Representação em texto

Sem mais subsídios contra pandemia, brasileiros se aproximam de abismo em 2021

IDTEJ_0597
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/economia/noticia/2020/12/30/sem-mais-subsidios-contra-pandemia-brasileiros-se-aproximam-de-abismo-em-2021.ghtml
TítuloSem mais subsídios contra pandemia, brasileiros se aproximam de abismo em 2021
SubtítuloCom o fim do Auxílio Emergencial, a taxa de pobreza voltará a níveis ligeiramente mais elevados do que antes da pandemia, e a de pobreza extrema poderá dobrar.
Ano2020
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEconomia
PropósitoNoticiar

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O maior desejo de Valquíria Ferreira para 2021 é que o governo de Jair Bolsonaro prorrogue o Auxílio Emergencial com a qual 68 milhões de brasileiros pobres como ela conseguiram enfrentar a pandemia desde abril . Mas o país está fiscalmente asfixiado e será difícil atender seu apelo .

" Sem aquele dinheiro , eu teria passado fome . Se o governo não estender a ajuda , não sei o que vou fazer . 2021 vai ser muito difícil " , disse a a AFP

Valquíria , separada , 35 anos , que mora com seus três filhos em Santa Luzia , uma favela de Brasília .

Pagamentos de o Auxílio Emergencial chegam a o fim ;

Renda Cidadã ou novo auxílio seguem incertos Caixa Econômica Federal deposita última parcela de o auxílio emergencial

Sua preocupação tem fundamento .

Em a terça-feira ( 29 ) , ela recebeu o último pagamento de o benefício , um de os mais generosos programas de estímulo econômico de o mundo devido a a pandemia , que beneficiou um terço de os 212 milhões de brasileiros com aportes iniciais de 600 reais , reduzido a a metade em setembro . Valquíria ficará , então , sem renda a partir de janeiro , ainda longe de a reativação econômica ( o governo projeta uma queda de 4,5 % de o PIB em 2020 ) , com o desemprego em níveis recordes e inflação em alta , estimulada , em parte , por os bilhões de reais que aumentaram o consumo de os mais desfavorecidos .

Com mais de 192 mil mortes por a pandemia ( número superado apenas por os Estados Unidos ) , o Brasil também vive uma forte recuperação de os casos e mortes e ficou para trás em a corrida global por a vacina . Segundo dados enviados por a Fundação Getúlio Vargas ( FGV/IBRE ) a a AFP , a ajuda emergencial tirou de a pobreza 12,8 milhões de brasileiros ( pessoas que vivem com menos de 5,5 dólares por dia ) , e 8,8 milhões , de a extrema pobreza ( com menos de 1,90 dólar por dia ) .

Com o fim de a ajuda , a taxa de pobreza voltará a níveis ligeiramente mais elevados de o que antes de a pandemia , e a de pobreza extrema poderá dobrar .

Apenas 19,5 milhões de brasileiros continuarão recebendo recursos de o Bolsa Família , de valor bem menor .

" Vamos em os colocar a a beira de um abismo social " , alerta o diretor de o Centro de Políticas Sociais de a FGV , Marcelo Neri .

Entre os mercados e os pobres Bolsonaro , que viu sua popularidade disparar graças a a ajuda emergencial , alega que esses subsídios devem ser cortados , " porque o Brasil não pode mais suportar " a pressão de o déficit e de a dívida .

Essa ajuda custou a os cofres de o Estado cerca de 230,98 bilhões de reais e , somada a outras medidas de estímulo , representou um esforço de quase 10 % de o Produto Interno Bruto ( PIB ) .

Paralelamente , a relação dívida/PIB saltou de 75,8 % em dezembro de 2019 para 88,1 % em o mês passado e pode chegar a 96 % , quando as contas de 2020 forem fechadas , segundo projeções oficiais . " O Brasil está entre a cruz e a espada , porque os mercados estão pressionando de o lado fiscal e tem uma situação de pobreza crescente " , explica Neri .

Para o economista de a Austin Rating Alex Agostini , " se fosse apenas por as despesas de este ano com a pandemia , o governo provavelmente teria forças para continuar por algum tempo com a ajuda emergencial , até que a economia se recupere .

O problema é que o Brasil acumula saldo fiscal negativo desde 2014 , e este ano acabou explodindo tudo " .

o economista independente Felipe Queiroz acredita que a eliminação de a ajuda terá um impacto muito mais prejudicial de o que a dívida .


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