Crise
em
a
licenciatura
:
Unicamp
tem
queda
em
o
interesse
por
a
formação
de
professor
Um
levantamento
feito
por
o
g1
com
dados
de
a
Universidade
Estadual
de
Campinas
(
Unicamp
)
e
de
o
Ministério
de
a
Educação
mostram
uma
queda
em
o
interesse
por
graduações
destinadas
a
formação
de
professores
de
a
educação
básica
.
Enquanto
o
número
de
inscritos
em
o
vestibular
vêm
diminuindo
,
o
índice
de
abandono
aumentou
entre
os
que
estão
cursando
.
Para
essa
apuração
,
foram
considerados
12
de
os
15
cursos
que
aparecem
em
a
categoria
de
educação
(
formação
de
professores
)
em
o
painel
estatístico
de
o
Censo
de
a
Educação
Superior
de
o
MEC
.
Foram
excluídas
as
graduações
em
dança
e
música
–
que
,
embora
sejam
de
ensino
obrigatório
em
artes
,
não
são
exclusivas
–
e
enfermagem
,
que
não
aparece
em
as
diretrizes
curriculares
nacionais
.
De
essa
forma
,
o
balanço
inclui
:
artes
visuais
ciências
biológicas
ciências
sociais
educação
física
filosofia
física
geografia
história
letras
química
e
física
(
integrados
)
matemática
pedagogia
O
cenário
de
queda
é
apontado
por
diferentes
pesquisas
como
um
de
os
pilares
para
a
carência
de
professores
de
a
rede
básica
que
pode
atingir
o
Brasil
em
as
próximas
décadas
.
Em
2022
,
uma
projeção
de
o
Sindicato
de
as
Entidades
Mantenedoras
de
o
Ensino
Superior
(
Semesp
)
indicou
um
possível
déficit
de
235
mil
docentes
em
2040
.
Participe
de
o
canal
de
o
g1
Campinas
em
o
WhatsApp
Em
o
mesmo
ano
,
um
estudo
de
o
Instituto
Nacional
de
Estudos
e
Pesquisas
Educacionais
Anísio
Teixeira
(
Inep
)
afirmou
que
"
não
é
exagero
dizer
que
já
estamos
vivendo
esse
apagão
"
,
dada
as
vagas
não
preenchidas
em
vestibulares
e
o
total
de
formandos
que
acabam
exercendo
a
profissão
–
apenas
um
terço
de
os
concluintes
de
licenciaturas
entre
2010
e
2021
eram
professores
em
2022
.
Para
entender
o
quadro
,
o
g1
conversou
com
o
representante
de
os
cursos
de
formação
de
professores
de
a
Unicamp
e
com
Natália
Fregonesi
,
coordenadora
de
Políticas
Educacionais
de
a
ONG
Todos
Por
a
Educação
.
Ambos
apontam
,
entre
outros
fatores
,
a
desvalorização
de
a
carreira
como
causadora
de
o
desinteresse
(
confira
as
análises
abaixo
)
.
"
A
carreira
de
professor
não
está
mais
chamando
a
atenção
de
os
jovens
,
considerando
que
existem
várias
outras
possibilidades
.
Então
,
a
causa
,
a
raiz
de
esse
problema
está
justamente
em
essa
falta
de
valorização
de
o
docente
"
,
diz
Natália
.
(
Essa
reportagem
faz
parte
de
uma
série
que
aborda
a
queda
em
o
interesse
por
cursos
de
licenciatura
e
como
esse
cenário
pode
afetar
o
estoque
de
professores
de
a
educação
básica
em
o
futuro
)
.
De
a
valorização
de
a
carreira
a
o
incentivo
em
a
faculdade
:
o
que
é
preciso
para
que
jovens
voltem
a
sonhar
com
a
carreira
de
professor
O
desinteresse
em
números
A
Unicamp
possui
15
graduações
classificadas
como
'
formação
de
professores
'
.
Seis
de
eles
são
exclusivamente
licenciaturas
,
isto
é
,
todas
as
suas
disciplinas
buscam
a
preparação
de
novos
docentes
,
como
:
ciências
biológicas
,
física
,
letras
,
integrado
química
e
física
,
matemática
e
pedagogia
.
Os
outros
cursos
podem
dar
a
o
candidato
a
possibilidade
de
optar
ou
não
por
a
licenciatura
.
Para
essa
reportagem
,
além
de
os
citados
acima
,
foram
considerados
os
que
não
são
estritamente
licenciaturas
,
pois
também
oferecem
a
modalidade
de
bacharelado
,
mas
estão
ligados
a
as
diretrizes
de
a
educação
básica
,
como
:
artes
visuais
,
ciências
sociais
,
educação
física
,
filosofia
,
geografia
e
história
,
excluindo
as
graduações
em
dança
,
música
e
enfermagem
.
Entenda
:
a
Unicamp
possui
outros
cursos
,
em
diferentes
áreas
de
o
conhecimento
,
que
não
são
consideradas
'
de
formações
de
professores
'
por
os
critérios
de
o
MEC
–
e
que
,
por
isso
,
não
aparecem
em
esse
levantamento
–
,
mas
que
possuem
disciplinas
que
podem
habilitar
o
aluno
para
a
licenciatura
.
Entre
os
vestibulares
de
2022
e
2025
,
os
cursos
destinados
exclusivamente
a
a
formação
de
professores
tiveram
os
menores
índices
de
inscrição
,
segundo
números
de
os
Anuários
de
a
Assessoria
de
Economia
e
Planejamento
(
Aeplan
)
de
a
Unicamp
.
Essas
graduações
viveram
um
auge
em
o
início
de
os
anos
2000
e
permaneceram
em
um
cenário
positivo
até
pouco
antes
de
2020
.
Em
o
entanto
,
o
total
de
candidatos
começou
a
cair
e
chegou
a
o
menor
patamar
em
os
anos
seguintes
(
veja
o
gráfico
acima
)
.
Outro
aspecto
é
a
relação
entre
alunos
que
ingressam
em
a
instituição
e
concluem
o
curso
e
aqueles
que
desistem
durante
a
graduação
.
Comparando
todos
os
cursos
,
os
indicadores
são
piores
em
as
formações
voltadas
a
novos
professores
,
como
aponta
o
Censo
de
a
Educação
Superior
,
de
o
MEC
:
considerando
todos
os
cursos
de
a
Unicamp
,
menos
os
de
formação
de
professores
,
a
taxa
de
conclusão
acumulada
foi
de
68
%
.
A
desistência
acumulada
foi
de
31
%
;
considerando
apenas
os
cursos
de
formação
de
professores
de
a
Unicamp
,
excluindo
todos
os
outros
,
a
taxa
de
conclusão
acumulada
foi
de
46
%
.
A
desistência
acumulada
foi
de
54
%
.
a
média
geral
,
considerando
todos
os
cursos
de
a
instituição
,
é
de
63
%
de
conclusão
acumulada
,
contra
36
%
de
desistência
.
O
cenário
preocupa
a
Unicamp
Pedro
Cunha
,
presidente
de
a
Comissão
Permanente
de
Formação
de
Professores
de
a
Unicamp
,
reconhece
o
cenário
e
afirma
que
essa
tem
sido
uma
preocupação
em
os
últimos
anos
:
o
número
de
pessoas
que
sonham
em
se
tornar
educadoras
realmente
caiu
e
aqueles
que
decidem
viver
esse
sonho
podem
se
frustrar
e
desistir
em
o
meio
de
o
caminho
.
“
Essa
é
uma
questão
que
em
os
preocupa
,
sim
[
...
]
quando
a
gente
olha
para
a
taxa
de
formandos
,
ela
tem
se
mantido
mais
ou
menos
estável
em
os
últimos
10
anos
.
O
que
acontece
é
que
a
gente
forma
um
número
menor
de
o
que
a
gente
teria
o
potencial
de
formar
”
,
comenta
.
A
atenção
é
ainda
maior
quando
consideradas
as
graduações
exclusivamente
destinadas
a
a
licenciatura
,
isto
é
,
aquelas
em
que
o
ingressante
entra
com
a
intenção
única
de
se
tornar
professor
.
“
Nós
temos
a
entrada
e
temos
um
percentual
até
alto
de
evasão
,
especialmente
em
os
cursos
em
a
área
de
ciências
exatas
"
.
Mas
o
que
explica
isso
?
Sobre
a
queda
em
o
número
de
inscritos
,
Cunha
diz
que
a
variação
é
,
de
certa
forma
,
normal
.
Como
ocorre
com
qualquer
carreira
,
dependendo
de
o
curso
,
“
há
períodos
em
que
você
tem
uma
procura
maior
,
há
períodos
em
que
você
tem
uma
busca
menor
”
.
O
problema
é
que
o
momento
de
baixa
tem
sido
cada
vez
mais
longo
e
frequente
.
Já
a
evasão
,
pode
estar
ligada
a
a
dificuldade
de
os
alunos
em
os
primeiros
períodos
de
o
curso
,
o
que
ocorre
,
principalmente
,
com
quem
veio
de
a
rede
pública
,
afirma
o
professor
.
De
essa
forma
,
considerando
a
análise
de
Pedro
Cunha
,
dois
fatores
principais
podem
estar
associados
a
queda
em
os
inscritos
e
a
a
desistência
de
os
alunos
:
Falta
de
perspectiva
em
a
profissão
:
“
Quem
emprega
professores
em
o
Brasil
,
em
a
grande
maioria
de
os
casos
,
é
escola
pública
.
Em
o
estado
de
São
Paulo
tivemos
um
concurso
em
2013
e
outro
em
2023
.
Isso
significa
que
você
tem
um
contingente
muito
grande
de
temporários
.
Mas
qual
a
condição
de
trabalho
?
Isso
acaba
sendo
algo
que
não
incentiva
”
,
diz
.
Dificuldade
para
seguir
o
ritmo
de
o
curso
:
o
número
de
alunos
que
vêm
de
a
rede
pública
aumentou
,
o
que
é
bom
,
mas
muitos
de
eles
podem
encontrar
dificuldades
para
acompanhar
o
ritmo
de
a
graduação
,
pois
não
tiveram
uma
base
de
ensino
consistente
em
os
ensinos
fundamental
e
médio
–
o
que
é
ainda
pior
para
quem
busca
uma
licenciatura
em
exatas
.
Em
resumo
,
essa
dificuldade
com
o
ritmo
de
o
curso
–
o
que
faz
com
que
a
taxa
de
reprovação
seja
alta
em
os
primeiros
semestres
–
e
o
desânimo
com
a
carreira
de
professor
em
o
Brasil
são
elementos
que
desmotivam
e
podem
fazer
o
aluno
desistir
de
a
graduação
.
E
tem
mais
:
com
relação
a
os
dados
de
os
últimos
anos
,
o
professor
lembra
que
os
números
de
evasão
foram
afetados
por
a
pandemia
de
a
Covid-19
que
,
a
o
afastar
os
estudantes
de
a
sala
de
aula
e
obrigar
a
realização
de
aulas
remotas
,
atrapalhou
a
atuação
de
os
futuros
professores
em
escolas
por
meio
de
estágios
e
outros
programas
–
o
que
também
explicaria
a
piora
em
os
parâmetros
.
Futuro
sem
professores
?
Natália
Fregonese
,
de
a
Todos
por
a
Educação
,
pontua
que
esse
cenário
não
é
exclusividade
de
a
Universidade
Estadual
de
Campinas
.
Ela
diz
que
a
falta
de
interesse
em
estudar
para
ser
professor
vem
crescendo
a
nível
nacional
.
“
A
gente
teve
um
aumento
muito
grande
em
a
ociosidade
de
vagas
,
ou
seja
,
ne
aquelas
vagas
que
a
instituição
oferece
,
mas
não
são
preenchidas
”
.
“
De
fato
,
a
procura
vem
diminuindo
a
o
longo
de
os
anos
,
assim
como
a
taxa
de
evasão
está
crescendo
.
Vários
cursos
de
a
educação
superior
têm
uma
taxa
de
evasão
alta
,
mas
quando
a
gente
olha
para
as
licenciaturas
,
é
um
cenário
especialmente
preocupante
”
.
Um
artigo
publicado
em
2023
em
o
Jornal
de
a
Universidade
de
São
Paulo
(
USP
)
apontou
que
em
alguns
cursos
de
licenciatura
,
como
matemática
,
física
,
ciências
exatas
,
ciências
de
a
natureza
e
educomunicação
,
a
taxa
de
evasão
chega
a
30
%
,
acima
de
a
média
geral
de
17
%
em
outras
graduações
.
Ainda
de
acordo
com
a
especialista
,
a
falta
de
atratividade
de
a
profissão
tem
tirado
a
docência
de
a
lista
de
carreiras
de
interesse
entre
os
jovens
.
“
Eu
acho
que
esse
risco
é
real
olhando
para
o
cenário
que
a
gente
tem
hoje
.
A
gente
já
tem
falta
de
professores
com
formação
adequada
para
algumas
disciplinas
em
algumas
regiões
.
Isso
já
está
acontecendo
atualmente
e
pode
piorar
em
o
futuro
”
.
A
representante
de
a
Todos
por
a
Educação
ainda
listou
os
elementos
que
podem
estar
associados
a
o
desinteresse
em
a
carreira
:
Condições
de
trabalho
desafiadoras
:
escolas
precarizadas
,
poucos
professores
para
muitos
alunos
e
insegurança
;
Salários
baixos
:
em
a
comparação
com
outras
carreiras
,
tende
a
pagar
pouco
,
apesar
de
exigir
formação
maior
;
Falta
de
estabilidade
:
poucos
concursos
e
muitas
vagas
temporárias
;
Pouca
divulgação
de
as
boas
oportunidades
:
alguns
municípios
já
oferecem
vagas
mais
atrativas
,
mas
poucos
candidatos
ficam
sabendo
.
“
A
carreira
docente
ainda
é
vista
como
essa
carreira
que
paga
mal
,
que
em
todo
lugar
tem
condições
ruins
[
...
]
então
,
você
acaba
optando
por
cursos
que
oferecem
uma
carreira
mais
estável
,
com
uma
remuneração
melhor
.
Você
pode
fazer
um
curso
técnico
,
um
tecnólogo
menor
que
um
curso
de
licenciatura
,
mas
que
vai
ter
uma
carreira
um
pouco
mais
estabilizada
,
ganhando
um
pouco
mais
”
.