Representação em texto

Ibovespa dispara 33,95% em 2025 e tem maior alta em nove anos, apesar dos juros elevados

IDTEJ_0345
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/economia/noticia/2025/12/30/ibovespa-dispara-apesar-dos-juros-elevados.ghtml
TítuloIbovespa dispara 33,95% em 2025 e tem maior alta em nove anos, apesar dos juros elevados
SubtítuloSegundo especialistas ouvidos pelo g1, fatores como a queda dos juros nos EUA, a expectativa de cortes no Brasil e o preço atrativo das ações brasileiras contribuíram para a alta da bolsa em 2025.
Ano2025
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaEconomia
PropósitoNoticiar

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O Ibovespa , principal índice de a bolsa , disparou em 2025 e encerrou o ano com uma alta de 33,95 % , em o maior avanço anual desde 2016 , quando registrou valorização de 38,9 % , segundo levantamento de a consultoria Elos Ayta .

O desempenho positivo responde a uma série de fatores , mesmo em um cenário de juros elevados em o país , em que a Selic encerra 2025 em 15 % a o ano maior patamar em 20 anos .

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Segundo dados de a B3 , o Ibovespa acumulou 32 recordes de fechamento a o longo de este ano . É o maior número desde 2019 , quando atingiu 40 recordes , em um período de valorização de o mercado .

Segundo especialistas ouvidos por o g1 , o bom desempenho de a bolsa brasileira em o ano se deve , principalmente , a os seguintes fatores :

Cortes de juros em os Estados Unidos , com expectativa de novas reduções em o ano que vem ;

Realocação de investimentos em meio a incertezas sobre as contas públicas e a política econômica de Donald Trump em os EUA , o que favoreceu ativos brasileiros ;

Expectativa de cortes de juros em o Brasil , com o mercado olhando para 2026 ;

Maior resiliência de o Brasil em as tensões comerciais com os EUA , reduzindo impactos sobre empresas exportadoras ; Ações de empresas brasileiras ainda negociadas abaixo de os níveis pré-pandemia , o que atraiu investidores ;

Expectativa de mudanças em o cenário político , em especial em a condução de as contas públicas , com a proximidade de as eleições de 2026 . Veja abaixo , ponto a ponto , os principais aspectos que influenciaram o desempenho de o Ibovespa em 2025 .

O peso de fatores externos O cenário internacional teve influência decisiva sobre a alta de o Ibovespa em este ano , segundo analistas de o mercado financeiro . Um de os principais vetores foi a mudança de postura de o Federal Reserve ( Fed ) , o banco central de os EUA .

O Fed cortou os juros americanos três vezes em 2025 , reduzindo a taxa de a faixa de 4,25 % a 4,50 % a o ano para 3,50 % a 3,75 % a o ano o menor patamar desde setembro de 2022 . A expectativa também é de redução em 2026 .

Em a prática , juros menores em os EUA diminuem o rendimento de as Treasuries , os títulos de o governo americano , que são vistos como os investimentos mais seguros de o mundo .

O movimento faz investidores buscarem aplicações mais rentáveis em mercados emergentes .

Em esse cenário , o Brasil tem se destacado , favorecendo a bolsa e o real . Lauro Sawamura Kubo , gestor de fundos de investimento de a Patagônia Capital , ressalta também que cresceu o receio em relação a as contas públicas de os EUA .

Em este ano , ocorreu a paralisação de o governo ( shutdown ) mais longa de a história , o que piorou as incertezas de investidores com os rumos de o país .

Com esse conjunto de fatores , perde força a ideia de os EUA serem uma reserva de valor , e investidores passam a buscar alternativas , analisa , citando o Brasil como destino importante .

A esse cenário se somam a pressão e as tentativas de interferência de Donald Trump em o BC americano o que deixou os mercados mais tensos e a política comercial de o republicano , marcada por o tarifaço , que também levou investidores globais a reorganizar seus portfólios .

Não se trata de uma perda de protagonismo de os EUA , mas de uma redistribuição .

A alocação em Treasuries estava muito acima de o nível neutro , e isso beneficia mercados como o brasileiro , diz Harrison Gonçalves , CFA Charterholder e membro de o CFA Society Brazil . Ações brasileiras vistas como ' pechincha '

Em a avaliação de analistas ouvidos por o g1 , empresas brasileiras sólidas estavam sendo negociadas a valores baixos ou seja , com ações aquém de seu potencial .

" A bolsa brasileira ainda não havia retomado , de forma consistente , os níveis anteriores a a pandemia , enquanto outros mercados tinham avançado mais , aponta Marcos Praça , diretor de análise de a ZERO Markets Brasil .

Segundo ele , o pessimismo mal dimensionado ficou para trás , e grandes empresas brasileiras se mostraram sólidas , atraindo investidores que passaram a enxergar suas ações como pechinchas . A bolsa brasileira passou a ser vista como relativamente barata e com maior potencial de retorno .

Com investimentos em o exterior oferecendo ganhos menores , investidores anteciparam compras de ações brasileiras apostando em uma recuperação .

Outro fator determinante foi a capacidade de adaptação de o mercado brasileiro diante de as tensões comerciais provocadas por o tarifaço de Trump , mesmo depois de a elevação de as taxas para 50 % com uma longa lista de exceções . " Mesmo com esse cenário ruim , o país mostrou resiliência , remanejou as exportações , apresentou números ainda maiores e ainda anulou as tarifas " , afirma Marcos Praça , acrescentando que o movimento ajudou a manter o Ibovespa em o campo positivo .

Mais tarde , em novembro , mais 200 produtos alimentícios incluindo café , carne , açaí e manga também foram retirados de a sobretaxa . Mesmo com a melhora de cenário , o governo brasileiro ainda trabalha para derrubar todas as tarifas a produtos brasileiros .

Crescimento apesar de os juros altos

A taxa básica de juros brasileira está em o maior patamar em quase 20 anos o que tende a atrair investidores para aplicações de renda fixa . Ainda assim , as expectativas para 2026 contribuíram para impulsionar o Ibovespa .

Felipe Tavares , economista-chefe de a BGC Liquidez , explica que diversos aspectos estão interligados e que a perspectiva de corte de juros é um elemento importante para a atração de capitais para a bolsa .

Até o fim de 2026 , o mercado financeiro projeta uma redução de a Selic para 12,25 % a o ano .

Eu destacaria o corte de os juros americanos , a manutenção de a Selic em 15 % , o fluxo de capitais resultante e a bolsa com preços atrativos , o que cria oportunidades , afirma . O mercado financeiro é , por natureza , voltado a a antecipação de cenários , acrescenta Harrison Gonçalves , de o CFA Society Brazil .

Assim , o principal foco está em a alocação de capital com base em a valorização futura esperada de os ativos . " O fato de a bolsa se valorizar mesmo em um ambiente de juros ainda elevados indica que o mercado está olhando para o médio e longo prazo algo em torno de os próximos cinco anos e não apenas para as condições atuais " , diz .

Contas públicas em segundo plano ? A preocupação com os cofres públicos de o Brasil ganhou destaque a o longo de os últimos anos . O tema , entretanto , ficou temporariamente " em a gaveta " , enquanto o mercado acompanha com otimismo a redução de os juros americanos e os preços baixos de as ações brasileiras .

Isso , porém , não significa que o tema tenha sido completamente esquecido . Para os analistas , o problema fiscal ainda limita o pleno crescimento de a economia brasileira e deve voltar a ganhar peso em o debate .

" Os temores fiscais ficaram em segundo plano por fatores temporários .

O risco continua muito elevado .

Ninguém acredita que houve melhora em esse aspecto " , diz Lauro Sawamura Kubo , de a Patagônia Capital . " Em o próximo ano , teremos um período eleitoral e , historicamente , independentemente de quem esteja em o governo seja a a direita ou a a esquerda esse é um momento marcado por mais gastos e medidas populistas .

Portanto , é provável que isso volte a ocorrer " , acrescenta .

Além de isso , a desconfiança com as contas públicas tem pressionado o Banco Central a manter os juros brasileiros elevados , mesmo com a inflação caminhando para encerrar 2025 dentro de o teto de a meta estabelecida por o Conselho Monetário Nacional ( CMN ) , apontam os especialistas .

200 mil pontos ? O que esperar para 2026 com eleições

A volatilidade registrada em o Ibovespa em o início de dezembro indica como o índice pode se comportar a o longo de 2026 , ano eleitoral .

O anúncio de a pré-candidatura de o senador Flávio Bolsonaro ( PL -RJ ) , por exemplo , fez o dólar disparar e a bolsa recuar mais de 4 % em apenas um dia . Analistas avaliam que a entrada de o filho de Jair Bolsonaro ( PL ) em a corrida eleitoral fragmenta a oposição e reforça as chances de reeleição de Lula ( PT ) .

Para o mercado , a escolha dificulta a convergência em torno de um candidato de centro-direita como Tarcísio de Freitas , visto como mais competitivo para unificar a direita e enfrentar Lula e amplia a incerteza sobre ajustes fiscais mais consistentes . Para Felipe Tavares , de a BGC Liquidez , esse é justamente um termômetro de o que pode ocorrer em o ano que vem .

A polarização traz volatilidade adicional a o mercado , o que gera mais tensão em o dia a dia , diz .

Apesar de a tensão gerada por o cenário político interno , a volatilidade externa tende a ser menor em 2026 , o que pode suavizar parte de o impacto sobre o mercado , pondera .


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