Representação em texto

'Nuvem de problemas': o que está por trás da violência nas escolas? Psicóloga da Unicamp vê falhas na educação e desafios para 2023

IDTEJ_0183
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/educacao/noticia/2022/12/24/nuvem-de-problemas-o-que-esta-por-tras-da-violencia-nas-escolas-psicologa-da-unicamp-ve-falhas-na-educacao-e-desafios-para-2023.ghtml
Título'Nuvem de problemas': o que está por trás da violência nas escolas? Psicóloga da Unicamp vê falhas na educação e desafios para 2023
SubtítuloEducação foi um dos assuntos mais buscados em 2022 e integra série de reportagens do g1 Campinas neste fim de ano. Papel de educadores e a escola como reflexo da sociedade são destaques.
Ano2022
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEducação
PropósitoNoticiar

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" A violência que vem por as palavras , em geral , é o motor de a violência que vem por as ações . "

A reflexão é de a psicóloga especialista em educação e docente de a Unicamp Angela Soligo . Em entrevista a o g1 , ela apontou falhas em a educação que culminaram com um ano de 2022 marcado por episódios de intolerância , violência , racismo , crimes e até mortes em escolas de o país . A região de Campinas ( SP ) foi destaque em este cenário . Mas como chegamos a esse ponto ? O que está por trás de isso ? Qual a saída para superar esses problemas ?

O tema " educação " foi um de os cinco assuntos mais presentes em a nuvem de palavras formada por os termos que mais apareceram em as mensagens de reclamações enviadas por telespectadores a a EPTV , afiliada de a TV Globo , em 2022 .

" Escola " aparece em segundo lugar em o ranking feito por o núcleo de dados de a emissora :

Posto de Saúde Escola e Professor Assalto e Drogas Acidente de Trânsito Moradores de rua

A o longo de essa semana , então , o g1 publica a série de reportagens " Nuvem de problemas " , com um panorama de cada uma de essas áreas que tem gerado preocupação de a população .

Para Angela , as sequelas que vemos hoje em as salas de aula e também em ambientes comuns a estudantes , como as redes sociais , são fruto de mudanças graduais em o ensino a o longo de anos , perdas causadas por a ideologia de a " escola sem partido " , que interrompeu discussões essenciais para a formação de a sociedade . " Não foi um projeto aprovado como um projeto político , porque é inconstitucional , mas , como ideologia , adentrou a escola . Muita coisa que se discutia passou a ser interditada .

Discussões que visavam problematizar a violência e a discriminação de gênero , projetos contra homofobia , por exemplo , passam a ser silenciados . "

Posturas e atitudes também acabaram ficando inflamadas após a retomada de as aulas pós-pandemia de a Covid-19 e por a polarização política que ganhou força enquanto a sociedade decidia votos em as eleições presidenciais . Segundo a psicóloga , as instituições de ensino deixaram de produzir relações mais respeitosas . " O que provocou a violência é exatamente esse contexto de a violência que tinha se instalado . E em esse retorno com as pessoas ansiosas , com uma escola que deixou que produzir relações mais respeitosas , a violência aumentou . As pessoas não estavam bem e não sabiam lidar com esse ' não estar bem ' , e a escola muito cobrada para recuperar tudo que perdemos ... Isso tudo cria um caldo de tensão que é muito difícil de lidar " .

" A cobrança , os alunos com o sentimento de não ter aprendido , cria esse caldeirão de tensão . Isso se relaciona com o aumento de a violência . Junta isso com uma desigualdade que não foi discutida , um preconceito que não foi discutido . Tudo o que a sociedade vem fazendo com as pessoas vai acontecendo dentro de a escola . Não é um problema de a escola " , alertou .

Repúdio em SP e Brasil afora

Discursos de ódio , casos de racismo e outras violências causaram repúdio em Valinhos ( SP ) , quando oito alunos de uma escola de elite foram expulsos após ataques racistas a apologia a nazismo ; em Mogi Mirim ( SP ) , quando uma professora foi afastada suspeita de injúria racial contra um aluno de 12 anos ; em Campinas , quando uma briga generalizada por suspeita de importunação sexual terminou com aluno desacordado , e outra escola precisou de intervenção de a Polícia Militar .

" Vimos a violência ampliando , e é claro que a escola não está separada de a sociedade , ela reflete a sociedade . Então a intolerância , os discursos de ódio , os atos violentos entram em a escola . Vão se manifestar não entre alunos mas também entre professores e em a relação professor-aluno , de mão dupla " , disse Angela .

Também em SP , uma aluna denunciou racismo após ouvir de a professora que suas tranças eram sujas . Em Louveira ( SP ) houve briga entre alunos e as guardas municipais .

Brasil afora , um aluno que alegou ser vítima de bullying em o Ceará conseguiu ter acesso a uma arma e atirou contra três colegas , um de eles morreu .

Casos graves de brigas em escolas de Brasília ( DF ) também chamaram a atenção de as autoridades este ano , como estudantes esfaqueados e ameaçados com armas de fogo . Em o Paraná , mães registraram boletim de ocorrência após negras serem representadas em cartaz com cabelo de palha de aço .

" Você vai ver a violência racista praticada por alunos e também por professores . E qual é a grande questão ? Tudo isso que entra em a escola , os preconceitos , a violência , não foi sendo problematizado , discutido em a escola. " , avaliou Angela . Disciplina e relacionamentos em baixa

Presidente de o Conselho de as Escolas Municipais de Campinas , Renato Nucci disse a o g1 que a falta de disciplina entre os alunos , a falta de atenção e as brigas foram relatos comuns de os professores em este ano de 2022 em as unidades de ensino .

" A capacidade de atenção em as aulas diminuiu bastante , uma certa dificuldade de eles se relacionarem entre si , vários conflitos .

Não que não existissem antes , mas os professores relataram muito a os pais de o tempo que eles passaram a ter dentro de a escola para chamar a atenção de as crianças para prestar atenção em as aulas " . Muitos desaprenderam a estudar com a mudança de metodologia para cumprir o ano letivo , que dependeu de aulas online e recursos limitados .

Nucci também é pai de uma aluna de 12 anos de a rede pública , e contou que a filha e outras crianças enfrentaram dificuldades de relacionamento . " Em o caso de ela , ela não terminou o ciclo em uma escola e foi transferida para outra , que ela nem conseguiu retomar os estudos [ por causa de a pandemia ]. "

De as brigas constantes entre estudantes , restaram visitas frequentes de a Guarda Municipal e de a Polícia Militar .

Violência tão perto , e pais assustados . " Guarda municipal foi em a porta de a escola algumas vezes em o fim de a tarde , horário de saída , quando tinha alguma suspeita de haver confusões fora de a escola .

Você polícia em a porta de a escola , você fica meio ... A gente não está habituado a isso , você fica preocupado , gera uma tensão . " Mais história crítica e mais ação de as autoridades A especialista em psicologia educacional Angela Soligo defende que a história mais crítica seja recuperada por os educadores , que seja explicado o significado de a intolerância em o Brasil , que os direitos sociais devem ser iguais entre todos .

É uma mudança em as salas de aula que pode motivar uma transformação social .

" Mesmo a discussão de assuntos que fazem parte de a nossa história passam a ser cancelados . Em a escola , não se discute como foi a ditadura , e vai ter gente que vai dizer que a ditadura não aconteceu .

Não se discute o papel de o colonizador , se fala de as pessoas negras como escravas , o que é perverso . " Mas também é obrigação e precisa ser o foco de o poder público , ressalta a educadora . " Não tem um grupo de atores para retomar esses temas .

O fortalecimento de as discussões sobre questões raciais , LGBT+ , preconceitos de classe , de origem .

A retomada depende , sim , de as escolas , de professores e gestores , mas também de a pressão de alunos e de o poder público . " O presidente de o Conselho de as Escolas também destacou que se faz necessário um posicionamento claro de as autoridades contra discriminação e violências . Segundo ele , a entidade chegou a discutir medidas para trabalhar os conflitos em as unidades de ensino de maneira ampla , que , atualmente , tem ficado em as mãos de professores pontuais o aprofundamento de os temas em sala .

Nucci cobra de o poder público de Campinas que falta uma política de a educação em um território livre de preconceito e intolerância . Deixar claro que o município não vai admitir de forma alguma a discriminação , e que vai contar com um prática estruturada de combate a o racismo , fascismo , a a xenofobia , por exemplo .

" Você tem iniciativas individuais de professores que buscam trabalhar um pouco essa temática de o combate a o racismo contra negro e indígena , você em as aulas professores buscando desenvolver essa política . Em a rede pública , sinto falta de uma política clara :

' Não vamos tolerar de maneira nenhuma o racismo ' " . O g1 cobrou a Prefeitura de Campinas sobre a adoção de medidas práticas de combate a a violência e a intolerância em as escolas .

Em nota , a Secretaria de Educação respondeu que promove projetos de respeito entre as pessoas e suas diferenças em os ambientes escolares . " Os temas mencionados por a reportagem são tratados em sala de aula de maneira interdisciplinar .

Além de o conteúdo pedagógico , os alunos têm a oportunidade de participar de debates e discussões que os levam a refletir sobre essas questões . " , diz o texto . A rede também possui um programa de combate a o bullying . " São abordados os diferentes tipos de violência e suas motivações , assim como as consequências jurídicas sobre esses atos .

" . Com foco em a atuação de os professores , uma formação se volta a a implantação de políticas pedagógicas e publicação de conteúdos sobre o assunto . Em o projeto Justiça Restaurativa , estudantes que vivem em situação de conflito têm espaço em a escola para expressar sentimentos e refletir , junto a os envolvidos de uma ocorrência , sobre os danos emocionais causados . " A proposta também visa restabelecer as relações sociais rompidas por conta de conflitos .

" , completou a Pasta . Veja mais notícias de a região em o g1 Campinas .


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