Representação em texto

Por que os espumantes são a bebida favorita das festas de fim de ano?

IDTEJ_0430
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/economia/negocios/noticia/2023/12/28/por-que-os-espumantes-sao-a-bebida-favorita-das-festas-de-fim-de-ano.ghtml
TítuloPor que os espumantes são a bebida favorita das festas de fim de ano?
SubtítuloAs histórias por trás da bebida e sua própria composição, que é mais adaptável a qualquer paladar e ocasião, são parte da razão do sucesso. Mercado de espumantes no Brasil tem crescido significativamente nos últimos anos.
Ano2023
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEconomia
PropósitoNoticiar

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Por que o espumante se tornou a bebida de a festa de ano novo

Roupas brancas , uma bela ceia , contagem regressiva e o estouro de a rolha de uma garrafa de espumante . Nem precisaria descrever mais para saber que se trata de o ritual de réveillon .

O hábito de brindar por o ano que está chegando com os vinhos espumantes é tão popular que a época entre setembro e dezembro se consolidou como a mais importante para as empresas que vendem esse tipo de bebida .

Produtores ouvidos por o g1 relatam que o faturamento com as bebidas para os festejos de Natal e réveillon variam de 40 % a 70 % de o total faturado em o ano todo com o produto .

Mas por que a tradição de o espumante persiste em a celebração de ano novo , mesmo em um país dominado por o consumo de cerveja , ou que tem a cachaça como símbolo ?

Especialistas apontam dois principais motivos :

o fator histórico de o espumante como bebida de as celebrações de a nobreza europeia ; a própria composição de a bebida , que é mais adaptável a qualquer paladar .

Entenda mais detalhes a seguir .

Por que o mercado aposta em espumantes e brancos para reverter consumo em queda VÍDEO :

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A história por trás de os espumantes

O sommelier e pesquisador em vinhos Marcelo Vargas conta que várias histórias por trás de a criação e de a associação de o espumante a os momentos de festividades , mas que nenhuma de elas é "100 % comprovada " . A mais clássica diz que Napoleão Bonaparte , importante líder militar francês de o século XVIII , era um apaixonado por champagne , espumantes de a região francesa de mesmo nome e que são as maiores referências em o estilo .

A ele é atribuída a ideia de que , em momentos de vitória , a bebida é " merecida " , e em as derrotas , " necessária " .

Antes , contudo , o espumante não era visto com bons olhos por os franceses . Os vinhos com borbulhas que têm sua origem atribuída a a região de Champagne , perto de Paris eram entendidos como uma falha de o processo .

A história conta que , em períodos de inverno , a fermentação de os vinhos era interrompida por conta de as baixas temperaturas e as bebidas , então , eram engarrafadas . Porém , com a chegada de a primavera , a fermentação de o vinho se reiniciava e ocorria a liberação de gás carbônico dentro de as garrafas , formando as bolhas .

Antes , as garrafas sequer eram preparadas para essa segunda fermentação e estouravam , gerando prejuízos .

Uma de as lendas sobre o desenvolvimento de os espumantes diz que um monge francês , Dom Pierre Perignon , foi quem conseguiu transformar o problema de os vinhos que estouravam garrafas em aquilo que virou o champagne , procurando por embalagens mais resistentes e buscando formas de avançar em os processos de produção e armazenamento . Ninguém sabe , a o certo , se realmente foi ele quem deu origem a os vinhos espumantes .

Algumas versões atribuem o feito a os ingleses , por exemplo .

Em o entanto , Dom Perignon foi importante para o início de a popularização de a bebida e , não a a toa , um de os mais conhecidos champagnes de o mundo leva seu nome .

A partir de o século XVIII , com a estabilização de o champagne dentro de as garrafas , o espumante passou a ser apreciado como uma bebida de a nobreza e estava muito presente em as comemorações .

Segundo Vargas , o fato de os franceses serem associados a " festas muito importantes e confraternizações de realeza e imperadores " , o consumo de os espumantes passou a ser desejado em comemorações por o mundo por trazer essa simbologia . O produto passou a ser exportado para outros países em aquela época e caiu em o gosto , particularmente , de os czares russos .

Eles tiveram , inclusive , um champagne para chamar de seu em o fim de o século XIX e começo de o XX : o Cristal . Esse tipo de espumante , que é armazenado em uma garrafa transparente , foi uma encomenda especial de o czar Alexandre II por medo de ser envenenado .

Foi uma exclusividade de o país até 1924 , quando a marca fabricante , Louis Roederer , passou a comercializá lo em outras partes de o mundo uma garrafa pode ser encontrada por aqui por mais de R$ 2,5 mil . Os vinhos espumantes que podem levar o nome de champagne são apenas aqueles produzidos em Champagne .

Mas a produção , assim como o gosto por os espumantes , não se limitou àquela região e , hoje , vários países desenvolvem suas bebidas , inclusive o Brasil .

De onde vem o espumante

O mercado de espumantes Os espumantes estão se tornando a " joia de a coroa " de as produtoras de vinhos em o Brasil .

Um levantamento de a Euromonitor International para reportagem de o g1 sobre o mercado de vinhos mostrou que , embora o vinho tinto ainda seja o mais consumido em o Brasil , com 60 % de o mercado , o volume de vendas de os espumantes cresceu mais em os últimos anos . Em 2019 , antes de a pandemia , foram vendidos 25,9 milhões de litros de a bebida .

Em 2022 , foram 30,6 milhões de litros . Uma junção de fatores explica o sucesso de espumantes em o Brasil , a começar por a produção .

O país tem o " terroir " ideal para a produção de espumantes , isto é : o clima , regime de chuvas , tipo de solo e outros fatores naturais favorecem a produção de uvas que dão bons espumantes . Além de isso , o próprio clima de o Brasil favorece o consumo de os espumantes .

" O Brasil é um país quente e o espumante , além de ser fresco , é recomendado ser consumido em temperaturas mais baixas , o que facilita o consumo tanto em locais fechados quanto em locais abertos , mais quentes " , diz o sommelier Marcelo Vargas . Outro ponto : uma enorme oferta de tipos de espumantes , de os doces a os mais secos , leves e encorpados .

Assim , é mais fácil encontrar algum que agrade o paladar de o consumidor , em várias faixas de preço . " Espumante é mais fácil de ser consumido de o que vinho tradicional . Ele tem menos álcool , é mais fresco , tem um pouco mais de acidez , tem as borbulhas .

Tudo isso o torna mais fácil de ser consumido , mais palatável a todos os gostos " , comenta Vargas .

O sucesso em o réveillon Ainda que tenha boa qualidade , bastante oferta e bom preço , permanece a pergunta de o motivo por o qual a venda de espumante fica tão concentrada em o final de ano .

A Pesquisa Hábitos e Atitudes Consumo de Bebidas Celebrantes , realizada em 2023 por o Instituto Inside , traz algumas pistas . " O ato de abrir é uma grande festa por o estouro .

É como se te dissessem que a sua vida está subindo ou que aquele ano deu certo " , respondeu uma de as entrevistadas , uma mulher de o Rio de Janeiro , a o ser perguntada sobre a razão para escolher espumantes em momentos de celebração .

Outra respondente , uma mulher de Salvador , disse que " as bolhas te trazem uma experiência diferente , que vai para o paladar , como se fossem fogos de artifício " .

" Os espumantes cumprem bem o papel de ser um complemento a as comemorações porque trazem a característica de o estouro , que faz aquele barulho , o borbulhar , que lembra uma explosão em a boca . Não tem gênero , não tem nada , todo mundo quer essa explosão " , afirma Alexandre Wolff , diretor-presidente de a CRS Brands ( dona de marcas como Cereser e Chuva de Prata ) ,

Wolff conta que , para a empresa , o último trimestre de o ano representa aproximadamente 70 % de todo o volume de vendas anual . " Nós consideramos que , se não fizermos o volume de negócios de fim de ano , não fazemos o ano de a companhia " , comenta o executivo .

O empresário afirma que a busca por outros vinhos e destilados de a empresa mantêm , em os demais trimestres , uma trajetória regular . os espumantes têm 85 % de as vendas entre setembro e dezembro , o que representa um volume quase sete vezes maior que o período entre janeiro e agosto . A produtora de vinhos Miolo experimenta uma dinâmica parecida .

Em nota enviada a o g1 , a empresa afirma que produz cerca de 12 milhões de litros de vinhos por ano , sendo 30 % de espumantes . De esse montante , o maior volume de venda de o ano inteiro , cerca de 40 % , ocorre em o último trimestre .

Alexandre Wolff , CRS Brands , conta que , por a importância que tem a bebida em os negócios de a companhia , todas as estratégias que envolvem os lançamentos de qualquer espumante começam , em o mínimo , um ano antes . " Agora , por exemplo , estamos focados em a bebida que vamos lançar para o réveillon de 2024 para 2025 " .

O presidente de a CRS afirma que os últimos anos apresentaram diferentes desafios para o a companhia . Em 2020 , em a contramão de o mercado de vinhos , as vendas de espumantes despencaram por conta de a pandemia .

Em aquele ano , o vinho ganhou espaço a o se tornar a escolha de bebida para momentos de lazer em casa .

Com o setor de eventos paralisado e fechamento de bares e restaurantes , o espumante e a cerveja perderam espaço . Wolff afirma que as vendas de a empresa tiveram alguma recuperação em 2021 , mas não decolaram em 2022 , por conta de a Copa de o Mundo , que aumenta o consumo de cerveja .


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