Representação em texto

Essequibo: após Maduro mobilizar tropas, Brasil pede 'contenção' e 'diálogo' aos países da região

IDTEJ_0785
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/politica/noticia/2023/12/29/essequibo-apos-maduro-mobilizar-tropas-brasil-pede-contencao-e-dialogo-aos-paises-da-regiao.ghtml
TítuloEssequibo: após Maduro mobilizar tropas, Brasil pede 'contenção' e 'diálogo' aos países da região
SubtítuloNa quinta, presidente da Venezuela anunciou envio de tropas à fronteira com a Guiana após Reino Unido enviar navio à costa. Países disputam região da Guiana com potencial para exploração de petróleo.
Ano2023
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaPolítica
PropósitoNoticiar

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O Ministério de as Relações Exteriores de o Brasil voltou a pedir em nota em esta sexta-feira ( 29 ) que os países de o continente adotem a " contenção " e o " diálogo " em a disputa entre Venezuela e Guiana por a região de o Essequibo hoje sob domínio guianense , e cobiçada em razão de suas reservas de petróleo .

Em a quinta ( 28 ) , o presidente venezuelano , Nicolás Maduro , anunciou que enviaria tropas a a fronteira de a Guiana em resposta a o anúncio de o Reino Unido de que enviará um navio militar a a mesma região .

Em nota , a presidência venezuelana chamou o movimento britânico de provocação .

" O governo brasileiro acredita que demonstrações militares de apoio a qualquer de as partes devem ser evitadas , a fim de que o processo de diálogo ora em curso possa produzir resultados , e está convencido de que instituições regionais como a CELAC e a CARICOM são os fóruns apropriados para o tratamento de o tema " , afirma a nota divulgada por o Itamaraty .

Em o texto , o Brasil também pede que os países respeitem o " espírito e a a letra de a Declaração de Argyle " em referência a o acordo celebrado duas semanas que proíbe o uso de a força em a região .

Reforço militar em a área

Em a mesma transmissão em que Maduro anunciou o reforço militar em a fronteira Venezuela-Guiana , um militar afirmou que 5.600 homens estão prontos para a operação . " O chefe de Estado , Nicolás Maduro , ordena a ativação imediata de a Ação Conjunta ' General Domingo Antonio Sifontes ' ( como Maduro chamou a operação ) , que envolve as Forças Armadas Bolivarianas , sobre o Caribe oriental e a Fachada Atlântica ( que correspondem a as costas norte e nordeste de a Venezuela , a o lado de a fronteira com a Guiana ) , como resposta a a provocação de o Reino Unido contra a Venezuela " , diz o comunicado .

O Ministério de a Defesa britânico anunciou em a semana passada que enviará o navio de patrulha de a Marinha Real HMS Trent para proteger a Guiana , que faz parte de a Commonwealth - a comunidade de nações ex-colônias britânicas .

A embarcação , segundo Londres , estava em o Caribe para atuar em o combate a o tráfico de drogas , mas será desviada para a costa guianesa .

Os Estados Unidos , que têm parceria militar com a Guiana desde o ano passado , com foco em a crise de Essequibo , anunciaram sobrevoos militares a a região , o que Maduro também chamou de provocação .

Os EUA estudam ainda a criação de uma base militar em Essequibo . Em novembro , a Venezuela realizou um referendo sobre a anexação de Essequibo , região maior que a Inglaterra e o estado de o Ceará que corresponde a a 70 % de o território guianês mas que a Venezuela alega ser sua historicamente .

A consulta pública , a a qual apenas metade de os eleitores compareceu , aprovou a anexação , e , em a sequência , Maduro apresentou novos mapas oficiais com a região contemplada como de seu país .

O navio de guerra que Reino Unido está enviando para Guiana

Diálogo

Comitivas de Guiana e Venezuela se encontram em aeroporto de São Vicente e Granadinas

A mobilização de as tropas venezuelanas rompe com o caminho de o diálogo que ambos os países traçavam desde que Maduro se reuniu com o o presidente de a Guiana , Irfaan Ali , para debater o impasse .

O encontro , que aconteceu em São Vicente e Granadinas , país de o Caribe , teve participação de o assessor especial de a Presidência de o Brasil , Celso Amorim . Após a reunião , o governo de a Venezuela disse que os dois países se mostraram dispostos a " continuar com o diálogo " sobre o território .

A Venezuela disse ainda que apresentou uma " posição inalterável " durante o encontro , que aconteceu em uma sala reservada de o aeroporto de São Vicente e Granadinas , em a capital Kingstown . A reunião foi o primeiro diálogo direto em a disputa por o território de Essequibo após pouco mais de uma semana de escalada em o embate , que envolveu referendo , uma ameaça de invasão e a iminência de um conflito armado em a fronteira com o Brasil .

Amorim e o primeiro-ministro de São Vicente e Granadinas atuaram apenas como observadores --ou seja , não puderam ter qualquer interferência em as decisões .

Apesar de uma invasão ser apontada como pouco provável por especialistas , Maduro subiu o tom em os dias posteriores a a consulta pública : lançou um novo mapa oficial de o país contemplando a região de Essequibo e , diante de uma multidão em Caracas , assinou decretos criando oficialmente o estado de Essequibo .

Disputa

A Venezuela afirma ser a verdadeira proprietária de Essequibo , um trecho de 160 quilômetros quadrados que corresponde a cerca de 70 % de toda a Guiana e atravessa seis de os dez estados de o país .

A realização de o referendo reascendeu a disputa , de décadas , e o temor de um conflito armado em a fronteira com o Brasil . LEIA MAIS :

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A origem de o problema O território de Essequibo é disputado por a Venezuela e Guiana mais de um século . Desde o fim de o século 19 , está sob controle de a Guiana .

A região representa 70 % de o atual território de a Guiana e moram 125 mil pessoas . Em a Venezuela , a área é chamada de Guiana Essequiba . É um local de mata densa e , em 2015 , foi descoberto petróleo em a região . Estima se que em a Guiana existam reservas de 11 bilhões de barris , sendo que a parte mais significativa é " offshore " , ou seja , em o mar , perto de Essequibo .

Por causa de o petróleo , a Guiana é o país sul-americano que mais cresce em os últimos anos . A Guiana afirma que é a proprietária de o território porque existe um laudo de 1899 , feito em Paris , em o qual foram estabelecidas as fronteiras atuais .

Em a época , a Guiana era um território de o Reino Unido .

Tanto a Guiana quanto a Venezuela afirmam ter direito sobre o território com base em documentos internacionais .

a Venezuela afirma que o território é de ela porque assim consta em um acordo firmado em 1966 com o próprio Reino Unido , antes de a independência de Guiana , em o qual o laudo arbitral foi anulado e se estabeleceram bases para uma solução negociada .

Guiana pediu ajuda a a ONU e a a Corte Internacional de Justiça

Entenda melhor o conflito entre Venezuela e Guiana

A Corte Internacional de Justiça decidiu em de dezembro que a Venezuela não pode tentar anexar Essequibo e que isso valia para o referendo .

A Guiana havia pedido para que a corte tomasse uma medida de emergência para interromper a votação em a Venezuela . Em abril , a Corte Internacional de Justiça afirmou que tem legitimidade para tomar as decisões sobre a disputa .

Esse órgão é a corte mais alta de a Organização de as Nações Unidas ( ONU ) para resolver disputadas entre Estados , mas não tem como fazer suas determinações serem cumpridas .

A decisão final sobre quem é o dono de Essequibo ainda pode demorar anos . O governo venezuelano disse que a decisão é uma interferência em uma questão interna e fere a Constituição e levou adiante o referendo .

Segundo Caracas , 96 % de os votantes escolheram por a anexação de Essequibo - a consulta pública teve comparecimento de cerca de metade de os eleitores de a Venezuela . Por conta de a escalada de a disputa em os últimos dias , o Conselho de Segurança realizou em a sexta-feira (8 ) uma reunião extraordinária para debater a questão .


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