Em
um
de
os
anos
mais
turbulentos
de
a
história
de
o
mercado
financeiro
,
a
bolsa
de
valores
brasileira
,
a
B3
,
terminou
o
ano
em
alta
de
3
%
em
2020
.
A
pontuação
em
o
último
pregão
de
o
ano
foi
de
119.017
.
A
pandemia
de
o
novo
coronavírus
moldou
o
curso
de
a
bolsa
a
o
longo
de
o
ano
a
o
provocar
uma
queda
vertiginosa
de
o
índice
Ibovespa
.
Em
apenas
26
dias
,
a
bolsa
registrou
seis
circuit
breakers
(
paralisação
de
os
negócios
por
quedas
bruscas
de
as
ações
)
,
e
chegou
a
ter
45
%
de
perda
em
o
acumulado
de
o
ano
em
seu
pior
momento
de
2020
.
A
recuperação
aconteceu
a
os
poucos
,
zerando
as
perdas
em
o
dia
15
de
dezembro
.
Foram
267
dias
desde
o
fim
de
as
quedas
até
a
retomada
de
a
pontuação
positiva
.
O
desenho
final
de
o
gráfico
lembra
o
“
swoosh
”
,
símbolo
de
a
marca
Nike
.
Para
analistas
consultados
por
o
G1
,
a
história
de
a
bolsa
em
2020
deve
ser
contada
em
três
momentos
:
a
euforia
inicial
,
a
queda
e
a
retomada
.
O
sonho
de
os
120
mil
pontos
RELEMBRE
:
Bovespa
volta
a
bater
recorde
em
o
primeiro
pregão
de
2020
O
otimismo
era
o
sentimento
preponderante
entre
os
analistas
em
o
início
de
o
ano
.
Em
novembro
de
2019
,
havia
sido
promulgada
a
reforma
de
a
Previdência
.
Em
a
visão
de
o
mercado
,
era
o
primeiro
e
mais
difícil
passo
de
uma
série
de
reformas
estruturantes
que
colocariam
a
economia
brasileira
em
patamar
mais
competitivo
,
caso
de
a
Tributária
e
de
a
Administrativa
.
Apesar
de
um
crescimento
modesto
em
aquele
ano
—
o
PIB
teve
alta
de
1,4
%
em
2019
—
,
trazia
algum
alívio
o
fato
de
a
inflação
ter
se
mantido
sob
controle
.
A
taxa
básica
de
juros
,
a
Selic
,
também
em
níveis
baixíssimos
,
empurrava
investidores
para
ativos
de
mais
risco
.
A
bolsa
fechou
o
ano
de
2019
com
alta
de
31,58
%
,
maior
variação
anual
desde
2016
.
O
primeiro
pregão
de
2020
renovou
o
recorde
de
pontuação
de
a
época
,
a
118.573
pontos
.
O
clima
geral
era
de
expectativa
de
que
o
Ibovespa
batesse
recorde
atrás
de
recorde
.
Falava
se
que
o
índice
caminhava
rumo
a
os
120
mil
pontos
,
marca
inédita
em
a
bolsa
.
Mas
,
logo
em
fevereiro
,
as
perspectivas
começaram
a
mudar
.
“
As
famílias
e
empresas
passaram
por
um
processo
de
redução
de
o
endividamento
depois
de
a
crise
de
2015
e
2016
.
Em
2019
,
fechamos
o
ano
com
uma
melhora
de
a
demanda
doméstica
,
mas
a
pandemia
foi
uma
parada
brusca
de
esse
processo
”
,
afirma
Pedro
Sales
,
gestor
de
a
estratégia
de
ações
Brasil
de
a
Verde
Asset
.
Paralisia
e
queda
RELEMBRE
:
Ibovespa
cai
10,26
%
,
e
‘
circuit
breaker
’
é
acionado
por
a
sexta
vez
em
2020
A
queda
livre
que
se
seguiu
a
o
primeiro
impacto
de
a
pandemia
foi
resultado
não
só
de
uma
retração
de
a
demanda
,
mas
de
um
duplo
choque
.
O
isolamento
social
,
necessário
para
conter
a
dissipação
de
o
coronavírus
,
afetou
também
a
oferta
,
pois
linhas
de
produção
foram
obrigadas
a
parar
os
trabalhos
.
A
situação
caótica
iniciou
uma
corrida
para
ativos
seguros
.
A
aversão
a
risco
foi
intensa
como
nunca
porque
não
havia
visibilidade
de
os
efeitos
de
o
coronavírus
em
a
economia
global
.
Os
seis
circuit
breakers
de
o
ano
aconteceram
em
um
intervalo
de
apenas
oito
pregões
.
Se
pouco
antes
se
sonhava
com
os
120
mil
pontos
,
o
Ibovespa
bateu
63.569
pontos
em
o
fechamento
de
23
de
março
.
“
Foi
um
tsunami
.
Em
o
começo
,
não
se
tinha
conhecimento
de
a
doença
,
de
o
quanto
poderia
atingir
as
economias
.
Só
quando
chegou
a
a
Europa
que
se
viu
a
realidade
”
,
diz
Roberto
Indech
,
estrategista-chefe
de
a
Clear
Corretora
.
Dois
fatores
,
então
,
começaram
a
reverter
a
curva
que
caía
:
houve
alguma
clareza
de
os
limites
de
o
impacto
de
a
pandemia
em
o
ambiente
econômico
—
em
especial
com
a
retomada
de
demanda
de
a
China
,
que
retomava
lentamente
as
atividades
—
e
o
grande
desconto
em
o
preço
de
os
ativos
.
Conforme
ficou
claro
que
a
pandemia
poderia
ser
amenizada
,
analistas
passaram
a
entender
que
os
fundamentos
de
longo
prazo
de
determinados
setores
poderiam
se
manter
mesmo
com
a
pandemia
.
Como
os
preços
haviam
sido
arrastados
para
baixo
,
era
a
hora
de
voltar
a
comprar
.
A
retomada
A
dinâmica
de
a
crise
de
o
coronavírus
mudou
o
padrão
de
consumo
de
a
população
.
Com
a
população
circulando
menos
,
foram
beneficiadas
empresas
que
produzem
bens
essenciais
ou
que
estavam
bem
posicionadas
em
operações
digitais
.
Como
mostrou
o
G1
,
a
retomada
de
a
economia
como
um
todo
foi
desigual
.
A
indústria
e
comércio
conseguiram
repor
as
perdas
,
mas
o
setor
de
serviços
,
que
tem
maior
peso
em
o
PIB
e
é
o
maior
gerador
de
empregos
,
teve
uma
retomada
arrastada
.
Empresas
de
tecnologia
foram
os
grandes
destaques
em
as
bolsas
estrangeiras
.
Sem
grandes
players
em
este
perfil
,
a
bolsa
brasileira
voltou
a
subir
a
o
ser
beneficiada
por
varejistas
e
empresas
exportadoras
.
Companhia
Siderúrgica
Nacional
,
Weg
e
Magazine
Luiza
subiram
mais
de
100
%
mesmo
em
um
ano
de
pandemia
.
A
o
fim
de
2020
,
32
empresas
de
o
Ibovespa
tiveram
ganhos
.
RELEMBRE
:
Bolsa
de
São
Paulo
zera
as
perdas
de
2020
Foram
mal
,
em
geral
,
as
companhias
aéreas
,
empresas
de
turismo
e
de
shoppings
centers
—
todas
dependentes
de
uma
normalização
de
a
circulação
de
clientes
que
até
hoje
não
veio
.
Outro
ponto
importante
foi
o
retorno
de
o
capital
estrangeiro
para
a
bolsa
brasileira
.
Para
os
investidores
,
as
eleições
americanas
trouxeram
resultados
tranquilos
para
o
mercado
,
o
que
dá
alguma
liberdade
para
voltar
a
os
ativos
de
risco
de
mercados
emergentes
.
São
dois
pontos
que
agradaram
Wall
Street
.
O
democrata
Joe
Biden
saiu
vencedor
com
boa
margem
sobre
o
republicano
Donald
Trump
,
o
que
enfraqueceu
a
possibilidade
de
virada
de
jogo
em
a
Justiça
.
Em
o
Congresso
,
o
equilíbrio
entre
os
partidos
diminui
a
chance
de
mudanças
bruscas
em
as
regras
empresariais
,
o
que
significa
mais
previsibilidade
.
Com
os
recursos
de
volta
,
o
Ibovespa
teve
alta
de
15,9
%
em
novembro
,
melhor
resultado
para
o
mês
desde
1999
,
quando
a
valorização
foi
de
17,7
%
.
Foi
também
o
maior
impulso
mensal
desde
março
de
2016
,
quando
a
bolsa
subiu
16,9
%
.
Dezembro
também
teve
bons
resultados
.
O
mês
fechou
em
alta
de
9,61
%
.
Futuro
de
a
bolsa
A
recuperação
veloz
de
a
bolsa
e
a
nova
disposição
de
investidores
a
olhar
para
o
Brasil
são
motivo
de
ânimo
para
os
analistas
consultados
por
o
G1
,
mas
nada
supera
a
perspectiva
de
vacinação
em
massa
que
pode
encerrar
a
pandemia
de
o
novo
coronavírus
.
A
normalização
de
o
ambiente
econômico
com
a
imunização
,
além
de
dar
fôlego
a
as
empresas
,
deve
amenizar
o
desemprego
,
reaquecer
investimentos
e
dar
algum
sossego
para
o
planejamento
de
o
futuro
.
Os
olhos
se
voltam
,
então
,
para
os
problemas
antigos
.
O
déficit
público
e
o
endividamento
em
relação
a
o
PIB
,
que
já
eram
questões
preocupantes
,
saem
de
a
crise
de
o
coronavírus
em
situação
bem
mais
frágil
.
O
déficit
previsto
para
o
ano
que
vem
é
de
R$
247,1
bilhões
.
A
dívida
começa
o
ano
acima
de
os
90
%
de
o
PIB
.
A
projeção
de
desemprego
em
as
principais
consultorias
econômicas
segue
acima
de
dois
dígitos
a
o
longo
de
todo
o
ano
.
A
inflação
,
que
fecha
2020
acima
de
os
4
%
,
voltou
a
ser
discutida
se
será
um
problema
em
2021
.
"
Não
considero
que
o
Brasil
esteja
a
a
beira
de
o
colapso
,
mas
as
reformas
estruturantes
que
não
estávamos
enxergando
acontecer
em
o
início
de
2020
continuam
sem
acontecer
"
,
afirma
Fernando
Fanchin
,
gestor
de
portfólio
de
a
MOS
Capital
.
"
Não
estamos
vendo
grandes
razões
para
ficar
otimista
com
retomada
de
crescimento
e
novo
ciclo
de
expansão
em
o
país
"
,
prossegue
.
VÍDEO
:
Economia
caminha
para
crescimento
tímido
em
2021
Ainda
que
o
crescimento
econômico
em
2021
se
confirme
,
de
fato
,
como
tímido
,
os
analistas
concordam
que
a
bolsa
continua
sendo
opção
de
investimento
para
quem
busca
maior
rendimento
.
Por
mais
que
a
previsão
seja
de
um
aumento
sensível
de
os
juros
a
o
longo
de
o
ano
que
vem
,
a
chamada
taxa
livre
de
risco
,
o
CDI
,
deve
continuar
bastante
reduzida
para
o
padrão
de
os
últimos
anos
.
A
renda
fixa
,
portanto
,
continua
com
ganhos
reais
reduzidos
—
ou
mesmo
negativos
a
depender
de
a
inflação
.
Em
cenários
de
juros
baixos
e
busca
por
rentabilidade
,
o
número
de
investidores
pessoas
físicas
em
a
bolsa
explodiu
.
A
o
fim
de
2019
,
eram
1,68
milhão
de
CPFs
ativos
,
segundo
a
B3
.
Até
novembro
de
2020
,
o
número
havia
pulado
para
3,17
milhões
.
"
Uma
de
as
questões
mais
positivas
que
aconteceram
durante
a
crise
foi
a
resiliência
de
o
investidor
pessoa
física
a
o
não
resgatar
seus
investimentos
em
o
pior
momento
"
,
diz
Pedro
Sales
,
gestor
de
a
Verde
Asset
.
"
É
verdade
que
a
recuperação
foi
rápida
,
mas
também
tem
relação
com
maior
conhecimento
sobre
o
ambiente
de
bolsa
de
valores
.
E
isso
é
muito
importante
"
,
afirma
o
analista
.
Por
o
lado
de
as
empresas
,
essa
entrada
de
investidores
(
e
sua
permanência
)
é
positiva
para
que
fiquem
mais
seguras
a
captar
dinheiro
por
meio
de
o
mercado
de
capitais
.
Em
este
ano
,
foram
28
ofertas
públicas
de
ações
(
IPOs
)
em
a
B3
,
maior
número
desde
2007
.
O
maior
de
eles
foi
de
a
Rede
D'Or
,
que
captou
R$
11,4
bilhões
para
a
empresa
.
Ainda
que
a
evolução
de
títulos
de
dívida
e
de
IPOs
tenham
sido
significativos
em
os
últimos
dois
anos
,
ainda
há
muito
espaço
para
atingir
níveis
de
países
mais
desenvolvidos
.