Representação em frases
Leia redações nota mil do Enem 2024
| ID | TEJ_0100 |
|---|
| Língua | Português brasileiro |
|---|
| Fonte | G1 |
|---|
| Link | https://g1.globo.com/educacao/enem/2024/noticia/2025/03/14/enem-2024-leia-redacoes-nota-mil.ghtml |
|---|
| Título | Leia redações nota mil do Enem 2024 |
|---|
| Subtítulo | Inep libera, em todas as edições, a versão digitalizada do texto entregue pelo candidato. Na edição mais recente, apenas 12 estudantes conseguiram a nota máxima na redação. |
|---|
| Ano | 2025 |
|---|
| Corpus | TEJ |
|---|
| Domínio | Jornalístico |
|---|
| Tema | Educação |
|---|
| Propósito | Noticiar |
|---|
mostrar 1 - 100 of 116 • seguintes
Inep
libera
versão
digitalizada
de
o
texto
de
as
redações
nota
mil
de
o
Enem
2024
Candidatos
de
o
Exame
Nacional
de
o
Ensino
Médio
(
Enem
)
2024
já
podem
consultar
os
"
espelhos
"
de
a
redação
—
ou
seja
,
as
versões
digitalizadas
de
os
textos
que
eles
entregaram
em
o
dia
de
a
prova
.
Para
acessar
o
documento
,
é
necessário
entrar
em
a
Página
de
o
Participante
,
em
este
endereço
.
Em
2024
,
os
candidatos
tiveram
de
escrever
sobre
:
"
Desafios
para
a
valorização
de
a
herança
africana
em
o
Brasil
"
;
e
"
Desafios
para
a
valorização
de
a
arte
de
periferia
em
o
cenário
cultural
brasileiro
"
(
reaplicação
de
a
prova
em
dezembro
,
para
pessoas
privadas
de
liberdade
e
para
quem
teve
algum
problema
previsto
em
edital
em
a
data
original
)
.
O
g1
teve
acesso
a
alguns
de
os
12
textos
que
obtiveram
a
nota
máxima
.
Confira
abaixo
a
íntegra
de
os
conteúdos
.
O
que
5
redações
nota
mil
de
o
Enem
têm
em
comum
?
Professores
analisam
'
segredos
'
‘
Oi
,
sumidos
!
’
:
que
temas
de
redação
de
o
Enem
não
aparecem
faz
tempo
?
Observação
:
as
transcrições
abaixo
foram
fiéis
a
os
textos
de
os
alunos
,
incluindo
possíveis
erros
de
português
.
O
que
todos
os
temas
de
redação
de
o
Enem
têm
em
comum
?
Danilo
Oliveira
Batista
,
de
São
Luís
(
MA
)
O
"
ciclo
de
o
ouro
"
–
ocorrido
em
o
Brasil
em
o
século
XVIII
–
acarretou
o
aumento
de
o
número
de
escravos
provenientes
de
o
continente
africano
em
o
país
,
trazidos
com
graves
diferenças
culturais
entre
si
,
sem
que
fossem
levados
em
consideração
os
aspectos
regionais
e
sociais
de
suas
origens
,
ocasionando
uma
homogeneização
forçada
de
indivíduos
.
Atualmente
,
de
forma
análoga
a
a
História
Colonial
Brasileira
,
ainda
há
uma
forte
tendência
a
a
padronização
cultural
de
a
África
,
desprezando
sua
pluralidade
e
seu
legado
.
Assim
,
dois
grandes
desafios
para
a
valorização
de
a
herança
africana
em
o
Brasil
devem
ser
debelados
:
as
políticas
públicas
ineficazes
e
as
falhas
educacionais
.
Diante
de
o
cenário
exposto
,
as
políticas
públicas
ineficazes
possibilitam
a
desvalorização
de
o
legado
africano
em
o
país
,
uma
vez
que
elas
impedem
o
estabelecimento
concreto
de
uma
revisão
histórica
pautada
em
mais
oportunidades
,
proteção
e
visibilidade
para
pessoas
pretas
.
Consoante
o
sociólogo
Émile
Durkheim
,
uma
sociedade
sem
regras
claras
,
sem
valores
e
sem
limites
encontra
se
em
estado
de
anomia
social
.
Em
esse
sentido
sociológico
,
esse
estado
anômico
pode
ser
observado
em
a
hodierna
realidade
brasileira
,
em
a
medida
em
que
as
políticas
públicas
ineficientes
permitem
o
desprezo
e
o
desrespeito
com
as
religiões
de
matriz
africana
,
a
desassistência
em
áreas
quilombolas
e
a
ausência
de
representatividade
em
propagandas
,
por
exemplo
.
Com
base
em
isso
,
uma
mudança
urgente
e
pragmática
deve
ser
realizada
,
visando
a
a
transformação
de
essa
conjuntura
,
de
modo
a
não
só
valorizar
a
herança
africana
em
o
país
,
como
também
a
protegê
la
.
Ademais
,
as
falhas
educacionais
também
constituem
se
como
importantes
fatores
que
aprofundam
o
descaso
com
o
legado
africano
em
o
Brasil
.
Segundo
o
filósofo
Inmanuel
Kant
,
"
o
homem
é
aquilo
que
a
educação
faz
de
ele
"
.
Sob
esse
prisma
filosófico
,
essas
falhas
educacionais
solidificam
mentalidades
alienadas
em
a
população
,
potencializando
preconceitos
e
ratificando
equívocos
concernentes
a
a
cultura
africana
em
o
país
.
Em
esse
viés
,
a
própria
formação
de
o
cidadão
brasileiro
-
em
o
que
tange
a
a
África
e
sua
herança
-
é
maculada
por
noções
desprovidas
de
veracidade
e
etnocêntricas
,
corroborando
a
desvalorização
de
a
pluralidade
e
de
as
"
raízes
africanas
"
,
presentes
em
campos
variados
,
como
a
gastronomia
,
a
dança
e
a
religião
,
representados
respectivamente
,
por
o
acarajé
,
por
o
tambor
de
crioula
e
por
o
candomblé
.
Então
,
torna
se
imperiosa
a
correção
imediata
de
essas
falhas
,
em
o
sentido
de
debelar
erros
e
ampliar
visões
africanas
positivas
.
Infere
se
,
portanto
,
que
as
políticas
públicas
ineficazes
e
as
falhas
educacionais
configuram
se
como
os
dois
desafios
para
a
valorização
de
a
herança
africana
em
o
Brasil
.
Em
essa
ótica
,
o
Governo
Federal
-
órgão
máximo
responsável
por
a
ordem
social
-
deve
ampliar
as
políticas
públicas
existentes
,
tornando
as
mais
eficazes
,
por
intermédio
de
uma
aliança
com
o
Governo
Estadual
e
o
Governo
Municipal
,
com
a
finalidade
de
aumentar
a
proteção
,
as
oportunidades
e
a
representatividade
de
as
pessoas
pretas
.
O
Governo
Federal
também
deve
corrigir
as
falhas
educacionais
,
por
meio
de
a
Mídia
—
grande
divulgadora
de
informações
—
e
de
a
Escola
,
a
fim
de
mitigar
equívocos
,
ocasionando
a
valorização
de
o
legado
africano
.
Logo
,
o
país
possuíra
uma
estrutura
melhor
para
"
dialogar
"
com
a
herança
de
a
África
,
longe
de
a
padronização
impositiva
ocorrida
durante
o
"
ciclo
de
o
ouro
"
em
o
século
XVIII
.
Sabrina
Ayumi
Alves
,
de
Araçatuba
(
SP
)
O
livro
"
Nós
matamos
o
cão
tinhoso
"
de
Luís
Bernardo
Honwana
retrata
a
sociedade
moçambicana
durante
a
colonização
portuguesa
.
Em
a
obra
literária
,
observa
se
uma
dinâmica
social
pautada
por
a
inferiorização
de
os
indivíduos
negros
,
em
a
qual
o
racismo
está
enraizado
em
as
interações
entre
as
pessoas
,
em
a
qualidade
de
vida
e
em
a
autoimagem
de
cada
ser
.
Assim
,
a
o
inserir
a
imagem
criada
por
o
livro
em
o
contexto
brasileiro
de
ínfima
valorização
de
a
herança
africana
,
infere
se
que
o
passado
colonial
persiste
em
as
estruturas
de
o
Brasil
,
se
manifestando
a
partir
de
o
apagamento
sistemático
de
a
cultura
afro-brasileira
.
Em
razão
de
isso
,
deve
se
discutir
o
papel
de
o
Estado
em
o
setor
escolar
e
cultural
diante
de
esse
contexto
de
silenciamento
.
Em
um
primeiro
momento
,
é
necessário
entender
a
relação
entre
a
dinâmica
social
brasileira
e
a
desvalorização
de
a
herança
africana
.
Para
fundamentar
essa
ideia
,
o
filósofo
Ailton
Krenak
afirma
que
,
em
o
Brasil
,
existem
dois
grupos
—
a
humanidade
,
formada
por
a
elite
econômica
,
e
a
subumanidade
,
a
qual
tem
seus
direitos
negados
e
é
constituída
principalmente
por
as
populações
marginalizadas
socialmente
,
como
os
povos
originários
e
os
negros
.
Por
conseguinte
,
entende
se
que
o
apagamento
de
a
cultura
africana
é
uma
extensão
de
o
panorama
de
a
desigualdade
social
brasileira
,
já
que
essa
desvalorização
sistemática
silencia
as
vozes
de
populações
que
são
violentadas
e
oprimidas
há
séculos
,
o
que
favorece
a
manutensão
de
essas
pessoas
em
o
grupo
de
a
subumanidade
.
De
essa
forma
,
o
Estado
deve
desenvolver
medidas
que
visem
valorizar
e
apoiar
artistas
e
escritores
relacionados
a
a
herança
africana
em
o
Brasil
.
Sob
outra
ótica
,
a
compreensão
acerca
de
a
importância
de
a
ancestralidade
em
a
formação
de
a
autoimagem
e
de
a
noção
de
pertencimento
de
cada
indivíduo
é
imperativa
.
Para
isso
,
a
filósofa
brasileira
Marilena
Chaui
defende
a
ideia
de
que
,
enquanto
os
animais
são
seres
naturais
,
os
humanos
são
culturais
-
ou
seja
,
a
cultura
em
que
cada
pessoa
está
inserida
compõe
a
essência
de
esse
ser
.
A
partir
de
isso
,
compreende
se
que
o
silenciamento
de
a
herança
africana
nega
a
uma
grande
parte
de
o
povo
brasileiro
a
sua
própria
essência
,
o
que
constitui
uma
violência
estrutural
e
resulta
em
uma
noção
de
não
pertencimento
generalizada
e
em
uma
autoimagem
defasada
.
Frente
a
isso
,
o
Estado
deve
agir
em
prol
de
a
promoção
de
manifestações
culturais
afro-brasileiras
.
Em
suma
,
conclui
se
que
a
desvalorização
de
a
cultura
africana
está
diretamente
relacionada
a
um
processo
sistemático
de
silenciamento
de
grupos
oprimidos
e
resulta
em
a
falta
de
pertencimento
de
muitos
indivíduos
.
Portanto
,
cabe
a
o
Estado
,
por
meio
de
uma
parceria
entre
o
Ministério
de
a
Economia
(
ME
)
e
o
Ministério
de
a
Educação
e
de
a
Cultura
(
MEC
)
,
desenvolver
manifestações
culturais
afro-brasileiras
em
as
escolas
,
como
,
por
exemplo
,
peças
teatrais
e
festivais
de
dança
,
música
e
arte
,
assim
como
investir
financeiramente
em
a
promoção
de
artistas
e
escritores
que
têm
suas
carreiras
relacionadas
a
a
herança
africana
.
Por
fim
,
essas
ações
serão
responsáveis
por
impedir
o
perpetuamento
de
a
desvalorização
de
a
cultura
africana
em
o
Brasil
.
Marina
Vieira
Almeida
Lima
,
de
Maceió
(
AL
)
Em
a
obra
literária
"
Raízes
de
o
Brasil
"
,
escrita
por
o
sociólogo
Sérgio
Buarque
de
Holanda
,
há
a
representação
de
a
miscigenação
brasileira
,
caracterizada
por
a
predominância
de
a
etnia
africana
em
a
formação
populacional
de
o
país
.
Contudo
,
apesar
de
a
indiscutível
relevância
de
a
cultura
advinda
de
os
negros
para
a
construção
cultural
de
a
nação
,
a
herança
de
os
povos
africanos
não
é
devidamente
valorizada
,
visto
que
suas
contribuições
culturais
são
omitidas
em
o
meio
social
.
Logo
,
perante
esse
entrave
,
cabe
a
análise
de
a
estagnação
estatal
e
de
a
negligência
educacional
.
Diante
de
essa
panorama
,
é
perceptível
a
fragilidade
governamental
em
valorizar
a
herança
proveniente
de
a
África
em
o
Brasil
.
Em
esse
viés
,
a
partir
de
1888m
dada
a
promulgação
de
a
Lei
Áurea
-
responsável
por
a
abolição
de
a
escravatura
-
,
os
escravizados
africanos
e
seus
descendentes
tornaram
se
marginalizados
socialmente
,
em
virtude
de
a
ausência
de
ressarcimento
de
os
seus
direitos
civis
por
parte
de
o
governo
.
Sendo
assim
,
como
reflexo
de
esse
fato
histórico
,
o
Estado
ainda
negligencia
a
cultura
afrodescendente
a
o
não
proporcionar
políticas
públicas
eficazes
,
uma
vez
que
não
impulsiona
a
inserção
de
manifestações
culturais
africanas
,
como
as
danças
tradicionais
em
o
ambiente
social
-
a
exemplo
de
a
falta
de
a
disseminação
de
festivais
africanos
por
o
território
-
,
em
virtude
de
a
priorização
de
a
destinação
de
verbas
a
eventos
de
culturas
privilegiadas
,
como
a
europeia
.
Por
conseguinte
,
as
práticas
culturais
de
os
afrodescendentes
são
invisibilizadas
,
tornando
as
vítimas
de
discriminação
,
como
o
racismo
,
anulando
suas
identidades
étnicas
.
Em
suma
,
a
omissão
estatal
é
um
fator
agravante
de
a
problemática
retratada
.
Outrossim
,
é
notório
o
impacto
de
a
ineficiência
educacional
em
relação
a
a
desvalorização
de
a
herança
de
os
negros
em
a
nação
verde-amarela
.
Em
esse
contexto
,
o
político
Nelson
Mandela
ressalta
o
valor
de
a
educação
e
o
seu
potencial
de
salvar
a
humanidade
.
Entretanto
,
a
educação
brasileira
apresenta
uma
série
de
lacunas
que
dificultam
a
promoção
de
a
herança
africana
em
o
país
.
Prova
de
essa
conjuntura
é
a
escassez
de
disciplinas
que
abordem
a
história
de
a
cultura
afrodescendente
em
o
Brasil
—
sem
ilustrar
apenas
o
período
de
a
escravidão
—
,
devido
a
o
destaque
dado
a
matérias
consideradas
mais
importantes
,
como
a
matemática
.
Consequentemente
,
as
manifestações
culturais
africanas
são
negligenciadas
são
negligenciadas
por
os
estudantes
,
por
adquirirem
uma
visão
estereotipada
de
suas
práticas
e
desconsiderarem
sua
diversidade
.
Em
síntese
,
a
lacuna
educacional
corrobora
a
temática
mostrada
.
Portanto
,
medidas
necessitam
ser
tomadas
para
mitigar
os
desafios
supracitados
.
Assim
,
é
dever
de
o
Ministério
de
a
Cultura
—
órgão
responsável
por
administrar
a
preservação
cultural
brasileira
—
incentivar
a
exposição
de
a
cultura
africana
,
mediante
eventos
culturais
.
De
igual
modo
,
cabe
a
o
Ministério
de
a
Educação
,
órgão
responsável
por
assegurar
a
educação
nacional
,
inserir
os
estudos
africanos
em
a
grade
curricular
,
mediante
a
criação
de
uma
matéria
para
isso
.
Em
esse
sentido
,
com
o
intuito
de
valorizar
a
herança
africana
,
suas
práticas
serão
respeitadas
.
Rafael
Santana
Assunção
,
de
Belo
Horizonte
(
MG
)
O
álbum
musical
"
Duas
Cidades
"
,
de
a
banda
brasileira
Baiana
System
,
aborda
,
em
algumas
de
suas
canções
,
o
apagamento
de
a
influência
histórica
africana
em
o
Brasil
.
Inegavelmente
,
em
dias
atuais
,
é
possível
constatar
uma
relação
direta
entre
a
composição
artística
citada
e
a
desvalorização
de
a
herança
africana
em
o
país
.
Isso
é
explicado
devido
a
a
falta
de
política
pública
de
ensino
e
a
a
ausência
de
lei
específica
.
Logo
,
é
essencial
analisar
e
intervir
sobre
essa
problemática
.
A
princípio
,
deve
se
observar
que
o
pouco
fomento
governamental
em
ações
de
gestão
educacional
é
um
problema
a
ser
combatido
.
Sob
a
perspectiva
de
Macaé
Evaristo
,
ministra
de
os
Direitos
Humanos
,
é
urgente
a
necessidade
de
iniciativas
para
a
inclusão
de
a
história
e
de
a
cultura
afro-brasileira
em
as
escolas
.
Para
entender
melhor
tal
posicionamento
,
é
importante
compreender
que
o
atual
ensino
sobre
os
povos
africanos
é
apenas
relatado
em
aulas
específicas
de
algumas
disciplinas
,
como
história
e
literatura
,
sem
se
aprofundar
em
a
grande
influência
cultural
que
a
África
possui
em
o
Brasil
.
De
essa
forma
,
de
acordo
com
Chico
César
,
cantor
e
compositor
de
músicas
afro-brasileiras
,
as
crianças
e
os
adolescentes
necessitam
ter
uma
formação
ampla
sobre
a
temática
,
com
aulas
multidisciplinares
,
por
exemplo
,
de
música
e
de
capoeira
,
bem
como
as
tradicionais
aulas
já
existentes
,
porém
integradas
a
a
herança
africana
presente
em
a
sociedade
.
Em
esse
sentido
,
é
substancial
modificar
esse
contexto
e
desenvolver
uma
forte
política
pública
de
ensino
.
Ademais
,
é
imperativo
pontuar
que
atitude
insuficiente
de
o
Poder
Legislativo
Federal
em
atuar
em
o
tema
é
um
problema
a
ser
combatido
.
Sob
a
ótica
de
Duda
Salabert
,
deputada
federal
e
professora
de
literatura
,
é
imprescindível
a
alteração
de
a
lei
que
orienta
a
educação
básica
brasileira
.
Isso
pode
ser
explicado
por
o
entendimento
de
que
apenas
com
empenho
legislativo
é
possível
transformar
o
mecanismo
legal
que
define
as
matrizes
de
referência
de
o
ensino
nacional
.
De
essa
maneira
,
com
a
união
de
parlamentares
para
o
reconhecimento
de
a
importância
de
a
herança
africana
em
a
formação
educacional
,
poderá
ocorrer
a
consolidação
de
políticas
públicas
,
como
o
investimento
de
a
capacitação
de
professores
e
de
profissionais
especializados
em
cultura
afro-brasileira
.
Assim
,
o
crescimento
de
o
fomento
estatal
em
o
setor
,
garantido
por
aparato
legal
,
contribuirá
para
a
efetivação
de
uma
forte
identidade
nacional
.
Em
suma
,
se
o
Congresso
Nacional
se
omite
de
enfrentar
tal
cenário
danoso
,
entende
se
o
porquê
de
sua
perpetuação
.
Portando
,
com
o
intuito
de
solucionar
esses
desafios
,
o
Poder
Executivo
Federal
,
por
meio
de
o
aumento
de
ações
governamentais
,
deve
estimular
iniciativas
educacionais
relacionadas
a
a
herança
africana
,
a
fim
de
valorizar
a
temática
.
Além
de
isso
,
o
Poder
Legislativo
Federal
,
por
intermédio
de
a
criação
de
um
projeto
de
lei
,
necessita
elaborar
uma
nova
política
nacional
de
ensino
,
com
a
obrigatoriedade
de
investimento
público
em
a
área
,
com
a
definição
de
medidas
de
gestão
pública
capazes
de
instituir
aulas
multidisciplinares
,
como
de
música
e
de
cultura
afro-brasileira
em
as
escolas
,
com
o
objetivo
de
reconhecer
a
importância
de
o
tema
em
a
formação
de
a
sociedade
.
Feito
isso
,
o
apagamento
de
a
influência
africana
abordado
em
a
obra
de
a
banda
Baiana
System
será
,
enfim
,
combatido
.
Anna
Beatriz
Veríssimo
,
de
Baraúna
(
RN
)
Em
a
obra
literária
“
Torto
Arado
”
,
Itamar
Vieira
retrata
uma
comunidade
quilombola
em
a
fazenda
Água
Negra
,
em
a
Bahia
,
relatando
aspectos
socioculturais
relevantes
para
essa
população
afrodescendente
,
como
os
rituais
religiosos
e
os
saberes
tradicionais
passados
por
as
gerações
.
Fora
de
a
ficção
,
é
nítido
que
a
sociedade
brasileira
não
valoriza
a
herança
africana
presente
desde
a
histórica
formação
nacional
.
Essa
problemática
de
a
invisibilidade
decorre
de
a
mentalidade
colonial
eurocêntrica
,
bem
como
de
a
lacuna
educacional
em
o
tocante
a
o
resgate
de
a
cultura
afro-brasileira
.
Dado
o
exposto
,
pode
se
considerar
a
persistência
de
ideais
eurocêntricos
como
empecilho
para
o
reconhecimento
de
o
vasto
legado
africano
em
o
país
,
uma
vez
que
tais
formas
de
conhecimento
são
estigmatizadas
em
detrimento
de
a
valorização
de
os
costumes
hegemônicos
de
os
colonizadores
.
Tal
questão
pode
ser
verificada
sob
o
conceito
de
“
racismo
estrutural
”
,
cunhado
por
o
antropólogo
Silvio
Almeida
,
em
razão
de
a
naturalização
de
o
racismo
em
diversas
esferas
,
a
exemplo
de
a
linguagem
e
de
o
uso
de
expressões
como
“
magia
negra
”
para
vincular
um
sentido
negativo
a
o
que
é
negro
.
De
essa
forma
,
o
pensamento
de
desvalorização
de
a
herança
africana
se
materializa
em
o
cotidiano
,
conforme
denunciado
por
Almeida
,
e
distancia
a
nação
de
o
desejo
de
aprender
acerca
de
os
costumes
e
valores
africanos
,
a
o
atribuir
estereótipos
de
desqualificação
a
esses
saberes
,
o
que
aprofunda
o
óbice
.
Além
de
isso
,
é
notória
a
falha
educacional
brasileira
em
o
que
se
refere
a
o
resgate
de
a
cultura
afro-brasileira
,
presente
em
canções
,
ritmos
,
festas
populares
e
diversas
manifestações
importantes
para
o
patrimônio
nacional
.
Em
esse
viés
,
embora
a
Lei
de
Diretrizes
e
Base
preconize
o
ensino
obrigatório
de
a
história
africana
em
o
ambiente
escolar
,
ainda
há
uma
escassez
de
programas
em
esse
âmbito
,
em
a
medida
em
que
observa
se
um
amplo
desconhecimento
acerca
de
as
grandes
personalidades
negras
ou
de
suas
origens
(
como
o
escritor
Machado
de
Assis
,
muitas
vezes
representado
como
branco
)
,
bem
como
de
o
heroísmo
de
os
abolicionistas
,
a
exemplo
de
o
advogado
Luiz
Gama
.
De
essa
maneira
,
elementos
culturais
,
como
a
literatura
negra
,
são
esquecidos
por
parte
de
a
população
,
o
que
destona
de
a
proposta
memorialística
de
a
LDB
.
Portanto
,
é
preciso
reconhecer
e
valorizar
a
herança
africana
em
o
Brasil
.
Para
isso
,
o
Governo
Federal
,
em
parceria
com
as
secretarias
estaduais
de
educação
,
deve
ampliar
as
campanhas
de
valorização
de
a
cultura
africana
,
sob
um
viés
afrocentrado
,
por
meio
de
votação
entre
deputados
e
senadores
—
responsáveis
por
a
aprovação
de
a
Lei
Orçamentária
Anual
(
LOA
)
—
,
com
a
finalidade
de
combater
a
visão
eurocêntrica
presente
em
a
sociedade
,
promovendo
o
aprendizado
de
a
história
sob
a
ótica
de
os
afrodescendentes
.
Ainda
,
cabe
a
o
Ministério
de
a
Educação
,
como
responsável
por
a
elaboração
de
políticas
públicas
de
educação
,
fomentar
palestras
socioeducativas
,
ministradas
por
pedagogos
negros
,
em
as
instituições
escolares
,
a
fim
de
disseminar
o
conhecimento
acerca
o
inestimável
legado
africano
em
a
história
e
em
a
cultura
de
o
país
.
Em
essa
perspectiva
,
o
panorama
diverso
destacado
em
“
Torto
Arado
”
será
devidamente
valorizado
por
a
sociedade
brasileira
.
Clara
de
Oliveira
,
de
Niterói
(
RJ
)
O
filme
"
Pantera
Negra
"
foi
considerado
um
marco
de
a
cinematografia
mundial
,
devido
a
a
presença
de
um
elenco
majoritariamente
negro
e
a
a
representação
de
a
cultura
de
esse
grupo
étnico-racial
de
maneira
inovadora
e
prestigiada
.
Fora
de
a
ficção
,
o
cenário
apresentado
distancia
se
de
a
realidade
brasileira
,
haja
vista
os
desafios
,
sustentados
por
o
sistema
de
ensino
e
por
o
copo
civil
,
para
a
valorização
de
a
herança
africana
em
o
país
.
Em
esse
sentido
,
de
modo
a
atenuar
essa
situação
,
é
preciso
analisar
o
descaso
de
a
esfera
educacional
e
a
mentalidade
social
como
causas
de
essa
grave
problemática
.
Representação em texto