Representação em texto

Nova York e a polêmica das internações psiquiátricas da população de rua

IDTEJ_1063
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/saude/noticia/2022/12/18/nova-york-e-a-polemica-das-internacoes-psiquiatricas-da-populacao-de-rua.ghtml
TítuloNova York e a polêmica das internações psiquiátricas da população de rua
SubtítuloO prefeito de Nova York, Erick Adams, anunciou a intenção de recolher, nas ruas, pessoas que têm problemas mentais para serem internadas a força em hospitais psiquiátricos
Ano2022
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaSaúde
PropósitoNoticiar

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Anthony Amojera é paramédico de o corpo de bombeiros , em Nova York , 19 anos . Ele socorre , diariamente , pessoas com problemas de saúde mental que precisam de tratamento , mas estão em as ruas de a cidade .

Ele e os colegas atendem frequentemente as mesmas pessoas que entram e saem de os hospitais , mas não encontram solução para os problemas financeiros e de saúde que estão enfrentando .

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Ele conhece o problema por dois ângulos distintos . A os vinte anos , Anthony também foi sem-teto . Passou uma noite apenas em um abrigo de Nova York . " Eles não têm pessoal suficiente para atender as pessoas e os lugares não têm segurança " , conta .

Anthony achou melhor dormir em seu carro porque , por sorte , tinha um . E foi o que fez durante dois anos . Hoje ele atende os telefonemas de socorro que são cada vez mais numerosos .

Antes de a pandemia , a média era de 3,5 mil a 4 mil chamadas por dia . Hoje são mais de 6 mil e por o menos 10 % são por causa de problemas mentais . dois meses , uma colega de trabalho de ele perdeu a vida tentando ajudar uma pessoa durante surto psicótico . Levou vinte facadas .

Não é um incidente comum . Mas ele diz que os paramédicos sofrem chutes , socos e mordidas com frequência . Em o começo de o ano , Alyssa Go , de 40 anos , estava em a plataforma de o metrô , em a estação de a Times Square , quando um homem se aproximou e a empurrou em a frente de um trem que se aproximava . Ela morreu em a hora . O homem foi internado em um centro psiquiátrico . Não tinha condições mentais de responder a julgamento .

Preocupado com esse tipo de incidente , o prefeito de Nova York , Erick Adams , anunciou a intenção de recolher , em as ruas , as pessoas com problemas de saúde mental para serem internadas a força em hospitais psiquiátricos . E disse , ainda , que todos que não apresentarem condições de suprir suas próprias necessidades básicas serão recolhidos também .

A notícia causou reações entre as organizações que cuidam de a população de rua e de as que representam pessoas com doenças mentais . Em a última quarta-feira ( 07/12 ) , vários grupos se reuniram em as escadarias de a sede de a prefeitura para exigir que Adams abandone a ideia .

Matt Kudish , presidente de a Aliança Nacional de Doenças Mentais ( NAMI ) , foi um de eles .

Kudish lembra de uma decisão de a Suprema Corte de os Estados Unidos de 1999 que determinou que os estados têm que atender as pessoas com doenças mentais de forma integrada em a comunidade . Ou seja , não podem manter os pacientes presos em hospitais psiquiátricos .

O estado tem que garantir moradia adequada a esses pacientes para que se reintegrem a a sociedade .

Em a prática , diz Matt , os hospitais deram alta a esses pacientes que estão em a rua - mas sem moradia e sem condições de continuar o tratamento , eles voltam a ter os mesmos problemas .

" O que acontece é que a forma como se lida com isso é como enxugar gelo " , afirmou .

Segundo ele , um morador de rua que tem problemas mentais é recolhido por a polícia , ou por os paramédicos de o corpo de bombeiros , quando está em crise . Essa pessoa passa algumas horas em o hospital , ou um dia inteiro . Fica um pouco mais estável e volta para as ruas . O problema não se resolve , se repete , diz .

Michael Anderson passou oito anos assim , entrando e saindo de os hospitais . Ele foi diagnosticado com bipolaridade e volta e meia esquecia de tomar os remédios , entrava em crise , era recolhido e levado a uma instituição de saúde e depois de um dia ou dois recomeçava o ciclo .

Mas Anderson diz que teve muita sorte porque um dia foi internado em um hospital que dava alta a os pacientes que tinham uma situação mais estável , uma possibilidade de solução . Depois de três meses em o hospital , a prefeitura encontrou uma moradia subsidiada para Michael e 17 anos ele mora sozinho , se cuida e nunca mais precisou ser internado . Hoje ele trabalha como voluntário de a NAMI .

Jacquelyn Simone , diretora de a Coalizão por os Sem-Teto , uma de as organizações mais antigas de Nova York em essa área , disse que a população de rua costuma ser vítima de crimes e não autora de eles .

" Mas o prefeito continua fazendo os sem-teto e as pessoas com problemas mentais de bode expiatório " , disse .

Ela defende a necessidade de ampliação de os programas de saúde mental em a cidade porque boa parte de os que mais precisam de ajuda não tem condição financeira de arcar com os custos de os tratamentos .

Os Estados Unidos não tem um sistema de saúde pública .

" Em 2021 , 93.925 adultos se enquadravam em os programas de saúde mental de a cidade mas apenas 2.179 foram atendidos , ou seja , apenas 2,3 % . A prefeitura deveria expandir o acesso a os programas psiquiátricos para quem quer se tratar " , afirmou . Em as escadarias de a prefeitura , Matt Kudish também fez discurso criticando a proposta de o prefeito Erick Adams . Mas disse que Nova York tem uma chance histórica e única que não pode ser desperdiçada .

" O prefeito por o menos está disposto a falar sobre o assunto e seria muito triste perder essa oportunidade " . A organização que ele dirige entrou com uma ação preventiva em a Justiça , para impedir que o plano de o prefeito seja executado .

A o mesmo tempo , a entidade mantém contato com interlocutores de o governo municipal para que Nova York crie um grupo de profissionais de a área de saúde e de habitação para traçar um plano de atendimento mais humanitário .

- Este texto foi publicado em https://www.bbc.com/portuguese/internacional-63912358


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