Representação em texto

Unicamp tem queda no interesse por graduações ligadas à Educação Básica, e especialistas preveem 'apagão' de professores

IDTEJ_0091
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/sp/campinas-regiao/educacao/noticia/2024/12/26/unicamp-tem-queda-no-interesse-pela-formacao-de-professor-e-especialistas-preveem-deficit-na-educacao-basica-apagao.ghtml
TítuloUnicamp tem queda no interesse por graduações ligadas à Educação Básica, e especialistas preveem 'apagão' de professores
SubtítuloCenário observado na instituição reflete projeções para todo o Brasil, que prevê falta de docentes nas próximas décadas. Desvalorização da carreira é apontada como principal desmotivador.
Ano2024
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEducação
PropósitoNoticiar

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Crise em a licenciatura :

Unicamp tem queda em o interesse por a formação de professor Um levantamento feito por o g1 com dados de a Universidade Estadual de Campinas ( Unicamp ) e de o Ministério de a Educação mostram uma queda em o interesse por graduações destinadas a formação de professores de a educação básica .

Enquanto o número de inscritos em o vestibular vêm diminuindo , o índice de abandono aumentou entre os que estão cursando . Para essa apuração , foram considerados 12 de os 15 cursos que aparecem em a categoria de educação ( formação de professores ) em o painel estatístico de o Censo de a Educação Superior de o MEC .

Foram excluídas as graduações em dança e música que , embora sejam de ensino obrigatório em artes , não são exclusivas e enfermagem , que não aparece em as diretrizes curriculares nacionais .

De essa forma , o balanço inclui :

artes visuais ciências biológicas ciências sociais educação física filosofia física geografia história letras química e física ( integrados ) matemática pedagogia O cenário de queda é apontado por diferentes pesquisas como um de os pilares para a carência de professores de a rede básica que pode atingir o Brasil em as próximas décadas .

Em 2022 , uma projeção de o Sindicato de as Entidades Mantenedoras de o Ensino Superior ( Semesp ) indicou um possível déficit de 235 mil docentes em 2040 .

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Em o mesmo ano , um estudo de o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira ( Inep ) afirmou que " não é exagero dizer que estamos vivendo esse apagão " , dada as vagas não preenchidas em vestibulares e o total de formandos que acabam exercendo a profissão apenas um terço de os concluintes de licenciaturas entre 2010 e 2021 eram professores em 2022 . Para entender o quadro , o g1 conversou com o representante de os cursos de formação de professores de a Unicamp e com Natália Fregonesi , coordenadora de Políticas Educacionais de a ONG Todos Por a Educação .

Ambos apontam , entre outros fatores , a desvalorização de a carreira como causadora de o desinteresse ( confira as análises abaixo ) . " A carreira de professor não está mais chamando a atenção de os jovens , considerando que existem várias outras possibilidades .

Então , a causa , a raiz de esse problema está justamente em essa falta de valorização de o docente " , diz Natália .

( Essa reportagem faz parte de uma série que aborda a queda em o interesse por cursos de licenciatura e como esse cenário pode afetar o estoque de professores de a educação básica em o futuro ) .

De a valorização de a carreira a o incentivo em a faculdade : o que é preciso para que jovens voltem a sonhar com a carreira de professor

O desinteresse em números A Unicamp possui 15 graduações classificadas como ' formação de professores ' . Seis de eles são exclusivamente licenciaturas , isto é , todas as suas disciplinas buscam a preparação de novos docentes , como : ciências biológicas , física , letras , integrado química e física , matemática e pedagogia .

Os outros cursos podem dar a o candidato a possibilidade de optar ou não por a licenciatura .

Para essa reportagem , além de os citados acima , foram considerados os que não são estritamente licenciaturas , pois também oferecem a modalidade de bacharelado , mas estão ligados a as diretrizes de a educação básica , como : artes visuais , ciências sociais , educação física , filosofia , geografia e história , excluindo as graduações em dança , música e enfermagem .

Entenda : a Unicamp possui outros cursos , em diferentes áreas de o conhecimento , que não são consideradas ' de formações de professores ' por os critérios de o MEC e que , por isso , não aparecem em esse levantamento , mas que possuem disciplinas que podem habilitar o aluno para a licenciatura .

Entre os vestibulares de 2022 e 2025 , os cursos destinados exclusivamente a a formação de professores tiveram os menores índices de inscrição , segundo números de os Anuários de a Assessoria de Economia e Planejamento ( Aeplan ) de a Unicamp . Essas graduações viveram um auge em o início de os anos 2000 e permaneceram em um cenário positivo até pouco antes de 2020 .

Em o entanto , o total de candidatos começou a cair e chegou a o menor patamar em os anos seguintes ( veja o gráfico acima ) .

Outro aspecto é a relação entre alunos que ingressam em a instituição e concluem o curso e aqueles que desistem durante a graduação . Comparando todos os cursos , os indicadores são piores em as formações voltadas a novos professores , como aponta o Censo de a Educação Superior , de o MEC : considerando todos os cursos de a Unicamp , menos os de formação de professores , a taxa de conclusão acumulada foi de 68 % . A desistência acumulada foi de 31 % ; considerando apenas os cursos de formação de professores de a Unicamp , excluindo todos os outros , a taxa de conclusão acumulada foi de 46 % .

A desistência acumulada foi de 54 % .

a média geral , considerando todos os cursos de a instituição , é de 63 % de conclusão acumulada , contra 36 % de desistência .

O cenário preocupa a Unicamp Pedro Cunha , presidente de a Comissão Permanente de Formação de Professores de a Unicamp , reconhece o cenário e afirma que essa tem sido uma preocupação em os últimos anos : o número de pessoas que sonham em se tornar educadoras realmente caiu e aqueles que decidem viver esse sonho podem se frustrar e desistir em o meio de o caminho . Essa é uma questão que em os preocupa , sim [ ... ] quando a gente olha para a taxa de formandos , ela tem se mantido mais ou menos estável em os últimos 10 anos . O que acontece é que a gente forma um número menor de o que a gente teria o potencial de formar , comenta . A atenção é ainda maior quando consideradas as graduações exclusivamente destinadas a a licenciatura , isto é , aquelas em que o ingressante entra com a intenção única de se tornar professor .

Nós temos a entrada e temos um percentual até alto de evasão , especialmente em os cursos em a área de ciências exatas " . Mas o que explica isso ?

Sobre a queda em o número de inscritos , Cunha diz que a variação é , de certa forma , normal . Como ocorre com qualquer carreira , dependendo de o curso , períodos em que você tem uma procura maior , períodos em que você tem uma busca menor . O problema é que o momento de baixa tem sido cada vez mais longo e frequente . a evasão , pode estar ligada a a dificuldade de os alunos em os primeiros períodos de o curso , o que ocorre , principalmente , com quem veio de a rede pública , afirma o professor .

De essa forma , considerando a análise de Pedro Cunha , dois fatores principais podem estar associados a queda em os inscritos e a a desistência de os alunos :

Falta de perspectiva em a profissão : Quem emprega professores em o Brasil , em a grande maioria de os casos , é escola pública . Em o estado de São Paulo tivemos um concurso em 2013 e outro em 2023 . Isso significa que você tem um contingente muito grande de temporários . Mas qual a condição de trabalho ? Isso acaba sendo algo que não incentiva , diz .

Dificuldade para seguir o ritmo de o curso : o número de alunos que vêm de a rede pública aumentou , o que é bom , mas muitos de eles podem encontrar dificuldades para acompanhar o ritmo de a graduação , pois não tiveram uma base de ensino consistente em os ensinos fundamental e médio o que é ainda pior para quem busca uma licenciatura em exatas .

Em resumo , essa dificuldade com o ritmo de o curso o que faz com que a taxa de reprovação seja alta em os primeiros semestres e o desânimo com a carreira de professor em o Brasil são elementos que desmotivam e podem fazer o aluno desistir de a graduação .

E tem mais : com relação a os dados de os últimos anos , o professor lembra que os números de evasão foram afetados por a pandemia de a Covid-19 que , a o afastar os estudantes de a sala de aula e obrigar a realização de aulas remotas , atrapalhou a atuação de os futuros professores em escolas por meio de estágios e outros programas o que também explicaria a piora em os parâmetros .

Futuro sem professores ? Natália Fregonese , de a Todos por a Educação , pontua que esse cenário não é exclusividade de a Universidade Estadual de Campinas . Ela diz que a falta de interesse em estudar para ser professor vem crescendo a nível nacional .

A gente teve um aumento muito grande em a ociosidade de vagas , ou seja , ne aquelas vagas que a instituição oferece , mas não são preenchidas . De fato , a procura vem diminuindo a o longo de os anos , assim como a taxa de evasão está crescendo .

Vários cursos de a educação superior têm uma taxa de evasão alta , mas quando a gente olha para as licenciaturas , é um cenário especialmente preocupante .

Um artigo publicado em 2023 em o Jornal de a Universidade de São Paulo ( USP ) apontou que em alguns cursos de licenciatura , como matemática , física , ciências exatas , ciências de a natureza e educomunicação , a taxa de evasão chega a 30 % , acima de a média geral de 17 % em outras graduações . Ainda de acordo com a especialista , a falta de atratividade de a profissão tem tirado a docência de a lista de carreiras de interesse entre os jovens . Eu acho que esse risco é real olhando para o cenário que a gente tem hoje . A gente tem falta de professores com formação adequada para algumas disciplinas em algumas regiões .

Isso está acontecendo atualmente e pode piorar em o futuro .

A representante de a Todos por a Educação ainda listou os elementos que podem estar associados a o desinteresse em a carreira :

Condições de trabalho desafiadoras : escolas precarizadas , poucos professores para muitos alunos e insegurança ; Salários baixos : em a comparação com outras carreiras , tende a pagar pouco , apesar de exigir formação maior ; Falta de estabilidade : poucos concursos e muitas vagas temporárias ; Pouca divulgação de as boas oportunidades : alguns municípios oferecem vagas mais atrativas , mas poucos candidatos ficam sabendo . A carreira docente ainda é vista como essa carreira que paga mal , que em todo lugar tem condições ruins [ ... ] então , você acaba optando por cursos que oferecem uma carreira mais estável , com uma remuneração melhor .

Você pode fazer um curso técnico , um tecnólogo menor que um curso de licenciatura , mas que vai ter uma carreira um pouco mais estabilizada , ganhando um pouco mais .


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