Representação em texto

Vendas de dólares pelo Banco Central podem reduzir dívida pública; entenda como funciona

IDTEJ_0362
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/economia/noticia/2024/12/22/vendas-de-dolares-pelo-banco-central-podem-reduzir-divida-publica-entenda-como-funciona.ghtml
TítuloVendas de dólares pelo Banco Central podem reduzir dívida pública; entenda como funciona
SubtítuloEssas operações podem ajudar a instituição a registrar lucro que, por sua vez, é repassado ao Tesouro Nacional. Por lei, esses valores podem ser destinados exclusivamente ao pagamento da dívida pública.
Ano2024
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEconomia
PropósitoNoticiar

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Diante de a disparada de o dólar , que tem operado acima de R$ 6 em as últimas semanas , o Banco Central retomou recentemente as vendas de moeda norte-americana em o mercado a a vista .

Essas operações ajudam o BC a diminuir eventuais prejuízos , em reais , ou a impulsionar um lucro de a instituição , que , se registrado , é repassado a o Tesouro Nacional após aprovação de o Conselho Monetário Nacional ( CMN ) .

" Os valores pagos a a União [ relativos a os lucros de a autoridade monetária ] serão destinados exclusivamente a o pagamento de a Dívida Pública Mobiliária Federal ( DPMF ) " , explicou o Banco Central .

Campos Neto e Galípolo consideraram que não existe um ataque especulativo contra o real

Em os últimos dias , o BC vendeu US$ 16,8 bilhões em leilões em o mercado a a vista . Com a cotação acima de R$ 6 , são mais de R$ 100 bilhões . Atualmente , as reservas internacionais estão em cerca de US$ 350 bilhões .

As vendas de dólares também podem diminuir a dívida pública por a menor necessidade de o Tesouro Nacional emitir títulos para o Banco Central " enxugar " a liquidez de o mercado , com o objetivo de atingir a meta de a taxa básica de juros , a Selic , atualmente em 12,25 % a o ano .

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Em a semana passada , o presidente de o Banco Central , Roberto Campos Neto , negou que as vendas de dólares tenham por objetivo reduzir a dívida pública . Segundo ele , o objetivo é combater " disfuncionalidades de o mercado " . E reiterou que o BC não tem meta para a taxa de câmbio .

Sem metas para o dólar , as intervenções de o Banco Central , em o regime de câmbio flutuante , ocorrem " caso se identifiquem condições adversas para o seu regular funcionamento " . De este modo , não tem relação com a política fiscal , ou seja , com a redução de a dívida pública .

Custo de as reservas internacionais

Embora sejam consideradas como um tipo de seguro para evitar o contágio de a economia brasileira por choques externos , as reservas internacionais , segundo economistas , também representam custo para a sociedade .

Isso porque as reservas são aplicadas principalmente em títulos de os Estados Unidos , que rendem juros muito mais baixos de o que aqueles que governo paga a o emitir papéis em o mercado interno ( dentro de o Brasil ) . É o chamado " custo de carregamento " de as reservas .

O custo de o carregamento mostra a diferença de dinheiro teria caso , em vez de ficar com as reservas , a vendesse . Mas os especialistas alertam que não é desejável vender tudo , para o país não perder a segurança de ter um estoque considerável de dólares , a moeda mais negociada de o mundo .

Segundo o economista de o IPEA , Sérgio Gobetti , esse custo de carregamento em o Brasil é de cerca de R$ 40 bilhões por ano . " O ataque especulativo que vivemos em o Brasil abriu uma ótima janela de oportunidade para o BC lucrar vendendo dólares " , avaliou , por meio de rede social .

O analista lembrou que parte de o crescimento de a dívida pública , em as décadas passadas , principalmente em as primeiras duas gestões de o presidente Luiz Inácio Lula de a Silva ( entre 2003 e 2010 ) , está relacionado justamente com a compra de dólares por o Banco Central para formar as reservas brasileiras .

" Um cálculo por o diferencial de juros entre Brasil e EUA mostra que o acúmulo de reservas cambiais custou quase R$ 700 bilhões desde 2006 . Mas esse prejuízo seria compensado se metade de esse caminhão de dólares , adquiridos quando câmbio estava em R$ 1,9 , fossem vendidos agora por R$ 6,1 " , afirmou Gobetti .

Por fim , ele avalia que é importante manter parte de as reservas . " Acho apenas que exageramos em o nível , mas ' felizmente ' temos hoje uma ótima oportunidade de corrigir isso , vendendo dólares em a alta de o momento . Um ' erro ' que deu ' certo ' , digamos assim " , concluiu .

Em outubro de 2018 , dois meses antes de assumir o Ministério de a Economia , o economista Paulo Guedes afirmou que , se houvesse " crise especulativa " e o dólar subisse para o patamar de R$ 4,50 a R$ 5 , o governo Bolsonaro venderia US$ 100 bilhões para " acelerar o ajuste fiscal " , ou seja , reduzir a dívida pública .

Dívida brasileira

A dívida de o setor público consolidado f echou o mês de outubro em 78,6 % de o PIB o equivalente a R$ 9 trilhões , segundo informações de o Banco Central .

Se for considerado o critério de o Fundo Monetário Internacional ( FMI ) , que contabiliza os títulos públicos que estão em a carteira de o BC e que é utilizada em a comparação internacional , a dívida brasileira terminou outubro em um patamar maior ainda : em 92 % de o PIB .

Em este nível , a dívida brasileira está abaixo de nações desenvolvidas , próxima de países de a União Europeia e acima de os emergentes , de a América Latina e de o Caribe .

A relação entre dívida e PIB é um indicador relevante para o mercado , interpretado como um sinal de a capacidade de o país de honrar seus compromissos financeiros de curto , médio e longo prazo . Quanto maior a dívida em relação a o PIB , maior o risco de um calote em momentos de crise .

Além de o patamar de a dívida , a performance de as contas públicas também é avaliada por investidores .

Em o ano passado , em meio a ataques de o presidente Luiz Inácio Lula de a Silva ( PT ) para baixar a taxa de juros de a economia , o presidente de o Banco Central , Roberto Campos Neto , explicou em o Congresso Nacional como a dívida pública influencia a taxa de juros brasileira .

" Em a parte de os juros , a gente não pode confundir causa e efeito . A dívida não é alta porque o juro é alto . É o contrário , o juro é alto porque a dívida é alta . Quando você endividado vai a o banco , e o banco faz uma análise que você é endividado e não paga a dívida , o juro é alto " , explicou Campos Neto , em a ocasião .


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