Bloqueio
de
o
nervo
frênico
:
entenda
nova
cirurgia
realizada
por
Bolsonaro
O
ex-presidente
Jair
Bolsonaro
passou
por
um
novo
procedimento
cirúrgico
em
este
sábado
(
27
)
.
Segundo
a
ex-primeira-dama
,
Michelle
Bolsonaro
,
foi
realizado
o
bloqueio
de
o
nervo
frênico
.
O
bloqueio
de
o
nervo
frênico
é
um
procedimento
que
reduz
temporariamente
a
atividade
de
o
nervo
que
controla
o
diafragma
,
ajudando
a
interromper
soluços
persistentes
.
É
indicado
apenas
quando
os
soluços
não
respondem
a
tratamentos
comuns
e
causam
impacto
clínico
relevante
.
(
entenda
mais
sobre
o
procedimento
abaixo
)
Ainda
segundo
Michelle
,
o
procedimento
foi
concluído
pouco
antes
de
as
16h
.
De
acordo
com
os
médicos
que
acompanham
Bolsonaro
,
a
decisão
por
a
cirurgia
aconteceu
após
uma
forte
crise
de
soluços
de
o
ex-presidente
em
a
última
sexta-feira
(
26
)
.
"
Como
estávamos
com
programação
até
segunda-feira
,
hoje
chamamos
a
equipe
que
faz
o
procedimento
e
optamos
por
o
procedimento
.
Vamos
aguardar
resposta
.
Hoje
[
sábado
]
foi
feito
de
o
lado
direito
e
segunda-feira
faremos
de
o
lado
esquerdo
"
,
prosseguiu
.
Há
dois
nervos
que
controlam
o
diafragma
,
um
de
o
lado
direito
e
um
de
o
lado
esquerdo
.
A
equipe
médica
optou
por
bloquear
primeiro
de
um
lado
e
,
posteriormente
,
realizar
outra
intervenção
para
bloquear
de
o
outro
.
A
cirurgia
foi
realizada
dias
depois
de
a
retirada
de
a
hérnia
inguinal
bilateral
,
em
a
última
quinta-feira
(
25
)
.
O
procedimento
havia
sido
autorizado
por
o
ministro
Alexandre
de
Moraes
,
de
o
Supremo
Tribunal
Federal
,
depois
de
avaliação
médica
de
a
Polícia
Federal
,
que
apontou
a
necessidade
de
correção
cirúrgica
para
evitar
o
agravamento
de
o
quadro
.
O
que
o
bloqueio
de
o
nervo
frênico
?
O
bloqueio
de
o
nervo
frênico
é
uma
cirurgia
que
interrompe
temporariamente
os
sinais
de
o
nervo
que
controla
o
diafragma
,
ajudando
a
tratar
soluços
persistentes
.
Ele
é
feito
com
anestesia
local
,
por
meio
de
a
aplicação
de
um
medicamento
próximo
a
o
nervo
,
geralmente
guiada
por
ultrassom
.
É
indicado
apenas
quando
os
soluços
não
respondem
a
tratamentos
comuns
e
causam
impacto
clínico
relevante
,
como
é
o
caso
de
o
ex-presidente
.
Segundo
a
avaliação
médica
,
o
bloqueio
de
o
nervo
frênico
era
uma
medida
tecnicamente
adequada
considerando
o
quadro
de
Bolsonaro
.
De
acordo
com
Pedro
Bertevello
,
cirurgião
de
o
aparelho
digestivo
de
a
Beneficência
Portuguesa
,
não
há
relação
direta
entre
a
hérnia
inguinal
,
retirada
em
esta
semana
,
e
o
soluço
.
"
O
soluço
surge
quando
o
estômago
não
esvazia
bem
ou
quando
há
irritação
de
o
diafragma
"
,
explica
.
Em
o
caso
específico
de
o
ex-presidente
,
o
médico
afirma
que
o
quadro
pode
estar
associado
a
refluxo
gastroesofágico
e
a
a
presença
de
hérnia
de
hiato
–
uma
condição
diferente
,
em
que
parte
de
o
estômago
sobe
para
o
tórax
,
irritando
o
esôfago
e
estruturas
próximas
a
o
diafragma
.
Por
fim
,
o
cirurgião
ressalta
que
hérnia
inguinal
e
hérnia
de
hiato
não
têm
relação
entre
si
:
ambas
envolvem
deslocamento
de
tecidos
,
mas
ocorrem
em
regiões
distintas
de
o
corpo
e
têm
causas
e
consequências
diferentes
.
O
que
é
a
hérnia
inguinal
A
hérnia
inguinal
–
também
chamada
de
hérnia
em
a
virilha
–
ocorre
quando
tecidos
de
o
interior
de
o
abdômen
,
geralmente
uma
alça
de
o
intestino
,
escapam
por
um
ponto
enfraquecido
de
a
parede
abdominal
e
formam
um
abaulamento
em
a
região
.
Quando
esse
deslocamento
acontece
de
os
dois
lados
de
a
virilha
,
a
condição
recebe
o
nome
de
hérnia
inguinal
bilateral
.
Ela
pode
causar
inchaço
,
dor
ou
desconforto
,
sobretudo
a
o
fazer
esforço
,
tossir
ou
permanecer
muito
tempo
em
pé
,
embora
em
alguns
casos
seja
assintomática
.
De
acordo
com
os
peritos
que
analisaram
o
caso
,
não
há
indicação
,
em
os
relatórios
médicos
,
de
cirurgia
em
caráter
de
urgência
ou
emergência
.
“
O
que
,
exatamente
,
é
uma
hérnia
?
É
um
defeito
em
a
parede
abdominal
”
,
explica
Pedro
Bertevello
.
Segundo
ele
,
essa
fragilidade
pode
existir
desde
o
nascimento
,
em
pessoas
que
já
têm
uma
predisposição
anatômica
,
ou
surgir
a
o
longo
de
a
vida
,
especialmente
após
cirurgias
abdominais
—sobretudo
aquelas
feitas
em
caráter
de
urgência
.
Para
entender
o
processo
,
é
preciso
imaginar
a
parede
abdominal
como
uma
estrutura
em
camadas
.
Primeiro
vem
a
pele
,
depois
a
gordura
,
a
musculatura
e
,
logo
abaixo
,
uma
membrana
resistente
chamada
aponeurose
,
que
funciona
como
uma
espécie
de
“
armadura
”
para
conter
as
vísceras
.
Atrás
de
essa
estrutura
está
o
peritônio
,
uma
película
fina
e
lubrificada
que
reveste
o
interior
de
o
abdômen
e
permite
que
o
intestino
se
movimente
livremente
.
Esse
movimento
constante
é
essencial
para
a
digestão
e
ocorre
mesmo
em
ações
simples
de
o
cotidiano
,
como
caminhar
,
respirar
ou
mudar
de
posição
.
O
problema
começa
quando
essas
camadas
são
rompidas
,
seja
por
cirurgias
anteriores
,
seja
por
traumas
.
A
cicatrização
interna
pode
gerar
aderências
,
que
fazem
com
que
alças
de
o
intestino
se
“
colem
”
entre
si
ou
a
a
parede
abdominal
.
Com
o
tempo
,
isso
enfraquece
a
aponeurose
e
cria
brechas
por
onde
o
intestino
pode
se
projetar
.
Em
alguns
casos
,
a
alça
intestinal
entra
em
esse
espaço
e
não
consegue
retornar
a
a
cavidade
abdominal
—situação
chamada
de
encarceramento
.
Em
a
hérnia
inguinal
,
essa
projeção
ocorre
em
a
região
de
a
virilha
e
pode
,
em
situações
mais
avançadas
,
descer
em
direção
a
o
escroto
.
Cirurgias
prévias
pesam
em
o
quadro
Quando
o
abdômen
já
foi
muito
manipulado
cirurgicamente
,
as
aderências
e
as
fibroses
internas
tornam
a
região
mais
rígida
e
irregular
.
Isso
dificulta
tanto
a
circulação
normal
de
o
intestino
quanto
sua
acomodação
dentro
de
a
cavidade
abdominal
,
aumentando
o
risco
de
surgimento
de
hérnias
a
o
longo
de
o
tempo
.
Esse
histórico
também
pode
interferir
em
o
funcionamento
de
o
sistema
digestivo
como
um
todo
.