Representação em frases

Abacaxi deixa a região íntima mais doce? O que realmente interfere no cheiro e no gosto do corpo, segundo médicos

IDTEJ_0935
LínguaPortuguês brasileiro
FonteG1
Linkhttps://g1.globo.com/saude/sexualidade/noticia/2025/12/26/abacaxi-deixa-a-regiao-intima-mais-doce-o-que-realmente-interfere-no-cheiro-e-no-gosto-do-corpo-segundo-medicos.ghtml
TítuloAbacaxi deixa a região íntima mais doce? O que realmente interfere no cheiro e no gosto do corpo, segundo médicos
SubtítuloEspecialistas explicam que alimentos não mudam cheiro ou gosto de forma direta; fatores biológicos e hábitos do dia a dia têm mais peso.
Ano2025
CorpusTEJ
DomínioJornalístico
TemaSaúde
PropósitoNoticiar


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Vinagre e alho em a vagina para tratar candidíase ?
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Receita não tem eficácia e traz riscos
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É comum que dúvidas sobre cheiro ou gosto de a região íntima —e de os fluidos envolvidos em a intimidade , como secreções vaginais e sêmen— acabem sendo atribuídas a a alimentação .
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Em a prática médica , porém , essa relação não é direta nem imediata .
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Não existe comprovação científica de que o que se come seja capaz de alterar , por si , o cheiro ou o gosto de os fluidos corporais .
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Isso acontece porque essas características estão muito mais ligadas a o funcionamento de o organismo , a o equilíbrio de a microbiota , a os hormônios e a os hábitos de o dia a dia de o que a um alimento específico .
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A alimentação não age de forma direta sobre o cheiro ou o gosto de os fluidos corporais , explica Raquel Magalhães , ginecologista de o Hospital Nove de Julho , de a Rede Américas .
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O que ela pode fazer é influenciar o pH e o ambiente biológico de maneira indireta , favorecendo —ou não o equilíbrio de a microbiota .
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Não existe um efeito imediato ou controlável .
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Alimentos não adoçam fluidos , mas podem favorecer desequilíbrios
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Essa diferença ajuda a entender por que o mito persiste .
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Segundo Raquel , dietas ricas em açúcares e carboidratos refinados podem alterar o ambiente biológico de mucosas e secreções .
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Em o caso de as mulheres , o aumento de o glicogênio pode favorecer desequilíbrios de a flora vaginal , como a candidíase , o que pode alterar odor e conforto , explica .
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Não é que o alimento adoce a secreção , mas ele pode criar um ambiente mais favorável a alterações .
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O mesmo raciocínio vale para outros fluidos corporais .
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O sêmen , por exemplo , tem composição própria e pH naturalmente alcalino , influenciado por fatores como hidratação , saúde metabólica , consumo de álcool , tabagismo e hábitos alimentares gerais .
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Entretanto , não responde de forma imediata ou previsível a um alimento específico .
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Por isso , embora frutas como o abacaxi apareçam com frequência em essas conversas , não existe recomendação médica formal de alimentos capazes de mudar o cheiro ou gosto íntimo .
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A ingestão adequada de água e uma alimentação equilibrada têm muito mais impacto de o que qualquer alimento isolado , explica Raquel .
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A avaliação é compartilhada por Vanessa Cairolli , médica ginecologista e obstetra .
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O corpo não funciona em compartimentos .
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A alimentação influencia o organismo como um todo inclusive suor , secreções e sêmen , mas não de forma imediata nem direcionada , diz .
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O que realmente interfere em o cheiro e em o gosto de o corpo
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Segundo as especialistas , cheiro e gosto de os fluidos corporais resultam de a combinação de vários fatores , com destaque para o equilíbrio biológico geral .
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Entre eles estão :
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Microbiota : o equilíbrio de bactérias em as mucosas influencia odor e secreções .
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Hormônios : variações hormonais alteram sudorese , secreções e composição de os fluidos .
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Hidratação : líquidos mais concentrados tendem a ter odor mais intenso .
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Hábitos alimentares gerais : dietas desequilibradas podem favorecer inflamações .
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Higiene e produtos usados : excesso de limpeza ou produtos inadequados interfere em o pH .
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Estilo de vida : álcool , tabagismo , estresse e sono também entram em essa conta .
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O corpo produz diferentes fluidos —secreções vaginais , sêmen e suor— e todos eles refletem o funcionamento global de o organismo , explica Raquel .
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Não existe um alimento capaz de corrigir isso pontualmente .
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Cheiro esperado x quando merece atenção
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Ter cheiro não é sinal de sujeira .
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Secreções e fluidos corporais têm odor próprio , que pode variar a o longo de o ciclo menstrual , após a relação sexual ou conforme a hidratação —mudanças esperadas e temporárias .
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O alerta surge quando odor intenso , persistente ou associado a outros sintomas , como dor , coceira , ardor , corrimento alterado ou desconforto durante o sexo .
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Em esses casos , a causa costuma ser clínica —infecção , inflamação ou desequilíbrio e não alimentar , explica Raquel .
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A avaliação médica é fundamental .
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Duchas e truques caseiros não resolvem
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Em a tentativa de corrigir cheiro ou gosto , muitas pessoas recorrem a duchas íntimas , produtos perfumados ou receitas caseiras .
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As especialistas alertam : essas práticas não são recomendadas .
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Elas podem alterar o pH , desequilibrar a microbiota e aumentar o risco de infecções , diz Raquel .
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O corpo não precisa ser neutralizado .
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Vanessa Cairolli reforça que a higiene adequada envolve cuidados simples , voltados a a parte externa , sem interferir em as mucosas .
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A ducha vaginal não apenas não previne infecção , como pode causar .
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Hábitos que realmente ajudam
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Entre as orientações médicas estão :
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Higiene diária com água e sabonete neutro .
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Boa hidratação .
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Preferir roupas íntimas de algodão .
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Evitar umidade prolongada .
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Atenção a o tipo de absorvente e produtos menstruais .
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Uso criterioso de probióticos , quando indicados .
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Consulta ginecológica regular .
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A região íntima não precisa ser doce , perfumada ou ter gosto de fruta , resume Raquel .
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Ela precisa estar saudável , equilibrada e confortável .
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A pressão sobre o corpo feminino
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Para além de os fatores biológicos , a relação com o cheiro e o gosto de a vagina envolve expectativas e pressão estética dirigidas quase exclusivamente a as mulheres .
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Segundo Marina Vasconcellos , psicóloga , psicodramatista e terapeuta familiar por a Universidade Federal de São Paulo ( Unifesp ) , essa preocupação costuma aparecer com mais força em os momentos de maior intimidade .
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Criou se a ideia de que a vagina precisa ser neutra , sem cheiro , sem gosto , como se não fizesse parte de um corpo vivo , explica .
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Isso faz com que muitas mulheres interpretem qualquer odor como sinal de problema , quando , em a verdade , o corpo saudável também tem cheiro .
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Ela observa que é comum mulheres chegarem a o consultório sem qualquer alteração clínica , mas com medo de desagradar o parceiro .
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Elas relatam tensão durante o sexo oral , evitam determinadas posições ou criam rituais de limpeza excessivos antes de a relação .
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O desconforto não vem de a vagina em si , mas de a expectativa .
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Segundo Marina , padrões estéticos e a pornografia reforçam a noção de que o corpo feminino desejável é aquele sem por os , sem secreções visíveis e sem cheiro .
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Isso desloca o foco de o prazer para a vigilância constante de o próprio corpo .
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A mulher deixa de estar presente em a experiência porque está ocupada em se avaliar .
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Esse tipo de cobrança pode afetar diretamente o desejo e a vivência de a sexualidade .
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Quando a preocupação com o cheiro ocupa a cena , o prazer sai de cena .
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O sexo passa a ser vivido como desempenho .
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Cuidar de a saúde íntima é legítimo .

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