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Dólar tem queda de 11% em 2025; veja como Trump, Fed e o Brasil afetaram o câmbio

IDTEJ_0343
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/economia/noticia/2025/12/30/dolar-tera-queda-em-2025-veja-por-que.ghtml
TítuloDólar tem queda de 11% em 2025; veja como Trump, Fed e o Brasil afetaram o câmbio
SubtítuloNeste ano, o Brasil não foi o único beneficiado. Entenda por que o dólar teve a maior queda em quase uma década e o que esperar para 2026.
Ano2025
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEconomia
PropósitoNoticiar

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Dólar em queda : como Trump , Fed e cenário brasileiro afetaram o câmbio em 2025

O ano de 2025 foi marcado por uma forte desvalorização de o dólar em o mundo . Em o Brasil , a moeda norte-americana caiu 11,18 % frente a o real em o acumulado de 2025 . Trata se de o maior recuo em quase 10 anos : em 2016 , a queda foi de 17,8 % .

Em este ano , o Brasil não foi o único beneficiado . Moedas de outros países emergentes e também de economias avançadas como euro , franco suíço , iene japonês e libra esterlina também se valorizaram frente a o dólar .

A seguir , veja os principais fatores que explicam a queda de o dólar a o longo de 2025 .

DÓLAR MAIS FRACO : por que Trump parece agir para desvalorizar a moeda e qual sua estratégia

Políticas de Trump

Segundo especialistas consultados por o g1 , a desvalorização global de o dólar reflete , em grande parte , as políticas adotadas por o presidente de os Estados Unidos , Donald Trump .

Após a eleição em os EUA , o mercado financeiro esperava uma agenda conservadora e protecionista logo em o início de o mandato . A aposta era de que o republicano adotaria medidas como aumento de tarifas e corte de impostos em janeiro , o que acabou não se confirmando .

Assim , a moeda norte-americana que iniciou 2025 cotada a R$ 6,16 perdeu força a o longo de os meses e acumulou desvalorização de 7,4 % a o fim de o primeiro trimestre , em a comparação com o início de janeiro .

Em abril , após Trump anunciar uma série de tarifas de importação sobre parceiros comerciais , o dólar chegou a se valorizar por um curto período , mas o movimento não se sustentou .

Trump começou o ano com mais cautela , promovendo mudanças graduais até o choque tarifário de abril . Isso acabou prejudicando a moeda norte-americana , afirmou o analista de inteligência de mercado de a StoneX , Leonel Mattos .

Em a prática , além de prejudicar diretamente a balança comercial de os EUA , o aumento de as tarifas ampliou a incerteza sobre os rumos de a economia de o país . Investidores passaram a rever suas posições em dólar , o que aumentou a pressão de venda de a moeda e contribuiu para sua desvalorização .

Segundo Mattos , o aumento de as operações de proteção contra a variação de o câmbio ( hedge cambial ) , impulsionado por as incertezas , também contribuiu para aprofundar a desvalorização global de o dólar .

O hedge cambial funciona como uma proteção contra a variação de o dólar . Empresas e investidores firmam contratos para fixar a taxa de câmbio em uma operação , o que garante que o valor a pagar ou a receber corresponda a esse combinado , independentemente de a cotação de o dia de o vencimento .

A volatilidade que o dólar teve incentivou muitos investidores a fazerem hedge . Isso acabou aumentando a perda de o dólar , completa Mattos .

Todos de olho em o Fed

A possibilidade de queda de a taxa de juros em os Estados Unidos também se tornou um tema central em o mercado financeiro em 2025 .

Em o início de o ano , a expectativa era que o Federal Reserve ( Fed , o banco central de os EUA ) promovesse cortes em ritmo e intensidade maiores . A primeira redução de as taxas em 2025 , de 0,25 ponto percentual , ocorreu apenas em setembro .

De acordo com o especialista em investimentos de a Nomad Bruno Shahini , vários fatores influenciaram essa decisão de o Fed .

Tivemos muita incerteza em relação a as políticas de o Executivo , além de uma pressão econômica vinda principalmente de o mercado de trabalho , diz .

Com um mercado de trabalho mais aquecido , mais dinheiro em circulação e maior risco de pressão em os preços . Segundo o especialista , esse receio de que uma inflação elevada manteria os juros altos em os EUA por mais tempo foi se dissipando a o longo de o segundo semestre .

Até o momento , o Fed cortou os juros americanos três vezes , reduzindo a taxa de a faixa de 4,25 % a 4,50 % a o ano para 3,50 % a 3,75 % a o ano o menor nível desde setembro de 2022 .

Os Estados Unidos cortaram parte de a taxa em este ano e podem promover novos cortes , afirma o analista .

Em a prática , juros menores em os EUA diminuem o rendimento de as Treasuries , os títulos de o governo americano , que são vistos como os investimentos mais seguros de o mundo . O movimento faz investidores buscarem aplicações mais rentáveis em mercados emergentes . Em esse cenário , o Brasil tem se destacado , favorecendo a bolsa e o real .

Balanço 2025 : efeitos de o tarifaço foram menores de o que o esperado em a economia ; bolsa subiu e dólar recuou

Real x dólar

Em o Brasil , a valorização de o real frente a o dólar também foi impulsionada por fatores internos , como a taxa básica de juros em nível elevado e uma percepção menos alarmista sobre as contas públicas de o país .

Os juros brasileiros estão em o maior patamar em 20 anos , o que atrai investidores estrangeiros em busca de ativos com melhores retornos . O Brasil tem uma de as maiores taxas de juros reais [ descontada a inflação ] de o mundo . E isso atrai recursos , ou não deixa sair , explica o diretor de tesouraria de o Banco Travelex , Marcos Weigt .

Os especialistas também destacam o compromisso de o presidente de o Banco Central , Gabriel Galípolo , com o objetivo de trazer a inflação para o centro de a meta de 3 % , definida por o Conselho Monetário Nacional ( CMN ) .

Galípolo assumiu a presidência de a instituição em este ano , e havia receio de que o novo chefe de o BC pudesse ceder a as pressões de o presidente Luiz Inácio Lula de a Silva ( PT ) para reduzir os juros antes de o momento adequado .

O Galípolo está seguindo bem as metas de inflação e está até sendo mais duro de o que o mercado imaginava , diz Weigt .

Quanto a as contas públicas , especialistas consultados por o g1 explicam que os investidores iniciaram 2025 bastante preocupados com a situação . Embora não se possa falar que houve uma grande mudança em 2025 , o governo por o menos tentou ser um pouco mais consistente , explica Mattos .

O Prisma Fiscal , divulgado por a Secretaria de Política Econômica ( SPE ) de o Ministério de a Fazenda em novembro de este ano , por exemplo , apontou uma melhora de a previsão de arrecadação e de as receitas , e uma redução de as estimativas para a despesa total e a inflação .

A percepção de risco , que foi muito intensa em o ano passado , ficou um pouco mais estável este ano e ajudou a manter o real em essa trajetória de valorização , completa o analista .

O que podemos esperar a a frente ?

A expectativa geral de os analistas é de que fatores internos e externos continuem a influenciar a taxa de câmbio em 2026 .

Em relação a o cenário internacional , eles alertam que ainda muita incerteza sobre o ritmo de a economia americana e seus efeitos sobre os juros , mesmo após Trump ter suavizado seu ímpeto com o tarifaço , com acordos firmados com a maioria de os parceiros de os EUA .

faz bastante tempo que vemos uma desaceleração gradativa de a atividade , mas ainda não sabemos o quão resiliente está a inflação e o quão fraco está o mercado de trabalho para impulsionar um pouco mais o corte de juros por , diz Mattos .

Outro ponto relevante é o fim de o mandato de o atual presidente de o Fed , Jerome Powell , previsto para maio de 2026 . A expectativa é de que Trump anuncie um novo nome até o início de o próximo ano .

Acredito que o banco central norte-americano continuará independente , mas é fato que a escolha de um novo nome para o Fed traz uma pressão adicional , diz Weigt , de o Banco Travelex .

Em o Brasil , além de a perspectiva de início de o ciclo de cortes de juros por o Banco Central , os especialistas alertam que o ano eleitoral volta a concentrar a atenção de os investidores .

O mercado está ignorando a situação fiscal por enquanto , mas em o ano que vem isso deve pesar mais em os preços , porque os investidores vão querer saber se o governo eleito estará alinhado com a agenda de superávit e estabilização de a dívida pública , alerta Shahini .

Weigt , de o Travelex , acredita que a discussão sobre os juros em os EUA seja mais relevante até março de o ano que vem . A partir de abril , o que deve dar o tom para o dólar e o real será a eleição e a expectativa de gastos de o governo em 2026 e 2027 .


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