Representação em frases
Argentina de Milei: g1 mostra o que mudou na vida e na economia do país, um ano após o Plano Motosserra
| ID | TEJ_0390 |
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| Língua | Português brasileiro |
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| Fonte | G1 |
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| Link | https://g1.globo.com/economia/noticia/2024/12/30/argentina-de-milei-g1-mostra-o-que-mudou-na-vida-e-economia-do-pais-um-ano-apos-o-plano-motosserra.ghtml |
|---|
| Título | Argentina de Milei: g1 mostra o que mudou na vida e na economia do país, um ano após o Plano Motosserra |
|---|
| Subtítulo | g1 foi a Buenos Aires e ouviu relatos de trabalhadores, estudantes e analistas. Milei estabilizou a economia, baixou a inflação e manteve a popularidade. E agora precisa retomar o crescimento e lidar com alta da pobreza. |
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| Ano | 2024 |
|---|
| Corpus | TEJ |
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| Domínio | Jornalístico |
|---|
| Tema | Economia |
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| Propósito | Noticiar |
|---|
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Argentina
de
Milei
:
o
que
mudou
um
ano
após
o
Plano
Motosserra
Há
pouco
mais
de
um
ano
,
a
Argentina
foi
a
as
urnas
e
escolheu
a
mudança
.
Quem
venceu
foi
o
polêmico
Javier
Milei
,
um
ultraliberal
de
direita
que
prometia
uma
revisão
completa
de
a
economia
para
resolver
problemas
crônicos
,
que
se
arrastam
há
anos
.
Logo
em
os
primeiros
dias
,
colocou
em
prática
sua
principal
proposta
de
campanha
,
o
“
Plano
Motosserra
”
,
com
cortes
de
todos
os
tipos
:
de
gastos
,
de
normas
burocráticas
e
de
tudo
que
Milei
via
como
intervenção
excessiva
de
o
estado
em
o
dia
a
dia
de
a
economia
.
Foram
flexibilizadas
regras
trabalhistas
e
políticas
de
aluguéis
.
Empresas
públicas
foram
privatizadas
e
funcionários
públicos
,
demitidos
.
Restrições
a
exportações
deixaram
de
existir
.
Essas
restrições
costumam
ser
adotadas
como
uma
forma
de
preservar
a
oferta
e
evitar
o
encarecimento
de
produtos
,
principalmente
alimentos
.
O
princípio
de
os
liberais
,
porém
,
é
deixar
o
mercado
livre
para
operar
como
quiser
e
,
além
de
isso
,
mais
exportações
também
impulsionam
a
moeda
nacional
contra
o
dólar
.
Também
foram
derrubados
antigos
congelamentos
de
preços
e
subsídios
a
serviços
básicos
,
como
transporte
público
,
contas
de
água
e
luz
.
Reforma
trabalhista
,
privatizações
,
aluguéis
:
os
principais
pontos
de
o
decreto
de
Milei
A
ideia
com
tudo
isso
era
reduzir
os
gastos
de
o
governo
,
liberalizar
a
economia
,
gerar
maior
entrada
de
dólares
em
o
país
e
aumentar
a
confiança
em
o
futuro
de
a
Argentina
.
E
,
claro
,
o
principal
:
reduzir
uma
hiperinflação
,
que
era
de
impressionantes
211,4
%
em
12
meses
a
o
final
de
2023
.
A
inflação
cedeu
e
se
tornou
a
grande
vitória
de
Milei
em
seu
primeiro
ano
.
O
índice
mensal
passou
de
25,5
%
em
dezembro
de
2023
para
2,4
%
em
novembro
de
2024
.
Em
12
meses
,
ainda
são
166
%
.
Vieram
também
os
superávits
:
por
a
primeira
vez
em
13
anos
,
a
Argentina
terá
um
ano
em
que
arrecadou
mais
de
o
que
gastou
.
Depois
de
registrar
superávit
de
357
bilhões
de
pesos
em
novembro
(
cerca
de
US$
337,43
milhões
)
,
11°
mês
consecutivo
de
resultado
positivo
,
o
governo
espera
encerrar
o
ano
com
um
superávit
primário
correspondente
a
cerca
de
1,9
%
de
o
PIB
.
Esse
é
um
pilar
fundamental
de
as
políticas
de
Milei
,
já
que
o
país
precisa
urgentemente
fazer
reservas
em
dólar
,
mostrar
que
pode
cumprir
seus
compromissos
e
é
um
porto
seguro
para
investidores
.
Mas
esse
resultado
veio
a
duras
penas
para
a
população
mais
pobre
.
Com
desemprego
e
preços
em
alta
,
a
pobreza
subiu
e
passou
a
atingir
mais
de
a
metade
de
a
população
—
consequência
direta
de
os
cortes
de
subsídios
e
fim
de
os
controles
de
preços
,
que
encareceram
transporte
,
energia
,
água
e
outros
produtos
e
serviços
básicos
.
Quando
Milei
tomou
posse
,
eram
41,7
%
de
pobres
(
12,3
milhões
)
.
A
o
final
de
o
primeiro
semestre
de
governo
,
eram
52,9
%
(
15,7
milhões
de
pessoas
)
.
Com
a
paralisação
de
a
economia
,
causada
por
a
motosserra
,
a
atividade
econômica
desabou
.
Em
o
terceiro
trimestre
de
2024
,
o
último
que
se
tem
dados
divulgados
até
aqui
,
o
Produto
Interno
Bruto
(
PIB
)
argentino
teve
queda
de
2,1
%
em
relação
a
o
mesmo
período
de
o
ano
anterior
.
Deve
fechar
o
ano
com
contração
de
3,5
%
,
segundo
as
projeções
de
o
Fundo
Monetário
Internacional
(
FMI
)
.
Mesmo
assim
,
a
popularidade
de
Milei
continua
alta
.
Por
mais
dolorosas
que
sejam
as
medidas
,
os
argentinos
parecem
considerar
que
esse
é
um
caminho
necessário
para
uma
melhora
de
a
economia
e
que
o
presidente
ainda
tem
um
tempo
para
reverter
o
jogo
.
Há
,
porém
,
quem
tenha
pouca
esperança
de
que
a
vida
vá
melhorar
.
São
esses
os
relatos
que
o
g1
ouviu
em
Buenos
Aires
,
capital
de
a
Argentina
.
São
analistas
,
trabalhadores
,
empreendedores
,
empresários
e
estudantes
que
vivem
em
o
país
,
para
entender
como
as
mudanças
em
a
economia
marcaram
o
primeiro
ano
de
Milei
–
e
o
que
esperar
adiante
.
Entenda
em
esta
reportagem
:
A
fórmula
de
Milei
para
salvar
a
economia
A
fórmula
de
Milei
para
salvar
a
economia
A
motosserra
foi
um
símbolo
de
a
campanha
de
Milei
em
2023
,
e
não
se
pode
dizer
que
o
argentino
não
sabia
o
que
viria
por
a
frente
.
O
pacote
que
leva
seu
nome
é
muito
mais
amplo
,
mas
a
direção
é
sempre
a
mesma
:
corte
de
gastos
.
Entre
as
principais
medidas
,
o
pacote
:
Eliminou
os
subsídios
governamentais
para
serviços
básicos
,
como
luz
,
água
e
transportes
públicos
;
Eliminou
uma
lei
que
limitava
os
aumentos
de
preços
em
produtos
de
a
cesta
básica
em
os
supermercados
;
Congelou
obras
públicas
;
Demitiu
milhares
de
funcionários
públicos
;
Diminuiu
o
reajuste
de
os
salários
,
aposentadorias
e
pensões
;
Iniciou
estudos
e
processos
de
desestatização
e
privatização
de
empresas
estatais
;
Abriu
a
economia
de
a
Argentina
para
mais
exportações
e
importações
.
O
maior
impacto
veio
de
o
fim
de
os
subsídios
a
as
contas
básicas
e
de
o
controle
de
preços
,
que
fizeram
explodir
a
inflação
em
um
primeiro
momento
.
Em
novembro
de
2023
,
o
índice
foi
de
12,8
%
,
já
altíssimo
.
Em
o
mês
seguinte
,
primeiro
de
vigência
de
as
medidas
,
passou
a
25,5
%
.
Em
março
de
2024
,
a
inflação
argentina
chegou
a
o
pico
de
287,9
%
em
a
janela
de
12
meses
.
"
A
eliminação
de
os
subsídios
de
luz
e
gás
geraram
um
aumento
muito
grande
em
contas
essenciais
para
famílias
e
comerciantes
.
Isso
gerou
um
repasse
em
os
preços
e
pressão
sobre
toda
a
inflação
"
,
explica
Carlos
Bermani
,
professor
de
economia
de
a
Universidade
de
Buenos
Aires
(
UBA
)
.
A
o
mesmo
tempo
,
o
governo
Milei
congelou
os
reajustes
de
o
salário
mínimo
e
paralisou
obras
públicas
.
Os
custos
subiram
,
a
economia
desacelerou
e
o
desemprego
subiu
.
A
diarista
Erica
Teijeiro
sentiu
o
impacto
de
o
Plano
Motosserra
duas
vezes
:
o
custo
de
vida
subiu
para
ela
e
para
seus
clientes
.
Ela
acabou
perdendo
trabalhos
porque
seus
contratantes
também
tiveram
que
reduzir
o
orçamento
familiar
.
Sobraram
três
casas
durante
a
semana
,
para
sustentar
seus
dois
filhos
.
Mas
o
grande
dilema
é
que
até
trabalhar
ficou
muito
mais
caro
:
ela
vive
em
a
cidade
de
La
Matanza
e
precisa
de
três
ônibus
para
ir
e
mais
três
para
voltar
de
Buenos
Aires
,
onde
estão
seus
clientes
.
Sem
os
subsídios
a
o
transporte
,
ela
gasta
mais
que
o
dobro
de
o
que
costumava
.
Com
o
que
sobra
de
o
dinheiro
que
recebe
,
Erica
consegue
apenas
pagar
os
serviços
básicos
e
alimentação
.
“
Já
não
compro
carne
,
produtos
lácteos
e
frutas
e
verduras
,
porque
são
os
alimentos
mais
caros
.
Dependo
muito
de
doações
,
muitas
vezes
.
Menos
ainda
compro
roupas
ou
calçados
para
mim
ou
para
as
crianças
”
,
diz
a
diarista
.
Há
casos
menos
dramáticos
,
mas
que
não
deixam
de
sentir
as
mudanças
.
A
estudante
e
servidora
pública
Victoria
D’
Astoli
afirma
que
a
vida
se
transformou
,
e
é
preciso
fazer
contas
o
tempo
todo
.
“
Desde
maio
,
não
vou
a
o
cinema
.
Agora
preciso
escolher
o
tanto
que
vou
colocar
em
o
Sube
(
cartão
de
o
transporte
público
)
e
torcer
para
que
isso
dure
por
uma
ou
duas
semanas
.
Se
chega
a
durar
duas
semanas
,
é
uma
glória
”
.
É
por
situações
como
essa
que
Milei
luta
contra
o
tempo
.
O
número
de
argentinos
que
vivem
abaixo
de
a
linha
de
a
pobreza
chegou
a
15,7
milhões
em
o
primeiro
semestre
de
este
ano
,
atingindo
52,9
%
de
a
população
,
de
acordo
com
o
Indec
.
Trata
se
de
uma
alta
de
11,2
pontos
percentuais
em
relação
a
o
segundo
semestre
de
2023
.
Mas
a
inflação
foi
se
acomodando
.
A
disparada
ocorreu
,
explica
o
analista
financeiro
Luis
De
Dominicis
,
porque
“
os
preços
estavam
muito
defasados
”
,
principalmente
os
de
serviços
e
produtos
básicos
.
Depois
que
os
subsídios
e
controles
de
preços
foram
retirados
,
houve
uma
alta
expressiva
seguida
de
uma
gradual
estabilização
,
explica
o
especialista
.
A
partir
de
abril
,
a
inflação
argentina
deixou
de
ter
dois
dígitos
mensais
,
até
chegar
a
a
casa
de
os
2
%
.
E
,
inegavelmente
,
o
fim
de
a
aflição
com
os
preços
subindo
traz
tranquilidade
a
os
argentinos
.
O
agente
imobiliário
Patricio
Bernabé
sentiu
a
baixa
de
consumo
de
os
primeiros
meses
de
2024
,
que
reduziram
a
busca
por
imóveis
.
Mas
está
otimista
porque
a
desaceleração
de
a
inflação
traz
novas
perspectivas
.
A
os
37
anos
de
idade
,
ele
comenta
que
os
argentinos
de
sua
faixa
etária
“
não
sabem
o
que
é
viver
sem
inflação
”
e
conta
a
dificuldade
que
é
não
ter
referência
de
quando
um
produto
está
barato
ou
caro
.
“
Você
pergunta
‘
quanto
custa
uma
bebida
cola
?
’
.
Se
eu
não
compro
todo
dia
,
não
sei
,
porque
vai
aumentando
e
você
perde
a
referência
.
Quando
o
cara
vai
falar
o
preço
,
você
não
sabe
se
é
caro
ou
se
é
barato
.
Você
paga
”
,
comenta
Patricio
.
“
Eu
acho
que
isso
[
a
redução
de
a
inflação
]
é
o
melhor
:
você
pode
começar
a
planejar
um
pouquinho
mais
a
sua
vida
,
se
tem
que
fazer
um
investimento
,
umas
férias
,
uma
viagem
.
Muda
um
pouquinho
a
sua
cabeça
”
,
diz
.
Já
Carolina
De
Maio
,
empreendedora
que
tinha
uma
casa
lotérica
,
fechou
seu
negócio
durante
a
crise
e
hoje
vive
como
motorista
de
aplicativo
,
diz
que
,
por
mais
que
ainda
tenha
cautela
com
suas
economias
e
um
pouco
de
medo
de
o
futuro
,
“
há
uma
esperança
de
tempos
melhores
”
.
“
Tudo
mudou
muito
rápido
,
por
isso
os
primeiros
meses
foram
muito
difíceis
.
Mas
eu
estou
otimista
”
,
diz
a
motorista
.
“
A
os
poucos
,
tudo
está
se
normalizando
,
as
pessoas
estão
perdendo
o
medo
de
a
inflação
e
se
atrevendo
a
gastar
um
pouco
mais
.
Vejo
que
a
minha
vida
vai
,
a
os
poucos
,
prosperando
mais
”
.
Ainda
há
muito
o
que
fazer
,
mas
o
controle
de
a
inflação
é
a
base
de
sustentação
de
Javier
Milei
.
Quando
eleito
,
ele
avisou
que
tudo
isso
aconteceria
–
e
talvez
por
isso
sua
popularidade
continue
alta
.
Segundo
a
pesquisa
mais
recente
de
a
Opina
Argentina
,
53
%
de
a
população
aprova
a
gestão
de
Milei
.
Em
o
início
de
o
governo
,
eram
51
%
.
Em
seu
discurso
de
posse
,
Milei
disse
que
“
não
há
alternativa
a
o
ajuste
e
não
há
alternativa
a
o
choque
.
Naturalmente
,
isso
impactará
de
modo
negativo
o
nível
de
a
atividade
,
o
emprego
,
os
salários
reais
,
a
quantidade
de
pobres
e
indigentes
”
.
O
presidente
garantiu
,
porém
,
que
o
choque
econômico
seria
o
“
último
mal-estar
antes
de
a
reconstrução
de
a
Argentina
”
.
Representação em texto