Diante
de
a
disparada
de
o
dólar
,
que
tem
operado
acima
de
R$
6
em
as
últimas
semanas
,
o
Banco
Central
retomou
recentemente
as
vendas
de
moeda
norte-americana
em
o
mercado
a
a
vista
.
Essas
operações
ajudam
o
BC
a
diminuir
eventuais
prejuízos
,
em
reais
,
ou
a
impulsionar
um
lucro
de
a
instituição
,
que
,
se
registrado
,
é
repassado
a
o
Tesouro
Nacional
—
após
aprovação
de
o
Conselho
Monetário
Nacional
(
CMN
)
.
"
Os
valores
pagos
a
a
União
[
relativos
a
os
lucros
de
a
autoridade
monetária
]
serão
destinados
exclusivamente
a
o
pagamento
de
a
Dívida
Pública
Mobiliária
Federal
(
DPMF
)
"
,
explicou
o
Banco
Central
.
Campos
Neto
e
Galípolo
consideraram
que
não
existe
um
ataque
especulativo
contra
o
real
Em
os
últimos
dias
,
o
BC
vendeu
US$
16,8
bilhões
em
leilões
em
o
mercado
a
a
vista
.
Com
a
cotação
acima
de
R$
6
,
são
mais
de
R$
100
bilhões
.
Atualmente
,
as
reservas
internacionais
estão
em
cerca
de
US$
350
bilhões
.
As
vendas
de
dólares
também
podem
diminuir
a
dívida
pública
por
a
menor
necessidade
de
o
Tesouro
Nacional
emitir
títulos
para
o
Banco
Central
"
enxugar
"
a
liquidez
de
o
mercado
,
com
o
objetivo
de
atingir
a
meta
de
a
taxa
básica
de
juros
,
a
Selic
,
atualmente
em
12,25
%
a
o
ano
.
A
disparada
de
o
dólar
:
entenda
o
salto
de
R$
5,67
para
o
recorde
de
R$
6,09
em
apenas
um
mês
Em
a
semana
passada
,
o
presidente
de
o
Banco
Central
,
Roberto
Campos
Neto
,
negou
que
as
vendas
de
dólares
tenham
por
objetivo
reduzir
a
dívida
pública
.
Segundo
ele
,
o
objetivo
é
combater
"
disfuncionalidades
de
o
mercado
"
.
E
reiterou
que
o
BC
não
tem
meta
para
a
taxa
de
câmbio
.
Sem
metas
para
o
dólar
,
as
intervenções
de
o
Banco
Central
,
em
o
regime
de
câmbio
flutuante
,
ocorrem
"
caso
se
identifiquem
condições
adversas
para
o
seu
regular
funcionamento
"
.
De
este
modo
,
não
tem
relação
com
a
política
fiscal
,
ou
seja
,
com
a
redução
de
a
dívida
pública
.
Custo
de
as
reservas
internacionais
Embora
sejam
consideradas
como
um
tipo
de
seguro
para
evitar
o
contágio
de
a
economia
brasileira
por
choques
externos
,
as
reservas
internacionais
,
segundo
economistas
,
também
representam
custo
para
a
sociedade
.
Isso
porque
as
reservas
são
aplicadas
principalmente
em
títulos
de
os
Estados
Unidos
,
que
rendem
juros
muito
mais
baixos
de
o
que
aqueles
que
governo
paga
a
o
emitir
papéis
em
o
mercado
interno
(
dentro
de
o
Brasil
)
.
É
o
chamado
"
custo
de
carregamento
"
de
as
reservas
.
O
custo
de
o
carregamento
mostra
a
diferença
de
dinheiro
teria
caso
,
em
vez
de
ficar
com
as
reservas
,
a
vendesse
.
Mas
os
especialistas
alertam
que
não
é
desejável
vender
tudo
,
para
o
país
não
perder
a
segurança
de
ter
um
estoque
considerável
de
dólares
,
a
moeda
mais
negociada
de
o
mundo
.
Segundo
o
economista
de
o
IPEA
,
Sérgio
Gobetti
,
esse
custo
de
carregamento
em
o
Brasil
é
de
cerca
de
R$
40
bilhões
por
ano
.
"
O
ataque
especulativo
que
vivemos
em
o
Brasil
abriu
uma
ótima
janela
de
oportunidade
para
o
BC
lucrar
vendendo
dólares
"
,
avaliou
,
por
meio
de
rede
social
.
O
analista
lembrou
que
parte
de
o
crescimento
de
a
dívida
pública
,
em
as
décadas
passadas
,
principalmente
em
as
primeiras
duas
gestões
de
o
presidente
Luiz
Inácio
Lula
de
a
Silva
(
entre
2003
e
2010
)
,
está
relacionado
justamente
com
a
compra
de
dólares
por
o
Banco
Central
para
formar
as
reservas
brasileiras
.
"
Um
cálculo
por
o
diferencial
de
juros
entre
Brasil
e
EUA
mostra
que
o
acúmulo
de
reservas
cambiais
custou
quase
R$
700
bilhões
desde
2006
.
Mas
esse
prejuízo
seria
compensado
se
metade
de
esse
caminhão
de
dólares
,
adquiridos
quando
câmbio
estava
em
R$
1,9
,
fossem
vendidos
agora
por
R$
6,1
"
,
afirmou
Gobetti
.
Por
fim
,
ele
avalia
que
é
importante
manter
parte
de
as
reservas
.
"
Acho
apenas
que
exageramos
em
o
nível
,
mas
'
felizmente
'
temos
hoje
uma
ótima
oportunidade
de
corrigir
isso
,
vendendo
dólares
em
a
alta
de
o
momento
.
Um
'
erro
'
que
deu
'
certo
'
,
digamos
assim
"
,
concluiu
.
Em
outubro
de
2018
,
dois
meses
antes
de
assumir
o
Ministério
de
a
Economia
,
o
economista
Paulo
Guedes
afirmou
que
,
se
houvesse
"
crise
especulativa
"
e
o
dólar
subisse
para
o
patamar
de
R$
4,50
a
R$
5
,
o
governo
Bolsonaro
venderia
US$
100
bilhões
para
"
acelerar
o
ajuste
fiscal
"
,
ou
seja
,
reduzir
a
dívida
pública
.
Dívida
brasileira
A
dívida
de
o
setor
público
consolidado
f
echou
o
mês
de
outubro
em
78,6
%
de
o
PIB
–
o
equivalente
a
R$
9
trilhões
,
segundo
informações
de
o
Banco
Central
.
Se
for
considerado
o
critério
de
o
Fundo
Monetário
Internacional
(
FMI
)
,
que
contabiliza
os
títulos
públicos
que
estão
em
a
carteira
de
o
BC
e
que
é
utilizada
em
a
comparação
internacional
,
a
dívida
brasileira
terminou
outubro
em
um
patamar
maior
ainda
:
em
92
%
de
o
PIB
.
Em
este
nível
,
a
dívida
brasileira
está
abaixo
de
nações
desenvolvidas
,
próxima
de
países
de
a
União
Europeia
e
acima
de
os
emergentes
,
de
a
América
Latina
e
de
o
Caribe
.
A
relação
entre
dívida
e
PIB
é
um
indicador
relevante
para
o
mercado
,
interpretado
como
um
sinal
de
a
capacidade
de
o
país
de
honrar
seus
compromissos
financeiros
de
curto
,
médio
e
longo
prazo
.
Quanto
maior
a
dívida
em
relação
a
o
PIB
,
maior
o
risco
de
um
calote
em
momentos
de
crise
.
Além
de
o
patamar
de
a
dívida
,
a
performance
de
as
contas
públicas
também
é
avaliada
por
investidores
.
Em
o
ano
passado
,
em
meio
a
ataques
de
o
presidente
Luiz
Inácio
Lula
de
a
Silva
(
PT
)
para
baixar
a
taxa
de
juros
de
a
economia
,
o
presidente
de
o
Banco
Central
,
Roberto
Campos
Neto
,
explicou
em
o
Congresso
Nacional
como
a
dívida
pública
influencia
a
taxa
de
juros
brasileira
.
"
Em
a
parte
de
os
juros
,
a
gente
não
pode
confundir
causa
e
efeito
.
A
dívida
não
é
alta
porque
o
juro
é
alto
.
É
o
contrário
,
o
juro
é
alto
porque
a
dívida
é
alta
.
Quando
você
endividado
vai
a
o
banco
,
e
o
banco
faz
uma
análise
que
você
é
endividado
e
não
paga
a
dívida
,
o
juro
é
alto
"
,
explicou
Campos
Neto
,
em
a
ocasião
.