábitos
e
Atitudes
Consumo
de
Bebidas
Celebrantes
,
realizada
em
2023
por
o
Instituto
Inside
,
traz
algumas
pistas
.
"
O
ato
de
abrir
já
é
uma
grande
festa
por
o
estouro
.
É
como
se
te
dissessem
que
a
sua
vida
está
subindo
ou
que
aquele
ano
deu
certo
"
,
respondeu
uma
de
as
entrevistadas
,
uma
mulher
de
o
Rio
de
Janeiro
,
a
o
ser
perguntada
sobre
a
razão
para
escolher
espumantes
em
momentos
de
celebração
.
Outra
respondente
,
uma
mulher
de
Salvador
,
disse
que
"
as
bolhas
te
trazem
uma
experiência
diferente
,
que
vai
para
o
paladar
,
como
se
fossem
fogos
de
artifício
"
.
"
Os
espumantes
cumprem
bem
o
papel
de
ser
um
complemento
a
as
comemorações
porque
trazem
a
característica
de
o
estouro
,
que
faz
aquele
barulho
,
o
borbulhar
,
que
lembra
uma
explosão
em
a
boca
.
Não
tem
gênero
,
não
tem
nada
,
todo
mundo
quer
essa
explosão
"
,
afirma
Alexandre
Wolff
,
diretor-presidente
de
a
CRS
Brands
(
dona
de
marcas
como
Cereser
e
Chuva
de
Prata
)
,
Wolff
conta
que
,
para
a
empresa
,
o
último
trimestre
de
o
ano
representa
aproximadamente
70
%
de
todo
o
volume
de
vendas
anual
.
"
Nós
consideramos
que
,
se
não
fizermos
o
volume
de
negócios
de
fim
de
ano
,
não
fazemos
o
ano
de
a
companhia
"
,
comenta
o
executivo
.
O
empresário
afirma
que
a
busca
por
outros
vinhos
e
destilados
de
a
empresa
mantêm
,
em
os
demais
trimestres
,
uma
trajetória
regular
.
Já
os
espumantes
têm
85
%
de
as
vendas
entre
setembro
e
dezembro
,
o
que
representa
um
volume
quase
sete
vezes
maior
que
o
período
entre
janeiro
e
agosto
.
A
produtora
de
vinhos
Miolo
experimenta
uma
dinâmica
parecida
.
Em
nota
enviada
a
o
g1
,
a
empresa
afirma
que
produz
cerca
de
12
milhões
de
litros
de
vinhos
por
ano
,
sendo
30
%
só
de
espumantes
.
De
esse
montante
,
o
maior
volume
de
venda
de
o
ano
inteiro
,
cerca
de
40
%
,
ocorre
em
o
último
trimestre
.
Alexandre
Wolff
,
CRS
Brands
,
conta
que
,
por
a
importância
que
tem
a
bebida
em
os
negócios
de
a
companhia
,
todas
as
estratégias
que
envolvem
os
lançamentos
de
qualquer
espumante
começam
,
em
o
mínimo
,
um
ano
antes
.
"
Agora
,
por
exemplo
,
estamos
focados
em
a
bebida
que
vamos
lançar
para
o
réveillon
de
2024
para
2025
"
.
O
presidente
de
a
CRS
afirma
que
os
últimos
anos
apresentaram
diferentes
desafios
para
o
a
companhia
.
Em
2020
,
em
a
contramão
de
o
mercado
de
vinhos
,
as
vendas
de
espumantes
despencaram
por
conta
de
a
pandemia
.
Em
aquele
ano
,
o
vinho
ganhou
espaço
a
o
se
tornar
a
escolha
de
bebida
para
momentos
de
lazer
em
casa
.
Com
o
setor
de
eventos
paralisado
e
fechamento
de
bares
e
restaurantes
,
o
espumante
e
a
cerveja
perderam
espaço
.
Wolff
afirma
que
as
vendas
de
a
empresa
tiveram
alguma
recuperação
em
2021
,
mas
não
decolaram
em
2022
,
por
conta
de
a
Copa
de
o
Mundo
,
que
aumenta
o
consumo
de
cerveja
.