Representação em frases
Como foto de mãe que recebeu corpo do bebê em caixa de papelão expõe crise de saúde no Equador
| ID | TEJ_0915 |
|---|
| Língua | Português brasileiro |
|---|
| Fonte | G1 |
|---|
| Link | https://g1.globo.com/saude/noticia/2025/12/23/como-foto-de-mae-que-recebeu-corpo-do-bebe-em-caixa-de-papelao-expoe-crise-de-saude-no-equador.ghtml |
|---|
| Título | Como foto de mãe que recebeu corpo do bebê em caixa de papelão expõe crise de saúde no Equador |
|---|
| Subtítulo | Analistas acreditam que a crise atual do sistema de saúde do Equador tenha influenciado para a derrota eleitoral do presidente Daniel Noboa na sua recente consulta popular. |
|---|
| Ano | 2025 |
|---|
| Corpus | TEJ |
|---|
| Domínio | Jornalístico |
|---|
| Tema | Saúde |
|---|
| Propósito | Noticiar |
|---|
mostrar 1 - 100 of 106 • seguintes
Em
o
dia
29
de
novembro
,
Yawa
Sumpa
Puar
Alexandra
,
de
a
comunidade
indígena
equatoriana
achuar
,
recebeu
o
corpo
de
a
sua
bebê
em
uma
caixa
de
papelão
.
A
menina
de
apenas
um
mês
de
idade
havia
dado
entrada
em
a
noite
anterior
em
o
Hospital
Geral
de
Macas
,
em
a
província
de
Morona
Santiago
,
em
a
Amazônia
equatoriana
.
Ela
sofria
de
um
problema
respiratório
e
morreu
em
poucas
horas
.
A
equipe
médica
recomendou
a
a
mãe
que
providenciasse
um
caixão
.
Mas
ela
,
sozinha
,
a
centenas
de
quilômetros
de
a
sua
comunidade
e
sem
falar
bem
espanhol
,
estava
totalmente
desamparada
.
Ela
saiu
em
busca
de
ajuda
,
mas
não
tinha
dinheiro
e
precisou
voltar
a
o
hospital
.
Ali
,
ela
encontrou
o
caixão
improvisado
.
Ele
precisou
ser
carregado
primeiramente
até
o
parque
principal
de
Macas
,
de
onde
saem
as
vans
e
ônibus
para
a
cidade
de
Taisha
,
que
fica
a
três
horas
de
viagem
.
De
lá
,
saem
pequenos
aviões
que
se
dirigem
a
a
região
onde
vive
a
sua
comunidade
.
"
Como
é
possível
que
eles
a
deixem
viajar
assim
,
com
um
bebê
morto
em
uma
caixa
de
papelão
?
"
,
questionou
a
a
BBC
News
Mundo
(
o
serviço
em
espanhol
de
a
BBC
)
um
membro
de
a
comunidade
achuar
de
Kaiptach
,
que
ajudou
inicialmente
a
mãe
e
tirou
a
fotografia
que
está
em
o
alto
de
esta
reportagem
.
"
É
doloroso
ver
a
forma
como
os
médicos
em
os
tratam
.
É
ultrajante
e
muito
triste
,
pois
somos
seres
humanos
"
,
lamenta
ele
.
A
municipalidade
de
Taisha
foi
quem
finalmente
ajudou
a
mãe
,
oferecendo
um
caixão
e
o
voo
de
regresso
para
sua
comunidade
.
"
A
família
precisa
trazer
o
caixão
.
É
assim
em
todo
o
país
"
,
conta
a
a
BBC
o
jornalista
Christian
Sánchez
Mendieta
,
de
o
jornal
equatoriano
El
Mercurio
.
"
Mas
,
em
a
verdade
,
eles
são
encarregados
de
fazer
os
trâmites
para
pedir
doação
a
os
municípios
ou
a
as
prefeituras
.
E
,
para
isso
,
os
hospitais
têm
um
setor
de
assistência
social
.
"
A
equipe
de
o
jornal
viajou
para
Morona
Santiago
em
abril
,
depois
que
10
crianças
morreram
de
leptospirose
,
uma
doença
transmitida
por
as
fezes
e
por
a
urina
de
roedores
,
que
costuma
ter
prognóstico
favorável
,
quando
o
paciente
é
tratado
com
antibióticos
.
"
São
populações
que
têm
costumes
totalmente
diferentes
e
moram
em
condições
insalubres
,
mas
sinto
que
existe
uma
espécie
de
racismo
contra
elas
"
,
afirma
Sánchez
Mendieta
.
"
Considerando
a
gravidade
de
o
fato
,
foram
tomadas
as
medidas
necessárias
para
impor
sanções
a
as
pessoas
envolvidas
em
esta
irregularidade
"
,
informou
o
Ministério
Público
de
Saúde
de
o
Equador
,
quando
veio
a
público
a
foto
de
a
mãe
e
de
a
caixa
com
o
corpo
de
a
filha
.
A
imagem
registrada
em
Taisha
levantou
uma
onda
de
indignação
em
todo
o
país
e
se
transformou
em
um
exemplo
dramático
de
uma
situação
que
ultrapassa
as
fronteiras
de
a
província
de
Morona
Santiago
:
a
crise
de
a
saúde
pública
equatoriana
.
Em
16
de
novembro
(
13
dias
antes
de
a
morte
de
a
menina
em
Macas
)
,
ocorreu
uma
consulta
popular
em
o
Equador
.
Noboa
apresentou
quatro
questões
a
o
povo
de
o
país
.
As
perguntas
incluíam
desde
a
convocação
de
uma
Assembleia
Nacional
Constituinte
até
o
retorno
de
bases
militares
estrangeiras
a
o
Equador
.
A
derrota
de
Noboa
foi
inesperada
,
já
que
o
presidente
contava
com
52,7
%
de
popularidade
entre
os
equatorianos
,
segundo
uma
pesquisa
realizada
em
outubro
por
a
empresa
Cedatos
.
E
,
oito
meses
antes
,
ele
conseguiu
se
reeleger
em
o
segundo
turno
,
com
mais
de
55
%
de
os
votos
.
Outra
surpresa
foi
uma
de
as
causas
mencionadas
em
o
Equador
para
explicar
a
derrota
:
um
país
acostumado
a
falar
quase
exclusivamente
de
as
crises
de
segurança
e
de
as
mortes
violentas
passou
a
mencionar
a
crise
de
o
setor
de
saúde
.
A
falta
de
remédios
e
de
todo
tipo
de
material
médico
atingiu
níveis
críticos
em
o
final
de
setembro
.
O
desabastecimento
chegou
a
atingir
até
mesmo
medicamentos
considerados
básicos
,
como
a
insulina
,
morfina
,
amoxicilina
e
produtos
contra
o
câncer
.
A
situação
obrigou
o
governo
Noboa
a
declarar
estado
de
emergência
em
o
Instituto
Equatoriano
de
Previdência
Social
(
IESS
,
em
a
sigla
em
espanhol
—
o
organismo
responsável
por
receber
e
administrar
as
contribuições
de
os
trabalhadores
de
o
país
para
o
sistema
público
)
e
em
o
Ministério
de
a
Saúde
.
Somente
em
os
últimos
20
meses
,
o
país
teve
cinco
ministros
de
a
Saúde
.
E
,
após
esta
rotação
incomum
,
quem
ocupa
o
cargo
é
a
vice-presidente
de
a
República
,
María
José
Pinto
.
Uma
de
as
principais
reclamações
de
o
presidente
de
a
Federação
Nacional
de
Médicos
de
o
Equador
,
Santiago
Carrasco
,
é
exatamente
a
falta
de
liderança
técnica
e
a
má
gestão
derivada
de
a
falta
de
conhecimento
de
o
setor
por
parte
de
os
seus
dirigentes
.
A
BBC
News
Mundo
entrou
em
contato
com
a
presidente
de
a
Comissão
de
os
Direitos
a
a
Saúde
e
Esportes
de
a
Assembleia
Nacional
de
o
Equador
,
Diana
Blacio
,
de
o
partido
de
o
governo
,
mas
não
recebeu
resposta
até
a
publicação
de
esta
reportagem
.
"
O
orçamento
de
a
saúde
sofreu
reduções
significativas
"
,
explica
a
a
BBC
a
congressista
María
Verónica
Iñiguez
Gallardo
,
de
a
província
de
Loja
,
em
o
sul
de
o
Equador
.
"
De
US$
3,219
bilhões
[
cerca
de
R$
18
bilhões
]
,
em
2023
,
o
orçamento
caiu
para
US$
2,959
bilhões
[
R$
16,5
bilhões
]
em
2024
e
para
US$
2,798
bilhões
[
R$
15,6
bilhões
]
em
2025
"
,
detalha
ela
.
Dados
de
o
Banco
Mundial
indicam
que
,
em
2021
e
2022
,
os
recursos
destinados
a
a
operação
e
manutenção
de
o
sistema
sanitário
equatoriano
também
foram
reduzidos
.
Este
orçamento
inclui
salários
de
funcionários
,
compra
de
medicamentos
e
insumos
,
serviços
básicos
como
luz
e
água
,
manutenção
de
instalações
e
administração
.
Ou
seja
,
apenas
os
custos
de
o
funcionamento
diário
de
os
hospitais
,
clínicas
e
programas
de
saúde
,
sem
incluir
grandes
investimentos
em
novas
instalações
.
Mas
,
para
Iñiguez
Gallardo
,
o
mais
alarmante
é
a
gestão
de
esses
fundos
.
"
Até
julho
de
2025
,
foram
utilizados
apenas
34,6
%
de
o
orçamento
,
o
que
significa
que
os
hospitais
e
centros
de
saúde
operam
com
recursos
mínimos
"
,
segundo
ele
.
A
deputada
pertence
a
a
Revolução
Cidadã
,
o
principal
partido
de
oposição
,
liderado
por
o
ex-presidente
Rafael
Correa
(
2007-2017
)
.
"
O
desabastecimento
de
insumos
e
medicamentos
é
generalizado
em
todo
o
país
"
,
segundo
ela
.
"
Em
setembro
,
os
hospitais
públicos
relatavam
um
estoque
de
apenas
45
%
de
medicamentos
.
"
Iñiguez
Gallardo
afirma
que
,
por
exemplo
,
em
os
hospitais
Monte
Sinai
e
de
o
Guasmo
(
os
dois
maiores
centros
de
saúde
de
Guayaquil
,
a
capital
econômica
de
o
país
)
,
a
falta
de
insumos
essenciais
atingiu
80
%
.
"
Em
outro
hospital
de
Guayaquil
,
o
Hospital
Universitário
,
18
recém-nascidos
morreram
depois
de
contraírem
infecções
associadas
a
os
cuidados
sanitários
"
,
ela
conta
.
"
Foi
consequência
de
a
reutilização
de
cânulas
contaminadas
,
um
insumo
que
tem
custo
mínimo
"
,
de
cerca
de
US$
1
(
R$
5,60
)
.
Juan
(
nome
fictício
)
é
especialista
de
o
Hospital
Geral
Monte
Sinai
,
que
não
deseja
ser
identificado
.
Ele
descreve
a
precariedade
de
o
trabalho
de
a
instituição
em
o
último
ano
.
"
Uma
pessoa
que
venha
ser
operada
em
o
hospital
precisa
trazer
tudo
"
,
segundo
Juan
.
"
Faltam
agulhas
,
cânulas
,
fios
de
sutura
,
anestésicos
e
analgésicos
.
A
as
vezes
,
não
há
nem
mesmo
algodão
ou
lençóis
em
as
camas.
"
Temos
atendimento
24
horas
por
dia
,
mas
não
há
onde
comer
em
o
hospital
,
pois
as
pessoas
de
a
cantina
não
recebem
há
meses
.
"
Não
podemos
nem
mesmo
fazer
análises
de
laboratório
,
como
exames
de
sangue
"
,
conta
ele
a
a
BBC
News
Mundo
.
"
São
serviços
que
praticamente
não
funcionam
por
falta
de
pagamento
.
"
Como
faltam
muitos
remédios
,
as
famílias
se
veem
obrigadas
a
recorrer
a
agiotas
e
pegar
dinheiro
emprestado
com
taxas
de
juros
extremamente
altas
e
abusivas
"
,
prossegue
Juan
.
"
Ou
eles
fazem
isso
,
ou
o
familiar
morre
.
"
A
crise
de
saúde
se
estende
a
toda
a
estrutura
social
.
Vai
muito
além
de
os
hospitais
.
A
BBC
News
Mundo
tentou
entrar
em
contato
com
o
Ministério
de
a
Saúde
Pública
por
os
canais
oficiais
,
mas
também
não
recebeu
resposta
até
a
publicação
de
esta
reportagem
.
Outros
pacientes
prejudicados
por
a
atual
escassez
de
medicamentos
em
o
Equador
são
os
que
necessitam
de
diálise
ou
sofrem
de
diabetes
e
precisam
receber
uma
dose
diária
de
insulina
.
Uma
mobilização
ocorrida
em
Guayaquil
,
em
o
dia
28
de
novembro
,
denunciou
o
desabastecimento
de
insulina
.
Diversas
associações
afirmam
que
a
falta
de
o
medicamento
se
aprofunda
desde
2023
,
afetando
farmácias
públicas
e
privadas
.
"
Se
você
me
perguntar
como
chegamos
a
esta
situação
,
acredito
que
talvez
se
deva
a
a
má
gestão
de
o
Estado
em
o
provisionamento
de
as
compras
"
,
explica
a
presidente
de
a
Fundação
Diabetes
Juvenil
de
o
Equador
,
Lucía
Mantilla
.
"
Os
diabéticos
precisam
de
insulina
todos
os
dias
"
,
prossegue
ela
.
"
Não
é
algo
que
você
possa
tomar
dia
sim
,
dia
não
.
"
"
Atualmente
,
os
membros
de
a
associação
contam
que
precisam
percorrer
várias
farmácias
para
encontrar
uma
ampola
e
,
a
as
vezes
,
a
dividem
por
dois
ou
três
dias
.
"
Quando
um
paciente
diabético
não
recebe
a
injeção
de
insulina
,
isso
pode
gerar
altos
índices
de
glicose
,
o
que
pode
gerar
cetoacidose
"
,
explica
ela
.
"
A
cetoacidose
exige
intervenção
hospitalar
e
o
paciente
,
se
não
for
atendido
,
pode
entrar
em
coma
diabético
em
casos
extremos
.
Para
vários
especialistas
consultados
,
a
pandemia
acelerou
o
colapso
de
o
sistema
.
A
covid-19
atingiu
Guayaquil
com
muita
força
.
"
Milhares
de
profissionais
de
saúde
foram
demitidos
e
vieram
a
público
diversos
casos
de
corrupção
em
a
compra
de
insumos
médicos
"
,
conta
Iñiguez
Gallardo
.
"
A
pandemia
teve
grande
impacto
em
o
Equador
.
Basta
relembrar
os
caixões
em
as
ruas
"
,
afirma
o
ex-especialista
em
saúde
de
o
Banco
Mundial
,
Marcelo
Bortman
.
"
O
país
implementou
um
sistema
que
reservou
os
hospitais
públicos
para
atender
a
covid
e
deixou
para
o
setor
privado
os
cuidados
com
as
demais
patologias
"
,
explica
ele
.
Esta
solução
gerou
a
transferência
de
fundos
de
os
serviços
públicos
para
pagar
a
fatura
de
as
clínicas
particulares
.
"
Para
que
o
sistema
de
saúde
seja
forte
,
é
preciso
ter
recursos
humanos
adequados
,
estrutura
e
financiamento
suficiente
"
,
explica
Bortman
.
"
Obviamente
,
os
hospitais
precisam
ter
equipamento
e
isso
é
cada
vez
mais
caro
,
devido
a
a
tecnologia
.
"
A
maior
parte
de
o
orçamento
de
os
setores
de
saúde
por
o
mundo
,
em
geral
,
se
destina
a
a
operação
,
mas
não
há
dinheiro
para
manutenção
,
nem
melhorias
.
E
,
com
o
passar
de
os
anos
,
se
esses
investimentos
forem
insuficientes
,
os
serviços
vão
se
deteriorando
,
bem
como
sua
capacidade
.
O
jornal
El
Mercurio
noticiou
recentemente
a
história
de
Féliz
Aurelio
Suqui
,
um
paciente
de
22
anos
,
que
deu
entrada
há
mais
de
20
dias
em
o
Hospital
José
Carrasco
Arteaga
,
em
a
cidade
de
Cuenca
,
a
terceira
maior
de
o
país
.
Ele
caiu
de
uma
empilhadeira
a
15
metros
de
altura
,
enquanto
trabalhava
.
O
relatório
médico
indica
que
ele
sofreu
,
entre
outras
coisas
,
politraumatismo
—
muitos
ossos
quebrados
,
incluindo
três
vértebras
.
Representação em texto