Representação em texto

Viagem de Natal: como evitar a 'trombose do viajante' em trajetos longos

IDTEJ_0931
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/saude/noticia/2025/12/25/viagem-de-natal-como-evitar-a-trombose-do-viajante-em-trajetos-longos.ghtml
TítuloViagem de Natal: como evitar a 'trombose do viajante' em trajetos longos
SubtítuloPassar muitas horas sentado em aviões, ônibus ou carros aumenta o risco de formação de coágulos, especialmente em viagens acima de quatro horas. Especialistas explicam quem corre mais risco, quais sinais exigem atenção e o que fazer para se prevenir antes, durante e depois do deslocamento.
Ano2025
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaSaúde
PropósitoNoticiar

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As férias de fim de ano costumam vir acompanhadas de viagens longas , aeroportos cheios e horas seguidas sentado em aviões , ônibus ou carros .

E é justamente em esse tipo de trajeto que especialistas alertam para a chamada

trombose de o viajante , um problema associado a a formação de coágulos em o sangue após horas de imobilidade , especialmente em deslocamentos acima de quatro horas .

Embora o risco absoluto seja baixo para pessoas saudáveis , médicos explicam que a combinação de tempo prolongado sentado , pouca movimentação de as pernas , desidratação e fatores individuais pode favorecer a trombose venosa , principalmente em os membros inferiores .

Por isso , a atenção precisa começar ainda antes de o embarque , e continuar mesmo depois de a chegada ( entenda mais abaixo ) .

A trombose acontece quando um coágulo se forma dentro de uma veia e dificulta ou bloqueia a circulação de o sangue .

Em viagens , o problema está diretamente ligado a a redução de o fluxo sanguíneo em as pernas .

O cirurgião vascular de o Einstein Hospital Israelita , Henrique Lamego Junior , explica que , a o permanecer muito tempo sentado , o corpo deixa de usar mecanismos importantes que ajudam o sangue a retornar a o coração .

Se eu estou paradinho , eu deixo de ter essas duas outras colaborações para retorno a o sangue , eu aumento a estase sanguínea , que é a diminuição de fluxo , afirma .

Em a prática , essa lentidão favorece a dilatação de as veias e cria um ambiente propício para a formação de o chamado trombo , a solidificação de os constituintes normais de o sangue , que resulta em o coágulo ( veja a IMAGEM abaixo ) .

O risco passa a ser considerado relevante a partir de viagens com cerca de quatro horas de duração , especialmente em voos ( como os internacionais ) .

Mas além de a imobilidade , fatores como poltronas apertadas , compressão de a região atrás de o joelho , flexão prolongada de o quadril e de o joelho e até a leve redução de a oxigenação de o sangue em voos comerciais contribuem para o problema .

Segundo Lamego , a partir de quatro horas aumenta o risco para se ter uma trombose venosa profunda em voos .

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Quem corre mais risco e por quê ?

Pessoas que tiveram trombose anteriormente , fumantes , pessoas com obesidade , sedentárias , pacientes com câncer ativo , mulheres que usam anticoncepcional oral e homens em uso de testosterona estão entre os grupos que exigem atenção redobrada .

Mas a idade também pesa : o risco cresce com o passar de os anos , especialmente acima de os 45 ou 60 anos .

O angiologista Caio Cesar Martins Focassio destaca que a imobilidade prolongada costuma vir acompanhada de outro agravante comum em viagens : a desidratação . Beber água ajuda a manter o sangue menos viscoso e melhora a circulação .

Em viagens , especialmente de avião , as pessoas tendem a beber menos líquidos , o que aumenta o risco , explica .

Fora isso , o consumo de álcool e cafeína , frequente em deslocamentos longos , também pode contribuir para a perda de líquidos .

Aliado a isso , um de os principais temores associados a a trombose também é a possibilidade de evolução para embolia pulmonar , quando parte de o coágulo se desprende e migra para os pulmões .

Por isso , a trombose venosa profunda e a embolia pulmonar são vistas como manifestações de um mesmo problema , o tromboembolismo venoso ( TEV ) . De acordo com Focassio , muitas tromboses podem evoluir com algum grau de embolia , inclusive de forma silenciosa .

Felizmente , muitas vezes esse processo pode ser assintomático , afirma .

Como se prevenir ( antes , durante e depois de a viagem ) ? A boa notícia é que medidas simples ajudam a reduzir o risco .

A principal de elas é se movimentar .

Mesmo sentado , é possível ativar a circulação com exercícios básicos , como movimentar os pés para frente e para trás , fazer rotações com os tornozelos e alternar a elevação de os calcanhares e de as pontas de os pés .

Sempre que possível , levantar e caminhar alguns minutos a o longo de a viagem também faz diferença . As meias de compressão elástica são outro aliado importante .

Elas ajudam a reduzir a estase venosa e melhoram o retorno de o sangue a o coração .

O cirurgião vascular André Estenssoro explica que a compressão graduada evita que o sangue fique acumulado em as pernas durante longos períodos sentado .

Meias de compressão são excelentes aliadas em a prevenção de tromboses venosas , diz .

A indicação e o tipo ideal variam conforme o perfil de o viajante , mas , em geral , podem ser consideradas em viagens a partir de três a quatro horas . Mas atenção : após o desembarque , o cuidado deve continuar .

Os especialistas alertam que os sintomas podem surgir dias ou até semanas depois de a viagem , sendo mais comuns em as primeiras duas semanas .

Inchaço persistente , principalmente quando uma perna fica mais inchada que a outra , dor localizada , endurecimento de a panturrilha e alterações em a cor de a pele são sinais de alerta .

Para Lamego , a assimetria é um ponto-chave :

Se o edema ou esse aumento de volume é assimétrico , um membro muito mais que o outro , com certeza tem que procurar um atendimento .

Além de os sintomas em as pernas , sinais como falta de ar súbita , dor em o peito , tosse com sangue ou desmaio exigem atendimento médico imediato , pois podem indicar embolia pulmonar .

Isso porque embora a trombose de o viajante seja considerada um risco baixo em a população geral , o diagnóstico precoce faz toda a diferença para evitar complicações graves .

Em períodos de festas e férias , a recomendação de os médicos é clara : planejar a viagem inclui também cuidar de a saúde . Manter se hidratado , movimentar o corpo a o longo de o trajeto e ficar atento a os sinais de o organismo são medidas simples que ajudam a transformar a viagem de Natal em um deslocamento mais seguro , de o embarque a a chegada a o destino .

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