Representação em texto

'Passei por seis médicos até descobrir câncer aos 25 anos'

IDTEJ_1056
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/saude/noticia/2022/12/15/passei-por-seis-medicos-ate-descobrir-cancer-aos-25-anos.ghtml
Título'Passei por seis médicos até descobrir câncer aos 25 anos'
SubtítuloFernanda Pereira foi diagnosticada com linfoma de hodgkin, um câncer no sistema linfático que é mais comum em pessoas de 20 a 30 anos.
Ano2022
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaSaúde
PropósitoNoticiar

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Em junho de o ano passado , a estudante de farmácia Fernanda Pereira , em a época com 25 anos , notou um pequeno caroço em o seu pescoço . Acreditando que podia ser apenas um músculo tensionado , ela recorreu a uma massagem relaxante .

Em esse período , a jovem estava fazendo diversos exames de rotina , que não apontaram nenhuma alteração . A o reclamar de o caroço para a ginecologista , ela foi encaminhada para um clínico geral . Porém , em esse intervalo de tempo , percebeu que outros gânglios surgiram em a região .

" Parecia uma bola de golfe em a lateral de o pescoço " , relembra a a BBC News Brasil .

A partir de , foi uma saga , como ela mesmo define , até chegar a um diagnóstico e descobrir o que tinha e por que alguns sintomas pioravam .

Em um de os exames de sangue que fez , chegou a ter como resultado uma anemia de grau leve .

Depois de meses fazendo diversas análises e indo a consultas , Fernanda descobriu que sofria com um câncer em o sistema linfático .

Porém , até chegar a esse resultado , a estudante foi a seis especialistas e sofreu , segundo ela , com muita negligência de os médicos .

Como é uma doença que evolui rapidamente , ela conta que ali sentiu medo de morrer .

" Peguei o resultado de o exame e abri em o metrô e bateu aquele 'e agora ?' . Chorei muito e fiquei fazendo hora ali até me acalmar e ir para o trabalho . Desde o início de a doença , eu vesti um personagem e não queria passar fraqueza para as pessoas " , destaca . Fernanda teve que lidar sozinha com o câncer durante pouco mais de um ano , que não tem contato com seus pais e somente alguns amigos a ajudaram em esta fase .

' Caroços ' em o pescoço

Um de os principais sintomas de este tipo de câncer é o surgimento de gânglios ou linfonodos em alguns locais de o corpo .

Normalmente , os linfonodos mais comuns acometem o pescoço e passam despercebidos , pois são facilmente confundidos com inflamação em a garganta e até amigdalite .

Mas também podem aparecer debaixo de o braço , região inguinal e virilha . Quando surge um caroço aumentado e fora de o comum , deve se prestar atenção em a quantidade de dias em que ele permanece em a região ou se está aumentando de tamanho .

" Linfonodos que crescem e não voltam a o tamanho normal merecem atenção .

Se eles permanecerem por mais de 30 ou 40 dias , o ideal é procurar um hematologista ou médico de cabeça e pescoço " , explica Guilherme Perini , hematologista de o hospital Albert Einstein . Mesmo tendo um caroço perceptível em o pescoço , Fernanda conta que , a o procurar um hematologista , o médico sequer apalpou a região e chegou até a pedir exames repetidos .

" Eu tentava explicar o que estava acontecendo e ele me cortava toda hora .

Eu mostrei os remédios que estava tomando , meu cabelo estava caindo muito e seguia fraca . Ele disse que se eu não melhorasse com aquele novo medicamento , era para eu voltar de aqui um mês " , relembra . Depois de esse profissional , ela procurou outro hematologista para tentar entender o que estava passando .

Segundo ela , em essa consulta o novo médico , de fato , olhou todos os exames e pegou em os caroços que havia em a região .

Depois de isso , pediu ultrassom e raio x de o abdômen e tórax . " Ele falou que eu tinha que ser forte pois poderia ser um linfoma " , relembra .

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Cansaço e suor extremos

Além de os gânglios em o pescoço , a estudante também sentia um cansaço fora de o comum . Ela conta que até para tomar banho era difícil e precisava sentar em o vaso sanitário por alguns instantes até voltar para o chuveiro .

haviam se passado quase seis meses desde o início de os primeiros sintomas .

" Eu estava exausta e cansava a o tomar banho . Eu levantava , lavava o cabelo e em o meio de o banho , sentava de volta . Meu cabelo caía muito também " , diz .

Durante a noite , a jovem ainda tinha problemas para dormir e deixava a cama encharcada .

" Parecia que alguém tinha jogado um balde de água em mim " , conta .. Segundo Jayr Schmidt Filho , líder de o Centro de Referência de Neoplasias Hematológicas de o A.C.Camargo Cancer Center , a sudorese é classificada como " sintoma B " , que acompanha as demais manifestações de o problema .

" A pessoa também pode apresentar febre e um emagrecimento de 10 % de o peso atual " , destaca o especialista . Os quadros de prostração são muito comuns em vários tipos de cânceres e isso acontece devido a o estágio de a doença . E foi o que ocorreu com Fernanda , que a enfermidade estava avançada , mas ainda não havia tido a confirmação de o linfoma .

Ela relembra que os sintomas de a anemia pioraram e ela precisou de duas bolsas de transfusão de sangue para poder se recuperar .

Em o fim de novembro , ela finalmente recebeu o diagnóstico de linfoma de Hodgkin , um câncer em o sistema linfático que é mais comum em pessoas de 20 a 30 anos . " Esse tipo se origina em células de o sistema imunológico , que sofrem mutações e se transformam em células tumorais " , explica Schmidt Filho .

Por meio de o exame de imagem chamado Pet-Scan , ela pôde ver a gravidade de a condição .

" Eu fiz exames de imagem e o câncer estava por o meu corpo todo .

Meu baço estava cada vez mais inchado de tanto linfonodo .

Descobriram que estava em o estágio 4 e tinha infiltração em a bacia , em o baço e em a minha pélvis " , diz .

Início de o tratamento Mesmo tendo plano de saúde , Fernanda conseguiu fazer parte de o tratamento por o SUS ( Sistema Único de Saúde ) . " Conversei com os médicos e senti uma confiança em o especialista de o sistema público que não tinha sentido em o de o plano .

Me encaminharam para o hospital e iniciei o tratamento . "

Ela começou por sessões de quimioterapia , sendo necessário permanecer em o hospital de quatro a cinco horas .

Em essa etapa , ela fez dois ciclos completos de o tratamento , mas a o fazer um novo exame de imagem , os médicos disseram que não estavam satisfeitos com sua evolução . " Eles disseram que iriam fazer uma quimioterapia mais pesada com quatro infusões seguidas .

Fui quarta , quinta e sexta e em o fim de semana descansei . Em a quimioterapia mais forte , nenhum por o ficou , nem em a perna , axila , absolutamente nada .

Tudo começa a cair " , relembra . Em essa segunda etapa de o tratamento , ela conta que passou quase 12 horas recebendo remédio em a veia e não podia receber a visita de ninguém . Mesmo realizando esse cuidado mais intenso , ela acordou em o outro dia com muita dor em a gengiva e o incômodo aumentava . " Quando foi meia noite era uma dor alucinante e quando fui olhar em o espelho estava cheio de pontinhos roxos em a minha gengiva " , relembra .

Passado algumas horas , Fernanda relembra que o quadro piorou e ela apresentou um quadro de necropenia .

" Eu estava com muita dor e a minha vontade era bater a cabeça em a parede .

Me deram remédios , uns ' primos ' de a morfina e até o médico se assustou .

Ele disse que eu estava tendo uma necrose em a gengiva e que nunca tinha visto isso , mas foi um efeito de a quimioterapia " , diz .

Em o fim de dezembro , os médicos disseram que ela não estava respondendo bem a o tratamento e que o mais indicado seria a imunoterapia . Esse tipo de tratamento consiste em ativar o próprio sistema imunológico de o paciente . Porém , cada dose custa em torno de 40 mil reais e não é facilmente disponibilizada por o SUS .

" O linfoma tinha brotado de novo e comecei a me sentir fraca novamente .

Em um espaço de uma semana , tinha vários linfomas " , relembra Fernanda .

Por causa de isso , ela precisou dar entrada em seu plano de saúde e iniciou o novo tratamento .

A partir de a segunda infusão , ela não sentia mais nenhum caroço em o pescoço e , a os poucos , foi evoluindo e tendo um melhor prognóstico . Passado quase um ano e meio de o início de os primeiros sintomas , Fernanda conta que realizou um novo exame mês passado , a doença praticamente desapareceu e apenas um linfonodo debaixo de a axila .

Ela segue em tratamento com imunoterapia e está em a décima infusão serão 24 .

A estudante vai ter um ano de acompanhamento para consolidação de o tratamento e depois supervisão médica .

" Me sinto bem melhor .

Hoje eu malho , com si levantar 70 quilos e antes não conseguia nem lavar o cabelo . A imunoterapia é incrível " , diz , radiante .

Mesmo sendo jovem , ela conta que não imaginava que poderia ter um câncer . Conversando com os médicos para investigar o que pode ter originado a doença , ela diz que em o seu caso muitas hipóteses . Pessoas que têm o vírus Epstein-Barr transmitido diretamente por a saliva são mais suscetíveis a a doença e Fernanda descobriu que tinha esse vírus , mesmo sendo comum em diversas pessoas adultas .

Por causa de isso , ela faz um apelo para que os jovens não descuidem de os sinais dados por o corpo , façam exames periódicos e invistam em hábitos saudáveis . " A gente nunca pensa que vai ter câncer .

Isso nem passa por a nossa cabeça .

Eu nunca fui uma pessoa que se exercitou e malhou .

Reforço a importância de fazer um check up anual . É algo que precisa ser feito " , alerta . Por fim , ela ainda ressalta a importância de consultar mais médicos a o apresentar sintomas estranhos . " Não se satisfaça com uma opinião . Procure uma terceira opção , eu tive que procurar seis médicos até chegar em uma opção certa .

Demorei cinco meses para obter o meu diagnóstico .

" Qual a gravidade de o câncer em estágio 4 ? Embora estivesse em um estágio avançado , o câncer descoberto por Fernanda tinha grandes chances de remissão .

Isso porque , mesmo estando espalhado por o corpo todo , esse tipo de tumor tem um prognóstico positivo .

" É uma doença que é importante frisar que não importa o estadiamento de ela , vai ter boas chances de cura " , diz o especialista de o A.C.Camargo Cancer . O nível de o tumor vai determinar a linha terapêutica oferecida a o paciente .

Quando o câncer está em a fase precoce ( estadiamento 1 e 2 ) é indicado radioterapia . em os mais avançados ( estadiamento 3 e 4 ) recomenda se quimioterapia . Quando a doença persiste , mesmo que seja raro , os médicos indicam imunoterapia , assim como ocorreu com Fernanda , ou até mesmo transplante de medula óssea .

" O linfoma de Hodgkin é curável em a grande maioria de os casos , mais de 88 a 92 % em doença localizada . É considerada o maior sucesso de a oncologia moderna " , destaca Perini . Mesmo com o nível alto de cura , os especialistas ressaltam a importância de investigar sinais que fogem de a normalidade .

" Se tem algum sintoma persistente que procure assistência médica .

Se tiver com um gânglio aumentado que não passa um ou dois meses é bom investigar " , conclui o especialista de o hospital Albert Einstein . Este texto foi publicado originalmente em https://www.bbc.com/portuguese/brasil-63900458


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