Representação em texto

Como o conflito entre vontade de ensinar e insegurança profissional desafia carreira de professor

IDTEJ_0093
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/educacao/noticia/2024/12/28/como-o-conflito-entre-a-vontade-de-ensinar-e-a-inseguranca-profissional-desafiam-carreira-de-professor.ghtml
TítuloComo o conflito entre vontade de ensinar e insegurança profissional desafia carreira de professor
SubtítuloAo g1, docentes da região de Campinas desabafaram sobre encarar as imprecisões da carreira, como os salários baixos e a falta de instabilidade, em meio à motivação em educar.
Ano2024
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEducação
PropósitoNoticiar

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Professores relatam dificuldades em seguir em a docência e desafios para futuro de a profissão

" A sociedade foi desvalorizando esse papel de o professor e , consequentemente , essa desvalorização simbólica também se torna uma desvalorização financeira . Hoje é uma profissão que nós diríamos que é pouco atrativa para alguém que , em um país como o nosso , precisa sobreviver " .

A declaração é de Ana Cláudia Fidélis , que 34 anos atua como professora em a região de Campinas ( SP ) . Apaixonada por o trabalho , ela reconhece que os baixos salários e a falta de valorização desmotivam os docentes e , principalmente , os jovens que estão iniciando em a profissão .

O resultado de isso é a queda em o interesse por a licenciatura , como apontado por um levantamento realizado por a reportagem com dados de a Universidade Estadual de Campinas ( Unicamp ) e de o Censo de a Educação Superior , pesquisa divulgada por o Ministério de a Educação .

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Além de a queda de inscritos em o vestibular , o índice de evasão em essas graduações também preocupa especialistas : a taxa de abandono em os cursos que formam professores é de 54 % enquanto em os demais o volume fica em 31 % ( confira o balanço completo clicando aqui ) .

A o g1 , professores relataram dificuldades vividas em o dia a dia de a profissão e pontuaram os desafios para o futuro de a docência , uma vez que os jovens não têm se interessado mais por cursar licenciatura e aqueles que entram para a carreira não têm a perspectiva de segui la por toda a vida .

( Essa reportagem faz parte de uma série que aborda a queda em o interesse por cursos de licenciatura e como esse cenário pode afetar o estoque de professores de a educação básica em o futuro ) .

Unicamp tem queda em o interesse por graduações ligadas a a Educação Básica , e especialistas preveem ' apagão ' de professores

De a valorização de a carreira a o incentivo em a faculdade : o que é preciso para que jovens voltem a sonhar com a carreira de professor

Motivações e dificuldades Gabriel Garcia Caldas , de 28 anos , aulas de língua portuguesa e literatura um ano em uma escola estadual e afirma que seu futuro em a profissão é incerto . Entre outros desafios , o jovem docente lida com a indefinição de o emprego , por trabalhar em regime de contratos , sem um emprego fixo .

Outra situação reforçada por o professor são as horas de trabalho . " Em algumas escolas , o professor tem que dar aula , tem que fazer substituição , tem que preparar diversos arquivos pedagógicos .

E , quando eu fazia isso , ficava de nove a dez horas dentro de uma escola e mesmo assim , tinha que levar coisa para fazer em casa e em o final de semana " , fala . Yohan Macedo , de 30 anos , é professor desde 2019 e leciona em o ensino fundamental em uma escola pública de Jaguariúna ( SP ) . Ele é um de os jovens professores que se sentem desmotivados com a profissão .

" Atualmente , o que me motiva a continuar é uma pergunta difícil , porque o professor lida com muitas coisas além de a disciplina que está lecionando e isso desmotiva um pouco " , diz . Para o profissional , a questão mais desmotivadora em ser professor atualmente está mesmo em a baixa remuneração .

Ele diz que a alta demanda de trabalho de um docente não é recompensada através de o salário , desestimulando as pessoas a optarem por a profissão .

" Um exemplo que eu posso dar , inclusive , que eu vivenciei , é que comparando de um ano com o outro eu tive quatro turmas com cerca de 20 alunos e em o outro ano eu tinha quase 40 alunos em cada turma , ou seja , a minha quantidade de alunos dobrou , mas meu salário não mudou " , conta . a professora Layne Silva , de 24 anos , explica que os motivos que a mantém motivada a continuar sendo professora é a possibilidade de reverter cenários , principalmente em escolas localizadas em periferias .

" Hoje eu penso em como , através de a licenciatura , compartilhar conhecimento com as pessoas que vivem uma realidade muito parecida com a minha " .

" E é muito por entender essa necessidade também de reverter um pouco essa situação , porque , eu sou a primeira de a minha família a fazer faculdade , que eu sei que eu não vou ser mais a última , porque minha família tem uma outra visão sobre a importância de o estudo " , diz .

Orgulho de ser professor Apesar de as dificuldades profissionais , ainda quem busque a docência como forma de realização pessoal .

13 anos , Caio Campos é professor de matemática Campinas ( SP ) e acredita que os desafios sempre vão existir em todas as profissões . O docente enfrenta uma " luta diária " por conta de as condições salariais e de emprego e , mesmo assim , afirma que a carreira valeu a pena .

Caio tem encontrado sua maior motivação em a capacidade que o professor tem de " mudar a vida de alguém através de a educação " . " Tem uma questão crucial que é : ser professor é uma de as profissões que mais exige você gostar de o que você faz , porque a gente lida com 30 crianças , 35 por sala , todo dia . Eles passam cerca de seis horas de o dia co nosco .

Então , a gente acaba se tornando uma referência e se a gente ali pra pagar as contas , tudo fica mais difícil " , pontua . A professora e coordenadora pedagógica Ana Cláudia Fidélis compartilha de a mesma visão de Caio , quanto a o orgulho de exercer a profissão , mas sem deixar de lado as questões que tem levado a baixa procura por cursos de formação de docentes .

Ela conta que a possibilidade de a descoberta e de a transformação por meio de a educação a mantém em a carreira que escolheu a os 17 anos . " Eu sou muito apaixonada por a docência . Então , eu sou suspeita para falar de a docência , porque eu sempre vou defender o ser professor , embora eu não tenha uma visão poliana , romantizada sobre o assunto .

Eu sei de todas as dificuldades , eu vivo elas , elas são reais " , reitera .

Futuro sem professores ? Segundo uma projeção de o Sindicato de as Entidades Mantenedoras de o Ensino Superior ( Semesp ) , divulgada em 2022 , o Brasil pode viver um déficit de 235 mil professores em 2040 .

Em o mesmo ano , um estudo de o INEP afirmou que o país está vivendo uma " carência de professores em a educação básica " .

A o g1 , a coordenadora de políticas educacionais de a ONG Todos Por a Educação , Natália Fregonese , afirmou que para isso não acontecer o cenário precisa ser revertido a partir de a criação de políticas de valorização de a carreira que a tornem mais atrativa .

Veja mais detalhes em esta reportagem .

* Estagiária sob supervisão de Yasmin Castro .


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