Criado
em
1998
como
avaliação
de
desempenho
de
os
estudantes
brasileiros
,
o
Exame
Nacional
de
o
Ensino
Médio
(
Enem
)
a
os
poucos
foi
assumindo
uma
outra
função
,
a
de
instrumento
de
seleção
para
o
acesso
a
instituições
de
ensino
superior
.
Desde
2009
,
o
Enem
foi
oficializado
como
uma
porta
de
entrada
de
as
universidades
brasileiras
.
O
que
pouca
gente
sabe
—
e
pode
se
tornar
um
atrativo
a
mais
a
os
que
prestam
o
exame
—
é
que
os
resultados
de
a
prova
também
podem
ser
utilizados
para
garantir
uma
vaga
em
faculdades
estrangeiras
.
Principalmente
se
o
sonho
for
fazer
uma
graduação
em
Portugal
.
Em
março
de
2014
,
um
decreto
de
o
governo
português
regulamentou
uma
série
de
questões
referentes
a
estudantes
estrangeiros
em
o
país
.
E
essa
legislação
propiciou
um
acordo
com
o
Instituto
Nacional
de
Estudos
e
Pesquisas
Educacionais
Anísio
Teixeira
(
Inep
)
,
autarquia
federal
responsável
por
a
prova
de
o
Enem
.
A
partir
de
então
,
foi
instituído
um
programa
chamado
Enem
Portugal
,
que
viabiliza
,
conforme
frisa
a
própria
autarquia
em
nota
,
"
acordos
interinstitucionais
entre
o
Inep
e
as
instituições
de
educação
superior
portuguesas
"
.
Em
a
época
,
algumas
universidades
de
lá
já
vinham
aceitando
os
resultados
de
o
Enem
,
mas
de
forma
não
sistematizada
.
O
acordo
garantiu
uma
unidade
de
processos
e
melhorou
a
agilidade
,
com
uma
comunicação
direta
com
a
autarquia
brasileira
.
"
O
Inep
facilita
[
a
os
conveniados
]
o
acesso
a
as
notas
"
,
informa
a
a
BBC
News
Brasil
a
assessoria
de
comunicação
de
o
órgão
.
Atualmente
são
51
as
instituições
portuguesas
que
fazem
parte
de
o
programa
,
com
"
acesso
facilitado
a
as
notas
de
os
estudantes
brasileiros
interessados
em
cursos
de
graduação
em
Portugal
"
.
"
Cada
instituição
define
as
regras
e
os
pesos
para
uso
de
as
notas
"
,
explica
o
Inep
.
A
autarquia
frisa
que
esses
acordos
não
envolvem
"
transferências
de
recursos
"
e
"
não
preveem
financiamento
estudantil
por
o
governo
brasileiro
"
.
Para
quem
está
pensando
em
tentar
uma
vida
acadêmica
além
mar
,
isso
é
importante
:
mesmo
as
universidades
públicas
europeias
costumam
cobrar
anuidades
quando
o
estudante
é
estrangeiro
,
sobretudo
se
for
extra-comunitário
,
ou
seja
,
de
fora
de
a
União
Europeia
.
Em
o
caso
de
alunos
nacionais
,
as
taxas
,
mesmo
que
existam
,
costumam
ser
subsidiadas
por
o
governo
.
Coimbra
Considerada
uma
de
as
instituições
universitárias
mais
antigas
e
tradicionais
de
o
mundo
e
reconhecida
por
a
Unesco
como
patrimônio
de
a
humanidade
,
a
Universidade
de
Coimbra
,
cuja
história
remonta
a
uma
bula
papal
assinada
em
1290
,
foi
a
primeira
entidade
estrangeira
a
assinar
o
convênio
com
o
Inep
,
em
maio
de
2014
.
De
acordo
com
a
instituição
,
brasileiros
que
concluíram
o
ensino
médio
e
que
fizeram
o
Enem
em
os
últimos
cinco
anos
podem
pleitear
por
uma
vaga
.
O
processo
seletivo
para
as
próximas
turmas
está
aberto
—
vai
até
15
de
abril
.
Em
nota
,
a
universidade
ressalta
que
desde
2014
"
formalizou
a
utilização
de
esses
resultados
a
o
abrigo
de
um
protocolo
estabelecido
com
o
Inep
"
,
o
que
"
faculta
a
a
Universidade
de
Coimbra
o
acesso
a
a
base
de
dados
de
o
Enem
para
efeitos
de
validação
de
resultados
de
os
candidatos
a
o
processo
seletivo
"
.
A
principal
vantagem
é
que
"
os
candidatos
brasileiros
não
tenham
que
realizar
novos
exames
para
ingressar
em
os
cursos
"
de
Coimbra
.
Há
taxas
,
é
claro
.
São
50
euros
para
se
candidatar
e
20
euros
para
se
inscrever
em
o
curso
.
Faz
se
necessário
um
ano
preparatório
,
chamado
oficialmente
de
"
ano
zero
"
,
que
custa
5
mil
euros
.
A
partir
de
então
,
a
anuidade
de
a
graduação
é
de
7
mil
euros
.
Há
uma
previsão
de
bolsas
,
por
mérito
,
que
podem
reduzir
de
1
mil
a
2
mil
euros
o
valor
anual
.
Outras
universidades
Fundada
em
1911
,
a
Universidade
de
o
Porto
é
outra
instituição
portuguesa
muito
procurada
por
brasileiros
.
De
acordo
com
informações
de
a
universidade
,
o
Enem
também
é
valido
ali
graças
a
acordo
firmado
com
o
Inep
em
2016
.
A
instituição
frisa
que
aceita
os
resultados
de
a
prova
brasileira
tanto
para
admissão
em
os
cursos
de
licenciatura
como
de
mestrado
integrado
,
mas
enfatiza
que
"
as
notas
de
o
Enem
podem
ter
um
peso
diferente
em
função
de
o
curso
ou
faculdade
em
que
o
candidato
pretende
ingressar
"
.
Em
a
Universidade
de
o
Porto
,
as
anuidades
variam
entre
3,5
mil
e
8
mil
euros
.
Mas
,
uma
boa
notícia
para
lusófonos
:
"
atendendo
a
os
laços
que
unem
Portugal
a
os
estados
que
integram
a
Comunidade
de
Países
de
Língua
Portuguesa
(
Angola
,
Brasil
,
Cabo
Verde
,
Guiné-Bissau
,
Guiné
Equatorial
,
Moçambique
,
São
Tome
e
Príncipe
e
Timor-Leste
)
,
pode
ser
aplicada
uma
redução
de
até
45
%
"
,
declara
a
instituição
,
sobre
a
taxa
paga
por
estudantes
oriundos
de
esses
países
.
Maior
instituição
pública
de
ensino
superior
de
Portugal
,
a
Universidade
de
Lisboa
é
outra
signatária
de
acordo
com
a
autarquia
brasileira
.
Em
o
caso
,
ela
aceita
em
a
candidatura
os
resultados
de
o
Enem
realizados
até
três
anos
antes
—
as
inscrições
para
o
processo
seletivo
vigente
já
se
encerraram
em
19
de
fevereiro
.
O
mínimo
de
pontuação
necessária
depende
de
a
área
de
conhecimento
desejada
,
portanto
é
preciso
consultar
caso
a
caso
.
Por
o
mundo
De
acordo
com
o
Inep
,
nada
impede
que
outras
instituições
de
ensino
superior
por
o
mundo
aceitem
os
resultados
de
o
Enem
em
seus
processos
seletivos
,
mesmo
que
não
tenham
assinado
nenhum
convênio
ou
acordo
com
a
autarquia
brasileira
.
O
argumento
é
que
o
exame
brasileiro
poderia
ser
aceito
por
determinadas
universidades
estrangeiras
de
a
mesma
forma
como
os
testes
de
aptidão
ACT
ou
SAT
,
aplicados
em
os
Estados
Unidos
e
válidos
em
as
instituições
de
ensino
superior
por
lá
.
Em
esses
casos
,
o
principal
conselho
é
que
os
interessados
chequem
caso
a
caso
.
Em
geral
,
as
instituições
pedem
certificados
de
conclusão
de
o
equivalente
a
o
Ensino
Médio
e
provas
de
proficiência
em
o
idioma
inglês
ou
em
o
idioma
em
que
as
aulas
forem
ministradas
.
Quando
há
a
solicitação
de
comprovação
de
o
aproveitamento
de
o
Ensino
Médio
,
o
Enem
pode
eventualmente
ser
aceito
como
avaliação
.
A
BBC
News
Brasil
entrou
em
contato
com
onze
universidades
de
o
Reino
Unido
,
Irlanda
,
Estados
Unidos
e
Canadá
,
perguntando
se
o
Enem
pode
ser
utilizado
em
seus
processos
e
de
que
forma
isso
é
feito
.
Até
a
tarde
de
esta
terça-feira
(
30/3
)
,
apenas
a
Universidade
de
Oxford
respondeu
.
E
foi
taxativa
:
em
a
renomada
instituição
milenar
de
o
Reino
Unido
,
o
Enem
não
é
reconhecido
em
o
processo
seletivo
.
Já
a
também
britânica
Universidade
de
Kingston
afirmou
que
"
não
tem
uma
política
de
admissão
específica
para
o
Enem
"
pois
recebe
"
poucos
pedidos
de
alunos
de
o
Brasil
"
-
e
sua
política
geral
é
analisar
"
caso
a
caso
"
.
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